15 de março de 2012

CARTA ABERTA AOS JUDEUS POR OPÇÃO

Dr. Lawrence J. Epstein - (Este artigo foi publicado originalmente em outubro de 1994)




Queridos Amigos, Nós que nascemos judeus precisamos de vocês. Há cerca de 200.000 de vocês lá fora. Um em cada 37 judeus americanos é um judeu por opção em vez de um judeu de nascença. Muitos de vocês assumem papéis de liderança em suas congregações e organizações, tornam-se presidentes, líderes da juventude e professores em nossas escolas judaicas. Alguns de vocês, com silenciosa dignidade, são líderes em casa, onde transmitem a herança judaica com rara beleza. Vocês aprendem judaísmo com seus filhos. Mais de uma vez vocês ensinaram ao seu parceiro nascido judeu alguma nova reflexão sobre judaísmo. Alguns de vocês absorveram tão plenamente o judaísmo que vocês mesmos imaginam terem nascido acidentalmente na família errada. Outros de vocês vêem uma continuidade entre a sua identidade anterior e a atual. Alguns de vocês levam a sua nova identidade com uma alegria simples. Outros de vocês escrevem e falam eloqüentemente sobre suas viagens espirituais. Outros ainda falam por meio de seus atos, silenciosos e particulares, quando acendem velas, assam a chalá, rezam, visitam os doentes em um hospital local. Alguns de vocês, sob uma justificativa talmúdica, não querem ser lembrados da sua identidade religiosa anterior e, portanto, não acham justo serem chamados de convertidos ou de judeus por opção; outros de vocês não se preocupam com esta denominação e em geral a aceitam com orgulho. 




Eu espero que todos vocês me perdoem se eu me reporto a vocês como judeus por opção e não simplesmente pelo que vocês são: judeus. Vocês têm o potencial para fazer, como grupo, uma contribuição histórica para a vida judaica. Nós, que temos exigido tanto de vocês, voltamos a chamá-los e pedimos ainda mais. Vocês podem mudar a vida judaica americana. Sim, nós precisamos dos seus números. Vocês 200.000 e seus filhos se somam à nossa densidade demográfica [americana] e, desse modo, à nossa capacidade política e econômica. Vocês contribuem com as nossas comunidades, nos ajudando a sustentar nossas vidas comunitárias. Sim, nós precisamos das suas contribuições para caridade, precisamos de vocês como sócios, precisamos do seu tempo. Sim, nós precisamos que vocês sirvam de modelo para não-judeus casados com judeus, de modo que eles considerem a possibilidade de se converterem e, olhando para vocês, vejam isso como uma escolha positiva. Nós precisamos de vocês por todas essas razões prudentes e por tantas outras. Mas essas não são as razões que eu tenho em mente. Vocês podem fazer uma contribuição mais profunda, uma que é definitivamente espiritual. 




O que nós precisamos de vocês? O que vocês podem fazer? Eis algumas sugestões. Eu espero que vocês as considerem e acrescentem muitas outras por conta própria. (1) Nós precisamos que vocês nos contem as suas experiências. Precisamos ouvir as suas histórias. Houve um grande lapso de tempo na história judaica deste a última vez em que um grande número de pessoas se tornou judeu. Suas histórias tornam a conversão mais familiar para nós. Vocês nos remetem ao nosso passado, quando o judaísmo aceitava um número incontável de pessoas em seu meio e tinha orgulho disso, vendo nesse esforço um modo de cumprir o mandamento Divino de oferecer o judaísmo para o mundo. Vocês nos fazem recordar do nosso propósito universal, um que negligenciamos. Por favor, contem-nos sobre a sua luta interna para decidir se o judaísmo era o caminho certo para vocês. Contem-nos sobre seus conflitos com seus pais, sobre seus encontros com algum de nós que lhe proferiu uma palavra ruim, sobre seus encontros com algum de nós que lhe demonstrou bondade. 



Nós precisamos ouvir sobre os seus medos secretos e sobre suas boas recordações que são difíceis de serem deixadas para trás. Contem-nos por que vocês quiseram se tornar judeus. É extremamente importante para nós ouvirmos que há pessoas que escolhem voluntariamente aceitar uma identidade judaica. Nossas próprias identidades, tão frágeis como uma minoria na cultura americana, são fortalecidas através dessas escolhas; seus atos de escolher o judaísmo tornam ao mesmo tempo os nossos atos de permanecermos judeus mais fáceis e mais valiosos. Contem suas histórias às nossas congregações e organizações, para os nossos centros comunitários judaicos e grupos de jovens, para os nossos filhos nos colégios judaicos, e para os nossos pais nos grupos de terceira idade. Contem também as suas histórias para os seus amigos e familiares, para o mundo não-judeu. Se vocês desejarem, escrevam sobre suas experiências em um boletim congregacional, em um jornal local ou em um dos meios de comunicação judaicos nacionais. (2) Aconselhem-nos. Contem-nos como podemos ser mais receptivos. Contem-nos o que podemos fazer em cada fase para tornar mais fácil a sua entrada e integração em nossa comunidade. Contem-nos como, juntos, podemos trazer ao conhecido do público que o judaísmo está disponível para aqueles que livremente o escolhem, que a conversão ao judaísmo é permitida, que qualquer um pode escolher se unir ao Povo Escolhido. (3) Organizem-se. Falem como um grupo. Vocês podem desenvolver grupos de apoio para aqueles que pensam em se converter, que estão estudando para a conversão, e que completaram a conversão. Vocês podem monitorar casos em que os convertidos sofrem discriminação dentro da comunidade judaica e lutar para cessar com toda e qualquer discriminação. Vocês podem viajar juntos para Israel e mostrar para o povo e governo israelenses que os judeus por opção contribuem tanto com Israel quanto os nascidos judeus. Como um grupo, vocês podem pressionar a comunidade judaica a ser mais ativa em receber bem os convertidos. Vocês estão em uma posição singular para prover informação a não-judeus que estão interessados em aprender sobre judaísmo em geral, ou especificamente sobre conversão. 



Há muito ainda para ser feito. Pode ser uma ironia, mas não obstante, é verdade que os judeus por opção podem prover um tipo de liderança estimulante capaz de revitalizar toda a comunidade judaica. Não fiquem tímidos. Não tenham dúvidas. Está na hora de entrar em ação. Obrigado. (1) Calcula-se que cerca de 10.000 pessoas se convertam ao judaísmo todos os anos nos EUA. Portanto, em 2005 imagina-se que já são por volta de 300.000, ou 1 em cada 18 judeus americanos. 

