ONDAS MIGRATÓRIAS DOS JUDEUS MARROQUINOS AO NORTE DO BRASIL
O Brasil recebeu cinco ondas de imigração judaica. A primeira ocorreu em 1630, quando Pernambuco foi tomado pelos holandeses. Nos 24 anos de dominação holandesa no Nordeste, eles fundaram a primeira colônia hebraica e a primeira sinagoga na América. Sob um governo de tolerância religiosa, os judeus chegaram a constituir 50% da população branca pernambucana nesse período.
Com a derrota dos holandeses, os judeus perderam seus negócios. Expulsos, ajudaram a fundar Nova Amsterdã, hoje Nova York. Dessa fase, sobraram apenas as ruínas da sinagoga pernambucana. A segunda leva deixou marcas mais profundas, embora não aparentes. No início do século XIX, judeus marroquinos emigraram para a Amazônia. Eles foram atraídos pela promessa de liberdade de culto e por uma campanha publicitária internacional feita pelo governo da então província do Grão-Pará. Em 1880, chegaram a Manaus. A assimilação desses sefarditas (como são chamados os judeus do norte da África) foi tamanha que, atualmente, a proporção de descendentes de judeus entre a população branca da Região Norte é a maior do país.
Uma investigação genética dos brasileiros feita pela Universidade Federal de Minas Gerais mostra que 16% da população da Amazônia que se declara branca tem algum judeu entre seus antepassados. É uma proporção muito maior do que a exibida por São Paulo, onde vivem 60% dos 120.000 judeus brasileiros, ou por Pernambuco, estado no qual essa cifra não supera 2%. A razão para haver tantos descendentes de judeus na Amazônia se deve a uma peculiaridade. Nos primeiros anos do século XIX, praticamente só entraram no Brasil sefarditas do sexo masculino. Os mais ricos conseguiram abrir lojas de secos e molhados em Belém e outras cidades da região. A maioria, porém, adotou a profissão de regatão, como é conhecido o caixeiro-viajante que troca mercadorias industrializadas por produtos da floresta, como látex e peles de animais. Os regatões sefarditas só traziam a família para o Brasil ou se casavam com judias depois que acumulavam dinheiro. No meio-tempo, faziam como os portugueses: amancebavam-se com índias, caboclas e até mesmo mulheres brancas católicas.
A definição cultural de judeu não segue integralmente a genética. Só é considerado como tal quem tem mãe judia e pratica a religião judaica. Por esse motivo, a maioria dos descendentes dos regatões sefarditas não é reconhecida como parte dessa comunidade. E a própria lógica da miscigenação fez com que os laços com a cultura hebraica fossem completamente perdidos nas gerações seguintes. Muitos nem sequer sabem que descendem de judeus. Outros, ainda, se dizem judeus, mas praticam o cristianismo. Em muitos casos, o ambiente isolado da Amazônia esmoreceu a religiosidade dos imigrantes, que tinham dificuldade para praticar sua fé. A primeira sinagoga de Belém só foi inaugurada em 1824, catorze anos depois da chegada dos primeiros sefarditas. O cemitério judaico de Belém, o primeiro do país, foi inaugurado somente em 1848. Para manterem vivas suas tradições, os imigrantes mais fervorosos passaram a copiar a Torá, o livro sagrado dos judeus, e outros textos religiosos a mão em cadernos comuns. Em celebrações religiosas, como a da circuncisão, a cachaça substituía o vinho. Pela tradição, esse ritual deve ser realizado oito dias após o nascimento do menino. Na Amazônia, eles aconteciam com até dez anos de atraso. No início do século XX, um menino foi circuncidado aos 12 anos, porque o pai esperou que nascessem seus irmãos para ir uma vez só da floresta até Belém. O aspecto paradoxal é que, se o isolamento na floresta diluiu a religiosidade de parte dos sefarditas, ele propiciou a preservação de seu idioma, o hakitía. Hoje, a língua subsiste apenas em determinadas localidades da Amazônia e no próprio Marrocos. “A importância da floresta na manuntenção do hakitía é inestimável”, diz o lingüista Mohamed El-Madkouri Maatoui, da Universidade Autônoma de Madri.
