3 de julho de 2010

RESGATANDO OS VESTÍGIOS DA DIÁSPORA JUDAICA EM BARBADOS - CARIBE

Fonte: Patricia Borns, correspondente do Globo | 01 de junho de 2008



Michael Stoner, um arqueólogo da Carolina do Sul, foi cavar nas imediações da Sinagoga Nidhe Israel, entre as mais antigas sinagogas no Hemisfério Ocidental desde a sua fundação em 1654 por judeus sefaraditas expulsos da então colônia de Portugal, o Brasil

Bridgetown, Barbados - Se Baruch Spinoza vivesse hoje, ele teria que engolir suas palavras. "Nada restava deles, nem mesmo a memória", disse o filósofo do século 17 sobre os judeus da Espanha e Portugal, que durante a Inquisição foram expulsos ou forçados a assumir identidades cristãs.
Mas aqui na capital, Michael Stoner, um arqueólogo da Carolina do Sul, foi cavar nas imediações da Sinagoga Nidhe Israel, entre as mais antigas sinagogas no Hemisfério Ocidental desde a sua fundação em 1654 por judeus sefaraditas expulsos da então colônia de Portugal, o Brasil. Planejava recuperar a casa de um rabino enterrado no estacionamento da sinagoga, mas encontrei outra coisa, disse o arqueólogo. "Era segunda-feira e eu estava trabalhando sozinho quando dois turistas israelenses caminharam até mim", recorda Stoner. "Eles observaram por um minuto, em seguida, um deles disse: 'micvê" (Espécie de 'piscina' ritual).

Assim foi. Micvê, um banho ritual de purificação do corpo, outrora tão importantes para a vida judaica que a sua construção era uma prioridade maior do que uma sinagoga. Durante as próximas três semanas, toneladas de entulho foram retiradas e uma escada toda de granito e mármore surgiu,
levando até o banho construído no século 17. Medindo cerca de 8 metros por 4 metros, o espaço é pavimentado com granito vermelho, azulejos e ladeada por nichos onde as lâmpadas teriam sido
colocadas. A fonte que alimentava o banho ainda está ativa e a água ainda pura.
"Eu não esperava isso. Nada. Nada", disse Stoner, um aluno de Doutorado na Universidade West
Indies - UWI, um dos três campi, cuja sede fica em Barbados.
A escavação realizada pelo departamento da universidade da história e foi somente possível com o apoio da comunidade judaica local e do magnata britânico Michael Tabor e sua esposa, Doreen, que
possuem uma casa na ilha. 


Enquanto a comunidade judaica em Barbados caiu, hoje, para somente 16 famílias, um cemitério ao lado do sítio arqueológico atesta a presença de judeus sefaraditas. As inscrições nas sepulturas em português e data hebraica marcando o início dos anos 1600, quando os judeus brasileiros especializados no comércio do açúcar foram recebidos na ilha, uma vez que buscavam uma nova cultura de exportação.
"Os sefaraditas possuíam o conhecimento tão necessário e capital de base ", disse Karl Watson, um arqueólogo e professor da UWI, que dirigiu a escavação e pesquisa a vida judaica em Barbados, enquanto recolhe material para seu próximo livro. "Você pode crescer a grama, mas se você não pode processar um bom produto, você estará desperdiçando seu tempo. 




No auge do açúcar boom, cerca de 800 judeus, prosperaram no transporte e comércio nos polos de Bridgetown e Speightstown. No entanto, até o século 20, os sinais de sua presença foram todos perdidos.
A escrita privilegia a manutenção da história no cemitério local. Influenciado por instituições sediadas em Boston (MA), o museu utiliza multimídia interativa que visa interpretar a vida judaica na ilha desde o início até os dias atuais. Entretanto, a escavação continua com a lavagem e catalogação de milhares de artefatos descobertos, incluindo pedaços de pedra e de um molde de joalheiro. (Reproduções das pulseiras serão vendidas na loja do museu).
Peneirando a terra, Stoner recorda uma escavação que fez na Carolina do Sul, onde descobriu a primeira casa de Charleston, datada em 1678. A cerâmica encontrada no local o levou para a ilha do Caribe, onde escava desde então.
"Eu trabalhei em alguns projetos interessantes, mas esta é a descoberta mais importante encontrar que eu já fiz ", disse ele.