Créditos: Texto adaptado do site em inglês www.convert.org com a permissão de Barbara Shair Tradução: Uri Lam Edição: Adriana Lacerda

UNIÃO DAS CONGREGAÇÕES JUDAICO MESSIÂNICAS NO BRASIL - UMJC




Congregações no Brasil:
 

. Belo Horizonte - MG Congregação Judaico-Messiânica Har Tzion, UMJC Rabino Marcelo Miranda www.ensinandodesiao.org.br Tel.: 31-3498-1761 Serviços: Sextas: 7:30 pm; Sábado: 10:00 am Reuniões: Rua Funchal 185 Bairro Ouro Preto, Belo Horizonte MG 31310-440 

. Rio de Janeiro - RJ Beit Tefilat Yeshua, Independente Rabino Eduardo Stein Maroniene www.judaismomessianico.com.br yeshua@judaismomessianico.com.br Tel.: 55 (21) 2527-1368 Serviços: Sextas: 7:30 pm; Sábados: 9:00 am

. São Paulo - SP Congregacao Judaico Messianica Beit Mashiach, UMJC Líder Gilberto Branco www.beitmashiach.org info@beitmashiach.org Tel.: 55 (11) 3312-0176 Fax: 55 (11) 3326-4022 Serviços: Sexta: 19:30 pm & Sábado: 10:00 am Torah Service Reuniões: Rua Joaquim Murtinho, 252, Bairro do Bom Retiro

14 de março de 2012

O QUE É HANUKÁ?

Os judeus guardam o feriado por oito dias em honra a vitória histórica dos Macabeus e ao milagre do óleo.




A palavra hebraica Chanuká quer dizer "dedicação." No segundo século antes de Cristo, o regime sírio-greco de Antiocus procurava afastar os judeus do Judaísmo com a esperanças de assimilá-los ao helenismo, a cultura Grega. Antiocus proibiu aspectos da observância judaica, incluindo o estudo da Torá, o que enfraquecia a fundação da vida e prática judaica. Durante este período, muitos dos judeus começaram a se assimilar à cultura grega, passando a possuir nomes gregos e se casando com não-judeus. Em resposta, um grupo de colonos judeus levou para as colinas de Judéia uma revolta contra esta ameaça para a vida judaica. Liderados por Matitiahu, e mais tarde por seu filho "Judá, o Macabeu", este pequeno grupo de piedosos judeus comandaram uma guerra contra o exército sírio. Antiocus enviou milhares de tropas bem armadas para esmagar a rebelião, mas os Macabeus venceram e tiraram os estrangeiros de sua terra. Os lutadores judeus entraram em Jerusalém em dezembro, 164 A.C. 



O Templo Sagrado estava destruído, sujo e profanado por soldados estrangeiros. Eles limparam o Templo e reinauguraram-lo no 25° dia do mês judaico de Kislev. Quando chegou o tempo de iluminar novamente a Menorá, eles procuraram no Templo inteiro, mas só encontraram um jarro pequeno de óleo com a autentificação do Sumo-Sacerdote. Milagrosamente, o pequeno jarro de óleo queimou por oito dias, até que um novo suplemento de óleo pôde ser trazido. Daí em diante, os judeus guardam o feriado por oito dias em honra à histórica vitória e ao milagre do óleo. Hoje em dia, a observância de Chanuká é caracterizada pela iluminação de uma menorá especial de Chanuká, com oito ramificações (mais uma vela ajudante), e se adiciona uma nova vela toda noite. Outros costumes incluem girar o dreidel (um pião com letras hebraicas nos lados), comer "comidas oleosas como latkes de batata (panquecas) e sufganiot (sonhos) (geléia donuts), e dar moedas de Chanuká (Chanuká gelt ) para as crianças. 

Fonte: Aish Brasil

OS CROMOSSOMOS DE ABRAÃO

Um trecho do novo livro do Rabino Yakov Kleiman: “DNA and Tradition: The Genetic Link to the Ancient Hebrews” À procura do "Avraham" histórico




De acordo com as tradições escritas e orais das três maiores religiões do mundo Ocidental, Avraham foi uma pessoa real que viveu no Oriente Médio há quase 4,000 anos atrás. Conforme cada respectiva tradição, ele foi o primeiro dos Pais do povo judeu, originou as nações árabes e o Islã e deu a base conceitual para o Cristianismo. A tradição conta que pode ter influenciado também as religiões orientais. Abraão foi o primeiro a ser chamado de hebreu "Ivri", um nômade, que ia de um lugar a outro. E recebeu este nome, pois realmente cruzou o Rio Eufrates, hoje em dia Iraque, quando viajou para a Terra Prometida a chamado de D'us. Filosoficamente, ganhou a distinção como um hebreu por sua clareza de verdade, pois enquanto o mundo inteiro tinha uma opinião, ele tinha outra. De acordo com o Talmud, ele nasceu num mundo que tinha perdido o reconhecimento de um só D'us, o Criador, Sustentador, e Supervisor do universo. Ele reconheceu bem cedo em sua infância que havia um só Criador que move todas as coisas. Não era uma opinião popular no momento, mas como lutava pela verdade e liberdade, deu sua vida para tal fim, ou seja, sustentando esta convicção. Em sua vida, enfrentou e passou freqüentemente por testes importantes avaliando sua força, convicção e compromisso com sua visão da verdade e unicidade de D'us. O povo judeu considera Avraham como seu antepassado original, o pai de Isaac, e o avô de Jacob. Avraham também é venerado como o antepassado das nações árabe e Islã, pois também era o pai de Ishmael, seu filho por parte de Hagar, Princesa egípcia criada de Sara. O Alcorão reporta que Avraham e Ishmael criaram as fundações da Kaaba, a estrutura de pedra preta em forma de cubo em Meca, na Arábia saudita, que é o santuário mais sagrado do Islã. Durante a peregrinação anual a Meca, os muçulmanos do mundo inteiro rodeiam a Kaaba reforçando o papel central de Avraham e Ishmael na fé islâmica. O Cristianismo também considera Abraão um Patriarca. Ele é o pai do monoteísmo, o progenitor da religião Ocidental.




