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17 de novembro de 2018

O QUE É BAT MITZVAH (בת מצוה)?


Descubra a versão feminina do Bar Mitzvah!

O Bat Mitzvah marca a maturidade religiosa das meninas dentro do Judaísmo. Entenda como a cerimônia foi introduzida na tradição. A cerimônia foi criada com o intuito de trazer as mulheres de volta às sinagogas. Assim, a tradição nascida nos anos 1920, fez com que as meninas deixassem de ser dispensadas de estudos religiosos por algumas correntes do Judaísmo. Assim como os meninos, o ritual inclui estudos, leituras e obrigações. Da mesma forma que o bar-mitzvá, exige um curso preparatório. Além disso, pode ser realizada em grupos ou de maneira individual.

22 de junho de 2018

BIOGRAFIA: BLOGGER LEONARDO FERREIRA - MEMBRO DO TEMPLO BETH-EL OF JERSEY CITY (ENTREVISTA CONCEDIDA AO JORNAL BRAZILIAN TIMES EM MASSACHUSETTS - USA)


Há cerca de uma década e meia, Leonardo Ferreira é membro do Templo Beth-El of Jersey City, nos Estados Unidos

O jornalista Leonardo Ferreira, natural do Rio de Janeiro, morador na cidade de East Newark (NJ), concluiu em novembro o Master in Business Administration (MBA) em Comunicação & Marketing em Mídias Digitais pela Universidade Estácio de Sá em convênio com a Harvard University. 

2 de junho de 2018

NO CORAÇÃO DA ZONA NORTE CARIOCA - SINAGOGA DO MÉIER (BEITH YEHUDA): PATRIMÔNIO CULTURAL DE TODOS NÓS


A família Sender, que morou até a década de 70 no bairro do Méier, continua até hoje o legado do patriarca da família, Machil Sender, um dos fundadores da Sinagoga Beit Yehudá

A comunidade do Rio de Janeiro conta com um grande número de sinagogas, incluindo algumas remanescentes na zona norte, onde, no início do século XX, muitos judeus oriundos da Europa imigraram para os subúrbios de nossa cidade. Resistindo ao tempo e ao êxodo das famílias para a zona sul, essas sinagogas são patrimônios históricos de nossa comunidade e muitas pessoas se esforçam para mantê-las abertas, apesar do pouco apoio recebido pelas lideranças judaicas.

10 de janeiro de 2013

BRASILEIRO CRIADO EM ISRAEL DESCOBRIU POR ACASO QUE FOI ADOTADO DE FORMA ILEGAL

Para psicólogos, adoção "torta" pode provocar traumas

Fonte: Diário Catarinense
Mônica Foltran, enviada especial/Israel

Aos 15 anos de idade, Ron Yehezkel descobriu que não sabia nada sobre sua origem. A crescente desconfiança de que era adotado foi confirmada quando encontrou no quarto dos pais os papéis do registro em cartório oficializando sua entrega por parte da mãe biológica para a família europeia. A revelação caiu como uma bomba em sua vida. Seu passado de repente se tornou obscuro. Passou a se sentir estranho e sozinho. Angustiado procurou seus pais mas, eles apenas confirmaram a adoção e se negaram a falar sobre o assunto.
- Eu criei coragem para confrontar meus pais sobre esse assunto, e eles admitiram que eu sou adotado. Mas, até hoje, não querem cooperar, contar mais coisas - diz Yehezkel em sua casa em Haifa, Israel.
Com os documentos em mãos, começava então uma longa busca por respostas. Ron procura pela família biológica no Brasil há 11 anos. Em Pelotas, no Rio Grande do Sul onde nasceu, surgiu a primeira pista em março deste ano. A moradora na cidade, Ceci Gomes da Silva, 68 anos, viu uma foto de Yehezkel em um jornal local e o achou parecido com um filho seu, também adotado. Foram enviadas para ele fotos de um suposto irmão, Giovane Gomes da Silva, 30 anos, que trabalha como segurança na Capital.
- Vejo algo nos olhos dele que se parece com os meus. Gostaria de fazer um teste de DNA e, caso positivo, estaria disposto a viajar ao Brasil para conhecê-los - conta o futuro advogado.
Probabilidade de ser a mãe biológica é pequena

