17 de dezembro de 2013

O QUE É HASKALÁ?



Haskalá (em hebraico השכלה; "iluminismo," "intelecto," de sekhel, "senso comum ") é o nome dado ao Iluminismo Judaico, é um movimento surgido no século XVIII. dentro do Judaísmo , e que adotava os valores iluministas, incentivando a integração com a sociedade européia e a valorização da educação secular, aliada ao estudo da história judaica e do hebraico. Haskalah (em hebraico: השכלה, "iluminação" educação "de sekhel" intelecto "," mente "), o Iluminismo judaico, era um movimento entre os judeus europeus nos séculos 18a-19a que defendeu os valores do Iluminismo, que adopta, pressionando para uma melhor integração na sociedade europeia, e crescente no estudo da educação secular, língua hebraica ou história judaica. Haskalah, neste sentido, marcou o início da mais ampla participação dos judeus da Europa com o mundo secular, resultando nos primeiros movimentos políticos e judeus a luta pela emancipação judaica. A divisão do judaísmo ashkenazi em movimentos religiosos ou denominações, especialmente na América do Norte e os países anglófonos, historicamente começou como uma reação à Haskalah. Líderes do movimento foram chamados Haskalah Maskilim (משכילים). Em um sentido mais restrito, Haskalah pode também denotar o estudo do hebraico bíblico e das partes poética, científica e crítica da literatura hebraica. O termo é usado às vezes descrever estudo crítico moderno de livros religiosos judaicos, como o Mishnah eo Talmud, quando usado para diferenciar os modos modernos de estudo dos métodos usados pelos judeus ortodoxos. Haskalah diferente do deísmo do Iluminismo europeu, procurando modernizar revisão crítica e filosófica dentro da crença judaica, e estilo de vida aceitável para a emancipação dos direitos. Rejeicionista tendências dentro dela levou à assimilação, incentivando estabelecimento de Reforma e denominações neo-ortodoxos. Sua extensão para leste oposição misticismo ressurgente e bolsa tradicional. Enquanto os primeiros indivíduos judeus, como Spinoza e Salomon Maimon, defendeu a identidade secular, que permaneceu até o final do século 19 para ideologias seculares judeus para substituir o judaísmo. No século 20, Gershom Scholem restabeleceu a importância histórica do misticismo judaico, foi demitido pela historiografia Haskalah.

Do isolamento à integração social:

Enquanto os judeus viveram em comunidades separadas e, enquanto todas as relações sociais com os seus vizinhos gentios eram limitados, o rabino foi o membro mais influente da comunidade judaica. Além de ser um erudito religioso e "clero", um rabino também atuava como um juiz civil em casos em que ambas as partes eram judeus. Rabinos, por vezes, teve outras importantes poderes administrativos, juntamente com os anciãos da comunidade. O rabinato foi o maior objetivo de muitos meninos judeus, eo estudo do Talmude era o meio de obter essa posição cobiçada, ou uma de muitas outras importantes distinções comunal. Seguidores Haskalah defendeu "saindo do gueto", não apenas fisicamente mas também mentalmente e espiritualmente, a fim de assimilar entre as nações dos gentios. O exemplo de Moisés Mendelssohn (1729-1786), um judeu prussiano, serviu para liderar este movimento, que também foi moldada por Aaron Halle-Wolfssohn (1754-1835) e Perl Joseph (1773-1839). Sucesso extraordinário de Mendelssohn como um filósofo popular e homem de letras revelaram possibilidades até então insuspeitas de integração e aceitação de judeus entre os não-judeus. Mendelssohn também forneceu métodos para os judeus de entrar a sociedade em geral da Alemanha. Um bom conhecimento da língua alemã era necessária para garantir a entrada em círculos de cultura alemã, e um excelente meio de adquiri-la foi fornecido por Mendelssohn em sua tradução alemã da Torá. Este trabalho tornou-se uma ponte sobre a qual ambiciosos jovens judeus podiam passar para o grande mundo do conhecimento secular. O Biur ou comentário gramatical, preparado sob a supervisão de Mendelssohn, foi projetado para neutralizar a influência dos métodos tradicionais da exegese rabínica. Junto com a tradução, tornou-se, por assim dizer, a cartilha de Haskalah. Idioma desempenhou um papel fundamental no movimento Haskalah, como Mendelssohn e outros chamados por um reavivamento em hebraico e uma redução no uso do iídiche. O resultado foi uma onda de literatura, novas secular, bem como estudos críticos de textos religiosos. Júlio Fürst, juntamente com outros estudiosos judeus alemães compilado hebraico e aramaico dicionários e gramáticas. Os judeus também começaram a estudar e se comunicar nas línguas dos países nos quais eles se estabeleceram, dando uma outra porta de entrada para a integração. 