Será que as pesquisas genéticas recentes podem dar alguma indicação da existência do Avraham histórico? Recentes estudos genéticos do povo judeu indicam claramente que as origens da nação judaica podem ser traçadas no Oriente Médio. Esta pesquisa confirma a origem geográfica da essência de todas as maiores comunidades da Diáspora judaica. Além disso, a descoberta do "Gene do Cohen", a assinatura genética compartilhada pela maioria dos Cohanim, a família sacerdotal mundial judaica é uma indicação de que esta assinatura é a dos hebreus antigos. Baseado no DNA dos Cohanim de hoje, os geneticistas dataram seu " Mais Recente Antepassado Comum" em 106 gerações atrás, aproximadamente 3,300 anos antes do tempo atual. O que está de acordo com a tradição escrita e oral da Torá da vida de Aaron, o sumo-sacerdote e fundador da linhagem Cohen. Os estudos genéticos complementares viram que o CMH, o tipo haplóide modal de Cohen (Cohen Modal Haplotype), um tipo haplóide do grupo haplóide MED (J), não é exclusivo dos Cohanim e não é unicamente dos judeus. Também é encontrado em porcentagens significaticas entre outras populações do Oriente Médio e em menor porcentagem em meio a grupos do sul do Mediterrâneo. Um tipo haplóide é um grupo de marcadores distintos de DNA, ou seja, mutações neutras do nucleotídeo, que quando encontradas juntas indicam uma linhagem. Estes marcadores particulares foram descobertos no Cromossomo Y, que é passado de pai para filho sem mudança, estabelecendo, deste modo, um padrão de linhagem paterna. Todo o que foi explicado acima é um fato científico que somente ficou conhecido atualmente, há poucos anos. Usando este fato como base, talvez possamos especular e considerar algumas implicações destas descobertas. Se o CMH é a assinatura genética de Aaron, o pai dos Cohanim, deve também ter sido a assinatura genética do pai do Aaron, Amram, e por sua vez, de seu pai, Kehat, e por sua vez, de seu pai, Levi. O pai de Levi era Jacob, que também deveria ter o CMH como marca genética do Cromossomo Y como seu pai, Isaac. Assim, chegamos a Avraham. Avraham está sete gerações afastadas de Aaron, em torno de mais ou menos cem anos. As assinaturas genéticas se modificam somente depois de muitas gerações. Deste modo, é razoável assumir que o CMH, o tipo haplóide mais comum em meio aos homens judeus, também é a assinatura genética do Patriarca Avraham. Isto explica por que também encontramos o CMH em números elevados em meio a árabes e outros povos do Oriente Médio hoje. Estas pessoas afirmam tradicionalmente serem descendentes de Avraham através de seu filho Ishmael, que neste caso também levava a assinatura genética masculina de Avraham. Estes marcadores são encontrados também entre os povos do sul do Mediterrâneo e europeus.




Além dos judeus existem outras populações que compartilham "A assinatura Genética de Avraham" com seus marcadores Y. Estas incluem libaneses, sírios, curdos iraquiano, alguns Italianos e húngaros. Também é encontrado em alguns armênios. Estes devem ser os descendentes de Avraham através de seu neto Esau, irmão de Jacob, uma pessoa cuja descendência, de acordo com tradição talmúdica, fundou as primeiras raízes do império de Roma. Como filho de Isaac e neto de Abraão, Esau também teria estes mesmos cromossomos-Y, marcadores da linhagem. Os Cohanim judeus mantiveram a linhagem de Avraham ao mais alto grau entre o povo judeu. Judeu não é uma definição genética, pois outras pessoas, por casamento e conversões se juntaram ao povo judeu. Porém, ser um Cohen é uma definição genética, de pai para filho a partir de Aaron, o sumo-sacerdote. E apesar de ter sido difundido ao longo do mundo por mais de 2,000 anos, a extensa família de Cohanim manteve sua integridade genética equivalente às elevadas porcentagens dos outros grupos do Oriente Médio que nunca deixaram a região. Com base no Antepassado Comum mais Recente dos Cohanim, há 3,300 anos atrás, não é exagero assumir que são os homens descendentes do Patriarca Avaraham que hoje em dia possuem esta assinatura de DNA. Embora Avraham não seja a fonte exclusiva destes marcadores, ele faz parte da maioria dos genes dos antigos povos do Oriente Médio. "Quanto a mim, será contigo a minha aliança; seras pai de numerosas nações...E Eu lhe farei fecundo, de ti farei nações, e reis procederão de ti." (Gênesis 17:4, 6) A promessa e a profecia de D'us a Avraham era de que ele seria o progenitor de grandes nações, e que seu descendentes, literalmente "suas sementes ", seriam numerosas "como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar," (Gênesis 22:17). E realmente o número de pessoas no mundo hoje com a "Assinatura Genética de Avraham" é muito amplo para se saber precisamente. Uma estimativa razoável está nas centenas de milhões. Este artigo é baseado em um capítulo do novo livro, DNA and Tradition: The Genetic Ling to the Ancient Hebrews. Biografia: O rabino Yaakov HaKohen Kleiman é um conferencista no Aish HaTorá de Jerusalém, especialista em estudos do Templo. Ele é co-diretor com o Rabino Nachman Kahana, do Centro Para Cohanim Nota de esclarecimento Haplotype: tipo haplóide ou monoplóide. Denota a quantidade de cromossomos no espermatozóide ou no óvulo, que é a metade do número nas células somáticas (diplóides). O prefixo Haplo- quer dizer único, simples. CMH: a sigla para "Cohen Modal Haplotype"; não existe correspondente em Língua Portuguesa, portanto continuou sendo CMH. 

Fonte: Aish Brasil

O ABC DO PURIM

Pelo Rabino Shraga Simons




Purim é o feriado judaico mais dramático e repleto de alegria. Pois, em que outra data podemos nos vestir de coelhinho e comer doces em forma de triângulos recheados com ameixas secas e sementes de papoula? Purim acontece no dia 14 de Adar. (Nas cidades cercadas como Jerusalém, "Shushan Purim" é comemorado no dia 15 de Adar.)O principal evento é a leitura do Livro de Esther. Localizada na Pérsia, há 2,300 anos atrás, a "Megillá" (como é denominada normalmente) reconta como uma série de acontecimentos aparentemente sem conexão ocorreu para salvar o povo judeu da aniquilação. A versão resumida é a seguinte:Quando o Rei Achashverosh fez uma longa festa de seis meses e a rainha se recusou a obedecer a suas ordens, ela foi substituída por uma nova rainha: Esther, a judia. O tio de Esther, Mordechai, o líder dos judeus, descobre uma conspiração para matar o rei, o que o coloca numa posição favorável com o rei. Tudo isso acontece ao mesmo tempo em Haman, o mais importante conselheiro do rei, consegue um decreto para matar todos os judeus. No final, através de uma complexa mistura de eventos, Esther consegue inverter o decreto de Haman e este é enforcado, tornando Mordechai o Primeiro Ministro.O nome Megillat Esther (pergaminho do de Esther) significa "revelar o que está escondido." E diferentemente dos outros livros da Bíblia, na Megillat Esther o nome de D’us não é mencionado nenhuma vez. A mão escondida de D’us é revelada pelo labirinto de eventos. Não existem coincidências.A Megillat Esther nos ensina que a vida nos desafia para que possamos dar o que há de melhor em nós, e o que parece como obstáculos são realmente oportunidades para nos desenvolvermos para melhor. E tudo isso vem da mão invisível de D’us, que guia nosso destino e cada passo que damos. 