A realização de um exame de DNA ainda não foi acertada. Em sua casa, em Pelotas, Maria Amélia de Jesus, a suposta mãe biológica, conta que realmente entregou um bebê para adoção em 1986.
- Eu não tinha condição de criar - conta Mária Amélia.
Maria Amélia virou evangélica e sofreu um derrame há pouco mais de uma década. Diz não fazer questão de conhecer o possível filho por não saber como ele reagiria. Os dados presentes nos documentos disponíveis, porém, sugerem que a possibilidade de Yehekzel ter encontrado a mãe biológica é pequena: o nome materno que consta nos papéis é Maria Lemos, e a data de adoção do jovem aparece como 16 de setembro, enquanto Maria Amélia sustenta que deu à luz em novembro de 1986.
Procurada pela reportagem da sucursal da RBS (Zero Hora) no Rio Grande do Sul, a direção da Santa Casa de Pelotas não forneceu informações sobre a possibilidade de Yehekzel ter nascido no local. Todas as pesquisas feitas pelo Serviço de Arquivo Médico são realizadas somente via ação judicial, que deve ser movida pelo próprio paciente.
A despeito das incertezas, Yehezkel diz ter orgulho de ser brasileiro, está casado há cerca de um ano e pretende, em breve, ter um filho.
Ron Yehezkel, 26 anos
Nasceu em: 01.09.1986
Cidade: Pelotas, RS
Mãe biológica: Maria Lemos
* Colaborou reportagem do Jornal Zero Hora do Rio Grande do Sul
Adoção "torta" provoca traumas, dizem psicólogos

Para psicólogos que lidam com adoções, traumas refletem consequências de uma adoção considerada "torta" – fora dos cuidados. Mentiras e a forma errada como contaram aos filhos geraram dores.

– É horrível a criança descobrir que foi adotada e, pior ainda, descobrir que mentiram para ela sobre suas raízes – observa a psicóloga Denise de Araújo Vosnika, de Curitiba, que lida com o tema.

O olhar e o tom de voz tristes revelam as incertezas que marcam a vida de Yael Stein. Bonita, "mas infeliz", como se audefine, aos 24 anos lembra como sua vida foi marcada por "tristeza e raiva". A revolta por ter sido entregue em condições ilegais resultou em inseguranças.

– O sonho é conhecer minha verdadeira família. Seus documentos, com duas datas de nascimento, são um atestado dessa confusão. Certidão e caderneta de saúde têm datas diferentes: 1º de fevereiro e 13 de março de 1988. A origem também é polêmica. Ela acredita ter nascido em Joinville, mas a certidão aponta Campo Largo, no Paraná. Ela reconhece que tem uma boa vida em Israel, mas isso não supera a dor do passado desconhecido.

– Não gosto de Israel. Quero morar no Brasil, porque acho ser o melhor lugar do mundo – diz Yael. Shiri Shinfouks vive uma confusão semelhante. Adotada com 12 dias de vida, tem documentos de Curitiba, mas a carteira de saúde aponta o nascimento na Maternidade Darcy Vargas, em Joinville. Da mãe adotiva, ouviu que teria sido entregue numa casa "próxima a Joinville".

Shiri, a dona do pezinho carimbado na caderneta de saúde acima, foi adotada em outubro de 1984 por um casal israelense tão decidido que permaneceu três meses negociando no Brasil, até retornar com a menina. Em Curitiba, teriam ficado sabendo "das facilidades" para adotar crianças e, por indicação, se hospedaram em um conhecido hotel daquela capital, que a Polícia Federal identificou, na época, como um ponto de atração do trafico de bebês.

Hoje Shiri ouve da mãe adotiva que ela se parece muito com a mãe biológica. E por isso vive na frente do espelho, olhando suas feições e se perguntando:

– Por que estou aqui. Por que ela me entregou – questiona a jovem de pele clara e traços europeus.