QUAIS SÃO AS DIFERENTES DENOMINAÇÕES (VERTENTES) DO JUDAÍSMO?

Atualmente, na América do Norte, os quatro principais ramos do Judaísmo são o Ortodoxo, Conservador, Reformista e Reconstructionista. No entanto, nessas denominações há um grande grau de variação na prática e observância religiosa.



. Ortodoxia é a classificação moderna para a vertente tradicional do Judaísmo que defende o estilo de vida baseado na "Halacha" (Lei Judaica) e considera a Torá  como literalmente a Palavra de Deus. A Halachá se refere ao aspecto legal do judaísmo e também é usada para indicar uma decisão definitiva em qualquer área particular da lei judaica.



. Reforma do Judaísmo (também conhecido como Judaísmo Liberal, Progressista ou Reformista) submete a lei religiosa e os costumes ao julgamento humano; na tentativa de diferenciar entre as facetas da Torá o que são mandatos divinos e aqueles que são específicos para o tempo em que foram escritos. É a maior denominação das quatro na diáspora judaica.



. Judaísmo Conservador, surgido principalmente no início do século XX, como uma reação ao liberalismo da Reforma do Judaísmo. Ele procurou conservar a tradição através da aplicação de novos métodos históricos de estudo dentro dos limites da Lei Judaica (Halachá) para o meio da sociedade americana. 



. Reconstructionismo é a denominação mais recente no Judaísmo e, rejeitando a afirmação de que a Torá foi dada a Moisés no Monte Sinai, vê o Judaísmo como um processo contínuo de evolução, incorporando as crenças e tradições judaicas herdadas com as necessidades do mundo moderno.

Outros movimentos judaicos:

Além dos quatro ramos principais, existem outros movimentos judaicos notáveis: A Renovação Judaica é um movimento transdenominational fundamentado em tradições proféticas e místicas do Judaísmo. Destina-se a restaurar a vitalidade espiritual do movimento hassídico do século 19, mas como o movimento Reconstrucionista, acredita que o Judaísmo é uma civilização religiosa em evolução. Portanto, a Renovação Judaica respeita os homens e as mulheres como totalmente iguais e acolhe os homossexuais e convertidos.
O Judaísmo Secular Humanista é um movimento iniciado na década de 1960 que engloba "a filosofia centrada no homem, que combina o pensamento racional com uma celebração da cultura e da identidade judaica". Na visão Judaica Humanista, o foco não está em um relacionamento com Deus ou ritual religioso, mas na crença de que as "raízes seculares da vida judaica são tão importantes quanto as religiosas". A ênfase é, portanto, colocada em celebrar a experiência judaica humana e a tradição judaica, cultura, ética, valores e relacionamentos.

 Será que todo judeu caberia em uma única denominação?

Absolutamente, não. De acordo com uma pesquisa recente realizada pelo JOI , 28% dos 2.6 milhões de judeus casados nos Estados Unidos são casados ​​com não-judeus. Dessas famílias, 40% não têm identidade religiosa clara e muitos consideram-se "apenas judaica", sem filiar-se à nenhuma denominação em particular.

19 de setembro de 2013

AUMENTA O NÚMERO DE LATINOS CONVERSOS AO JUDAÍSMO

Brit Braja (Aliança da Oração), uma congregação online fundada pelo rabino brasileiro Jacques Cukierkorn que atende interessados sobre o Judaísmo de todas as partes do mundo