A CELEBRAÇÃO DE PURIM HOJE EM DIA: Há quatro mitzvot específicas para o feriado de Purim: 

 • Ouvir a leitura da Megillá (pergaminho de Esther) 

• “Comer, beber e estar alegre (a refeição festiva de Purim)”. 

• Enviar comida para os amigos (Mishloach Manot) 

• Dar presente aos pobres (Matanot La 'evionim) 

A leitura do Livro de Esther é feita na noite de Purim e novamente no dia seguinte. Cada palavra deve ser claramente ouvida. A leitura é feita na sinagoga, porque quanto maior for o público, maior é a publicidade que o milagre de nossa salvação recebe. Na manhã de Purim, corremos pela cidade visitando amigos e entregando saborosos presentes: o Mishloach Manot. Purim é o dia em que estendemos a mão e abraçamos nossos companheiros judeus, independente de quaisquer diferenças religiosas ou sociais. Afinal, Haman não nos discriminou... e é por isso que é bom darmos presentes particularmente às pessoas as quais tivemos uma discussão ou para alguém novo na comunidade que precisa de um novo amigo. Também é uma mitzvá especial de Purim darmos presentes normalmente em dinheiro para os pobres. Pois o povo judeu é um só, não podemos desfrutar o feriado se as pessoas mais necessitadas não têm o suficiente para fazê-lo.Aí vem o final do dia, a refeição festiva. Comemos o máximo que podemos, tudo o que for possível, e suprimimos nossos corpos, pois eram os corpos dos judeus que Haman queria destruir. Também deve-se beber em Purim até não se saber a diferença entre “amaldiçoado Haman” e “abençoado Mordechai”. Em outras palavras, somos obrigados a beber até o momento em que não saibamos mais a diferença entre o bem e o mal. Vestimos fantasias para enfraquecermos nossas defesas e nos abrirmos para a realidade mais profunda de nós mesmos e do mundo. Todos nossos problemas e imperfeições na vida se misturam em bondade até que se tornem uma expressão unificada da infinita perfeição de D’us. Não existe nenhum outro feriado como Purim! 

Fonte: Aish Brasil

A IMIGRAÇÃO DOS JUDEUS AO RIO GRANDE DO SUL - PHILIPSON E QUATRO IRMÃOS

Por: Moysés Bronfmann - Visão Judaica




Em 1891, o barão Maurice de Hirsh, com a colaboração dos banqueiros e filantropos Rotschild, Goldsmid, Cassel, Macatta, Goldshimidt, Reinach, Cohen e Philipson fundou a Jewish Colonization Association ou Ica e ajudou a transferir para o Rio Grande do Sul judeus que sofriam com as perseguições por religião e raça, principalmente da Rússia Czarista. O barão Hirsh adquiriu terras em Philipson no município de Santa Maria da Boca do Monte e em Quatro Irmãos, situada onde hoje estão Erechim e Getulio Vargas. Os grupos coletivos começaram a chegar ao Estado em 1904 para a Colônia de Philipson (Clarinha Clock – Rio Grande, um século de História). 

Por que o nome Philipson? 

Franz Philipson (1852-1929), banqueiro e homem público a partir de 1866 viveu em Bruxelas, onde fundou um banco e trabalhou ativamente nos negócios da comunidade judaica. Rabino e erudito, instalou várias conferências rabínicas e organizou a realizada em Leipzig. Seu pai, Ludwig Philipson publicou uma tradução alemã da Bíblia com comentário e ilustrações (1839-1853). Fundou em 1837 o Alguemeine Zeitung des Judentum. Em 1855 fundou o Instituto para Literatura Judaica (Enciclopédia Judaica 1967, 3º, pág. 969). Em sua homenagem foi dada à Colônia o nome de Philipson. A Federação Israelita do Rio Grande do Sul comemorou o Centenário da Imigração com muito destaque. 

1) Houve concerto do Centenário sob a regência de Isaac Karabitchewshy com a presença do governador Germano Rigotto, o ministro Tarso Genro, representando o presidente Lula e o ministro Olívio Dutra, o prefeito de Porto Alegre, senadores, deputados, vereadores além de público numeroso. 

2) Um monumento comemorativo do centenário foi construído no bairro Bom Fim espelhando o orgulho e a homenagem da comunidade judaica pela contribuição dos imigrantes à sociedade gaúcha e brasileira. Na ocasião, a presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul, Matilde Groisman Gus pronunciou discurso, do qual transcrevemos alguns trechos: “ A comunidade judaica é uma minoria inserida e integrada na sociedade brasileira. Com tradição e cultura características desenvolvidas durante mais de dois mil anos. Como conseqüência das dificuldades econômicas da Europa, no início do século passado e das perseguições religiosas e sociais sofridas em seus países de origem, muitos judeus vieram para o Brasil em busca de uma vida melhor, onde poderiam usufruir a liberdade religiosa, preconizada já na Constituição de 1824. Os primeiros imigrantes, basicamente de origem askenazi, cerca de 37 famílias, vieram principalmente da Bessarabia. Mais tarde chegaram judeus vindos da Rússia, Polônia, Alemanha, Argentina, Egito e outros países. Os imigrantes foram generosamente acolhidos pelo povo do Rio Grande do Sul. A maioria era formada por artesãos que deveriam se formar agricultores de acordo com o projeto de colonização da Ica. Receberam lotes de 25 a 30 hectares, pequenas casas de madeira, instrumentos agrícolas e sementes com financiamento a longo prazo. Mas o desconhecimento da língua portuguesa, a falta de familiaridade com o cultivo da terra e o fato de serem essencialmente urbanos, foram fatores que dificultaram sua fixação na terra. Além disso, havia falta de escolas e hospitais, precariedade de saneamento e condições de higiene”. 





