13 de janeiro de 2013

NA ADOLESCÊNCIA: MÃE PROCURA FILHO DADO PARA ADOÇÃO NO LITORAL CATARINENSE

Fonte: Diário Catarinense

Órfãos do Brasil - 03/10/2012

Aos 15 anos *Maria ficou grávida do seu primeiro filho quando morava na cidade de Lages, região serrana do Estado, e a gravidez precoce gerou desespero na família. A vizinha dela apresentou um advogado chamado Carlos e sua mulher, Carmem. Eles moravam em Camboriú, litoral catarinense e se ofereceram para levar o filho de Maria a uma família em Joinville. 



A angústia sem face: A mulher preferiu não se identificar, pois teme a retaliação de familiares

Dias antes do parto, Miriam foi levada a chácara do casal em Camboriú. De lá, a garota foi para a maternidade Chiquinha Galotti, em Tijucas, na Grande Florianópolis, onde deu luz ao bebê. Dias depois voltou para Lages, sem a criança.

Ela lembra que o casal ainda combinou com os pais dela para assinarem os documentos da adoção, mas nunca mais fizeram contato. Maria conta que os documentos da criança ficaram com o casal que fez a adoção.  
Familiar: Maria                                                                               
Parente que procura: filho      
Cidade: Tijucas  
Hospital: Chiquinha  Galotti   
Nasceu:14 junho  de  1984 
                                                                                                                   
* Maria teve seu nome trocado pois prefere não se identificar.
Versão inglês:
When she was fifteen, Maria* had her first child in Lages and the early pregnancy caused despair in her family. Her neighbor knew a lawyer called Carlos and his wife Carmem, who used to live in Camboriú and had offered to take the child to a family in Joinville. 

Days before giving birth, Maria were left to the family ranch. From there she went to Chiquinha Galotti Maternity, in Tijucas, where she gave birth. A few days later she went back to Lages without the child. 

She remembers the couple arranged with her parents to sign the adoption papers, but they never made contact again. Maria has no documents of the child.
Relative: Maria
Looking for:
Son City: Tijucas
Hospital: Chiquinha Galotti
Date of birth: June 14, 1984
* Maria had her name changed because prefers to remain anonymous   
Versão em hebraico:
 בגיל 15, נולד למרים* הבן הראשון, בעיר לאז`ס. ההריון בגילה הצעיר גרם צער רב למשפחה. שכנה שלהם הכירה את עורך הדין, קרלוס, ואשתו, כרמן, אשר התגוררו בקאמבוריו והציעו לקחת את הילד למשפחה בג`וינווילה. מספר ימים לאחר הלידה, מרים נלקחה לאחוזת הזוג בקאמבוריו. משם היא יצאה לבית היולדות צ`יקיניה גאלוטי, בטיז`וקס  שם ילדה. כמה ימים אחר כך היא חזרה ללאז`ס ללא הילד. היא זוכרת שהזוג קבע חתימת מסמכי אימוץעם הוריה, אך מעולם לא יצר קשר. למרים אין אף מסמך של הילד. 
בת משפחה: מרים
מחפשת אחר: בן
בית חולים: צ`יקיניה גאלוטי
תאריך לידה: 14 ביוני, 1984

MÃE SE ARREPENDE E BUSCA FILHO DADO PARA ADOÇÃO LOGO APÓS O NASCIMENTO

Fonte: Diário Catarinense

Órfãos do Brasil03/10/2012 | 16h34

Bebê teria sido entregue a cartorária em Rio do Sul, no Alto Vale de Itajaí, em Santa Catarina


Nena espera há 27 anos para reencontrar o filho (Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal)

Nena como é conhecida pelos amigos, entregou seu filho para adoção em 1985. A criança nasceu no hospital e maternidade Samaria, em Rio do Sul. Na época com 19 anos, Nena dormia na rua porque a família não aceitava a gravidez. Durante o dia, ganhava comida e ajuda da irmã. 

Ela conta que quando seu filho nasceu não tinha onde ficar. Desesperada resolveu aceitar a oferta de uma mulher dona de um cartório em Rio do Sul. Nena escutou a promessa que poderia manter contato com o filho, mas depois do dia 29 de outubro daquele ano, quando entregou a criança, nunca mais teve notícias.

Familiar: Marcia Aparecida Machado

Parente que procura: filho

Cidade: Rio do Sul.

Nasceu em: 09 de outubro de 1985

Versão em inglês: 

Nena, as she is known by friends, gave her son up for adoption in 1985. The child was born in Samaria Hospital. In that time, she was nineteen and used to sleep out on the streets because her family didn't accept the pregnancy. During the day, she was aided by her sister. 

She tells that when her son was born she didn't have a place to sleep. Desesperate, she decided to accept the offer of a woman, who was owner of a register office in Rio do Sul. The woman said she could be in touch with her son, but after October 29, whe, she gave the child up, she never heard about her son again.