28 de junho de 2010

O ANTI-SEMITISMO HISTÓRICO

Livro: Recapitalando a Profecia



PRISIONEIROS JUDEUS NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE BUCHENWALD - 1938


À pergunta: "Por que ainda hoje a Europa é tão inimiga dos judeus?", o escritor israelense Ephraim Kishon respondeu:

Por que o mundo é tão pró-palestino? Por que ama os palestinos? Não, mas por ser contra os judeus. Eu disse a um amigo curdo que a revolta deles está fadada ao fracasso desde o princípio, porque eles não lutam contra os judeus. O anti-semitismo é uma doença atávica e patológica. (nai 11/99)

Isso significa que o anti-semitismo é "uma doença renitente, em contínuo desenvolvimento, impossível de ser controlada". Realmente, não houve nenhuma década do século 20 em que não tivessem acontecido manifestações e abusos mais ou menos intensos contra os judeus. A seguir apresentamos apenas alguns exemplos típicos do que aconteceu com os judeus durante a história:

. O anti-semitismo na história:

Após os dois levantes judeus de 70 e 135 d.C., sufocados pelos romanos da maneira mais brutal, tentou-se eliminar o nome da pátria judaica, mudando o de Jerusalém para "Aélia Capitolina" e transformando a Judéia em "Palestina Síria", para que não houvesse mais lembrança dos judeus. Por volta de 160 d.C., Justino, o Mártir, condenou os judeus como "filhos de meretrizes". Em 200 d.C., Tertuliano escreveu o primeiro manifesto cristão sistemático contra os judeus. Ele também já tinha passado a considerar a Igreja como sendo o verdadeiro e eterno Israel. Depois disso foram publicados muitos outros panfletos anti-judeus por Pais da Igreja. Em 250, Cipriano, um dos Pais da Igreja, escreveu: "O diabo é o pai dos judeus". Mais tarde, essa acusação passou a ser encontrada constantemente no anti-judaísmo cristão. Em 325, no Concílio de Nicéia – pela primeira vez em um concílio –, não foram convidados bispos judeus-cristãos. A festa da Páscoa foi transferida para o domingo após pessach (a páscoa judaica) com a justificativa: "Seria o cúmulo da falta de reverência seguirmos as tradições dos judeus nesta maior de todas as festas. Não devemos ter nada em comum com esse povo abominável".

Em 387 d.C. teve início a maior campanha de instigação cristã contra os judeus de que se tem notícia na Antiguidade – e ela foi patrocinada pelo Pai da Igreja João Crisóstomo, a partir de Antioquia (Síria). Ele disse, por exemplo, que a sinagoga era "lugar de blasfêmia, asilo do diabo e castelo de Satanás". Em 415, o bispo Agostinho de Hipona escreveu que os judeus carregam eternamente a culpa pela morte de Jesus. Em decorrência, o monge Barzauma instigou uma perseguição aos judeus em Israel, quando inúmeras sinagogas foram destruídas. Em 538 foi vetada a entrada de judeus nas guildas (associações de mutualidade formadas na Idade Média entre as corporações de operários, negociantes ou artistas), restando à maioria deles apenas a opção do comércio. Em 613 foi dado um ultimato a todos os judeus da Espanha: batismo ou desterro. Posteriormente, o Sínodo de Toledo ordenou que todos os judeus "renegados" fossem executados nas fogueiras da Inquisição.

Em 1021, Roma foi sacudida por um terremoto na Sexta-Feira da Paixão. Em conseqüência, judeus foram presos e acusados de terem furado uma hóstia com um prego. Eles foram torturados e queimados na fogueira. Em Paris, no ano de 1240, foram queimados publicamente por monges dominicanos todos os exemplares disponíveis do Talmude. Essa foi a primeira queima oficial de escritos judaicos pela igreja católica. Em 1348 a "peste negra" (peste bubônica) se alastrava pela Europa, dizimando um terço da população. Os judeus foram acusados de envenenar as fontes de água, causando a epidemia. O papa Clemente VI expediu uma bula em que declarava todos os judeus inocentes dessa acusação, mas não foi possível impedir que, em quase todas as localidades nas quais havia uma comunidade judaica, irrompessem "pogroms" matando inúmeros judeus. Em 1401 foram queimados vivos 48 judeus em Schaffhausen (Suíça). Em 1431 o Concílio de Basiléia determinou que os judeus tinham de viver separados dos cristãos. Desse modo surgiram em muitas cidades os bairros judeus, mais tarde chamados de "guetos".

. Martin Lutero contra os judeus:

Em 1523 Lutero escreveu que Jesus era "judeu de nascimento". Ele empenhou-se para que os judeus fossem tratados de maneira amistosa, para levá-los à conversão. Vinte anos depois, em 1543, decepcionado porque os judeus não se convertiam à fé evangélica, Lutero lançou seu manifesto anti-judaico "Sobre os Judeus e Suas Mentiras". Nesse livro ele propunha que as sinagogas deveriam ser queimadas. Pouco tempo mais tarde, o príncipe da Saxônia expediu um rigoroso mandato anti-judaico, tendo por base os escritos de Lutero.