Prosseguindo nas comemorações, ocorreram sessões de homenagens no Congresso Nacional, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, na Câmara Municipal de Porto Alegre e na sede do Governo estadual, o Palácio Piratini. Um painel e uma exposição sobre a Imigração Judaica contou com a participação do ex-ministro do STF, Mauricio Correa, do escritor Moacyr Scliar e do psicanalista Abrão Slavutzky. No encerramento, foi feita uma visita ao cemitério israelita de Philipson, como homenagem aos imigrantes que lá estão sepultados. Nesse cemitério estão sepultados os meus dois avós, pai do meu pai e pai da minha mãe. Posteriormente a Ica adquiriu a fazenda Quatro Irmãos, na região de Passo Fundo e Erechim, para onde foram originalmente três dezenas de famílias, chegando após, mais de 1000 pessoas. Marcos Feldman, nascido em Quatro Irmãos em 1923, hoje residente em São Paulo, escreveu o melhor livro que descreve a imigração, a vida e todas as dificuldades que passaram os judeus em Quatro Irmãos. O livro chama-se “Memórias da Colônia de Quatro Irmãos”. Só o prefácio de Maria Luiza Tucci Carneiro já é um monumento e vale a pena ser descrito numa edição da Visão Judaica. Poucos conheciam ou sabiam quem eram os Quatro Irmãos. 




Na escritura que consta no livro diz textualmente: Adquirente: Jewish Colonization Association: A herança do conselheiro Manoel Alves de Araújo, dr. Victor Ferreira do Amaral e Silva e seus filhos menores Homero Ferreira do Amaral e Noêmia Ferreira do Amaral e a mulher do mesmo dr., dona Ana Messias Pacheco do Amaral, Manoel Severino Maia e sua mulher Clementina Pacheco Maia, residentes na Lapa, Curitiba e Rio Negro no Estado do Paraná. Título: Compra e venda. Escritura Pública de 24 de novembro de 1909, lavrada em Porto Alegre. Valor do contrato: Mil, trezentos e sete contos, quinhentos e cinco mil e seiscentos reis (1.307.505 $ 600). Área: 9.418.715,25 m2. Só agora ficamos sabendo que o nosso fundador da Universidade Federal do Paraná, professor Victor Ferreira do Amaral e Silva foi um dos proprietários de Quatro Irmãos. Por curiosidade, fui procurar o dr. Milton Ferreira do Amaral, médico, colega de turma do dr. Moises Paciornick e muito meu amigo, filho do professor Victor. Estranhou a minha visita, mas logo fui perguntando: Milton, você sabia que seu pai era um dos donos de Quatro Irmãos no Rio Grande do Sul? Ele me disse: Papai sempre dizia que a família da mamãe tinha terras no Rio Grande do Sul e ele conheceu um tal de Yochpe. Quando eu lhe entreguei o livro “Memórias da Colônia de Quatro Irmãos” o dr. Milton ficou emocionado e me disse: Moysés, este é o melhor presente que você podia ter me dado. Para encerrar esta novela que já é longa, vou confessar que não sabia como papai que veio da Rússia, e mamãe da Bessarabia se encontraram em Quatro Irmãos. Sempre soube que os pais da minha mãe moraram em Philipson, porém, antes vieram para Quatro Irmãos como consta no livro. O sr. Pinkas Burkinski, que foi “Schifs Brider” de papai, pai da saudosa sra. Ester Guelmann e avô do dr. Jaime Guelmann, me dizia que ele fez o casamento de papai e mamãe em Quatro Irmãos. * Moysés Bronfmann é formado em medicina, empresário, um dos líderes pioneiros da Comunidade Israelita do Paraná, com intensa vida comunitária que se estendeu por mais de meio século. Memória viva da coletividade, participou da construção da Sinagoga Francisco Frischmann, do Centro Israelita do Paraná (CIP), da criação da B'nai B'rith e de grande número das instituições comunitárias judaicas de Curitiba.

OS JUDEUS NO BAIRRO DO BOM RETIRO EM SÃO PAULO




Bom Retiro é um distrito situado na região central da cidade de São Paulo. Trata-se de uma região essencialmente comercial, com a áreas industriais e residenciais em constante processo de decadência. O distrito é atendido pela Linha 1 (Azul) do Metrô de São Paulo e pelas linhas 7, 10 e 11 da CPTM. Futuramente, também será atendido pela Linha 4 (amarela) do Metrô de São Paulo. No século 19 era um bairro formado por chácaras e sítios que eram usados como retiros de fim de semana pela população abastada da cidade. O Bom Retiro era considerado uma região importante no passado, quando as estações da São Paulo Railway e da Estrada de Ferro Sorocabana, junto à época com o único parque público da cidade, o Jardim da Luz, faziam parte de belos e elegantes pontos de chegada e partida de viajantes notadamente abastados fazendeiros de café que tinham suas majestosas residências na capital. Essa função de lazer começou a mudar quando da instalação de olarias na região sendo a mais importante a Olaria Manfred de 1860. Mais tarde, tornou-se um local de concentração industrial, quando viu, na década de 1960 essas indústrias pouco a pouco cederem seu espaço a um ativo comércio de roupas e moda, mesclado com pequenas indústrias de confecção e tecelagem. À época, o bairro já era um pólo que concentrava comerciantes judeus e sírio-libaneses, os quais mais tarde migrariam para outros bairros mais distantes do centro. A partir dos anos 20, muitos judeus começaram a chegar ao bairro. Vindos sobretudo da Rússia, Lituânia e Polônia, passaram a exercer aqui o comércio. No entanto, só começaram a se instalar em grande número no bairro já no final dos anos 30, em decorrência da 2ª Guerra Mundial. Em uma década, a maioria dos moradores do bairro já era de origem judaica. Isto foi possível, por um lado, pela mudança de muitos italianos que preferiram morar em outros bairros, como Higienópolis, quando na gestão do prefeito de Prestes Maia prostitutas da região central foram transferidas para os prostíbulos das ruas Aimorés e Itaboca. Por outro lado, para os judeus recém chegados era conveniente morar numa região onde já estavam instalados representantes do seu povo. Isto lhes conferia a segurança da vida em comunidade e auxílios como trabalho, moradia e crédito. O bairro também já contava com sinagogas e escolas judaicas. Os novos imigrantes que não tinham ofício iam trabalhar nas oficinas de confecção têxtil montadas durante a década de 20 por judeus que já tinham experiência no ramo. Outros, trabalhavam a prestação, isto é, algum comerciante lhes dava uma quantidade de tecido que deveria ser vendida de casa em casa e paga posteriormente. 