No fim do século XIX, os sefarditas enriqueceram com o ciclo da borracha. Os mais bem-sucedidos mandaram seus filhos estudar no Rio de Janeiro. Em 1890, as notícias da súbita prosperidade do Pará motivaram uma nova onda de imigração judaica. Em boa parte, ela foi financiada pelos que já estavam estabelecidos no país. A população judaica no interior do Pará cresceria, assim, exponencialmente. Para se ter uma idéia, metade dos 14.000 habitantes de Cametá, um entreposto comercial da Amazônia, era constituída por sefarditas. O êxito financeiro dos imigrantes provocou uma onda de anti-semitismo. Há relatos de ataques feitos a residências e lojas de imigrantes entre 1889 e 1901. As agressões começavam com passeatas e terminavam com depredações. Embora tenham sido chamadas de mata-judeus, não há registro de que tenham resultado no assassinato de ninguém.
O isolamento imposto aos sefarditas na Amazônia chamou a atenção de rabinos no Marrocos, no início do século XX. Para fiscalizar o cumprimento das normas religiosas pela comunidade estabelecida na floresta, Shalom Emanuel Muyal foi enviado à região, em 1908. Dois anos depois de chegar a Manaus, Muyal foi vitimado por uma doença tropical, provavelmente febre amarela. E aqui reside um aspecto curiosíssimo do sincretismo brasileiro: depois de sua morte, sabe-se lá o motivo, ele ganhou fama de milagreiro entre os católicos locais. Muyal foi enterrado num canto do principal cemitério de Manaus (não havia cemitérios judaicos na capital amazonense naquele tempo) e sua sepultura tornou-se alvo de peregrinações. A fim de evitar que as velas acesas pelos fiéis danificassem a laje do túmulo, o rabino da sinagoga de Manaus mandou construir um muro ao seu redor. Os católicos não se deram por vencidos: passaram a usar o obstáculo como suporte para placas e quadros em que pedem graças e agradecem pelos pedidos que teriam sido atendidos por Muyal. “É impressionante: ele se tornou o santo judeu dos católicos da Amazônia”, admite Isaac Dahan, da sinagoga de Manaus. A devoção é tanta que, nos anos 60, uma tentativa de trasladar os restos mortais do rabino milagreiro para Israel foi abortada em virtude das manifestações indignadas dos amazonenses.
Quando o ciclo da borracha terminou, no início do século XX, as famílias judias mais ricas de Belém mudaram-se para o Rio de Janeiro. “Lá, há uma espécie de sucursal da nossa comunidade”, diz o rabino Moyses Elmescany, da capital paraense. Boa parte da influência dos judeus na Amazônia foi apagada. A sinagoga de Cametá, por exemplo, foi engolida pelo Rio Tocantins e não foi reconstruída. Hoje, nenhum dos habitantes da cidade segue o judaísmo. Em localidades como Óbidos, Breves e Muaná, no Pará, e Tefé e Humaitá, no Amazonas, existem apenas sepulturas. Da procura por uma extensão da Terra Prometida na Amazônia, restaram genes escondidos.
Fonte: http://veja.abril.com.br/080306/p_062.html.
O jornalista Leonardo Ferreira, natural do Rio de Janeiro (RJ), é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduado em Gestão Comercial & Marketing Digital, pós-graduado em Transtorno do Espectro Autista: Inclusão Escolar & Social, além de membro do Templo Beth-El of Jersey City (www.betheljc.org). O templo foi fundado no estado de New Jersey (EUA), em 1864.