Relative: Marcia Aparecida Machado

Looking for: Son

Date of birth: October 9, 1985

City: Rio do Sul   

Versão em hebraico: 

ננה, כפי שהיא נקראת בפי חבריה, מסרה את בנה לאימוץ ב-1985. הילד נולד בבית החולים והיולדות סמריה. באותה תקופה, כשהיתה בת 19, ישנה ברחובות משום שמשפחתה לא קיבלה את הריונה. במשך היום, קיבלה אוכל ועזרה מאחותה. היא מספרת שכשבנה נולד, לא היה לה מקום לינה. מתוך יאוש, החליטה לקבל אתהצעתה של בעלת משרד רישום בריו דו סול. ננה קיבלה הבטחות שתוכל לשמור על קשר עם הילד, אך מאז ה-29 באוקטובר, כשמסרה את הילד, לא שמעה עליו דבר.

בת משפחה: מריה אפרסידה משדו

מחפשת אחר: בן

עיר: ריו דו סול

תאריך לידה: 9 באוקטובר, 1985

TRÁFICO DE BEBÊS 25 ANOS DEPOIS: AS PROFUNDAS FERIDAS DE BRASILEIROS QUE FORAM VENDIDOS NA INFÂNCIA PARA FAMÍLIAS EM ISRAEL

Fonte: Diário Catarinense

Órfãos do Brasil: 04/08/2012 | 11h21

Repórter: Mônica Foltran, enviada especial/Israel
monica.foltran@horasc.com.br


Série especial conta o drama de bebês brasileiros vendidos como uma mercadoria qualquer para casais estrangeiros




Nascido na região sul do Brasil, Lior Vilk aprendeu a língua portuguesa assistindo novelas brasileiras em Israel e tem dedicado os últimos oito anos da sua juventude em busca de sua identidade brasileira

No dia 9 de maio deste ano, a dona de casa Marilene Espindola recebeu um telefonema do Diário Catarinense.

– A senhora tem uma filha chamada Maya?
– Tive
– Pois nós a localizamos. E gostaríamos de conversar com a senhora – diz a repórter.
– Vocês estão brincando comigo! É um trote? – pergunta a mulher, em cuja cabeça começa a rodar um filme.

As imagens que passaram na cabeça de Marilene têm um roteiro de terror. É uma história que assombra milhares de mulheres brasileiras há duas décadas e meia, quando o Brasil proporcionou um escândalo conhecido na época como Tráfico de Bebês – um comércio que exportou especialmente crianças catarinenses e paranaenses, um volume estimado de 3 mil por ano, entre 1985 e 1988.
Quadrilhas formadas por advogados, juízes, promotores, donos de cartórios, despachantes, enfermeiras e médicos, com a conivência de policiais, pagavam um salário mínimo para grávidas, em situação vulnerável, entregarem os filhos para adoção compulsória. Algumas mulheres venderam os fetos ainda no ventre – e muitas vezes por menos de um salário.

Outras mães nunca viram um tostão; apenas foram convencidas de que viveriam melhor com uma boca a menos dentro de casa e ainda proporcionariam um futuro brilhante ao rebento. Bebês acabaram trocados por móveis, o que na polícia as gangues organizadas justificavam como "doações espontâneas".
Em Camboriú, um dos principais focos de atuação das quadrilhas no país, as gangues chegaram a usar uma chácara para montar o que a Polícia Federal classificou como "chocadeira", uma improvisada maternidade e berçário, local onde ficavam os nenês retirados das mães. Em apenas uma operação, a PF resgatou 20 bebês, devolvidos aos pais.

No Exterior, principalmente em Israel, os bebês valiam de US$ 10 mil a até US$ 40 mil. O comércio clandestino enriqueceu os "capos" do tráfico, que, beneficiados pela legislação da época, cumpriram penas irrisórias na cadeia e conseguiram manter parte dos bens adquiridos com a venda de crianças.
O escândalo colocou pelo menos 40 pessoas na cadeia. Pressionado pela opinião pública, o Congresso Nacional endureceu as leis de adoção ainda no final dos anos 1980, estabelecendo normas para dificultar o trânsito de bebês de uma família para outra, a fim de sufocar o tráfico.

O que nunca cicatrizou, porém, foram as feridas abertas nas mães que entregaram os filhos por necessidade ou ingenuidade e os estragos na personalidade dos bebês. Vinte e cinco anos depois, o DC localizou algumas dessas crianças em Israel, país para onde foi levada a maioria daqueles bebês pobres. Com idades entre 25 e 28 anos, hoje a maioria deles enfrenta profundas crises de identidade. E querem conhecer suas famílias biológicas.

Um deles, Lior Vilk, tem dedicado os últimos oito anos à busca de sua identidade brasileira. Remeteu inúmeras correspondências a órgãos oficiais no Brasil na esperança de conseguir auxílio e informações, mas o que obteve, diz, foram respostas evasivas, num jogo de empurra. Com a documentação falsificada, ele não sabe sequer se o nome escrito no papel é mesmo o de sua mãe biológica.
Pais adotivos localizados pelo DC também sofrem crise existencial

Depois de reler milhares de páginas dos processos volumosos da época, localizar mães que entregaram seus filhos e viajar até Israel, o DC narra, de hoje até sábado, um roteiro repleto de dramaticidade:

Boa parte dos filhos exprime dor e tristeza em todas as frases e comportamentos.