. O pensador Voltaire contra os judeus:

Em 1756 o filósofo francês Voltaire lançou suas "Obras Completas", contendo uma série de violentas passagens anti-semitas. Em 1879 o alemão Wilhelm Marr fundou a Liga Anti-Semita; ele é considerado o criador da expressão "anti-semitismo". Em 1880 o "filósofo do anti-semitismo" Eugen Dühring publicou sua obra "A questão judaica como questão de raça, nociva à cultura e à existência dos povos". Ele escreveu:
A origem do desprezo generalizado pelos judeus reside em sua absoluta inferioridade em todos as áreas intelectuais... Trata-se de uma raça inferior e degenerada. É tarefa dos povos nórdicos "arianos" exterminar raças parasitárias desse tipo, assim como costumamos exterminar cobras e outros predadores.

. Escritor Richard Wagner contra os judeus:


Em 1881 Richard Wagner publicou um ensaio onde recomendava o anti-semitismo político e classificava os judeus de "demônio causador da decadência da humanidade". Em 1903 eram publicados pela primeira vez, em São Petersburgo, os "Protocolos dos Sábios de Sião", profundamente anti-semitas. Os "Protocolos", escritos por anti-semitas cristãos, falam de uma conspiração mundial judaica para o domínio do mundo. Infelizmente, desde então houve e há muitos que sucumbiram às mentiras dos "Protocolos dos Sábios de Sião", dando-lhes mais crédito que às verdades bíblicas. Certa vez até recebi uma pregação gravada em fita atacando o judaísmo, na qual o pregador se baseava nos "Protocolos", vangloriando-se de tê-los em seu poder. Em 1905 foi fundada a "União do Povo Russo", de cunho anti-semita.

. Perseguição e morte aos judeus:

Em 1918 foram afogados no mar em Ialta 900 judeus pelas mãos de anti-semitas e em Sebastopol (Criméia) todos os líderes judeus foram assassinados. Em 1922 o ministro do Exterior da Alemanha, Walther Rathenau (o primeiro judeu a ocupar esse cargo), foi assassinado por anti-semitas. Mais tarde Hitler anunciava: "o extermínio dos judeus será minha prioridade ao assumir o poder. Eles não sabem proteger-se a si mesmos e ninguém vai apresentar-se como seu protetor". Em 1938 aconteceu a chamada "Noite dos Cristais" na Alemanha, quando 191 sinagogas e inúmeras instalações judaicas foram destruídas, 91 judeus foram assassinados e 30.000 arrastados para campos de concentração. Durante a Segunda Guerra Mundial foram mortos seis milhões de judeus. (Israel Heute)

. O anti-semitismo na atualidade:

Deveríamos ter aprendido da história. Mas o contrário parece estar acontecendo. Em ritmo crescente ouvem-se novamente manifestações anti-semitas de políticos europeus. Na Rússia os judeus temem abusos anti-semitas e as pressões da União Européia e dos EUA sobre Israel aumentam. Isso sem considerar o comportamento das nações islâmicas contra o povo judeu.

. O silêncio de Hillary Clinton:

Quando Hillary Clinton, esposa do então presidente dos EUA, esteve em Israel, causou perplexidade o fato dela não ter reagido a uma manifestação anti-semita da esposa de Arafat, simplesmente ignorando suas palavras e prosseguindo com a programação. Suha Arafat tinha afirmado em uma entrevista coletiva:
Israel envenena o ar e a água dos palestinos em Gaza, na Judéia e Samaria. Dessa forma os israelenses desencadearam câncer em muitas mulheres e crianças palestinas. Elas morreram dessa efermidade.
Hillary Clinton não reagiu, levantou-se, abraçou Suha Arafat depois dela encerrar suas declarações, e fez o discurso que havia preparado. A senhora Clinton foi duramente criticada nos Estados Unidos e em Israel por não ter reagido a um ataque tão forte contra Israel. Em Israel as afirmações de Suha Arafat desencadearam uma onda de indignação. Muitos vêem nisso o retorno de uma acusação anti-semita por demais conhecida: os judeus envenenam os poços. (IN)
Algumas semanas após o trágico acidente com um avião da "Egypt Air" em 31 de outubro de 1999, a imprensa egípcia, leal ao governo, não hesitou em lançar a culpa do acidente sobre Israel. (IN)

O QUE É ANTI-SEMITISMO?