28 de fevereiro de 2009
SAMMY DAVIS JR.: JUDEU POR OPÇÃO
O CANTOR E DANÇARINO NEGRO CONVERTEU-SE OFICIALMENTE AO JUDAÍSMO APÓS UM ACIDENTE AUTOMOBILÍSTICO QUASE FATAL NOS ESTADOS UNIDOS

Sammy Davis Jr. dominava o palco: cantava, dançava, atuava e tocava diversos instrumentos. Por isso, mais do que 23 filmes e 40 discos Long Playing (LP), suas performances gravadas ao vivo são seu principal legado. Seus temas mais conhecidos são "Mr. Bojangles", "Candy Man" e "That Old Black Magic". Notável intérprete de Cole Porter, Sammy estrelou a versão para o cinema da ópera "Porgy and Bess", sob a direção de Otto Preminger, em 1959.
O público conservador americano manifestou sua ira em dois episódios: a conversão de Sammy ao judaísmo e seu casamento com May Britt, uma atriz branca, loura e sueca. Nesses períodos, ele recebeu ameaças de morte.
Aos três anos, Sammy fazia parte do grupo Will Mastin's Gang Featuring Little Sammy, fundado no Harlem, o bairro negro onde ele nasceu, por seu pai e seu tio. Ao sete, estreou no cinema em "Rufus Jones for President". Em 1942, conheceu Frank Sinatra durante uma apresentação no Teatro Michigan, em Detroit.
Após a Segunda Guerra, iniciou sua carreira no salão de festas Slapsy Maxie, de Los Angeles. O sucesso no musical "Mr. Wonderful", na Broadway, abriu o espaço para estrelar seu próprio programa de televisão. Foi o primeiro artista negro a conseguir isso.
Seu primeiro álbum, "Starring Sammy Davis Jr.", foi lançado em 1954. Naquele ano, ficou meses afastado porque perdeu o olho esquerdo em um acidente de carro. Ao retornar aos palcos, colocou nas paradas de sucesso as músicas "Something's Gotta Give", "Love me or Leave me" e That Old Black Magic.
Dirigiu, em parceria com Frank Sinatra e Liza Minnelli, o célebre grupo de amigos Rat-Pack-Clique nos cassinos de Las Vegas, em 1959. O mesmo grupo produziu também filmes, como "Ocean's Eleven" ("Onze homens e um destino") (1960), "Sergeants 3" (1962) e "Robin and the Seven Hoods" (1964).
A carreira de Sammy Davis foi bastante prejudicada pelo preconceito racial, que limitou seus papéis no cinema, mesmo considerando sua parceria com amigos do Rat-Pack como Frank Sinatra e Dean Martin. O artista, porém, compensava com espetáculos ao vivo, tendo uma agenda constantemente lotada e casa cheia. "Gostem ou não de mim, eles sabem que meu espetáculo vale o dinheiro que gastaram com o ingresso", disse ele numa entrevista.
Seu último desempenho foi numa produção para a TV, "O maior presente de Natal" ("The kid who loved Christmas"), em 1990. Sammy Davis Jr. Morreu de câncer aos 64 anos, em Beverly Hills, bairro dos ricos e famosos de Los Angeles.

Sammy Davis Jr. dominava o palco: cantava, dançava, atuava e tocava diversos instrumentos. Por isso, mais do que 23 filmes e 40 discos Long Playing (LP), suas performances gravadas ao vivo são seu principal legado. Seus temas mais conhecidos são "Mr. Bojangles", "Candy Man" e "That Old Black Magic". Notável intérprete de Cole Porter, Sammy estrelou a versão para o cinema da ópera "Porgy and Bess", sob a direção de Otto Preminger, em 1959.
O público conservador americano manifestou sua ira em dois episódios: a conversão de Sammy ao judaísmo e seu casamento com May Britt, uma atriz branca, loura e sueca. Nesses períodos, ele recebeu ameaças de morte.
Aos três anos, Sammy fazia parte do grupo Will Mastin's Gang Featuring Little Sammy, fundado no Harlem, o bairro negro onde ele nasceu, por seu pai e seu tio. Ao sete, estreou no cinema em "Rufus Jones for President". Em 1942, conheceu Frank Sinatra durante uma apresentação no Teatro Michigan, em Detroit.