Em seus documentos constam o nome de Luciana Mara de Araújo como mãe. No lugar reservado ao nome do pai, o termo "ignorado".

SITE NO BRASIL AJUDARÁ NA LOCALIZAÇÃO DE ENVOLVIDOS NO TRÁFICO INTERNACIONAL DE BEBÊS PARA ISRAEL E EUROPA OCORRIDO NA DÉCADA DE 80

Na página Órfãos do Brasil, o internauta encontra as ferramentas para fazer a sua procura
Fonte: Diário Catarinense
Órfãos do Brasil10/08/2012 | 07h48

Janaína Cavalli

Em sua busca, Lior Vilk, de 26 anos, pediu ajuda ao Brasil, mas só ouviu respostas evasivasFoto: Julio Cavalheiro / Agencia RBS

O futuro advogado Ron Yehezkel, de 26 anos, nasceu no Rio Grande do Sul e agora vive em Israel, onde desfila com camisa da Seleção BrasileiraFoto: Julio Cavalheiro / Agencia RBS

diario.com.br lança nesta quinta-feira uma ferramenta para auxiliar no reencontro de mães e filhos separados pelo tráfico de bebês, que ocorreu no na década de 1980, no Brasil. A seção Procura- se já tem o perfil de oito pessoas que, vendidas para famílias israelenses, esperam conhecer suas mães biológicas brasileiras.

A seção foi criada depois que a primeira de uma série de reportagens intitulada Órfãos do Brasil foi publicada no Diário Catarinense, no último domingo. A repórter Mônica Foltran começou a receber várias ligações de mães que disseram ter vendido seus filhos para a operação criminosa que operava na época e que expressaram o desejo de recuperar o contato. A ideia da página é divulgar a procura das mães e de seus filhos.

Como a reportagem apurou a realidade dos catarinenses vendidos para famílias de Israel, a página também está disponível nos idiomas hebraico e inglês. O editor- chefe Digital do DC, Marcelo Fleury, afirma que o Procura- se deverá ser divulgado também em Israel, começando pelo grupo de filhos que buscam pelas suas famílias biológicas em outros países.

Para conhecer ou participar da iniciativa, basta acessar o diario.com.br. Na editoria de Geral, entrar no site Órfãos do Brasil. O Procura- se vai estar visível logo no topo da página. A seção também dará os contatos, no DC, para quem quiser expor a sua procura.

No último domingo, o Diário Catarinense deu início a uma série de reportagens que, 25 anos depois do tráfico de bebês no Brasil, mostra como estão os filhos brasileiros vendidos para famílias israelenses. A repórter Mônica Foltran e o fotógrafo Julio Cavalheiro foram até Israel e perceberam, nos agora adultos, com idades entre 25 e 28 anos, uma profunda crise de identidade e vontade de conhecer suas famílias biológicas.

Quadrilhas formadas por advogados, juízes, médicos, entre outros profissionais, conseguiam de US$ 10 mil a US$ 40 mil pela venda de um bebê no exterior. De 1985 a 1988, a operação comercializou um volume estimado de 12 mil crianças, a maioria delas catarinenses e paranaenses.

27 de setembro de 2008

OS JUDEUS DE NILÓPOLIS - RJ

Documentário descortina o processo de colonização polonesa na cidade da Baixada Fluminense, após 1920

Jornal do Brasil - Histórias que devem ser contadas - Ricardo Schott



Autora do livro Vivência judaica em Nilópolis (Imago), a polonesa Esther London, morta em 2007 aos 92 anos, é um dos fios condutores do documentário Judeus em Nilópolis, do jornalista Radamés Vieira, ainda sem data de lançamento. O vídeo conta a história de 300 famílias judias que se estabeleceram no município da Baixada Fluminense a partir de 1920. As famílias, incluindo a de Esther (que foi para lá assim que se casou, com um polonês, no Brasil), mesmo passando por sérias dificuldades financeiras, praticamente desbravaram o município, montando uma numerosa comunidade e até construindo uma sinagoga, a Tiferet Israel, fechada desde 1970.