Fonte: Mundo Educação / Info Escola - Internet



Anti-semitismo é a ideologia de aversão cultural, étnica e social aos judeus. O termo foi utilizado pela primeira vez pelo escritor anti-semita Wilhelm Marr, em 1873, surgindo como uma forma de eufemizar a palavra alemã "Judenhass", que significava “ódio aos judeus”. Ao pé da letra, o termo “anti-semita” é errôneo, visto que os árabes também são“semitas”, descendentes de Sem, filho de Noé. No entanto, a palavra se refere unicamente ao povo judeu. Desde o fim do século XI, os judeus eram segregados na Alemanha, embora o anti-semitismo em si tenha surgido a partir da década de 1870.

Durante anos, foi criado na Alemanha, no entanto em uma intensidade menor, o sentimento de que os judeus eram os responsáveis pelos males ocorridos no país. O diplomata, escritor e filósofo francês Arthur de Gobineau, um dos maiores teóricos do racismo, afirmava que os judeus eram inferiores aos arianos, tanto moral quanto fisicamente. Essa ideologia encontrou seu ponto máximo no nazismo. Em seu livro “Mein Kamff”, Adolf Hitler traçou o perfil dos judeus: um povo parasita, incorporado ao organismo de outros povos. Segundo ele, eram um povo explorador, que vivia do trabalho dos outros e da exploração econômica, visando apenas o lucro, nunca o bem da comunidade.

A forte e eficiente propaganda nazista fez com que a população alemã tomasse ódio pelos judeus, assim, as pessoas foram convencidas de que eliminá-los era conveniente para a nação. Como consequência de uma ideologia bem trabalhada, todas as tensões sociais eram canalizadas para a questão anti-semita.

Em 1933, foi aprovada uma lei que deixava os judeus fora da proteção da legislação. Dessa forma, os mesmos passaram a ser presos de forma legal e confinados em campos de concentração sem nenhum motivo. No fim da Segunda Guerra Mundial, cerca de 6 milhões de judeus (dois terços da população da Europa) haviam sido mortos.




O anti-semitismo é uma forma de hostilizar judeus e árabes, sem nenhum motivo a não ser o ódio, principalmente contra os judeus, cujo termo semita foi criado especialmente para se referir a eles.
No decorrer da história, os perseguidos foram tratados de diferentes formas, nas diferentes épocas: no Mundo Antigo, na Idade Média e nos Tempo Modernos.
No Mundo Antigo, eram tratados com frieza. Os gregos, os romanos e os babilônios queriam impor seu domínio, seu idealismo e seus valores, como culto ao homem e seus tributos físicos aos prazeres mundanos. Eles tentaram expulsar Deus da vida dos judeus, proibindo-os de praticar seus cultos religiosos e até destruindo alguns de seus templos.

Na Idade Média, a Igreja Católica, através das Cruzadas (primeira grande manifestação do anti-semitismo medieval), e a inquisição foram as maiores patrocinadoras desse profundo ódio e total intolerância aos judeus. Elas queriam impor seus ideais e suas crenças como a única opção entre viver ou morrer ( na fogueira foram queimados volumes de livros sagrados e milhares de judeus perseguidos foram jogados às chamas, assistidos pelo povo, que testemunhava esse ato de crueldade). A Igreja acreditava que eles eram responsáveis pela morte de Jesus Cristo.

Em Tempos Modernos, o anti-semitismo só apareceu a partir do século XIX, junto aos ideais nazistas. O Nazismo, que abraçou a Alemanha e levou multidões ao desejo fanático e insaciável de criar uma “raça pura” movidas pelas idéias de um único homem, Adolf Hittler, que foi capaz de exterminar milhões de judeus, além de negros, ciganos,etc. Mas só a morte não era o bastante. Antes de matá-los, os nazistas os torturavam ao longo dos infinitos corredores da morte, entre o caminho que os levava dos vagões de trem até os campos de concentração, às filas para o banho (câmaras de gás) e às experiências jamais imaginadas por um ser humano que outro ser humano fosse capaz de realizar com seus semelhantes.

O QUE É RACISM0?

Fonte: Internet



A escravização dos povos da Europa oriental e a perseguição aos judeus eram as provas pretendidas pelos nazistas da superioridade da raça ariana sobre os demais grupos.


O racismo é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais, são superiores a outros. O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial. A crença da existência de raças superiores e inferiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade e ao complexo de inferioridade, se sentindo, muitos povos, como sendo inferiores aos europeus.