Após a Segunda Guerra, iniciou sua carreira no salão de festas Slapsy Maxie, de Los Angeles. O sucesso no musical "Mr. Wonderful", na Broadway, abriu o espaço para estrelar seu próprio programa de televisão. Foi o primeiro artista negro a conseguir isso.
Seu primeiro álbum, "Starring Sammy Davis Jr.", foi lançado em 1954. Naquele ano, ficou meses afastado porque perdeu o olho esquerdo em um acidente de carro. Ao retornar aos palcos, colocou nas paradas de sucesso as músicas "Something's Gotta Give", "Love me or Leave me" e That Old Black Magic.
Dirigiu, em parceria com Frank Sinatra e Liza Minnelli, o célebre grupo de amigos Rat-Pack-Clique nos cassinos de Las Vegas, em 1959. O mesmo grupo produziu também filmes, como "Ocean's Eleven" ("Onze homens e um destino") (1960), "Sergeants 3" (1962) e "Robin and the Seven Hoods" (1964).
A carreira de Sammy Davis foi bastante prejudicada pelo preconceito racial, que limitou seus papéis no cinema, mesmo considerando sua parceria com amigos do Rat-Pack como Frank Sinatra e Dean Martin. O artista, porém, compensava com espetáculos ao vivo, tendo uma agenda constantemente lotada e casa cheia. "Gostem ou não de mim, eles sabem que meu espetáculo vale o dinheiro que gastaram com o ingresso", disse ele numa entrevista.
Seu último desempenho foi numa produção para a TV, "O maior presente de Natal" ("The kid who loved Christmas"), em 1990. Sammy Davis Jr. Morreu de câncer aos 64 anos, em Beverly Hills, bairro dos ricos e famosos de Los Angeles.
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BIOGRAFIA: EVA TODOR
A judia Eva Todor chama-se Eva Todor Nolding. Nascida na Hungria em 1921, foi filha única de Alexandre e Gisela. Alexandre era comerciante, mas toda a família era de doutores; um tio de Eva dedicou-se ao teatro e quando foi para a América do Norte escreveu para o cinema entre outros sucessos, “A vida começa aos 40” e “Tampico”. Eva acha que essa é a veia artística que lhe foi doada. Ainda na Hungria, com apenas quatro anos de idade, seu pai a matriculou na Opera Real da Hungria. Depois a família se mudou para o Brasil e foram morar em São Paulo. Logo Eva começou a estudar balé e, como a colonia húngara era muito grande, com oito ou nove anos, a garota era uma coqueluche. Loura, linda e muito graciosa, foi assim que a viu o diretor de teatro e cinema, Oduvaldo Viana. Ele a convidou para uma apresentação no Teatro Municipal de São Paulo, que foi um sucesso.
Depois a menina foi contratada por Francisco Serrador, e fazia aparições ao vivo, nos cinemas, depois das sessões. Era uma atração máxima. Assim fez em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Já no Rio, para onde a família se transferiu, Eva Todor foi matriculada no Teatro Municipal, e foi aluna da famosa professora Maria Oleneva. Foi na Companhia Dulcina de Morais que a garota foi fazer teste para teatro. Teve, porém, uma grande barreira: o idioma. E, após chorar muito, pois só tinha 12, 13 anos, e ficou desesperada, aceitou participar de uma “burleta”, teatro musicado, no Teatro Recreio. Aí se deu sua estréia como profissional. Logo conheceu Luiz Iglesias, escritor de peças teatrais, que se encantou com a menina. E, após alguma recusa, Eva acabou gostando dele e casando-se. Estava com catorze anos de idade. Fez também peças de Cesar Ladeira, Mario Lago, e todos os jovens escritores da época. E era sempre sucesso. Mas seu maior momento foi em “Feia” de Paulo Magalhães. Era a Companhia Luiz Iglesias. Um ano depois já foi instituida a “Companhia Eva e Seus Artistas”. Sucesso atrás de sucesso. Casas cheias sempre. E