Eles chegaram à Cidade do México vindos de lugares tão distantes quanto Colômbia e Brasil. Alguns viajaram de Guadalajara. Entre eles, estão um ex- padre católico e um ex- educador cristão . O que eles tinham em comum era a seguinte: Depois de navegarem online e aprender sobre Jacques Cukierkorn, um rabino nascido no Brasil, natural de São Paulo, que vive em Kansas City, Estados Unidos, eles se converteram ou estavam prontos para se converter ao Judaísmo. E eles viajaram à Cidade do México para encontrar o rabino brasileiro, durante uma conferência que contou com palestras , serviços religiosos, misturando-se com os judeus dos Estados Unidos e México e os rituais e cerimônias envolvidos na conversão formal.
O fenômeno dos latino-americanos se convertendo ao Judaísmo explodiu nos últimos anos, entretanto, uma pequena sinagoga judaica é o que representa a missão de Jacques em buscar os fiéis da América Latina. Alguns daqueles que se convertem são descendentes de antepassados ​​judeus que foram forçados a se converter ao catolicismo durante a Inquisição na Espanha e Portugal.
Conhecido como "conversos" , "Crypto judeus" , "Anusim" ("Forçados" em hebraico), "Marranos" ou "criptojudeus"  eles tornaram-se católicos em público, mas continuaram escondidos suas práticas judaicas proibidas na época. Outros não têm histórias familiares, mas alegam que sentiram um "puxão" ao Judaísmo quando descobriram, já adultos, que Jesus era judeu. 
O caminho ao Judaísmo foi repleto de dificuldades para muitos, que afirmam terem sido abandonados ou desprezados por amigos, parentes ou membros de igreja. Alguns acharam a  Brit Braja (Aliança da Oração) - www.britbraja.org - uma congregação virtual fundada pelo rabino Cukierkorn, cuja tese rabínica foi o tema Anusim (Forçados). A Brit Braja se dedica em incentivar a prática do Judaísmo entre os latinos, tanto nos EUA quanto na América Latina. Todo o portal online é bilingüe: Português e espanhol.



"Nós nos concentramos em atuar em Espanhol e Português, porque existem tão poucos recursos disponíveis nessas línguas", disse Cukierkorn.

O rabino realiza serviços religiosos de sábado (Shabat) através da Internet de modo que os novos convertidos ou aspirantes possam participar da religião, mesmo que vivam em áreas remotas de qualquer parte do mundo. Recentemente, Jacques visitou o México para atender os convertidos. Quando ele chegou à Cidade do México, as malas estavam cheias de xales de oração (Talit), candelabros, solidéu (Kipá), livros de oração e canja de galinha em caixa fornecidos por doadores e da sinagoga.
Os membros do Brit Braja visitaram o Museu Memoria y Tolerancia (inaugurado há dois anos) para vivenciarem as exposições dedicadas ao Holocausto, o racismo, genocídio no mundo inteiro e os direitos humanos. No museu, eles aprenderam sobre os três tipos de pessoas no mundo: Os autores, aqueles que são indiferentes e aqueles que se envolvem. Eles abordaram a discriminação que sentiam - não por causa da cor da pele ou status sócio-econômico, mas por causa da religião que escolheram praticar. Um dos homens que se casou pouco antes do início da conferência disse que seus pais não compareceram à cerimônia porque ele havia se tornado oficialmente judeu.
A conferência contou com apresentações sobre a Torah, interpretação de histórias bíblicas; Kaballah (ensinamentos místicos e esotéricos do judaísmo), a situação econômica da classe média dos mestiços judeus mexicanos; ativismo gay e a atitude dos pais em relação aos jovens gays.
Aqueles que estavam prontos para a conversão tiveram que passar por um ritual de purificação por imersão em água (chamado de Mikvá), uma reunião com um Beit Din (Conselho formado por três rabinos ou pessoas experientes que fazem perguntas) e, se os candidatos responderam todas as perguntas corretamente e conseguiram atender todos os requisitos, participaram de uma cerimônia, na qual recebem um certificado oficial de conversão (Seudat Guerut). Lágrimas escorriam nas muitas faces pela forma que os  novos judeus foram oficialmente recebidos no rebanho (Kalal Israel).
Desde que foi ordenado rabino, Cukierkorn já realizou cerca de 500 conversões na América Latina. Ele frisou que 150 dessas conversões foram realizadas nos últimos dois anos e que a adesão continua a crescer.
"Todos os anos chegam mais pessoas a nós, ou melhor, que nos encontram. Nós nunca forçamos qualquer coisa. Na verdade, somos seletivos", disse ele. "Nós respondemos à uma necessidade reprimida que muitos têm de aprender sobre Judaísmo em todas as partes do mundo".