As mães brasileiras – dançarinas de boate e prostitutas na época, desempregadas ou miseráveis agricultoras – até hoje choram a perda dos filhos. Nunca mais se recuperaram.

Os pais adotivos hoje se deparam, dentro de casa, com a crise existencial e dolorida dos adultos sem pátria.

Os líderes do tráfico, depois da cadeia, vivem em bonança, aproveitando a qualidade de vida de Santa Catarina.

10 de janeiro de 2013

BRASILEIRO CRIADO EM ISRAEL DESCOBRIU POR ACASO QUE FOI ADOTADO DE FORMA ILEGAL

Para psicólogos, adoção "torta" pode provocar traumas

Fonte: Diário Catarinense
Mônica Foltran, enviada especial/Israel

Aos 15 anos de idade, Ron Yehezkel descobriu que não sabia nada sobre sua origem. A crescente desconfiança de que era adotado foi confirmada quando encontrou no quarto dos pais os papéis do registro em cartório oficializando sua entrega por parte da mãe biológica para a família europeia. A revelação caiu como uma bomba em sua vida. Seu passado de repente se tornou obscuro. Passou a se sentir estranho e sozinho. Angustiado procurou seus pais mas, eles apenas confirmaram a adoção e se negaram a falar sobre o assunto.
- Eu criei coragem para confrontar meus pais sobre esse assunto, e eles admitiram que eu sou adotado. Mas, até hoje, não querem cooperar, contar mais coisas - diz Yehezkel em sua casa em Haifa, Israel.
Com os documentos em mãos, começava então uma longa busca por respostas. Ron procura pela família biológica no Brasil há 11 anos. Em Pelotas, no Rio Grande do Sul onde nasceu, surgiu a primeira pista em março deste ano. A moradora na cidade, Ceci Gomes da Silva, 68 anos, viu uma foto de Yehezkel em um jornal local e o achou parecido com um filho seu, também adotado. Foram enviadas para ele fotos de um suposto irmão, Giovane Gomes da Silva, 30 anos, que trabalha como segurança na Capital.
- Vejo algo nos olhos dele que se parece com os meus. Gostaria de fazer um teste de DNA e, caso positivo, estaria disposto a viajar ao Brasil para conhecê-los - conta o futuro advogado.
Probabilidade de ser a mãe biológica é pequena

A realização de um exame de DNA ainda não foi acertada. Em sua casa, em Pelotas, Maria Amélia de Jesus, a suposta mãe biológica, conta que realmente entregou um bebê para adoção em 1986.
- Eu não tinha condição de criar - conta Mária Amélia.
Maria Amélia virou evangélica e sofreu um derrame há pouco mais de uma década. Diz não fazer questão de conhecer o possível filho por não saber como ele reagiria. Os dados presentes nos documentos disponíveis, porém, sugerem que a possibilidade de Yehekzel ter encontrado a mãe biológica é pequena: o nome materno que consta nos papéis é Maria Lemos, e a data de adoção do jovem aparece como 16 de setembro, enquanto Maria Amélia sustenta que deu à luz em novembro de 1986.
Procurada pela reportagem da sucursal da RBS (Zero Hora) no Rio Grande do Sul, a direção da Santa Casa de Pelotas não forneceu informações sobre a possibilidade de Yehekzel ter nascido no local. Todas as pesquisas feitas pelo Serviço de Arquivo Médico são realizadas somente via ação judicial, que deve ser movida pelo próprio paciente.
A despeito das incertezas, Yehezkel diz ter orgulho de ser brasileiro, está casado há cerca de um ano e pretende, em breve, ter um filho.
Ron Yehezkel, 26 anos
Nasceu em: 01.09.1986
Cidade: Pelotas, RS
Mãe biológica: Maria Lemos
* Colaborou reportagem do Jornal Zero Hora do Rio Grande do Sul
Adoção "torta" provoca traumas, dizem psicólogos

Para psicólogos que lidam com adoções, traumas refletem consequências de uma adoção considerada "torta" – fora dos cuidados. Mentiras e a forma errada como contaram aos filhos geraram dores.

– É horrível a criança descobrir que foi adotada e, pior ainda, descobrir que mentiram para ela sobre suas raízes – observa a psicóloga Denise de Araújo Vosnika, de Curitiba, que lida com o tema.

O olhar e o tom de voz tristes revelam as incertezas que marcam a vida de Yael Stein. Bonita, "mas infeliz", como se audefine, aos 24 anos lembra como sua vida foi marcada por "tristeza e raiva". A revolta por ter sido entregue em condições ilegais resultou em inseguranças.

– O sonho é conhecer minha verdadeira família. Seus documentos, com duas datas de nascimento, são um atestado dessa confusão. Certidão e caderneta de saúde têm datas diferentes: 1º de fevereiro e 13 de março de 1988. A origem também é polêmica. Ela acredita ter nascido em Joinville, mas a certidão aponta Campo Largo, no Paraná. Ela reconhece que tem uma boa vida em Israel, mas isso não supera a dor do passado desconhecido.