Chegada dos sul-coreanos:

A partir da década de 60, começaram a chegar os sul-coreanos ao Bom Retiro. Estes imigrantes passaram a comprar as principais lojas do bairro, sobretudo nos anos 80, quando se beneficiaram de uma lei de 1982, que anistiava imigrantes ilegais. Neste período, os judeus começaram a migrar para bairros de caráter mais residencial. Isto aconteceu sobretudo porque as mais novas gerações de origem judaica constituíam-se de profissionais liberais que não quiseram continuar com os negócios da família. Até colégios tradicionais desta comunidade, como o Renascença, foram transferidos para bairros como Higienópolis que concentra hoje cerca de 40% dos judeus que vivem na cidade. Possuidor de uma importante herança patrimonial e cultural da cidade, o Bom Retiro abriga a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu de Arte Sacra de São Paulo, o Museu da Língua Portuguesa (dentro da Estação da Luz), a Estação Pinacoteca (no antigo DOPS) e o Centro de Estudos Musicais - Tom Jobim. Próximos ao distrito, a Estação Júlio Prestes foi restaurada e atualmente abriga a Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). O antigo solar que pertenceu ao Marquês de Três Rios, Joaquim Egídio de Sousa Aranha, em sua Chácara "Bom Retiro" e mais tarde, abrigando a Escola Politécnica da USP hoje abrigando a FATEC e a ETESP.

Notoriedade em filme:

O Jardim da Luz é o mais antigo parque da cidade e é uma das poucas áreas verdes de sua região central. O bairro voltou a ganhar notoriedade com o lançamento do filme brasileiro “O ano em que meus pais saíram de férias”, filmado totalmente na região. 


Fontes: Equipe do Portal do Bom Retiro e Banco de Dados da Folha

O QUE É CABALÁ?




Cabalá: Literalmente: Recibo ou aquilo que é recebido. Aquilo que não pode ser conhecido apenas através da ciência ou da busca intelectual. Um conhecimento interior que tem sido passado de sábio para aluno desde o despertar dos tempos. Uma disciplina que desperta a consciência sobre a essência das coisas. Entramos neste mundo e nossos sentidos encontram sua crosta externa. Tocamos a terra com nossos pés, a água e o vento atingem nossa pele, recuamos perante o calor do fogo. Escutamos os sons e ritmos. Vemos formas e cores. Logo começamos a medir, a pesar e a descrever com precisão. Como cientistas, registramos o comportamento dos compostos químicos, das plantas, animais e seres humanos. Nós os gravamos em video-tape, observamos sob o microscópio, criamos modelos matemáticos, enchemos um supercomputador com dados a seu respeito. De nossas observações, aprendemos a domar nosso ambiente com invenções e engenhocas, e então nos damos um tapinha nas costas e dizemos: "Isso mesmo, conseguimos." Mas nós mesmos, nossa consciência, que está examinando este mundo, residimos em uma camada mais profunda. Eis por que não podemos deixar de perguntar: "E sobre a coisa em si mesma? Aquilo que está lá antes que a medíssemos? O que é matéria, energia, tempo, espaço - e como vieram a ser? 

O mundo à nossa volta:

Para explicar nosso mundo sem examinar esta profundeza interior é tão superficial quanto explicar o trabalho de um computador descrevendo as imagens vistas no monitor. Se virmos uma bola movendo-se para cima e para baixo na tela, diríamos que está ricocheteando contra o fundo da tela? Os dispositivos na sua barra de rolagem exercem alguma força sobre a página dentro da tela? A barra do menu tem realmente os menus ocultos atrás dela? O autor de um software de uso facilitado seguiu regras consistentes para que você possa trabalhar confortavelmente dentro dele. Se for um jogo de alguma complexidade, ele precisou determinar e seguir um grande conjunto de regras. Mas uma descrição destas regras não é uma explicação válida de como isso funciona. Para isso, precisamos ler seu código, examinar o equipamento, e, mais importante - examinar a descrição de seu conceito original. Precisamos vê-lo da maneira que o autor o vê, como evolui passo a passo de um conceito em sua mente através do código que ele escreve, até os pontinhos fosforescentes minúsculos na tela. O código por trás da realidade, o conceito que instila vida às equações e as torna reais. Homens e mulheres sacrificaram seu alimento, seu conforto, viajaram grandes distâncias e pagaram com sua própria vida para chegar a conhecer estas coisas. Não há uma só cultura neste mundo que não tenha seus ensinamentos para descrevê-las. Nos ensinamentos judaicos, elas são descritas na Cabalá.

As verdades da Cabalá:

Segundo a tradição, as verdades da Cabalá foram conhecidas por Adam (Adão). Aquilo que sua mente apreendeu, nenhuma outra mente pode conceber. Mesmo assim ele foi capaz de transmitir um vislumbre de seu conhecimento a algumas das grandes almas que dele descenderam, como Hanoch e Metushelach. Foram eles os grandes mestres que ensinaram Nôach (Noé), que por sua vez ensinou seus próprios alunos, incluindo Avraham (Abraão). Avraham estudou na academia do filho de Nôach, Shem, e enviou seu filho Yitschac para lá estudar, depois dele. Yitschac por sua vez mandou seu filho Yaacov estudar com Shem e com o bisneto de Shem, Ever. Adam, Nôach, Avraham - estes foram pais de toda a humanidade. Eis por que você encontrará alusões às verdades que eles ensinaram seja onde for que tenha chegado a cultura humana. Mesmo assim, a fonte essencial para a Cabalá não é Adam ou Nôach ou mesmo Avraham. É o evento no Monte Sinai, onde a essência primordial do cosmos foi desnudada para que uma nação inteira a contemplasse. Foi uma experiência que deixou uma marca indelével sobre a psique judaica, moldando por completo nossas idéias e nosso comportamento desde então. 