– Um dos objetivos do documentário é chamar a atenção do poder público para a necessidade da preservação dessa sinagoga. É um prédio histórico, completamente abandonado – diz Vieira, orgulhoso de ter conseguido entrevistar Esther a tempo. – Ela me inspirou muito, tinha uma memória fantástica. Falou a respeito da chegada dos judeus ao Brasil, das coisas que não existiam na Polônia. E eles foram responsáveis pelo começo da urbanização do município.

Filho de Esther, o engenheiro Pedro London lembra, saudoso, da comunidade.

– Lá se falavam quatro línguas: português, polonês, hebraico e iídiche. E havia detalhes singulares – recorda. – Hoje não há judeus sapateiros ou mecânicos. Havia vários, até porque a profissão de sapateiro era valorizada na Polônia. E ainda havia convivência entre imigrantes judeus e árabes, que também viviam na região.

A colonização em Nilópolis ocorreu quando já havia vários judeus em locais centrais do Rio, como a Praça 11. Também havia judeus em bairros como Madureira e Méier. Mas o município da Baixada Fluminense tornou-se o epicentro dos imigrantes. Boa parte deles vinha da Polônia, numa época em que a Rússia czarista perseguia a população judaica. Eles se estabeleceram nos arredores da Avenida General Mena Barreto, no Centro de Nilópolis.

– A Praça 11 já estava superlotada. E os terrenos em Nilópolis eram baratos. Além disso, pela linha férrea, era o primeiro município após o Rio – diz o diretor, que promoveu um encontro de ex-moradores judeus da cidade (alguns já morando em Israel há décadas) que começava com uma viagem de trem. – Também lançamos em português o livro Novos lares, editado em íidiche em 1932 por Adolfo Kischinevisky, que morava em Nilópolis. O livro foi traduzido pela Sara Morelenbaum, mãe do (violoncelista) Jaques.

Vieira, que não é judeu, mas morava em Nilópolis na época em que a cidade era habitada por muitos judeus, pôs-se a correr atrás de personagens. Entre telefonemas e viagens internacionais, reencontrou amigos de infância, como Chaim Litewski, hoje jornalista em Nova York, e descobriu que pessoas conhecidas, como a atriz Teresa Rachel e o secretário municipal de Saúde, Jacob Kligerman, são judeus de Nilópolis.

– Com exceção de poucos, os judeus não têm relação com a cidade desde os anos 70 – lembra Vieira. – Hoje ficaram só a sinagoga e o cemitério comunal Israelita de Nilópolis, construído em 1935.

Vieira, que teve apoio financeiro do Centro da Cultura Judaica (da Casa de Cultura de Israel), aguarda a finalização do documentário. Já foram gastos R$ 100 mil na realização e faltam R$ 50 mil terminá-lo. Ele crê que o filme pode servir para dirimir lugares-comuns.

– Os judeus progrediram, sim. Mas, no Brasil, tiveram toda uma história de luta, que as pessoas não conhecem – conta.

07 de julho de 2008 : 01h00m.

13 de setembro de 2008

O judeu é mais inteligente?

06/11/2007 - Gilberto Dimenstein - Folha Online






Em entrevista à Folha, o cientista político norte-americano Charles Murray disse que a genética seria uma das explicações para a suposta inteligência superior dos judeus. Será?

Na condição de judeu, não acredito nessa influência genética. Não é só porque, para mim, superioridade genética e barbárie se confundem na história. Mas, como alguém que trabalha com educação, acredito que exista uma cultura específica que ajude na projeção de um povo que, apesar de ter apenas 12 milhões de pessoas, tem 25% dos ganhadores do Prêmio Nobel.

O que existe entre judeus (e não só entre eles) é uma reverência obsessiva pelo conhecimento, que vem de gerações. É o chamado povo do livro. O rabino, a pessoa mais importante da comunidade religiosa, não tem força por ser um intermediário com Deus, mas por ser um intérprete das leis, ou seja, um intelectual. Livros sagrados são feitos de perguntas.

