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19 de agosto de 2023

IDIOMA LADINO: A MÚSICA MISTERIOSA DOS JUDEUS SEFARADITAS DA PENÍNSULA IBÉRICA (PORTUGAL E ESPANHA) KONDJA MIA (MINHA ROSA)


Grupo turco cantando em ladino (formado por espanhol, português medievais e hebraico)


Após a fuga da Inquisição Cristã (a conversão forçada à fé católica ou a morte) na Península Ibérica (Portugal e Espanha), nos séculos 15 e 16, muitos desses judeus buscaram refúgio na Turquia, onde vivem até hoje e mantém o idioma ancestral (Ladino). Curiosamente, algumas famílias ainda guardam por gerações as chaves das casas que foram obrigados a abandonar em Portugal e Espanha.

. Fonte:

https://www.youtube.com/watch?v=jtEPUw4jd10

16 de novembro de 2017

Judiarias portuguesas: um reencontro com o passado


Mário Soares, então presidente da República, pediu perdão, simbolicamente, pelas perseguições que os judeus sofreram no país durante os mais de 300 anos de existência do Tribunal da Inquisição


Portugal está-se reconciliando com seu passado judaico. Os primeiros passos nessa direção foram dados em 1989, quando Mário Soares, então presidente da República, pediu perdão, simbolicamente, pelas perseguições que os judeus sofreram no país durante os mais de 300 anos de existência do Tribunal da Inquisição e quase 500 desde o Decreto de Expulsão da população judaica, de 1496, assinado pelo então rei D. Manuel I. Em dezembro de 1996, no Parlamento, durante a Sessão Evocativa desse decreto, foi votada, por unanimidade, a sua revogação simbólica. Virava-se, assim, uma página no relacionamento mútuo e se iniciava um processo contínuo de reconhecimento e reconstrução da presença judaica e sua influência no país. No ano 2000, o então cardeal-patriarca de Lisboa, Dom José Policarpo, fez o mesmo pedido de perdão aos judeus.

29 de junho de 2013

VIDA JUDAICA EM PORTUGAL


Judeus, presença milenar na Península Ibérica. Já na década de 70, porém, alguns indícios mostravam o processo de mudança no país. Em 1974, após a Revolução dos Cravos, que substituiu o regime totalitário pela democracia, foram feitas modificações nos compêndios de história, trazendo novas abordagens sobre o período da Inquisição.
Foram necessários 500 anos para que Portugal tomasse a decisão de revogar publicamente o decreto de expulsão dos judeus, vigente quando o país vivia à sombra da Inquisição. Com a votação no Parlamento, em dezembro de 1996, abre-se um novo capítulo na história portuguesa.

Já na década de 70, porém, alguns indícios mostravam o processo de mudança no país. Em 1974, após a Revolução dos Cravos, que substituiu o regime totalitário pela democracia, foram feitas modificações nos compêndios de história, trazendo novas abordagens sobre o período da Inquisição. Em 1987, o então presidente Mário Soares apresentou ao Estado de Israel um pedido formal de desculpas, em nome do país, pelos eventos do passado. A Inquisição foi oficialmente abolida de Portugal em 1821.



24 de maio de 2010

LADINO: LÍNGUA DOS JUDEUS FALADA NA ESPANHA & PORTUGAL

ANTES DAS COMUNIDADES JUDAICAS SEREM DIZIMADAS PELA INQUISIÇÃO NA PENÍNSULA IBÉRICA E SEUS SOBREVIVENTES SE ESPALHAREM PELO MUNDO.



VERSÃO ORIGINAL EM LADINO:

Ocho Candelikas

Hanukah linda sta aki, ocho kandelas para mi,
Hanukah Linda sta aki, ocho kandelas para mi.

Una kandelika, dos kandelikas, tres kandelikas,
kuatro kandelikas, sintyu kandelikas,
seis kandelikas, siete kandelikas, ocho kandelas para
mi.

Muchas fiestas vo fazer, con alegrias i plazer.
Muchas fiestas vo fazer, con alegrias i plazer.

Una kandelika, dos kandelikas, tres kandelikas,
kuatro kandelikas, sintyu kandelikas,
seis kandelikas, siete kandelikas, ocho kandelas para
mi.

Los pastelikos vo kumer, con almendrikas i la myel
Los pastelikos vo kumer, con almendrikas i la myel.

Una kandelika, dos kandelikas, tres kandelikas, kuatro kandelikas,
sintyu kandelikas, seis kandelikas, siete kandelikas, ocho candelas para mi.

28 de março de 2009

CULTURA DA ANDALUSIA (AL-ANDALUS) - INFLUÊNCIA JUDAICA NA PENÍNSULA IBÉRICA

Durante a Reconquista da Península Ibérica pelos reis católicos (Fernando de Aragão e Isabela de Castela), uma outra importante influência cultural, originada no Oriente Médio, estava presente em Al-Andalus (Nome dado à península em árabe na época - Ano 711): OS JUDEUS.



Beneficiando-se de uma relativa tolerância étnica e religiosa, devido à lei islâmica, em comparação com países cristãos, que formam um importante grupo étnico, com as suas próprias tradições, ritos, e música e, provavelmente, reforçou o elemento básico da cultura e da forma musical de Al -Andalus (Península Ibérica). Alguns como o flamenco "palos Peteneras" e "saetas" são atribuídos à uma direta origem judaica.