eva conseguiu lançar muitos atores, que depois vieram a ser estrelas nacionais, como Daniel Filho, Herval Rossano, Jardel Filho, Jorge Dória, Elza Gomes, e muitos outros. E, naquele tempo os teatros viviam só de suas bilheterias, não tinham subvenções ou apoio de ninguém. O casamento de Eva e Luiz Iglesias foi perfeito por vinte e dois anos, quando ele veio a falecer. A moça muito sofreu, mas continuou seu trabalho e dois anos depois casou-se com o engenheiro químico Paulo Nolding, que largou tudo para ser seu empresário. Com ele Eva foi casada vinte e cinco anos, mas ele também morreu. E mais uma vez Eva Todor ficou sozinha. Era ainda muito nova, mas não voltou a se casar ou se envolver com ninguém, agora para sempre. Sua carreira de eternos sucessos, em que esteve por vinte anos apenas no Teatro Senador, no Rio, teve também várias temporadas no exterior. Eva fez muito sucesso em Portugal, onde esteve por várias vezes, numa das quais, ficou quase três anos em cartaz, sempre com casas lotadas. E para lá Eva Todor levou seu elenco, tudo por sua conta. Havia, há muito tempo, criado o “gênero Eva Todor”, um misto de graça, música, piada, e muita doçura, que agradava sempre.
Na televisão Eva começou em 1957, quando ainda era casada com Luiz Iglesias, que para ela criou o seriado “Aventuras de Eva”, que aconteceu antes de “Alô Doçura”, mas que tinha mais ou menos a mesma linha. Depois, por orientação de seu marido Paulo Nolding, fez papéis mais fortes, de personagens mais velhos. Fez: Ä Carta”, fez “Senhora da Boca do Lixo”, fez “Em Família”, sempre com casas lotadas. E na televisão, após a TV Tupi, só bem mais tarde voltou a trabalhar. E isso aconteceu na TV Globo. Começou em “Locomotivas”, mas ainda continuava em teatro. Fez “Top Model”. Até que o muito querido diretor geral Boni a chamou e a registrou como funcionária. Eva ficou feliz demais, pois estava sozinha, sem marido, sem filhos, sem ninguém. “Agora você é a nossa Eva”, disse-lhe ele. E dali nunca mais Eva saiu. Faz todos os papéis, em que é escalada, e quer bem a todos, pois todos a amam também. Respeito, integridade, profissionalismo, arte, muita arte, é o que mantém Eva Todor eternamente no topo do cenário artístico nacional. Se aos quatro estava num palco, se aos catorze se casou, agora que é uma mulher madura, nada se modificou para ela. Sua personalidade a faz ímpar, “empelicada”, diferente, acima do bem e do mal. Ela é a mesma de sempre. Eva Todor, sua maneira de representar, seu leve sotaque, sua beleza eterna são, realmente, uma dádiva divina. E falar com ela é estar por um instante no céu.
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BIOGRAFIA: BERTA LORAN
A judia Berta Loran (Varsóvia, Polônia, 23 de março de 1926, Polônia) é uma comediante e atriz brasileira. Em 1939, Berta Loran mudou com a família para o Brasil dias antes da invasão alemã. Estreou no cinema em 1955, no período das chanchadas brasileiras, pelas mãos do mestre Watson Macedo em Sinfonia Carioca. Nos dois filmes seguintes, Papai Fanfarrão e Garotas e Samba, é dirigida pelo outro grande diretor de chanchadas, Carlos Manga.
Na década de 60, fez o programa Oh, que delícia de show, onde apresentou-se, em um show memorável, com Cy Manifold num dueto de sapateado.
Berta Loran faz carreira na televisão em programas humorísticos como Balança Mas Não Cai, Planeta dos Homens , Escolinha do Professor Raimundo e Zorra Total.
Em 1984 surpreendeu público e crítica com sua performance de atriz em Amor Com Amor se Paga, de Ivani Ribeiro, na Rede Globo, em que faz dobradinha histórica com Ary Fontoura.