O ritual iniciatório do judeu não é matar um guerreiro ou passar por privações. Mas é ler um livro (a Torá). Ou seja, se quiser virar adulto terá de saber ler em pelo menos uma língua. O analfabetismo sempre foi muito baixo entre os judeus, o que assegurou uma rede de escolas.

A educação não é vista como uma responsabilidade apenas da escola. Mas, em primeiro lugar, da família e, depois, da comunidade. Educa-se em casa, na sinagoga e também na escola. Aprende-se, portanto, todo o tempo e em todos os lugares.

Como o judeu é o povo por mais tempo perseguido da história da humanidade, desenvolveu-se a sensação do desafio permanente. Isso se traduz na idéia de que o estudo é a melhor defesa --e também a coisa mais segura para ser carregada.

Nessa junção dos capitais humano e social, tem-se a receita não do desempenho intelectual de um povo, mas da força divina da educação, replicável por qualquer agrupamento humano.

31 de agosto de 2008

As opiniões de Dellapergola, demógrafo do povo judeu

Por: Ariel Finguerman, de Jerusalém





"Questão demográfica": eis um assunto que tira o sono de muitos judeus em Israel e no mundo. Aliás é mais de uma questão, mas várias ao mesmo tempo. O que acontecerá em Israel daqui a dez anos quando houver mais árabes que judeus entre o Jordão e o Mediterrâneo? A assimilação está acabando com o judaísmo no mundo? Por que a comunidade no Brasil diminui? Relaxar as exigências nas conversões é solução para aumentar o povo judeu?

Sergio Dellapergola, 61 anos, professor de origem italiana da Universidade de Jerusalém conhecido como "o demógrafo do povo judeu" é o melhor para responder a estas perguntas. Dellapergola conhece este assunto muito bem: ele visitou todas as comunidades judaicas deste planeta com mais de 25 mil pessoas, "menos a Austrália", disse o simpático professor à Hebraica.

O interesse de Dellapergola por demografia judaica começou quando ainda era estudante e membro de movimento juvenil e fez uma pequena pesquisa sobre a comunidade de Milão. Apaixonou-se pelo tema e, de lá para cá, já publicou mais de cem trabalhos e ensinou em quarenta universidades e institutos ao redor do mundo. Hoje, ele é um dos diretores do Instituto de Planejamento de Políticas para o Povo Judeu, em Jerusalém, onde ele deu a seguinte entrevista

Hebraica – Hoje, em Israel, cada vez mais vozes alertam que por volta de 2013 haverá mais árabes que judeus entre o Jordão e o Mediterrâneo. Mas há dois dias, Ariel Sharon declarou que não está preocupado pois confia numa grande aliá nos próximos anos. Como o senhor vê esta situação?

Dellapergola – O premiê Sharon espera um milhão de novos imigrantes. Mas de onde eles virão? Hoje a maioria dos judeus vive nos países ocidentais, nos EUA, na Austrália e na Europa. Nesses lugares o nível de desenvolvimento é alto e pouca a discriminação contra os judeus. Por que viriam para um país de nível de vida mais baixo e mais insegurança política? Outra condição para haver imigração seria a estabilização do Oriente Médio e acontecer um novo boom econômico, situação que não ocorre hoje.

Hebraica – O que acontecerá quando houver aqui uma maioria árabe?

Dellapergola – Chegaremos a uma situação inaceitável para aqueles que sonharam com um Estado judeu. Teremos então algumas alternativas. Poderemos manter 4,7 milhões de árabes sem direitos civis ou transferi-los para a Jordânia, que são duas idéias inaceitáveis. A terceira alternativa é dividir o território em dois Estados, um judeu e um árabe.

Hebraica – Hoje Israel já é um dos países mais povoados do mundo, descontado o deserto do Negev. Haverá lugar para acomodar mais habitantes?

Dellapergola – Na década de 20 viviam aqui um milhão de pessoas e já se perguntava qual seria a capacidade da região. Segundo alguns, o máximo seria 2,5 milhões, outros falavam em 10 milhões. Pois bem, hoje já somos 10 milhões, entre israelenses e palestinos. E a pergunta continua.