Sobre a autora: Judith Fein é um jornalista premiada especializada em viagens e autora de "A VIDA É UMA VIAGEM: A magia transformadora da viagem . Ela reside em Santa Fé (EUA).

Fonte: Judith Fein
Publicado em 5 de setembro de 2013
Fox News Latino

21 de agosto de 2013

SIMCHAT TORÁ - A ALEGRIA DA TORÁ


União e igualdade de direitos são temas-chave de Shemini Atsêret e Simchat Torá, datas nas quais nos alegramos com a Torá. A melhor maneira de celebrar Simchat Torá seria dedicar os dois dias à leitura da Torá. Mas é justamente o contrário que ocorre. Todos os judeus, sem exceção, pegam a Torá fechada e dançam com ela nos braços.
O ato encerra uma grande lição: se os festejos fossem realizados com a Torá aberta, com sua leitura, haveria distinções entre um judeu e outro, pois a compreensão e o conhecimento de cada um são diferentes. Com a Torá fechada, mostramos a união e a igualdade de todos os judeus, unidos pela mesma alegria. O texto não é lido, mas todos sabem que é algo precioso e, por isso, dançam juntos e em total alegria.



. LEIS E COSTUMES: 

. HACAFOT:

O alegre clima de Simchat Torá são as hakafot, danças em círculos (lit. círculos), durante as quais dançamos e cantamos segurando os Rolos da Torá.1 Nas palavras de um mestre chassídico: “Em Simchat Torá os Rolos de Torá querem dançar, portanto nos tornamos seus pés.”
As hacafot são memoráveis, certamente um dos pontos altos do Calendário Judaico. É um evento apropriado também para crianças; elas não devem ser deixadas em casa! E você vai querer ‘estacionar’ aqueles sapatos formais desconfortáveis ao participar desta festa; os calçados confortáveis (embora devam ser elegantes em honra à festa) são mais adequados para esta ocasião.
Os mestres chassídicos explicam que as Torot são enroladas fechadas e envoltas nos mantos de veludo durante as hakafot. Não celebramos nos sentando e estudando as palavras sagradas da Torá. Isso porque a celebração abrange cada judeu, não importa seu nível de erudição ou capacidade para compreender e interpretar as palavras da Torá. A Torá é o legado de todo judeu – o bebê de um dia é tão conectado com a Torá como o venerado sábio – e todo judeu tem o mesmo direito de celebrar este dia tão alegre e especial.



. PASSO A PASSO:

As hakafot são celebradas na véspera de Simchat Torá e novamente na manhã seguinte. Nas comunidades chassídicas, hakafot são também conduzidas na véspera de Shemini Atseret.2 As hakafot da noite seguem a amidá das preces da noite festiva; e as da manhã precedem imediatamente a leitura da parashá final da Torá.
Antes de começar a dança, um conjunto de dezessete versículos, chamado Atá Há’raita, é cantado três vezes. Tradicionalmente, membros da congregação são homenageados liderando a congregação na recitação desses versículos; em sinagogas onde há muito mais congregantes que versículos, é costume “leiloar” as homenagens, com a renda sendo destinada para tsedacá, caridade.
Após o término da Atá Há’raita, é costume Chabad, instituído pelo Rebe, cantar o seguinte versículo (Bereshit 28:14): “E tua semente será como o pó da terra, e ganharás força a oeste e leste, a norte e a sul; e através de ti serão abençoadas todas as famílias da terra e através da tua semente.”3
Todos os Rolos de Torá são então retirados da Arca.4 Segundo o Zohar, as coroas da Torá não devem ser retiradas, mas sim permanecer nos rolos durante toda a dança. Membros da congregação são homenageados com o direito de segurar os rolos (um Rolo de Torá deve ser sempre segurado sobre o ombro direito), e o líder leva a procissão ao redor da bimá (mesa de leitura da Torá), enquanto entoa preces breves implorando sucesso e liberdade a D'us, com a congregação respondendo de acordo. Isso é seguido por cantos e danças, com os Rolos da Torá geralmente sendo passados de pessoa em pessoa, permitindo que todos tenham a chance de ser “os pés da Torá”. As crianças, também, tomam parte nesta alegria, tradicionalmente dançando com bandeiras especiais de Simchat Torá, e com frequência recebem o privilégio de assistir às danças sentadas nos ombros de seu pai. 
Este procedimento é seguido sete vezes – sete hakafot. Após cada hakafá (termo no singular) o gabai da sinagoga anuncia: “Ad kan hakafá…” (“Chegamos à conclusão da hakafá número x”); os Rolos de Torá então são devolvidos à Arca, e começa a próxima hakafá (geralmente com um grupo diferente de pessoas segurando as Torot, e com uma nova pessoa líderando o grupo).
O procedimento para as hakafot na manhã de Simchat Torá é ligeiramente diferente. Segundo o costume Chabad, são feitos três circuitos e meio ao redor da bimá, com as preces para cada hakafá sendo recitadas no decorrer da metade de um circuito. Todas as sete hakafot são realizadas em sucessão sem ser interrompidas (o gabai não anuncia “Ad kan…”), e então são seguidos por uma sessão prolongada de cantos e danças com a Torá.