. FILOSOFIA:

O racismo é um preconceito contra um “grupo racial”, geralmente diferente daquele a que pertence o sujeito, e, como tal, é uma atitude subjetiva gerada por uma sequência de mecanismos sociais. Um grupo social dominante, seja em aspectos econômicos ou numéricos, sente a necessidade de se distanciar de outro grupo que, por razões históricas, possui tradições ou comportamentos diferentes. A partir daí, esse grupo dominante constrói um mito sobre o outro grupo, que pode ser relacionado à crença de superioridade ou de iniquidade.
Nesse contexto, a falta de análise crítica, a aceitação cega do mito gerado dentro do próprio grupo e a necessidade de continuar ligado ao seu próprio grupo levam à propagação do mito ao longo das gerações. O mito torna-se, a partir de então, parte do “status quo”, fator responsável pela difusão de valores morais como o "certo" e o "errado", o "aceito" e o "não-aceito", o "bom" e o "ruim", entre outros. Esses valores são aceitos sem uma análise onto-axiológica do seu fundamento, propagando-se por influência da coerção social e se sustentando pelo pensamento conformista de que "sempre foi assim".
Finalmente, o mecanismo subliminar da aceitação permite mascarar o prejuízo em que se baseia a discriminação, fornecendo bases axiológicas para a sustentação de um algo maior, de posturas mais radicais, como as atitudes violentas e mesmo criminosas contra membros do outro grupo.
Convém ressaltar que o racismo nem sempre ocorre de forma explícita. Além disso, existem casos em que a prática do racismo é sustentada pelo aval dos objetos de preconceito na medida em que também se satiriza racialmente e/ou consente a prática racista, de uma forma geral. Muitas vezes o racismo é consequência de uma educação familiar racista e discriminatória.

. HISTÓRIA:

O racismo tem assumido formas muito diferentes ao longo da história. Na antiguidade, as relações entre povos eram sempre de vencedor e cativo. Estas existiam independentemente da raça, pois muitas vezes povos de mesma matriz racial guerreavam entre si e o perdedor passava a ser cativo do vencedor, neste caso o racismo se aproximava da xenofobia. Na Idade Média, desenvolveu-se o sentimento de superioridade xenofóbico de origem religiosa.
Quando houve os primeiros contatos entre conquistadores portugueses e africanos, no século XV, não houve atritos de origem racial. Os negros e outros povos da África entraram em acordos comerciais com os europeus, que incluíam o comércio de escravos que, naquela época, era uma forma aceite de aumentar o número de trabalhadores numa sociedade e não uma questão racial.
No entanto, quando os europeus, no século XIX, começaram a colonizar o Continente Negro e as Américas, encontraram justificações para impor aos povos colonizados as suas leis e formas de viver. Uma dessas justificações foi a ideia errônea de que os negros e os índios eram "raças" inferiores e passaram a aplicar a discriminação com base racial nas suas colônias, para assegurar determinados "direitos" aos colonos europeus. Àqueles que não se submetiam era aplicado o genocídio, que exacerbava os sentimentos racistas, tanto por parte dos vencedores, como dos submetidos, como os índios norte-americanos que chamavam os brancos de "Cara pálidas".
Os casos mais extremos foram a confinação dos índios em reservas e a introdução de leis para instituir a discriminação, como foram os casos das leis de Jim Crow, nos Estados Unidos da América, e do apartheid na África do Sul.




. FORMAS DE RACISMO:

Século XIX - explicação "científica"
No século XIX houve uma tentativa científica para explicar a superioridade racial através da obra do conde de Gobineau, intitulada Essai sur l'inégalité des races humaines (Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas). Nesta obra o autor sustentou que da raça ariana nasceu a aristocracia que dominou a civilização européia e cujos descendentes eram os senhores naturais das outras raças inferiores.
Racismo nos Estados Unidos da América
Nos Estados Unidos da América, o racismo chega a extremos contra os negros, índios, asiáticos e latino-americanos, em especial no sul do país. Até 1965, existiam leis, como as chamadas leis de Jim Crow, que negavam aos cidadãos não-brancos toda uma série de direitos. Leis existiam proibindo casamento interraciais e segregando as raças em transporte público e banheiros públicos. Assim mesmo que uma pessoa não fosse racista, ela estava proibida de casar com alguém de outra raça.
Além disso, muitos negros foram linchados e queimados vivos sem julgamento, sem que os autores destes assassinatos fossem punidos, principalmente pelos membros de uma organização, a Ku Klux Klan (KKK), que defendia a “supremacia branca”. Essa organização ainda existe naquele país, alegadamente para defender a liberdade de expressão e liberdade de se expressar sua supremacia branca daquele grupo social. A KKK surgiu como uma reação à abolição dos escravos nos Eua e o revanchismo praticado pelos ex escravos aliados aos nortistas (yankees) após a Guerra de Secessão nos Eua. Filmes pró sulistas como E o Vento Levou, Santa Fe Trail, The Undefeated, O nascimento de uma nação e Jezebel denunciam esse revanchismo que deu origem a KKK. Atualmente a KKK ainda existe e sofre perseguição nos EUA.
Paralelamente, desenvolveram-se grupos de supremacia negra, como o "Black Power" (em português, “Poder Negro”) e a organização "Nation of Islam", a que pertenceu Malcolm X.