Hebraica – Qual é a capacidade máxima, em sua opinião?

Dellapergola – Se tudo continuar como está hoje, no ano 2050 seremos 36 milhões de pessoas entre o Jordão e o Mediterrâneo. Será possível viver? Será um pesadelo? Dependerá da tecnologia disponível, da habilidade de organizar o território e de prover recursos essenciais como água e ar puro. Veja o caso da cidade de Beer-Sheva, onde vivem hoje 300 mil pessoas. Compare esta região com Phoenix, no Arizona, uma cidade muito parecida e onde vivem 3 milhões de pessoas. Acho que poderíamos facilmente acomodar um número semelhante de habitantes em Beer-Sheva.

Hebraica – O atual governo constrói um muro entre Israel e os palestinos. No começo, a idéia era separar as duas populações, mas a barreira entrou pela Cisjordânia e incorporou milhares de árabes.

Dellapergola – O muro deveria servir apenas como medida de segurança e não para incorporar territórios. Muitas mudanças [no traçado da Linha Verde] trarão judeus para dentro de Israel, mas também muitos árabes sem resolver nada. Sou favorável a incorporar o máximo de judeus dentro de Israel, mesmo que para isto tenhamos que abrir mão de territórios. Sou a favor de trocar terras que hoje fazem parte de Israel mas com maioria árabe, como regiões da Galiléia, por territórios palestinos onde há presença judaica, como nas áreas ao redor de Jerusalém.

Hebraica – Há em Israel uma verdadeira angústia quanto aos cidadãos árabes do país e o temor de que sua população vai crescer a ponto de ameaçar o caráter judaico da nação. Este medo é justificado?

Dellapergola – Sabemos que os árabes israelenses de regiões da Galiléia não gostam da bandeira de Israel e é a bandeira palestina que tremula em suas escolas e mesquitas. É uma situação anormal, pois embora cidadãos de um Estado sua lealdade é para com outra nação. Este é um fator gerador de conflito que pode ser solucionado de forma positiva por meio da partilha da terra entre os dois povos.

Hebraica – Alguns especialistas dizem que Israel é incapaz de absorver os mais de 200 mil árabes de Jerusalém Oriental e só isto já seria uma razão para dividir a cidade. Qual sua opinião?

Dellapergola – Um acordo de paz levará à existência de duas cidades dentro de Jerusalém. Mas sou totalmente contra barreiras e muros. Veja o caso de Beverly Hills e Los Angeles: são duas cidades com diferentes prefeitos, policiais e bombeiros, mas ninguém sabe onde termina uma e começa a outra. Esta poderia ser também uma fórmula para Jerusalém. Israel incorporou toda a cidade, ofereceu cidadania aos árabes de Jerusalém, mas poucos aceitaram. Eu pessoalmente reconsideraria esta situação e estaria pronto a transferir a jurisdição sobre esta população a um futuro Estado palestino, incluindo a soberania sobre a parte oriental da cidade. Isto por razões demográficas, políticas e culturais.

Hebraica – Afinal, quantos judeus vivem no Brasil?

Dellapergola – O censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge) é muito bem feito e, segundo o qual, há pouco menos de 100 mil judeus no Brasil. Esta também é a minha avaliação. Também sabemos que metade dos judeus brasileiros vive em São Paulo.

Hebraica – Qual a tendência demográfica dos judeus brasileiros?

Dellapergola – Como quase todas as comunidades judaicas da Diáspora, o número de nascimentos entre os judeus brasileiros é bastante baixo. Mais pessoas morrem na comunidade do que nascem. Também, como o Brasil tem uma tradição multicultural, há muitos casamentos mistos e bastante assimilação. O número de judeus brasileiros tende a diminuir, mas não é algo dramático. Podemos até considerar a população judaica do Brasil estável, se compararmos com outras comunidades do mundo.

Hebraica – Existe um dito bastante difundido entre os judeus que diz: "Os casamentos mistos e a assimilação estão fazendo o que Hitler não conseguiu".