No Sinai, a sabedoria interior tornou-se não mais uma questão de intuição ou revelação particular. Era então um fato que havia penetrado em nosso mundo e se tornado parte da história e da experiência dos mortais comuns. Eis por que a Cabalá não pode ser chamada de filosofia. Uma filosofia é o produto de mentes humanas, algo com que qualquer outra mente humana pode jogar, espremê-la ou esticá-la segundo os ditames de seu próprio intelecto e intuição. Mas Cabalá significa: "que é recebida." Recebida não apenas de um professor, mas do Sinai. Assim que o aluno tenha dominado o caminho deste conhecimento recebido, ele ou ela pode encontrar maneiras de expandi-lo ainda mais, como uma árvore se ramifica a partir de seu tronco. Mas será sempre um crescimento orgânico, jamais tocando a vida e a forma essenciais daquele conhecimento. Os ramos, galhos e folhas irão apenas onde deveriam para aquela árvore em particular - um bordo jamais se tornará um carvalho, e jamais um aluno revelará um segredo que não estivesse oculto nas palavras de seu mestre. 

Fonte: Chabad.org.br

O QUE É BAR/BAT-MITZVÁ?

Qual o significado desta cerimônia e em que, de fato, altera a vida do jovem judeu? Revista Morashá - Edição 53 - junho de 2006




Ao completar 13 anos, um jovem atinge a maioridade religiosa judaica. para marcar esta passagem, é celebrado o Bar-Mitzvá, uma cerimônia que ressalta a importância de cada um dos judeus na corrente ancestral do judaísmo. Ao completar 13 anos, o jovem atinge a maioridade religiosa judaica. Para marcar esta passagem, é celebrado o Bar-Mitzvá, uma cerimônia que ressalta a importância de cada um dos judeus na corrente ancestral do judaísmo. É nessa data que o jovem, pela primeira vez, coloca os Tefilin e é chamado para ler na Torá. O judaísmo considera o jovem de 13 anos maduro o suficiente para ser responsável por seus atos. Na Torá, Livro do Gênese, há um verso que indica que é a partir desta idade que um menino se torna homem. Referindo-se a dois filhos do patriarca Jacob, Shimon e Levi, narra o texto da Torá: "Cada um dos homens pegou sua espada...". Na época em que ocorreu esse episódio, Levi tinha 13 anos de idade. Ele foi a pessoa mais jovem a quem a Torá se referiu como "homem", revelando assim que aos treze anos é a idade em que um judeu assume a maioridade religiosa. De acordo com o Talmud, um menino torna-se adulto com 13 anos e 1 dia, independentemente do fato de ter ou não atingido a puberdade. Como as meninas amadurecem mais cedo, o Bat-Mitzvá, celebração de sua maioridade religiosa, é comemorado aos 12 anos. O Código de Lei Judaica ensina que, a partir dessa data, os jovens passam a ser totalmente responsáveis pelo cumprimento dos Mandamentos Divinos, as mitzvot, não mais os cumprindo apenas porque assim seus pais lhe ensinaram. Seu pai, portanto, deixa de ser responsável pelos seus atos, como está prescrito no Shulchan Aruch HaRav. Em hebraico, Bar-Mitzvá e Bat-Mitzvá, significam literalmente "filho ou filha do mandamento". A própria palavra revela a importância espiritual da data, quando a ligação de um jovem com o judaísmo se torna imutável. O judeu, em sua essência, é filho da mitzvá, ou seja, da Palavra e Vontade Divina transmitidas a nosso povo por D'us. Foi naquele momento, ao pé do Monte Sinai, que a ligação espiritual entre o D´us e o povo de Israel se tornou eterna. Façamos aqui um paralelo com a relação entre filho e pai. O filho pode até se afastar de seu pai, mas ele sempre continuará a ser seu filho. Da mesma forma, um judeu, ao longo de sua vida, ainda que se afaste de suas raízes, o vínculo de sua alma com D'us e com o judaísmo é eterno. Ensina a Cabalá que no dia de seu Bar ou Bat-Mitzvá, todos os judeus recebem uma alma adicional, cujo único desejo é fazer o bem, apegar-se a D'us e cumprir Seus mandamentos. Esta nova alma é diferente da alma de uma criança, cujos desejos são quase inteiramente materiais. 

A cerimônia do Bar-Mitzvá:

As leis que regulam o Bar-Mitzvá foram passadas por D'us a Moisés e, com o decorrer do tempo, várias tradições surgiram no seio das diferentes comunidades espalhadas pelo mundo. O Bar-Mitzvá costuma ser comemorado na sinagoga, na segunda ou quinta-feira mais próxima da data do aniversário do jovem segundo o calendário judaico. Diante da comunidade, durante as preces da manhã, o menino lê o primeiro segmento da Perashá - a Porção Semanal da Torá - que será lida, por inteiro, no Shabat seguinte. A leitura da Torá é elemento fundamental da cerimônia, já que receber uma aliá - ou seja, ser chamado a ler a Torá - é uma dádiva espiritual que só pode ser dada a um judeu que já tenha completado 13 anos de idade. Na tradição sefaradita, a cerimônia do Bar-Mitzvá tem início com a colocação de um novo talit - O xale ritual sagrado que envolve os homens durante as rezas - sobre o qual o jovem recita bênçãos que são seguidas pelo shecheheianu - a berachá tradicional de agradecimento a D´us por nos ter dado o privilégio de estar vivenciando tal data. 

Sabedoria e ética:

A partir do Bar-Mitzvá, os sefaraditas sempre usam o talit durante as rezas da manhã. Em algumas comunidades asquenazitas, os homens judeus passam a rezar com o talit apenas após se casarem. A cerimônia do Bar-Mitzvá continua com a colocação dos Tefilin - os filactérios de couro. O mandamento do Tefilin, um dos mais importantes da Torá, constitui um elemento fundamental do Bar-Mitzvá, pois, com raras exceções, os Tefilin só são usados depois que o jovem completa 13 anos de idade. A partir do Bar-Mitzvá serão colocados todos os dias, à exceção de Shabat e dos Chaguim, os dias das Festas. Os Tefilin ligam os judeus a D´us, além de proteger e abençoar aquele que os portam. São o próprio símbolo do Bar-Mitzvá e de tudo que essa data religiosa implica. Os Tefilin são colocados no braço, junto ao coração, e sobre a cabeça, simbolizando a razão. A tira de couro que amarra o braço é passada sete vezes em torno deste. Na cerimônia do Bar-Mitzvá, costuma-se dar aos avós o cavod, isto é, a honra, de darem as primeiras voltas em torno do braço seguidas de outros familiares ou convidados que mereçam tal honraria. Entre os sefaradim as mulheres costumam jogar confeitos de amêndoas sobre o jovem Bar-Mitzvá quando ele acaba de ler a Torá, pela primeira vez, para lhe trazer boa sorte. Ao terminar a leitura, o jovem é saudado pelos presentes com os votos de Besiman Tov, como um bom augúrio, significando o desejo de que aquela aliá seja um presságio para futuras bênçãos e alegrias em sua vida. Algumas comunidades também abençoam o jovem com as seguintes palavras: "Que tenhamos a graça de o ver sob a chupá, o pálio nupcial, com seu pai e sua mãe e com todos seus familiares, em boa saúde".