. O NAZISMO:

Em 1899, o inglês Houston Stewart Chamberlain, chamado de O antropólogo do Kaiser, publicou na Alemanha a obra Die Grundlagen des neunzehnten Jahrhunderts (Os fundamentos do século XIX). Esta obra trouxe o mito da raça ariana novamente e identificou-a com o povo alemão.
Alfred Rosenberg também criou obras que reforçaram a teoria da superioridade racial. Estas foram aproveitadas pelo programa político do nazismo visando à unificação dos alemães utilizando a identificação dos traços raciais específicos do povo dos senhores. Como a raça alemã era bastante miscigenada, isto é, não havia uma normalidade de traços fisionômicos, criaram-se então raças inimigas, fazendo desta forma surgir um sentimento de hostilidade e aversão dirigido a pessoas e coisas estrangeiras. Desta forma, os nazistas usaram da xenofobia associada ao racismo atribuindo a indivíduos e grupos sociais atos de discriminação para amalgamar o povo alemão contra o que era diferente. A escravização dos povos da Europa oriental e a perseguição aos judeus eram as provas pretendidas pelos nazistas da superioridade da raça ariana sobre os demais grupos diferentes e raciais também.
Os trabalhos de geneticistas, antropólogos, sociólogos e outros cientistas do mundo inteiro derrubaram por terra toda e qualquer possibilidade de superioridade racial, e estes estudos culminaram com a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Embora existam esforços contra a prática do racismo, esta ainda é comum a muitos povos da Terra. Uma demonstração vergonhosa para o ser humano sobre o racismo ocorreu em pleno século XX, a partir de 1948 na África do Sul, quando o apartheid manteve a população africana sob o domínio de um povo de origem européia. Este regime político racista acabou quando por pressão mundial foram convocadas as primeiras eleições para um governo multirracial de transição, em abril de 1994.

. Genética:

Embora existam classificações raciais propostas pelas mais diversas correntes científicas, pode-se dizer que a taxonomia referência uma oscilação de cinco a duas centenas de raças humanas espalhadas pelo planeta, além de micro-raças regionais, locais ou geográficas que ocorrem devido ao isolamento de grupos de indivíduos que cruzam entre si.
Portanto, a separação racial torna-se completamente irracional em função das composições raciais, das miscigenações, recomposições e padronizações em nível de espécie que houve desde o início da caminhada da humanidade sobre o planeta.
De acordo com Guido Barbujani, um dos maiores geneticistas contemporâneos:

“A palavra raça não identifica nenhuma realidade biológica reconhecível no DNA de nossa espécie, e que portanto não há nada de inevitável ou genético nas identidades étnicas e culturais, tais como as conhecemos hoje em dia. Sobre isso, a ciência tem idéias bem claras”.

A genética demonstra que a variabilidade humana quanto às combinações raciais pode ser imensa. Mas as diferentes adaptações ocorridas a nível racial não alteraram sua estrutura quanto espécie.
Desta forma, a unidade fundamental da espécie humana a nível de macro análise permanece imutável, e assim provavelmente permanecerá apesar das diferenças raciais num nível de microanálise.
Todas as raças provêm de um só tronco, o Homo sapiens, portanto o patrimônio hereditário dos humanos é comum. E isto por si só não justifica o racismo, pois as raças não são nem superiores, nem inferiores, são apenas diferentes.
O racismo pode ser pensado como uma “adoção de uma visão equivocada da biologia humana ”, expressa pelo conceito de ‘raça’, que estabeleceu uma justificativa para a subordinação permanente de outros indivíduos e povos, temporariamente sujeitos pelas armas, pela conquista, pela destituição material e cultural, ou seja, pela pobreza ”, como conceitua Antônio Sérgio Alfredo Guimarães.
Atualmente ramos do conhecimento científico como a Antropologia, História ou Etnologia preferem o uso do conceito de Etnia para descreverem a composição de povos e grupos identitários ou culturais.