Dellapergola – Não gosto do estilo desta afirmação. É preciso separar demografia de um lado e Holocausto do outro. Hitler não tem nada a ver com casamentos mistos. No entanto, é fato que na maior parte das comunidades da Diáspora, somente uma pequena parcela dos filhos de casamentos mistos acaba afiliada ao judaísmo. A maioria termina por aderir à religião da maioria do país.

Hebraica – Também há vozes, especialmente nos Estados Unidos, defendendo um maior relaxamento das leis de conversão para aumentar o número de judeus. Isto poderia ser uma solução?

Dellapergola – Segundo algumas pesquisas, os filhos de casamentos mistos tendem a se casar com não-judeus numa proporção ainda maior que a média da comunidade. Isto acontece também com crianças produtos desses casamentos e que foram criadas como judias. Isto mostra que elas não são suficientemente motivadas, não recebem o conhecimento necessário sobre o que significa pertencer a uma comunidade judaica. Uma conclusão disto tudo é que um rito de admissão ao judaísmo que seja brando e não tenha um mínimo de requisitos, só terá um forte impacto a curto prazo. As comunidades judaicas receberão novas pessoas, mas elas também tenderão a sair bastante rápido. Abaixar as exigências não garantirá a expansão da comunidade a longo prazo.

Hebraica – A Bíblia diz que somos, numericamente, o menor de todos os povos. Continuaremos sendo assim no futuro?

Dellapergola – A Bíblia também ordena que nos multipliquemos e diz que um dia seremos tantos quanto o pó da terra. Assim, nosso nível populacional está condicionado ao nosso comportamento. Segundo a Torá, se nos comportarmos devidamente, seremos numerosos. Do contrário, perderemos tudo. Isto é o que está escrito.

A demografia política:

O que acontecerá quando a população árabe ultrapassar o número de judeus entre o Jordão e o Mediterrâneo, daqui a dez anos? Leia algumas opiniões:

"Nós não temos tempo ilimitado. Mais e mais palestinos estão ficando desinteressados numa solução negociada para se chegar a dois Estados. Porque eles querem transformar a essência do conflito num modelo sul-africano [apartheid]. De uma luta contra a ‘ocupação’ querem mudar para uma luta por ‘um homem um voto’. Esta será uma luta muito mais limpa e, no final das contas, também mais poderosa. Para nós, significará o fim do Estado judeu."Ehud Olmert, ministro da Indústria, do Trabalho e das Comunicações do governo do Likud

"O que realmente me dá medo é o dia, não muito distante, em que nascerá o bebê palestino que transformará os judeus deste lugar numa minoria. Então o que faremos? Como serão as coisas quando não tivermos mais a desculpa e a força de sermos a maioria? Acho que toda geração tem uma verdade, e a verdade da nossa geração é que entre o Jordão e o Mediterrâneo os judeus se tornarão minoria."Avraham Burg, um dos líderes do Partido Trabalhista

"Quanto mais rápido chegarmos a uma situação em que houver dois Estados com fronteiras razoáveis, com acordos de segurança razoáveis e com um relacionamento razoável, melhor será para resolver a questão demográfica. Isto ajudará pelo menos a reduzir a ameaça do conflito se tornar existencial para os dois povos."Dan Kurtzer, embaixador (judeu) dos EUA em Israel

OS JUDEUS E NÚMEROS: 

Hoje somos quase 13 milhões.

De cada 480 seres humanos na Terra, 1 é judeu.

Os EUA têm a maior comunidade judaica (5,3 milhões),

seguidos de Israel (5 milhões) e da França (500 mil).

No Brasil vivem pouco menos de 100 mil judeus.

Hoje, os judeus representam 81% da população de Israel dentro da Linha Verde, mas em 2050 esta porcentagem cairá para 74%.

Atualmente cerca de 760 mil israelenses vivem fora do país.

A comunidade judaica da Rússia tem a maior porcentagem de casamentos mistos (78%), comparada com os judeus dos EUA (51%) e da França (40%).

Fonte: Sergio Dellapergola; jornal Haaretz



* Matéria Extraída da Revista "A HEBRAICA"