– Não gosto de Israel. Quero morar no Brasil, porque acho ser o melhor lugar do mundo – diz Yael. Shiri Shinfouks vive uma confusão semelhante. Adotada com 12 dias de vida, tem documentos de Curitiba, mas a carteira de saúde aponta o nascimento na Maternidade Darcy Vargas, em Joinville. Da mãe adotiva, ouviu que teria sido entregue numa casa "próxima a Joinville".

Shiri, a dona do pezinho carimbado na caderneta de saúde acima, foi adotada em outubro de 1984 por um casal israelense tão decidido que permaneceu três meses negociando no Brasil, até retornar com a menina. Em Curitiba, teriam ficado sabendo "das facilidades" para adotar crianças e, por indicação, se hospedaram em um conhecido hotel daquela capital, que a Polícia Federal identificou, na época, como um ponto de atração do trafico de bebês.

Hoje Shiri ouve da mãe adotiva que ela se parece muito com a mãe biológica. E por isso vive na frente do espelho, olhando suas feições e se perguntando:

– Por que estou aqui. Por que ela me entregou – questiona a jovem de pele clara e traços europeus.

Em seus documentos constam o nome de Luciana Mara de Araújo como mãe. No lugar reservado ao nome do pai, o termo "ignorado".

SITE NO BRASIL AJUDARÁ NA LOCALIZAÇÃO DE ENVOLVIDOS NO TRÁFICO INTERNACIONAL DE BEBÊS PARA ISRAEL E EUROPA OCORRIDO NA DÉCADA DE 80

Na página Órfãos do Brasil, o internauta encontra as ferramentas para fazer a sua procura
Fonte: Diário Catarinense
Órfãos do Brasil10/08/2012 | 07h48

Janaína Cavalli

Em sua busca, Lior Vilk, de 26 anos, pediu ajuda ao Brasil, mas só ouviu respostas evasivasFoto: Julio Cavalheiro / Agencia RBS

O futuro advogado Ron Yehezkel, de 26 anos, nasceu no Rio Grande do Sul e agora vive em Israel, onde desfila com camisa da Seleção BrasileiraFoto: Julio Cavalheiro / Agencia RBS

diario.com.br lança nesta quinta-feira uma ferramenta para auxiliar no reencontro de mães e filhos separados pelo tráfico de bebês, que ocorreu no na década de 1980, no Brasil. A seção Procura- se já tem o perfil de oito pessoas que, vendidas para famílias israelenses, esperam conhecer suas mães biológicas brasileiras.

A seção foi criada depois que a primeira de uma série de reportagens intitulada Órfãos do Brasil foi publicada no Diário Catarinense, no último domingo. A repórter Mônica Foltran começou a receber várias ligações de mães que disseram ter vendido seus filhos para a operação criminosa que operava na época e que expressaram o desejo de recuperar o contato. A ideia da página é divulgar a procura das mães e de seus filhos.

Como a reportagem apurou a realidade dos catarinenses vendidos para famílias de Israel, a página também está disponível nos idiomas hebraico e inglês. O editor- chefe Digital do DC, Marcelo Fleury, afirma que o Procura- se deverá ser divulgado também em Israel, começando pelo grupo de filhos que buscam pelas suas famílias biológicas em outros países.

Para conhecer ou participar da iniciativa, basta acessar o diario.com.br. Na editoria de Geral, entrar no site Órfãos do Brasil. O Procura- se vai estar visível logo no topo da página. A seção também dará os contatos, no DC, para quem quiser expor a sua procura.

No último domingo, o Diário Catarinense deu início a uma série de reportagens que, 25 anos depois do tráfico de bebês no Brasil, mostra como estão os filhos brasileiros vendidos para famílias israelenses. A repórter Mônica Foltran e o fotógrafo Julio Cavalheiro foram até Israel e perceberam, nos agora adultos, com idades entre 25 e 28 anos, uma profunda crise de identidade e vontade de conhecer suas famílias biológicas.

Quadrilhas formadas por advogados, juízes, médicos, entre outros profissionais, conseguiam de US$ 10 mil a US$ 40 mil pela venda de um bebê no exterior. De 1985 a 1988, a operação comercializou um volume estimado de 12 mil crianças, a maioria delas catarinenses e paranaenses.