A atriz marca presença no cinema brasileiro nas décadas de 50, 60 e 70, atuando em filmes, além dos citados, de Eurípedes Ramos, Fauzi Mansur e Roberto Pires.
Acaba de estrear no elenco do filme Polaróides Urbanas, de Miguel Falabella.
2008 - Pela primeira vez trabalha junto com Bemvindo Sequeira, na comédia "Pais Criados , Trabalhos Dobrados". Teatro Vanucci, Rio. Autoria de Moacyr Veiga que também compõe o elenco.
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BIOGRAFIA: NATHALIA TIMBERG
A atriz judia Nathalia Timberg nasceu no Rio de Janeiro em 05 de agosto de 1929. Atriz de grande talento, marcou sempre sua carreira pela diversidade de atuações, e de emissoras em que esteve. Sua voz marcante já era conhecida no seu primeiro grande papel na TV Tupi, na novela “O Direito de Nascer”, em 1964.
Depois fez dois filmes e uma novela na TV Record: “O Desconhecido”. Passou a seguir pela TV Paulista, TV Globo, quando atuou em “A Rainha Louca”. Chegou à TV Excelsior e fez entre outras, as novelas de muito sucesso: “A Muralha”, “O Terceiro Pecado”, “Vidas em Conflito”, “Dez Vidas”, “Sangue do Meu Sangue”. Sempre encontrando tempo para atuar em cinema, tendo feito “Society em baby-doll” e “O Homem que Comprou o Mundo”. Na década de 70, intercalou atuações na TV Record, onde fez várias novelas,na TV Tupi, com: “Divinas e Maravilhosas”, “Cara a Cara”, e na Rede Globo de Televisão.. Fez também várias novelas na TV Cultura e na TV Manchete, tendo atuado, entre outras, na novela “Pantanal”, de imenso sucesso. Depois voltou-se praticamente só para a TV Globo, onde fez: “O Dono do Mundo”, “Mulheres de Areia”, “Zazá”, “Porto dos Milagres”, “Quinto dos Infernos”, e “Celebridade”. Mas isso não quer dizer que não tenha estado em outras emissoras. Atriz sempre procurada pelos profissionais e sempre aplaudida pelo público, continua apresentando-se em teatro, sempre com sucesso. Apareceu também na novela; "Páginas da Vida", de Manoel Carlos.
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BIOGRAFIA: ZIEMBINSKI
O judeu polonês Zbigniew Marian Ziembinski formou-se em arte dramática na Universidade de Cracóvia. Aos 23 anos já tinha sido diretor do Teatro Nacional de Varsóvia e do Teatro Lodz, onde dirigiu cinco peças. Chegou no Brasil em 1941, sem falar uma palavra de português e com a intenção de continuar a viagem para os Estados Unidos, onde tencionava dirigir um grupo polonês de teatro. Ao fazer uma escala no Rio de Janeiro, porém, apaixonou-se pela cidade e ficou no Brasil.
Logo foi convidado para dirigir "Assim é se lhe Parece", de Pirandello, e várias outras. A primeira grande montagem que realizou, em 1943, foi "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues. Experimentou criar um efeito de luz usando muitos refletores, ao contrário do que era costume no teatro nacional. Outra inovação foi ter dividido a cena em três planos distintos - a realidade, o passado e o delírio da personagem - criando novas possibilidades cênicas para o texto.
Era um diretor polêmico e enérgico e ensaiava à exaustão, exigindo o máximo dos atores. Passou pelo Teatro Brasileiro de Comédia e pelo Teatro Cacilda Becker. Ziembinski (ou Zimba, como logo o apelidaram), além de ator e diretor, era pintor e fotógrafo. Em 1950, já possuía sua própria companhia. Como ator, seu porte físico avantajado, conquistava os papéis de reis e tiranos. Fez um bicheiro em "Boca de Ouro", um pai de família em "Jornada de Longo Dia para Dentro da Noite", e uma velha alcoviteira em "A Celestina". Fez também "Dorotéia" e "Pega-fogo", além de "O Santo e a Porca", ao longo da década de 1950.