. Racismo e xenofobia:

Muitas vezes o racismo e a xenofobia, embora fenômenos distintos, podem ser considerados paralelos e de mesma raiz, isto é, ocorre quando um determinado grupo social começa a hostilizar outro por motivos torpes. Esta antipatia gera um movimento onde o grupo mais poderoso e homogêneo hostiliza o grupo mais fraco, ou diferente, pois o segundo não aceita seguir as mesmas regras e princípios ditados pelo primeiro. Muitas vezes, com a justificativa da diferença física, que acaba se tornando a base do comportamento racista.
Leis racistas têm sido feitas em diversos países com a intenção de punir racismo contra os negros. Leis antiracistas existem apesar da cientistas da área de Biologia atualmente dizerem que não existem raças.

. Antimestiço:

Uma forma de racismo menos conhecida, que consiste na crença de que a miscigenação gera indivíduos inferiores aos de "raça pura", seja a ambos, como defendia Louis Agassiz, seja a um deles, como defendia Gobineau. Uma forma atual de racismo tem ocorrido como reação ao racismo contra negros e de indígenas e asiáticos que consiste negar a identidade mestiça e a defesa de que as populações 'pardas' fazem de sua condição de mestiça, exigindo-se que as populações mestiças sejam tratadas como negras, indígenas ou brancas, negando sua peculiaridade. O Movimento Negro no Brasil não aceita o termo "mulato" nem aceita o "Movimento Mestiço" e o grupo "Nação Mestiça".

. Internet:

Valendo-se, ao mesmo tempo, da possibilidade de anonimato e do alcance a milhões de internautas, o racismo tem se espalhado de maneira intensa pelo mundo digital. Com discursos racistas, revisionistas ou neonazistas, milhares de sites, blogs, comunidades virtuais do Orkut e MySpace, disseminam o ódio racial e a intolerância.
O primeiro crime virtual de racismo no Brasil ocorreu em meados do ano de 1997 na cidade de Juiz de Fora (MG) em que os computadores de uma universidade foram utilizados para a divulgação de várias mensagens preconceituosas contra negros e homossexuais em uma lista de discussão sobre sexualidade instalada Unicamp. O episódio que, por vários dias, ocupou as manchetes dos jornais do país ficou conhecido como o caso rancora.
A divulgação do racismo, mesmo pela internet, trata-se de um crime, conforme é caracterizado pela legislação brasileira. Alguns sites advogam o direito à liberdade de expressão e afirmam não se considerarem racistas, expressarem apenas opiniões. Outros sugerem maneiras de como manter o material distante das autoridades competentes. Por esta característica, muitos sites, principalmente os disponibilizados em provedores gratuitos são retirados do ar, para em seguida reaparecerem, múltiplos em três ou quatro servidores novos, inclusive em domínios estrangeiros. Um dos sites pesquisados, afirma exatamente isto: para cada site retirado do ar, assume-se o compromisso de disponibilizar, pelo menos, três novos. Isso evidencia uma rede.
Segundo o Ministério Público do estado de São Paulo, estão ativas no Orkut mais de cinquenta comunidades que pregam a violência a negros, judeus e asiáticos.

. A mulher negra:

É evidente a distinção entre mulheres e homens no mercado de trabalho, principalmente em relação a mulher negra. Esse preconceito tem suas raízes na escravidão, que, apesar de ter sido abolida há décadas, ainda tem influência nas relações sociais, no modo de pensar e de ver o outro e a si mesmo.
O preconceito contra a mulher sempre foi tão incutido na sociedade, que gerou nelas mesmas uma visão auto-depreciativa de sua posição nas relações sociais e como tal no mercado de trabalho.
Com a criação do movimento feminista e depois de muitas lutas, as mulheres conquistaram alguns direitos e de certa forma algumas barreiras sociais foram quebradas. Porém, a atual situação das mulheres não sofreu muitas alterações.
No mercado de trabalho as mulheres ainda ocupam cargos inferiores em relação aos homens, isto se comprova através de estudos recentes, revelando que para elas alcançarem os mesmos cargos que os homens, em empregos formais, necessitam de uma vantagem de cinco anos de escolaridade. Esses dados agravam-se quando relacionados à mulheres negras, que necessitam de oito a onze anos de estudo a mais em relação aos homens.




. Perspectivas jurídicas contemporâneas:

. Brasil:

A Constituição de 1988 tornou a prática do racismo crime sujeito a pena de prisão, inafiançável e imprescritível. A legislação brasileira já definia, desde 1951, com a Lei Afonso Arinos (lei. 1.390/51), os primeiros conceitos de racismo, apesar de não classificar como crime e sim como contravenção penal (ato delituoso de menor gravidade que o crime). Os agitados tempos da Regência, na década de 1830, assinalam o anti-racismo no seu nascedouro quando uma primeira geração de brasileiros negros ilustrados dedicou-se a denunciar o "preconceito de cor" em jornais específicos de luta (a "imprensa mulata"), repudiando o reconhecimento público das "raças" e reivindicando a concretização dos direitos de cidadania já contemplados pela Constituição de 1824.