2 de janeiro de 2013

O RENASCIMENTO DO HEBRAICO

A História: O Renascimento do Hebraico




Por: Jean Marie Delmaire
        
Israel tem uma língua oficial, o hebraico. Entretanto no século passado, essa língua era uma língua morta, usada unicamente na liturgia e na literatura. Em poucos anos, professores inspirados e dedicados – que foram também pioneiros - conseguiram com sucesso à impor para todo um povo. A língua hebraica está até entre os principais fatores de sucesso do renascimento nacional judaico na Europa. É um paradoxo, porque no século XIX a língua do povo era o iídiche, enquanto que o hebraico tinha apenas a antiga função de língua litúrgica.
Entretanto, em torno de 1800, voltou a ser um instrumento literário a serviço do movimento Luzes Judaicas e Haskaah, que emprega uma língua próxima do hebraico, isto é artificialmente reconstituída. O motivo, concerne a um número restrito de indivíduos, que no Oriente usam o hebraico antigo ocasionalmente como língua de comunicação entre asquenazes e sefaraditas que falam o árabe ou o ladino. Esse renascimento literário inicial e a fraca manutenção de uma língua de contato vão certamente facilitar o extraordinário empreendimento de um homem: Eliezer BenYehuda. Sua maior ambição é tornar o hebraico a língua nacional a ser falada por todos os povos de Israel.
Eliezer Perlman (1858-1922) , chamado posteriormente de BenYehuda (filho de Judéia) nasceu em Vilma (Vilanius) onde seguiu o curso comum do ensinamento rabínico. Passando em seguida aos estudos profanos, se interessou pela literatura hebraica. Indeciso quanto a sua escolha cultural vai para Paris para estudar medicina. Suas idéias evoluem sob influência de amigos um russo e um sábio judeu francês, apaixonado pelo hebraico, José Halevy, que tenta ocasionalmente fazer pequenos cursos de hebraico para impressionar seus alunos. É possível reconstituir seu caminho através dos artigos escritos nesta época por BenYehuda para o Jornal Nacionalista hebraico – A Aurora – publicado em Viena pelo escritor Smolenski. Inicialmente ele liga a questão nacional à questão da língua escrita e ao seu ensino. Depois ele define sua idéia de utilizar o hebraico como língua educativa, afirmando que tal projeto só pode ser realizado na Palestina, para ele a "Terra de Israel". Enfim, ele decide dar exemplo e parte para Jerusalém, após ter se casado com uma jovem professora de russo, Débora, que ele convenceu de seus sonhos. A biografia clássica aponta alguns episódios modelares mais ou menos exatos sobre a decisão que teria sido tomada pelo casal de só falar o hebraico e de educar nessa língua seu futuro filho.

Chegada à Terra Santa:

Chegando à Terra Santa em 1881, BenYehuda encontra no meio religioso alguns amorosos do hebraico que o sabem falar mais ou menos. O diretor da nova escola Aliança Israelita Universal de Jerusalém, o irrequieto Nissim Behar, lhe permite se sustentar empregando-o em sua escola, onde lhe foi possível durante um ano e meio tentar sua experiência de ensino. Um ato pioneiro que alguns alunos prolongarão com maior sucesso à partir do ano seguinte.
Voltando a Paris para as primeiras pesquisas ligadas a seu novo projeto, a redação de um "Thesaurus" da língua hebraica, BenYehuda se lança sobretudo na aventura de um novo Jornal Ha Zvi (o Cervo) chamado mais tarde de Ha Or (A Luz). Essa publicação bastante crítica em relação aos círculos tradicionais vai lhe trazer grandes inimizades, sem, nem por isso, atrair a confiança dos novos imigrantes "sionistas" que criam então as primeiras colônias.
Cruelmente atingido pela morte de Débora, BenYehuda casa com a irmã desta última, Henda, uma mulher enérgica que assiste sem fraquejar o que contribuíra, depois de seu desaparecimento a traçar um retrato dele como um personagem fora do comum.
Em 1889 BenYehuda coloca o pé na Academia de Língua Hebraica, destinada sobretudo a enriquecer a linguagem, para lhe fornecer as palavras usuais que faltam cruelmente, o que ele faz recorrendo sistematicamente às línguas semíticas, o aramaico e o árabe, bem como as palavras européias comuns evitando uma grande contaminação iídiche ou pelas línguas européias, em particular. Assim nasceram numerosos termos hebraicos utilizados atualmente como "diccionnaire", "serviette", "trottoir", "tomate", etc. Depois de públicar apressadamente vários manuais escolares, BenYehouda se lança no grande empreendimento de sua vida, o famoso Thesaurus, onde ele pretende reunir todas as palavras hebraicas de todos os tempos.
Seu desprezo por todas as convenções religiosas se manifesta em sua conduta pessoal tanto quanto na sua obra pedagógica. Assim, BenYehouda "inventa" o teatro em hebraico, para o grande escândalo dos tradicionalistas. Por isso ele será denunciado ao governador Otomano, pelos judeus religiosos integristas, sob o protesto de um artigo subversivo. Preso por muitos meses é liberado em Beirute graças a numerosas intervenções , seu jornal será suspenso por um ano. Tantos acontecimentos que trarão os primeiros conflitos graves entre sociedade laica e a sociedade religiosa na Palestina. Para se livrar dessa posição de pária, BenYehuda se liga rapidamente a Herzl. Forçado a fugir durante a primeira Guerra Mundial ele irá se refugiar nos Estados Unidos onde continua a trabalhar no seu Thesaurus. Volta à Palestina e morre em 1922.