Foi professor da Escola de Arte Dramática de São Paulo e esteve na Polônia em 1964, onde encenou duas peças brasileiras. Ganhou grande popularidade na década de 1970, por suas atuações na Rede Globo, com destaque para "Em Família", ao lado de Zilka Salaberry. Participou da telenovela "O Bofe", como tia Stanislava, em 1972.
Ao tornar-se Diretor do Núcleo de Casos Especiais da emissora, Ziembinski impôs uma severa disciplina artística aos atores. Trabalhou com Jardel Filho, Maria Della Costa, Sergio Cardoso, Walmor Chagas, Raul Cortez, Cacilda Becker, Cleide Yáconis, Tonia Carrero e Cecil Thiré.
Nas telas, Ziembinski atuou em vários filmes na Companhia Vera Cruz, de 1953 a 1975. Zbigniew Marian Ziembinski recebeu a Ordem do Mérito Cultural polonesa, pelas mãos do embaixador Edward Wychowanice, como reconhecimento de seu país de origem pelo seu trabalho a favor das artes brasileiras.
Em 1976, o ator encomendou a Antonio Bivar uma peça para comemorar seus 50 anos de teatro e 35 de Brasil. Bivar escreveu "O Quarteto", que foi seu último trabalho nos palcos. Ziembinski morreu aos 70 anos.
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BIOGRAFIA: DINA (KUTNER) SFAT
Dina Kutner de Souza (São Paulo SP 1938 - Rio de Janeiro RJ 1989). Atriz. Inquieta, profunda, dona de uma presença física singularmente sedutora e de uma aguda inteligência interpretativa, Dina Sfat distingue-se, na sua carreira teatral, pela exigência e coerência com que seleciona os seus compromissos profissionais. É uma das artistas de proa que verbalizam e expressam as reivindicações nacionais contra a injustiça e a opressão durante o período da ditadura.
Filha de judeus poloneses, começa a trabalhar aos 16 anos em um laboratório de análises clínicas. Em 1962 faz uma ponta em Antígone América, de Carlos Henrique Escobar, montagem de Antônio Abujamra para Ruth Escobar. Volta ao amadorismo, como integrante de um grupo estudantil do centro acadêmico de engenharia da Universidade Mackenzie. Dessa experiência nasce seu contato com o Teatro de Arena, onde estréia profissionalmente substituindo a atriz que interpretava Manuela, a filha em Os Fuzis da Senhora Carrar, texto de Bertolt Brecht, dirigido por José Renato, em 1962. Adota, então, o nome artístico de Dina Sfat, homenageando a cidade natal de sua mãe.
Integra os elencos de O Melhor Juiz, o Rei, de Lope de Vega, 1963; Tartufo, de Molière, 1964; e ganha o Prêmio Governador do Estado de São Paulo de melhor atriz em Arena Conta Zumbi, 1965, musical de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, todas com direção de Augusto Boal. Em 1967, participa de Arena Conta Tiradentes, novamente autoria de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, no mesmo teatro.
No final desse ano aceita um desafio: substituir às pressas Ítala Nandi no papel de Heloisa de Lesbos de O Rei da Vela, texto de Oswald de Andrade encenado por José Celso Martinez Corrêa para o Teatro Oficina, conquistando as atenções do Rio de Janeiro.
Filma Corpos Ardentes, de Walter Hugo Kouri, com expressivos resultados; o que a conduz ao desempenho da guerrilheira Cy, de Macunaíma, filme de Joaquim Pedro de Andrade realizado em 1969, onde brilha ao lado de Paulo José, o protagonista. Eles se conhecem desde o Teatro de Arena, mas é a partir daí que passam a assumir uma relação marital estável.