. Estados Unidos:

Nos Eua, a situação se inverteu nas últimas décadas, de leis que regulavam o racismo, passou-se a ter leis anti-racistas:
Nos Estados Unidos, 44 dos 50 estados possuem leis punindo explicitamente a discriminação racial. Os únicos estados que não possuem tais leis são Arkansas, Geórgia, Indiana, Carolina do Sul, Utah e Wyoming.
No nível federal dos EUA, algumas leis também punem os crimes motivados pelo racismo, tais como a Lei da Acomodação Justa (The Fair Housing Act) de 1968, aplicável à discriminação racial no aluguel, compra ou venda de imóveis; e a Lei de Aumento das Penas para Crimes de Ódio (The Hate Crimes Sentencing Enhancement Act), de 1994, aplicável a ataques racistas em propriedades federais ou parques nacionais.

. França:

Na França, o artigo 225-1 do Código penal francês define como discriminação “toda distinção operada entre pessoas físicas (ou jurídicas) em razão de (...) seu pertencimento ou não-pertencimento, verdadeiro ou suposto, a uma etnia, nação, raça ou religião determinada”. O artigo 225-2 pune tal discriminação com 3 anos de prisão e 45 mil euros de multa, quando ela ocorre em função da recusa no fornecimento de um bem ou serviço, no entrave ao exercício normal de qualquer atividade econômica, na recusa de empregar, demitir ou aposentar uma pessoa, ou na subordinação de uma oferta de emprego, de um pedido de estágio ou de um curso de formação na empresa a tais características discriminatórias.

. Índia:

O sistema de castas existente no país tem sido apontado como uma forma de racismo, mas a posição oficial do governo afirmada publicamente numa conferência mundial da ONU contra o racismo é que "as questões de casta não são as mesmas do racismo".
A hierarquização das castas como algo inevitável não é consensual na Índia e o fato de indivíduos de algumas castas consideradas "inferiores" terem conseguido poder político tem ajudado a minorar os efeitos da segregação tradicional.
Embora alguns refiram um "apartheid escondido" em termos estritamente legais essa prática não é sancionada, pelo contrário, há políticas de discriminação positiva de castas consideradas inferiores.

. Israel:

Em 1975, por pressão dos países árabes e com o apoio dos soviéticos, o sionismo foi considerado uma forma de racismo pela Resolução 3379 da Assembleia Geral das Nações Unidas. No entanto, em 1991, essa acusação foi eliminada pela Resolução 4686 da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Em 2002, o Parlamento israelense aprovou uma lei que nega aos cidadãos de origem árabe do país o direito de conviver com seus cônjuges caso contraiam matrimônio com palestinos, pois a estes será recusada a permissão de residência no país. Esta lei se baseia na Torá Deuteronômio 7:3 que a lei israelense segue e que diz: "nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações; não darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás suas filhas para teus filhos". A lei foi questionada na justiça por diversas entidades de direitos humanos e em 15 de maio de 2006 foi confirmada pela Suprema Corte de Israel.

. Portugal:

De acordo com o novo Código Penal em vigor desde 15 de Setembro de 2007, qualquer forma de discriminação com base na raça ou etnia é punível. Da mesma forma são penalizados grupos ou organizações que se dediquem a essa discriminação assim como as pessoas que incitem a mesma em documentos impressos ou na Internet.
A legislação portuguesa aplica-se igualmente a outras formas de discriminação como religiosa, de local de origem e orientação sexual.
. União Europeia
A Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia garante ao cidadão europeu, em seu artigo 21º (item 1), a proibição da discriminação por motivo de raça, cor ou origem étnica, entre outras formas de discriminação ali previstas.

. BIBLIOGRAFIA:

• France Winddance Twine (1998): Racism in Racial Democracy - The Maintenance of White Supremacy in Brazil. Rutgers University Press, New Brunswick, NJ.
• Rebecca Reichmann (ed.) (1999): Race in Contemporary Brazil - From Indifference to Inequality. Pennsylvania State University Press, College Park, PA.
(2003): Blackness Without Ethnicity: Constructing Race in Brazil. Palgrave Macmillan
• Michael Hanchard (ed.) (1999): Racial Politics in Contemporary Brazil. Duke University Press: Durham, NC.
• Melissa Nobles (2000): Shades of Citzenship - Race and the Census in Modern Politics. Palo Alto, CA: Stanford University Press.