Uma Guerra de Línguas travada por professores:

Tem-se atualmente a tendência de atribuir a BenYehuda todo o mérito desse espetacular "renascimento" de uma língua morta. Porém, longe disso, não cabe somente a ele. Certamente ele deu o exemplo em numerosos aspectos – educação , jornalismo, lexicografia, mas os verdadeiros propagadores do Hebreu falado foram de um lado os professores, de outro os animadores das "sociedades Hebraicas" que floresceram um pouco em vários lugares por volta de 1890, e enfim pelos jornalistas, com a criação de cotidianos em hebraico, publicados à partir de 1886.
No espaço de vinte anos, foram os professores fanáticos e dotados que conseguiram hebraizar o sistema escolar na Palestina. Se trata de um episódio apaixonante e o mais desconhecido da ressurreição do Hebraico, que terminou em 1912 em um conflito entre o novo sistema escolar e as escolas alemães e francesas, que se multiplicavam então.
Essa "guerra" de línguas terminou no ano seguinte com o trunfo do hebraico, sem que BenYehuda fosse o ator principal. Desde o inicio do mandato inglês sobre a Palestina, o hebraico foi reconhecido como língua oficial pela potência mandatária, tirando assim o iídiche, embora está fosse a língua mais falada pelos imigrantes judeus. O slogan "Hebreu fala hebraico" exprimiu essa vitória de uma política voluntariosa que Herzl não acreditava mais útil para a construção de um Estado Judaico, mas que os pioneiros impuseram no local.
    
Traduzido por Victoria Cardim
enviado por Leon M. Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da 
B'nai B'rith do RJ


ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA ISRAELITA - ARI

ANIVERSÁRIO DA ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA ISRAELITA - ARI




Origens:
Para contar a história da ARI é imprescindível lembrar do pequeno grupo de imigrantes alemães que se reunia, nos anos 30, no “Centro 33″, na Rua Marquês de Paraná, no Flamengo. Naquele ponto de encontro, a que afluíam quase diariamente, procuravam num ambiente de alegria, manter sempre vivo seu elo com o judaísmo, seus valores, suas tradições.
Esses jovens freqüentavam os serviços de Shabat do Grande Templo ou iam ao pequeno Shil dos belgas que, mais tarde, daria origem à Sinagoga de Copacabana. Eles estranhavam, porém, a pronúncia ashquenazi e sentiam falta de seu próprio ritual. Como tinham bom conhecimento de hebraico e dos serviços religiosos, decidiram realizar por conta própria, em 1936, o primeiro serviço de Rosh Hashaná e Iom Kipur. Não tinham um Sefer Torá, apenas sidurim e machzorim trazidos nas suas bagagens. E ficaram muito felizes de conseguir, junto com os poucos familiares, festejar os Iamim Noraim.
Desse mesmo grupo surgiu a idéia de formar uma organização beneficente, sem fins religiosos – a União Associação Beneficente – com o objetivo de atender aos imigrantes judeus alemães que chegavam em número cada vez maior, semana após semana.
Em 1937, já eram tantos que foi preciso alugar um salão para os serviços religiosos das Grandes Festas: a então sede do Botafogo, no Mourisco. Como o Rabino Pinkus já havia assumido o rabinado da CIP (Congregação Israelita Paulista), um grupo do Rio foi buscar sua orientação. Ele preparou, então, um sermão que aqui foi lido, ainda em alemão, durante o serviço no Rio.
As lideranças do grupo de alemães que haviam aportado no Rio, sentiam que, além da sociedade beneficente, havia necessidade de se organizar financeira e religiosamente. Estabeleceram contato com o Sr. Wolf Klabin, que muito se impressionou com o trabalho desse grupo de imigrantes e resolveu apoiá-lo, já comparecendo ao serviço religioso de Rosh Hashaná de 1937. Foi acompanhado de seus familiares e de seu cunhado, Dr. George Haas, que viria a participar da primeira diretoria da ARI. Apesar de todas as dificuldades, foi um serviço lindo, que revelou nesse grupo o esteio de uma futura congregação. Faltava agora a presença de um líder espiritual.
Em 1941 chegava ao Brasil, a chamado do Dr. Ludwig Lorsch e do Rabino Pinkus, o Rabino Dr. Heinrich Lemle e sua família. Vinham, com o apoio de Lady Lilly Montagu, presidente da World Union for Progressive Judaism em Londres, que o resgatara do campo de concentração de Buchenwald. O Rabino Lemle foi enviado para o Rio de Janeiro com a missão de fundar uma congregação liberal.
A presença do Rabino Lemle constituiu estímulo adicional para a realização de serviços regulares de Shabat. O Centro da Comunidade Israelita, na pessoa de Jacob Schneider, colocou à disposição da pequena comunidade alemã um salão do Grande Templo, localizado à Rua Tenente Possolo no Centro, onde passaram a se realizar serviços regulares, dirigidos pelo Dr. Lemle.
Participação e interesse cada vez maiores sedimentaram o sonho de fundar uma congregação judaica alemã. Havia, no entanto, exigências formais a serem cumpridas: era preciso brasileiros natos para compor a diretoria, o que de fato não constituiu um problema, pois já havia judeus de origem alemã de imigrações anteriores: Eduardo Levy (presidente), George Haas (diretor-secretário) e Alexandre Spielmann (diretor-tesoureiro) formaram a primeira diretoria da recém-fundada Associação Religiosa Israelita. Era o dia 13 de Janeiro de 1942, na cidade do Rio de Janeiro, na então sede da União, na Rua Alice em Laranjeiras.