Dissolvidos os dois grandes conjuntos teatrais dos anos 60, Dina passa a aceitar contratos com produções independentes, alternando sua vida artística entre a televisão e o cinema. Seu currículo teatral registra expressivos desempenhos em Dorotéia Vai à Guerra, de Carlos Alberto Ratton, 1973; A Mandrágora, de Maquiavel, 1975; ambos direção de Paulo José. Participa da montagem de O Santo Inquérito, de Dias Gomes, 1976, dirigida por Flávio Rangel. Está em Seis Personagens à Procura de uma Autor, de Luigi Pirandello, mais uma direção de Paulo José, em 1977. Integra o elenco em Murro em Ponta de Faca, de Augusto Boal, 1979, primeira peça abordando a problemática dos exilados políticos a chegar aos palcos.
Torna-se produtora dos espetáculos que protagoniza, em As Criadas, de Jean Genet, 1981, e Hedda Gabler, de Henrik Ibsen, 1982. Esse último espetáculo alcança grande adesão de público não só no Rio de Janeiro, onde estréia, mas também numa longa tournée por vários Estados. Sua despedida dos palcos ocorre com A Irresistível Aventura, quatro peças em um ato dirigidas por Domingos Oliveira, 1984.
Na televisão, protagoniza novelas de grande projeção, tornando-se atriz de larga empatia e reconhecimento popular. Entre outras, destaca-se em Selva de Pedra, em 1972; Os Ossos do Barão, 1973; Saramandaia, 1976; O Astro, 1977; Bebê a Bordo, 1988; além das minisséries Avenida Paulista, em 1982, e Rabo de Saia, em 1984.
No cinema firma sua personalidade sempre densa, dramática e cheia de sutilezas em algumas películas de repercussão, lastreando seu prestígio. Como Jardim de Guerra, 1970; Tati, a Garota, 1973; Álbum de Família e Eros, o Deus do Amor, ambos em 1981; Das Tripas Coração, Tensão no Rio e O Homem do Pau Brasil, todos em 1982, sendo que neste último interpreta a pintora Tarsila do Amaral; deixa inacabado O Judeu, só concluído em 1995.
Não é possível desligar sua vida artística de sua ativa participação na vida cultural e política do país, seja integrando movimentos em prol da democracia ou da liberdade de expressão. Sua forte liderança neste campo é tão grande que, numa aula da Escola Superior de Guerra, um general a define como "líder feminista vinculada à estratégia de poder da extrema-esquerda". Ela, de fato, noticiou que sairia candidata ao cargo de vice-presidente do país pela sigla do Partido Comunista do Brasil, PCB, em 1984, mas jamais integra algum partido ou filia-se a qualquer facção política. Seu inconformismo e legítimo sentido de liberdade ancoram-se em generosa visão da vida e do mundo, sem sectarismos.
Ao descobrir-se com câncer, luta durante três anos contra a doença. Viaja para a Rússia, em tratamento, aproveitando para fazer um documentário para a TV, no momento em que a perestróika dava seus primeiros passos, levantando muita curiosidade sobre o assunto.
De seu casamento com Paulo José nascem três filhas. Ana e Bel Kutner tornam-se, igualmente, atrizes.
Pouco antes de morrer lança uma autobiografia, Dina Sfat - Palmas pra que Te Quero, escrita em parceria com a jornalista Mara Caballero.
Analisando a trajetória da intérprete, comenta o crítico Alberto Guzik: "Apaixonada e coerente, não poucas vezes Dina viu declarações suas transformadas em berços de polêmica. Mas sempre teve a coragem de sustentar suas idéias francamente e nunca se fechou ao diálogo. Quanto a seu trabalho em cena, embora fosse uma intérprete de bons recursos cênicos, voz trabalhada e evidente perícia na composição de caracteres, o que a destacava era a paixão. A vibração de sua presença, a imperiosa honestidade com que desenhava suas atuações, valeram-lhe uma posição de destaque, que a atriz manteve sempre com enorme dignidade".1
Notas
1. GUZIK, Alberto. Dina: a paixão como profissão. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 19, 23 mar. 1989.
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