13 de setembro de 2008

O judeu é mais inteligente?

06/11/2007 - Gilberto Dimenstein - Folha Online






Em entrevista à Folha, o cientista político norte-americano Charles Murray disse que a genética seria uma das explicações para a suposta inteligência superior dos judeus. Será?

Na condição de judeu, não acredito nessa influência genética. Não é só porque, para mim, superioridade genética e barbárie se confundem na história. Mas, como alguém que trabalha com educação, acredito que exista uma cultura específica que ajude na projeção de um povo que, apesar de ter apenas 12 milhões de pessoas, tem 25% dos ganhadores do Prêmio Nobel.

O que existe entre judeus (e não só entre eles) é uma reverência obsessiva pelo conhecimento, que vem de gerações. É o chamado povo do livro. O rabino, a pessoa mais importante da comunidade religiosa, não tem força por ser um intermediário com Deus, mas por ser um intérprete das leis, ou seja, um intelectual. Livros sagrados são feitos de perguntas.

O ritual iniciatório do judeu não é matar um guerreiro ou passar por privações. Mas é ler um livro (a Torá). Ou seja, se quiser virar adulto terá de saber ler em pelo menos uma língua. O analfabetismo sempre foi muito baixo entre os judeus, o que assegurou uma rede de escolas.

A educação não é vista como uma responsabilidade apenas da escola. Mas, em primeiro lugar, da família e, depois, da comunidade. Educa-se em casa, na sinagoga e também na escola. Aprende-se, portanto, todo o tempo e em todos os lugares.

Como o judeu é o povo por mais tempo perseguido da história da humanidade, desenvolveu-se a sensação do desafio permanente. Isso se traduz na idéia de que o estudo é a melhor defesa --e também a coisa mais segura para ser carregada.

Nessa junção dos capitais humano e social, tem-se a receita não do desempenho intelectual de um povo, mas da força divina da educação, replicável por qualquer agrupamento humano.

Um comentário:

Adalberto disse...

Se é mais inteligente, não sei, talvez por não ser um...

Mas, que é um povo digno de admiração por sua luta, coragem e deteminação, não tenho dúvidas.

Queria deixar uma pequena homenagem:

SABRA
Tua pele me arrepia, levanta meus poros assustados,
não pela aspereza, mas antes pela força viril,
que demanda, inconsciente do seu estado,
mais que atuante, antes até, juvenil...

Viajo nas suas coxas, morenas e crianças,
ando feito bebado nos seus seios, sedento.
Misto de amante e embalado, no meio de suas tranças,
te quero não me queres, e me quedo ciumento.

Não te acompanho, inválido estrangeiro,
e fico aqui, parado, te observando.
Como um galo velho, no galinheiro,
vendo os frangos novos se assanhando.

E aras a terra inculta, agreste e hostil,
e pegas em armas, incontinente.
Tanto faz se manejas um machado ou um fuzil,
nas duas ferramentas trabalhas demente.

Te amo, te adoro, te escrevo em prosa e verso.
És para mim como o forte leite de cabra.
Preenches com tua beleza e força o universo.
Simplesmente... Sabra.

Abraços.
Adalberto Capelli
adalbertocapelli@gmail.com