As sedes da ARI:

A primeira sede da ARI foi uma pequena sala velha, nos fundos da Rua Barata Ribeiro 363 em Copacabana. Ficava junto a um galinheiro e muitas vezes, durante o serviço religioso, as galinhas passeavam pela sala. Mas ninguém se incomodava; a religiosidade era muito grande, havia muito fervor. A sinagoga era o lar, a identificação com as origens, o traço de união com a nova vida.
A ARI foi crescendo e ao fim do primeiro ano já contava mais de mil sócios. Em dezembro de 1943 as instalações foram transferidas para o número 373 da Barata Ribeiro; contudo, já havia nascido a idéia de uma sede própria e uma campanha com este objetivo foi iniciada. Cento e cinquenta contos foram angariados e, no dia 12 de Novembro de 1944 foi, finalmente, inaugurada a primeira sede própria da ARI, à Rua Martins Ferreira 52 em Botafogo.
A “Martins Ferreira” deixou muitas saudades. Todos falam dela com um carinho especial. Era um tempo em que todos se sentiam unidos em uma só família, participando ativamente, próximos uns dos outros. Foram tempos de luta, mas foram bons tempos. O grupo de estudos com o Dr. Lemle – Beit Hamidrash – que atraiu muita gente e foi um ponto marcante na história da ARI; as aulas de religião, que se estendiam do Leblon ao Méier – sim, ao Méier, pois havia o Setor Norte da ARI. Muitos dos sócios moravam na Zona Norte e era difícil vir até Botafogo. Assim, realizavam seus serviços religiosos em casas de família e, uma vez por mês, o Dr. Lemle ia até lá dirigir as preces. Com o tempo, as pessoas se mudaram para a Zona Sul e o Setor Norte se extinguiu.
Havia ainda o Jardim de Infância, os escoteiros e os lobinhos, o Coro de voluntários, a Seção Feminina, as feirinhas e a festa no Cassino Atlântico, os Iamim Noraim no Mourisco e no Botafogo, os vários grupos juvenis e a Chazit Hanoar. Nas horas difíceis, a presença da Chevra Kadisha.
A ARI crescia, e a sede da Martins Ferreira já não comportava mais tantas pessoas e atividades. Fez-se necessário e urgente um espaço maior. Uma nova campanha foi iniciada para a construção de uma nova sinagoga. O grande impulso foi dado pelo Prof. Dr. Fritz Feigl e sua esposa, Dra. Regine Feigl, com a doação do terreno para a construção. É claro que houve inúmeras dificuldades mas, com luta, determinação e perseverança, o objetivo foi alcançado. Com a campanha dos tijolos, venda de cadeiras e donativos, a sinagoga foi surgindo – um projeto arrojado do arquiteto Henrique Mindlin.
Em Rosh Hashaná de 1961, um momento de emoção – o primeiro serviço religioso de Kabalat Shabat, no Salão Nobre da nova sinagoga, ainda em obras. Finalmente, no dia 28 de Setembro de 1962, foi colocada a mezuzá no Salão Nobre e, na bimá, aceso o Ner Tamid – a Lâmpada Eterna.
A partir daquela data, todos os serviços religiosos passaram a ser realizados na nova sinagoga da Rua General Severiano 170. Dois meses depois, com o concerto do Prof. Fritz Hofer, autor do projeto e, a 22 de Dezembro de 1962, inaugurava-se a sinagoga pequena, uma reconstituição da “Martins Ferreira”. Foi um período marcante, emocionante, que tocou fundo no coração daqueles que viram a ARI nascer, crescer e se tornar grande; aqueles que fizeram a ARI, que ainda são a ARI, e que a legaram a nós para darmos continuidade à sua obra.
Um antigo projeto desde a época da construção da sinagoga era o Prédio Anexo a sinagoga. Ao longo dos anos 90 a ARI ergueu o Centro Comunitário Rabino Henrique Lemle que foi inaugurado em 1997, dispondo de salas de aula, biblioteca, auditório, salas de recepção, escritórios para a administração, a sinagoga Henrique Peres que acomoda até 150 pessoas, e o Centro de Referência e Pesquisas sobre o Holocausto Família Zinner.

Missão e Visão:

A Associação Religiosa Israelita do Rio de Janeiro – ARI, de acordo com seu Estatuto Social, é uma entidade sem fins lucrativos, de caráter filantrópico, religioso, educacional e cultural, que se propõe a manter e cultivar os valores da cultura e religião judaicas, colaborar na integração das comunidades judaicas no País e contribuir para o engrandecimento sociocultural do Brasil.
É uma instituição inclusiva e igualitária que, de forma solidária e responsável, atua no contexto econômico, político e cultural da sociedade em que se insere
A ARI, para o cumprimento de sua missão e fiel aos ideais de seus fundadores, opera em todas as esferas de seu campo de ação visando:
·         Ser uma instituição atuante e vibrante, exercendo papel de liderança na Comunidade Judaica, conectada com os desafios do nosso tempo e inserida na sociedade maior.
·         Oferecer uma opção de vida judaica plena, inspirada na centralidade de Tsion e nos valores religiosos do Judaísmo Liberal.
·         Permanecer uma verdadeira Beit Ha’ Knesset – Casa da Reunião – o Centro Comunitário onde se encontra uma opção de vida religiosa participativa, programas educacionais envolventes, orientação para a observância das tradições e costumes, estudo das fontes, enriquecimento cultural, espaços de convivência e atividades para todas as idades.
·         Manter-se inclusiva e igualitária criando oportunidades de realização pessoal pelo trabalho voluntário socialmente responsável, cultivando a solidariedade, a acolhida calorosa e, essencialmente, o respeito às diferenças, condição indispensável ao exercício dos princípios da democracia e à afirmação dos direitos humanos.