16 de novembro de 2008

O LADINO OU JUDEU-ESPANHOL

A LÍNGUA FALADA PELA COMUNIDADE JUDAICA DE ORIGEM IBÉRICA HÁ CINCO SÉCULOS ATRÁS VIVE UMA TENTATIVA DE RENASCIMENTO




Quinhentos anos passaram desde que se ouvia e falava esta língua em Portugal e Espanha. Chama-se Ladino e era a língua sefardita dos judeus ibéricos, feita de mesclas de castelhano e português medievais com hebraico. O Ladino foi extinto na Península Ibérica há cinco séculos, mas estima-se que ainda é falado por cerca de cento e cinquenta mil indivíduos em comunidades sefarditas em Israel, Turquia, nos Balcãs, Oriente Próximo e norte de Marrocos. Também é conhecido como espanhol sefardita e judeoespanhol.


RENASCIMENTO DO LADINO


O ladino ou judeu-espanhol, a língua falada pela comunidade judaica de origem ibérica, vive uma tentativa de recuperação em Istambul depois de décadas de falta de uso, que o Instituto Cervantes está apoiando através das Primeiras Jornadas da Cultura Sefaradi, que tiveram lugar recentemente na Turquia.
A maior parte dos turistas espanhóis que visita Istambul pensa que talvez só possam ouvir seu idioma dos hábeis comerciantes do Grande Bazar, dispostos a aprender a língua de Cervantes para bajular seus clientes.
Mas não, na antiga capital otomana existe uma grande comunidade cuja língua materna é também o espanhol. Trata-se dos sefaradis: os judeus expulsos da Espanha em 1492 em virtude do édito de Alhambra e que conservaram sua língua e seus costumes através dos séculos.
'Aqueles que os mandam embora perdem, eu ganho', conta-se que disse o sultão otomano Bayaceto II quando abriu suas portas à chegada dos sefardis e era verdade, pois os judeus-espanhóis contribuíram no desenvolvimento econômico do império que os acolheu.
As Primeiras Jornadas da Cultura Sefardi organizadas pelo Instituto Cervantes de Istambul tiveram precisamente o objetivo de ajudar na conservação do ladino. Para comemorar o 60º aniversário do semanário sefardi Shalom, as colocações das jornadas versaram sobre a imprensa em ladino e contaram com a presença, entre outros, do catedrático da Universidade Ben Gurion Tamar Alexandre e a pesquisadora Elena Romero.
Mas apesar do ladino ser a língua materna dos 20.000 sefardis da Turquia, sofre um severo abandono por parte dos jovens que preferem falar em turco, o idioma oficial e mais corrente no país.
'Até a geração dos que nasceram nos anos 60, o ladino era uma das línguas que se falava nos lares sefardis. No entanto, agora fala-se cada vez menos porque já não é a língua que se fala nas casas, de forma que, se um jovem sefaradi quer aprender ladino deve matricular-se num curso', explica Karen Gerson Sarhon com ligeira tristeza em sua língua judeu-espanhola, que recorda muito o castelhano antigo.
Sarhon é a responsável pelo suplemento em ladino 'El Amaneser' ('O Amanhecer') e diretora do Sentro de Investigasiones sobre la Kultura Sefardi Otomana-Turka e uma das personalidades mais empenhadas na defesa da cultura do judeu-espanhol.
Para Sarhon existem vários fatores pelos quais se foi abandonando o judeu-espanhol, entre eles se destacam a influência do francês durante o século XIX, o abandono do alfabeto 'Rashi' pelo ladino e a implantação da educação nacional turca após a instauração da República por Mustafá Kemal Atatürk.
'Quando foi fundada a República da Turquia, houve uma mudança na filosofia da comunidade sefardi e seus dirigentes decidiram que a comunidade se abrisse e se integrasse na sociedade turca', explica Sarhon.
‘Os sefardis queriam deixar claro que eram cidadãos turcos de fé judaica, mas leais à República da Turquia' — diz a intelectual, acrescentando — ‘Assim se puseram a aprender o turco porque ainda que o falassem pouco, tinham um forte sotaque espanhol'.
Este abandono se produziu também por uma queda do prestígio da língua ladina —agravada pela imigração de muitos sefaradis a Israel, onde o hebraico se sobrepôs ao judeu-espanhol, o que perdurou até os anos 90.
'Estávamos a ponto de perder toda nossa cultura, mas o trabalho de diferentes pessoas em todo o mundo conseguiu que agora começássemos a ver certa recuperação', afirma Sarhon.
De fato, alguns desses jovens sefaradis que já não falam ladino em casa se matriculam em cursos de espanhol moderno.
'Se aprendem o espanhol moderno a herança sefaradi será acessível para eles porque uma língua não é uma coisa abstrata, mas é através da língua que se produz a cultura e a forma de pensar. E nós somos um povo mediterrâneo que fala espanhol' reitera.
Sefarad, a terra espanhola que os judeus espanhóis deixaram para trás há séculos, segue na mente dos sefardis’, diz ela.
'Quando um sefaradi vai à Espanha, seu sentimento é muito curioso porque não se sente num país alheio, porém como em casa', assegura Sarhon.
Se os jovens sefaradis da Turquia conseguem não esquecer sobre suas origens, o ladino poderá experimentar um renascimento porque, como afirma um refrão judeu-espanhol título do periódico 'El Amaneser': 'Kuando muncho eskurese es para amaneser'. (Publicado em Iton Gadol e traduzido por Szyja Lorber para o jornal Visão Judaica).