. Notas:

1 – Embora o ideal seja que as hakafot sejam realizadas com um minyan (quorum de dez homens adultos), este não é um pré-requisito necessário; todas as hakafot podem ser realizadas mesmo na ausência de um minyan.
2 – Em algumas comunidades chassídicas, também são realizadas hakafot no dia de Shemini Atseret. Este, porém, é um costume relativamente incomum.
3 – Em Simchat Torá de um Ano Hakhel, é costume cantar o seguinte versículo (Yirmiyahu 31:7): “Vejam, eu os trarei da terra do norte e os reunirei dos cantos mais longínquos da terra, os cegos e os mancos dentre eles, as mulheres grávidas e aquela que deu à luz todos juntos; uma grande congregação retornará aqui.”
4 – Em algumas comunidades, é costume colocar uma vela acesa na Arca aberta durante as hakafot. Este, no entanto, não é o costume Chabad.

Fonte: Chabad

ASSERÊT YEMÊ TESHUVÁ - OS 10 DIAS ENTRE ROSH HASHANÁ E YOM KIPUR (YIOMIM NORAIM)


No dia seguinte a Rosh Hashaná, ocorre o Jejum de Guedalyá, em lembrança ao assassinato do governador da Terra de Israel e à dispersão dos judeus remanescentes (no ano 3339 após a Criação).
Shabat Shuvá (entre Rosh Hashaná e Yom Kipur), quando lemos a Haftará Shuvá Yisrael (Retorna, Ó Israel), constitui-se num dos sábados mais importantes do ano. Até a chegada da véspera de Yom Kipur, o dia no qual nosso destino é selado para o ano todo.

.O TEMOR A DEUS:

"Afinal, tudo já foi ouvido: teme a D'us e guarda Seus mandamentos, pois este é o [dever do] homem completo".
Não é de se estranhar que o conselho acima tenha sido dado pelo maior e mais poderoso rei que já existiu: o rei Salomão. Nunca houve um rei mais glorioso e forte, que governou sobre o Reino de Israel. D'us lhe deu grande sabedoria quando, aos doze anos, herdou o trono de seu ilustre pai, o rei David. Todos os segredos da Criação lhe foram revelados. Ele compreendia a linguagem de todas as criaturas: das árvores, dos pássaros, dos insetos e dos animais. Podia dominar o vento e os espíritos; os demônios o serviam conforme a sua vontade. Sua fama espalhou-se pelo mundo. Os mais poderosos reis e chefes dos confins da Terra, vieram oferecer-lhe respeito, ouvir sua sabedoria e pagar-lhe tributos.
Poder-se-ia imaginar um ser humano mais poderoso que o rei Salomão? Normalmente, quanto mais poder e conhecimento, maior é a tendência de sermos orgulhosos e convencidos. Muitas pessoas perdem a cabeça por causa do sucesso e do poder. Frequentemente, esquecem que algum dia terão de prestar contas ao Criador e responder por seus atos perante o Supremo Rei dos reis.
Mas este não foi o caso do rei Salomão. O mais poderoso e o mais sábio de todos os homens era temente a D'us. Ele lembra-nos muito Moshê (Moisés) o mais humilde de todos os homens. Moshê tinha todos os motivos para se orgulhar: D'us o escolheu para libertar Seu povo da escravidão, para receber a Torá e ele se tornou o líder da nação e seu irmão, Aharon (Arão) o Sumo Sacerdote. Mesmo assim, Moshê foi o mais humilde de todos os homens que já viveram.
A modéstia de uma pessoa pobre e simples não impressiona; mas a humildade de Moshê é digna de reverência. Da mesma forma, não ficaríamos impressionados por uma pessoa frágil e humilde pregar a submissão a D'us. Mas é algo maravilhoso ouvir um homem como o rei Salomão dizer que todo seu poder e riqueza não lhe dizem nada e que a única coisa importante é o temor a D'us e somente a Ele.
Como podemos adquirir a grande virtude de temor a D'us? Pensando constantemente na majestade Divina e Seu poder ilimitado e, ao mesmo tempo, reconhecendo nossa insignificância e limitação de poderes.
Achamos que somos grandes arquitetos: podemos construir pontes imensas, arranha-céus altíssimos. Mas o que é isto comparado com o Arquiteto de todo o Universo? Acreditamos ser grandes engenheiros: podemos fazer uma máquina capaz de fornecer luz para toda uma cidade! Mas o que é isto perante a criação do Sol, que fornece luz, calor e energia para o mundo inteiro? Julgamos ser grandes químicos: podemos fazer coisas impressionantes em nossos laboratórios! Mas, como disse certa vez um grande cientista, uma folha de capim nunca poderá ser igualada.
Na realidade, somos ínfimos e insignificantes. Nossos poderes são limitados da mesma forma como nossa vida o é nesta terra. Somente D'us sabe tudo, pode tudo fazer e está em todos os lugares. Tudo o que possuímos é d'Ele. D'us criou todo o Universo e o homem para um determinado propósito. A finalidade é que o ser humano reconheça que D'us é o Criador e o Mestre; portanto, deve ser reverenciado. Isto significa que devemos servi-Lo, cumprindo as leis e mandamentos que Ele nos deu na Torá e fazer tudo o que for possível para sermos justos, honestos e corretos, pois D'us não aprecia iniqüidades. Ele sabe tudo o que fazemos, dizemos e até pensamos. O temor a D'us é a base da vida, é o primeiro passo para um caminho correto.



. OS TRÊS PILARES:

A base do serviço a D'us durante estes dias se formam por meio de três pilares: Teshuvá (penitência, arrependimento, retorno), Tefilá (prece) e Tsedacá (caridade). A tradução habitual de "arrependimento, prece e caridade" não expressa, contudo, os verdadeiros conceitos judaicos de Teshuvá, Tefilá e Tsedacá.
Teshuvá é comumente interpretada como arrependimento. No entanto, a palavra exata em hebraico para arrependimento é Charatá. Charatá e Teshuvá são conceitos praticamente opostos. Charatá enfatiza a tomada de uma nova conduta, arrependendo-se por ter cometido uma ação má ou deixado de praticar uma boa ação e desejando se comportar de uma forma nova a partir deste momento.
Teshuvá significa um retorno. Um judeu é essencialmente bom e seu mais profundo desejo é praticar o bem. Porém, devido a várias circunstâncias, completa ou parcialmente fora de seu controle, ele erra. Este é o conceito judaico de Teshuvá - um retorno às raízes, ao seu mais íntimo ser.
Tefilá é geralmente traduzida como prece. No entanto, a palavra correta para prece em hebraico é bacashá. As conotações das duas palavras são contraditórias. O significado de bacashá é solicitação ou pedido e Tefilá quer dizer uma ligação. Bacashá enfatiza o pedido ao Todo Poderoso para que conceda nossas solicitações. Contudo, quando não necessitamos ou não desejamos coisa alguma, então o pedido se torna supérfluo.
Tefilá denota a ligação com D'us; e isto é importante para todos e em todas as ocasiões. Todo judeu tem uma alma ligada e presa a D'us. Entretanto, os laços que atam a alma ao Todo Poderoso podem se enfraquecer. Para corrigir esta debilidade, há durante o dia ocasiões específicas para a Tefilá, para renovar e tornar mais forte o elo com D'us. O conceito da Tefilá, o desejo de chegar mais perto de D'us, existe mesmo para aqueles que não necessitam de nada material. É o modo de fortalecer o apego e os vínculos entre os judeus e seu Criador.
Tsedacá é normalmente interpretada como caridade. Mas a palavra exata para caridade em hebraico é Chessed. Não usamos o termo Chessed e sim Tsedacá porque, novamente, os conceitos são antagônicos. Chessed ressalta a generosidade daquele que dá. Porém, aquele que recebe pode não ser necessariamente merecedor, nem o doador obrigado a dar, praticando o ato de bondade devido a sua generosidade.
Tsedacá, por sua vez, origina-se da palavra hebraica justiça, ressaltando que a justiça exige do judeu o cumprimento da caridade por dois motivos: primeiro, porque não está dando o que é seu e sim o que lhe foi confiado por D'us para dar aos outros; segundo, uma vez que todos dependem do Todo Poderoso para prover suas necessidades - embora D'us certamente não tenha obrigações para com ninguém - somos obrigados a retribuir "medida por medida" e dar aos outros, muito embora não devamos nada a eles.