 

Música na Sinagoga:

Segundo o nosso entendimento, não nos bastam a mera leitura e repetição das páginas do Sidur. A experiência religiosa em si precisa, através da sua própria mecânica, fazer-nos sentir e vivenciar. Os textos e as orações devem estar dispostos de maneira a nos colocar em contato conosco, com nosso próximo; para que, efetivamente, tornemo-nos mais sensíveis, mais humanizados. Logo, mais imbuídos da necessidade e urgência de agirmos em nosso mundo. E ainda, quem sabe, transformá-lo.
Nesse sentido, a ARI, desde seus primórdios, tem dedicado especial importância à música. Nossos fundadores trouxeram consigo a tradição musical do Romantismo europeu, delineando em nossa comunidade uma nova forma de manifestação litúrgica, caracterizada por sua densidade, profundidade e força expressiva.
Sendo pioneiros em nossa cidade na manutenção de uma estrutura músico-instrumental, contamos primeiramente com um harmônio (hoje em nossa Sala de Memória), e depois construímos nosso grande órgão de tubos. Além disso, também formamos o nosso Coro.
Criamos, assim, uma tradição de excelência, que tem nos acompanhado pelos anos e pavimentado de sons alguns dos momentos mais caros das nossas vidas. Muito nos orgulhamos dela, e queremos mantê-la viva.
Assim, pensando na sua continuidade, temos investido na sua transformação. Se uma tradição não tem a capacidade de mutar ou se adaptar, cai em desuso, e toda a sua beleza acaba por se restringir à memória dos mais vividos.
E é por isso que, nos últimos anos, temos, incorporado novas propostas, sonoridades e ideias musicais, incentivando a “mão na massa”, a participação de congregantes em nossas Tefilot, e o diálogo sempre aberto e coletivo sobre o assunto.
Agora, temos esse novo espaço, e estaremos constantemente trazendo material – textos, gravações, idéias – para estarmos aprendendo, pensando e construindo, juntos, a nossa vivência religiosa.
A colaboração de todos, claro, é fundamental, e sintam-se à vontade para comentar, dar idéias e sugestões. Pois, somente assim, estaremos dando vida ao real significado do que entendemos como o nosso maior propósito, que é ser um Beit Haknesset - uma casa de encontro.
Envie uma mensagem para os chazanim André Nudelman e Oren Boljover:
nudelman@arirj.com.br ou oren@arirj.com.br

 

Introdução ao Judaísmo:


A ARI sempre ofereceu um curso para aquelas pessoas interessadas em se aprofundar no conhecimento do judaísmo, com a possibilidade de uma eventual conversão, sendo que esta pode se dar por motivo de casamento ou por tendência totalmente individual.
Sob a supervisão do rabino e com a colaboração deste, esse curso tem a duração de aproximadamente um ano, cinco horas por semana.
Os participantes têm a oportunidade de conhecer nossas festas, ciclo da vida, ritmo semanal, orações, história, etc, analisados em todo o seu sentido. São expostos a nossas leis e tomam conhecimento da estrutura dos nossos livros canonizados, entre outros temas. Frequentam os serviços religiosos na nossa sinagoga.
Mas o curso vai muito, além disso, ao explorar com os alunos toda a mentalidade judaica, com seus conceitos importantes. Expõe-os a um aprofundamento das reflexões sobre o judaísmo de maneira que a religião judaica em geral seja bem entendida assim como cada questão em particular, dentro do seu contexto maior.
A diferença entre o judaísmo e outras religiões que possam eventualmente ter exercido a sua influência sobre algum interessado são amplamente discutidas.
Há, além do mais, palestras sobre a realidade de Israel hoje, sobre o Holocausto e o antissemitismo, sobre a imigração ao Brasil e os anos de fundação e a estrutura da ARI.
Os alunos são alfabetizados em hebraico.
Entrevistas regulares com o rabino são realizadas.
Este é um curso direcionado para que o adulto interessado possa fazer uma opção amadurecida. No caso de haver um casamento em vista, ou se o candidato a conversão já for casado, o cônjuge judeu deve participar de todo o processo. A circuncisão por um mohel é exigida para o homem, assim como o banho ritual (tevilá) para homem e mulher.
Paralelamente, a coordenação da “Introdução ao Judaísmo” participa do atendimento aos estudantes de escolas e universidades, leigas e religiosas, assim como a indivíduos independentes, que vêm se informar sobre o judaísmo para as mais diversas pesquisas.
É importante tomarmos conhecimento de que o interesse pelo judaísmo no meio não judaico cresce enormemente no Rio de Janeiro.

Fonte: Publicação ARI 40 Anos - 1983