Fonte: Chabad

PRIMEIRO DE TISHREI: O ANIVERSÁRIO DO MUNDO COMO O CONHECEMOS - ROSH HASHANÁ (CABEÇA DO ANO)




O mês de Tishrei é o sétimo no calendário judaico. Isso pode parecer estranho, pois Rosh Hashaná, o Novo Ano, é no primeiro e segundo dia de Tishrei. A razão é que a Torá fez o mês de Nissan o primeiro do ano, para enfatizar a importância histórica da libertação do Egito, que aconteceu no décimo quinto dia daquele mês, e que assinalou o nascimento de nossa nação. Entretanto, de acordo com a tradição, o mundo foi criado em Tishrei, ou mais exatamente, Adam (Adão) e Chava (Eva) foram criados no primeiro dia de Tishrei, que foi o sexto dia da Criação, e é a partir deste mês que o ciclo anual se inicia. Por isso, Rosh Hashaná é celebrado nesta época.
Há doze meses no ano, e há doze Tribos em Israel. Cada mês do ano judaico tem sua Tribo representativa. O mês de Tishrei é o mês da Tribo de Dan. Isto tem um significado simbólico, pois quando Dan nasceu, sua mãe Lea disse: "D'us julgou-me e também atendeu à minha voz." Dan e Din (Yom HaDin, Dia do Julgamento) são ambos derivados da mesma raiz, simbolizando que Tishrei é a época do Julgamento Divino e do perdão. Similarmente, cada mês do calendário judaico tem seu signo no Zodíaco (em hebraico mazal). O mazal de Tishrei é a Balança. Este é o símbolo do Dia do Julgamento, quando D'us pesa as boas e as más ações do ser humano.
Embora cada Lua Nova seja anunciada e abençoada na sinagoga no Shabat que a precede, a Lua Nova de Tishrei não é anunciada nem abençoada, pois o próprio D'us a abençoa. O aspecto místico de Rosh Hashaná é indicado nas Escrituras: "Soe o shofar na Lua Nova, em ocultamento do dia de nossa festa."
Satan, o Acusador, não deve perceber a chegada de Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento. Esta é também uma das razões pelas quais a Lua Nova não é mencionada nas preces de Rosh Hashaná. É também um dos motivos pelos quais a primeira porção do livro Bereshit da Torá não é lida em Rosh Hashaná, embora seja apropriado lê-la, pois Rosh Hashaná é o aniversário do Homem, quando Adam foi criado.
O primeiro dia de Tishrei, que é o primeiro dia de Rosh Hashaná, jamais pode cair num domingo, quarta ou sexta-feira. Historicamente, entretanto, o primeiro Rosh Hashaná foi numa sexta-feira, o sexto dia da Criação. Neste dia, D'us criou os animais dos campos e das selvas, e todos os animais rastejantes e insetos, e finalmente - o homem. Assim, quando o homem foi criado, encontrou tudo pronto para ele.
Nossos sábios viram nisso a ordem da Criação, como a consideração do bom anfitrião que, antes de convidar um hóspede de honra, coloca a casa em ordem, prepara as lâmpadas mais brilhantes, uma refeição deliciosa, etc., para que seu convidado encontre tudo preparado. Mas também vêem nisto uma profunda lição: se o homem é merecedor, é tratado como um convidado de honra; se não o merece, dizem-lhe: "Não fique orgulhoso de si mesmo; até um inseto foi criado antes de você!"





. YOM HAZICARON:

O Dia do Ano Novo judaico não é apenas uma ocasião de alegria mas, um dia dedicado à oração. É chamado Yom Hazicaron (Dia da Memória) - quando todas as criaturas são julgadas pelo Criador de acordo com seus méritos.
Devemos lembrar que o Supremo Juiz do Universo é bondoso e misericordioso. Seu propósito não é punir. D'us apenas quer que sigamos as Leis e regulamentos que Ele nos impôs para nosso próprio bem.
Durante o mês de Elul, com a aproximação de Rosh Hashaná, tomamos a resoluta determinação de corrigir qualquer mal feito ou hábito descuidado do passado. Um sentimento toma conta do coração do verdadeiro arrependido, como se removesse um fardo pesado do passado. É o sentimento de poder recomeçar a vida como uma criança recém-nascida, sem máculas nos seus registros. São estes os sentimentos que o judeu traz à sinagoga na primeira noite de Rosh Hashaná. Ele se encontra próximo a D'us, e as orações vem da sua sincera vontade de retornar ao Criador.

Fonte: Chabad

6 de julho de 2013

ENTERRO JUDAICO NO RIO DE JANEIRO VAI PARAR NA JUSTIÇA

Leonardo Laska, de 29 anos, que morreu em um acidente de carro em abril de 2011
Na quase totalidade, a ortodoxia interpreta ao pé da letra a tradição judaica (Morashá), com total descaso às outras denominações judaicas progressistas (Reformista, Conservadora ou Masorti e Reconstrucionista) ou os sentimentos de sua própria comunidade. Somos menos de 1% da população do planeta, há inúmeros inimigos que tentam diariamente nos destruir e, ainda assim, lutamos contra nós mesmos. Cada vez que isso acontece, os inimigos sorriem. É uma lástima. O empresário carioca Júlio Laska está processando a Associação Religiosa Israelita Chevra Kadisha do Rio de Janeiro porque a entidade negou autorização para que seu filho fosse enterrado ao lado do túmulo dos avós. A Chevra Kadisha é responsável pela administração do cemitério judaico de Villar dos Teles, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.
Leonardo Laska, 29, filho de Júlio, morreu em um acidente em abril de 2011. Ele viajava em um ônibus que capotou na rodovia Rio-Santos. O pai alega que tentou enterrá-lo na ala A do cemitério, mas só conseguiu na ala C.
Segundo Júlio, o corpo do filho não pode ficar na ala A, porque sua mãe, que não era judia, foi convertida por uma instituição "não ortodoxa". Ele diz que não há nenhuma informação no cemitério indicando que o setor A é reservado aos ortodoxos.
"O meu filho estudou em escola ortodoxa, chegou a morar em um kibutz em Israel e pertencia à Federação Israelita do Rio de Janeiro. Era muito religioso. E mesmo assim não deixaram ele ficar ao lado dos meus pais no cemitério", diz ele, que entrou com ação na 52ª Vara Cível do Rio em outubro do ano passado.
No processo, ele pede uma indenização por danos morais pela transferência do local do sepultamento.
"O cemitério tem outros locais onde o judeu que não é ortodoxo pode ser enterrado. Essa é uma questão de respeito à tradição judaica", diz o advogado da associação, José Roberto Castro Neves.
Vale frisar que a tradição judaica, baseada na Torá, não faz distinção entre as diferentes vertentes judaicas, ou seja: judeu é toda pessoa nascida de mãe judia ou convertida oficialmente ao Judaísmo e não somente ao judaísmo ortodoxo.
O advogado diz que incluiu no processo os pareceres de rabinos, que avalizaram a decisão.
"A Constituição diz que homens e mulheres são iguais. Mas, na religião católica, só o homem pode rezar missa. Toda religião tem suas regras", compara.
A Congregação Judaica do Brasil - CJB (Progressista), sediada na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, inaugurou um Cemitétrio Comunal Israelita no subúrbio de Paciência, também na Zona Oeste, para membros de toda comunidade judaica, independente da denominação. Caso não haja uma mudança de mentalidade entre determinadas vertentes judaicas mais radicais, a tendência no futuro será a criação de mais cemitérios como esse para diminuir a dor de cabeça e decepção para quem perde seus entes queridos. 

Fonte: Folha de São Paulo
26/05/2012 - 12h57