Após a leitura da Torá, existe o hábito do jovem pronunciar um discurso para mostrar a sua sensibilidade em entender os comentários dos Textos sagrados, afirmar seu compromisso com o judaísmo e assumir seu lugar na comunidade. A cerimônia do Bar-Mitzvá continua no Shabat. Em algumas comunidades, o jovem conduz as orações de Shabat na sinagoga. O essencial, porém, é que ele seja novamente chamado para ler a Torá e, logo após, a Haftará, que é um trecho tirado dos Livros dos Profetas, relacionado ao assunto da Perashá da semana. É importante ressaltar que, aos 13 anos de idade, um jovem se torna Bar-Mitzvá ainda que não seja celebrada a cerimônia. A razão para tal é que todo judeu, nessa idade, se torna "filho da mitzvá" - isto é, responsabiliza-se pelo cumprimento da Lei Judaica. A cerimônia tem grande valor espiritual, mas ela por si só não define a maioridade religiosa. Muitos judeus que não tiveram a oportunidade de celebrar o Bar-Mitzvá aos 13 anos de idade - ou, no caso das meninas, seu Bat-Mitzvá, aos 12 - fizeram-no mais tarde, em fase posterior de sua vida. Como um exemplo de que o vínculo de um judeu com D'us e Seus Mandamentos é eterno, o famoso ator judeu Kirk Douglas celebrou seu Bar-Mitzvá pela segunda vez, aos 83 anos de idade, como uma demonstração de seu retorno à prática do judaísmo. Fase de transição A transição mais importante na vida de um judeu, além do casamento, é seu Bar-Mitzvá. O dia do Bar-Mitzvá, data hebraica do 13º aniversário do jovem, é o momento no qual ele se torna um emissário de D'us, comprometido com o cumprimento dos Mandamentos Divinos, as mitzvot (Mishná - Avot, 5.21). A palavra mitzvá possui mais um significado, além do termo mandamento - "conexão". Tal sentido implica que no dia de seu Bar-Mitzvá é estabelecida uma verdadeira conexão entre o jovem judeu e o Todo-Poderoso. O número 13 é numericamente equivalente à palavra "echad", cuja tradução é "um". Esta unidade é demonstrada pelo fato de que após o seu Bar-Mitzvá o menino já pode ser contado como um membro do minián, o quorum mínimo de dez homens necessário para a realização das orações em grupo. Como vimos, o dia do Bar-Mitzvá marca uma mudança na maneira de aprender e colocar em prática os mandamentos. 



Como recompensa divina por seu cumprimento, o jovem é abençoado com novas forças físicas e espirituais. Nessa data, ele recebe um novo mazal, uma nova força espiritual que, quando corretamente canalizada, lhe trará grandes bênçãos e lhe permitirá realizar grandes atos. Alguns jovens "acordam" diferentes na manhã de seu Bar-Mitzvá. Olham-se no espelho, à procura de algum sinal novo de barba em seu rosto imberbe ou alguma outra mudança em sua fisiologia. É possível que leve mais alguns meses para que haja alguma mudança visível. O que ocorre é mais sutil, é um outro tipo de maturidade. Pois, segundo nossos textos místicos, é a partir do Bar-Mitzvá que um jovem passa a se deparar com um lado mais profundo de sua personalidade, até então desconhecido. Após o Bar e Bat-Mitzvá, os jovens entram na adolescência, a época dos conflitos. Mas, também, é quando, os jovens vão tendo percepção de outras realidades - a voz da alma começa a se manifestar enquanto desponta diante deles o mundo espiritual. É quando se inicia a busca por um significado maior na vida e por uma conexão entre os seus diversos aspectos. É quando o jovem se defronta com a sua própria personalidade em uma dimensão sobre a qual jamais pensara. É justamente essa percepção que faz do jovem um ser "adulto" responsável e capaz de conviver harmoniosamente em um mundo complexo e conflitante, cumprindo sua missão de acordo com o pacto assumido por nosso povo com D'us. 

Bibliografia: The Encyclopedia of Judaism, Geoffrey Wigoder Entering Adulthood - the Bar and Bat-Mitzvah, Aron Moss The Significance of a Bar-Mitzvah, Rabbi Nissan Dovid Dubov A Treasury of Sephardic Laws and Customs, Rabbi Herbert C. Dobrinsky

SEXO: UMA VISÃO JUDAICA




Gostaria de saber o que significa o sexo no judaísmo, se é permitido antes do casamento, se é uma obrigação manter-se virgem…

RESPOSTA:

Toda a energia e potencial de um judeu devem ser canalizados para ações positivas. Isto inclui todas as áreas de sua vida, inclusive seu relacionamento íntimo. Este é consagrado através do casamento judaico, onde Kedushin – santificação Divina - celebra o encontro entre duas metades da mesma alma. Este é um momento único e especial e ao entender sua verdadeira dimensão, tanto o rapaz quanto a moça judia certamente esperarão para que sua intimidade seja compartilhada com a pessoa certa, no momento apropriado e com as bênçãos de D'us. Não é a virgindade o grande "X" da questão. Ela é apenas uma consequência comportamental, tanto entre jovens como entre todos àqueles que aplicam a Torá em suas vidas. O relacionamento íntimo vai muito além da superfície. Há um momento apropriado no relacionamento capaz de atingir uma dimensão muito mais elevada e significativa, e isto ocorre através do casamento judaico. Não é uma tarefa fácil, mas aproveitar a vida, para muitos jovens que têm retornado ao caminho de Torá e mitsvot, passa a ter um sentido natural e mais significativo em todas as áreas da vida. Um benefício, não um sacrifício, visando uma recompensa muito maior. A Torá coloca o homem em um patamar elevado, mas cabe somente a ele fazer suas opções: elevar-se ou cair em um abismo. Sexo pode se transformar em um ato extremamente sagrado e elevado, mas ao mesmo tempo pode se tornar o ato mais promíscuo e degradante possível. Um ser humano é capaz de sacrificar-se visando a objetivos mais elevados. Seus bons hábitos formarão seu caráter. Para o judeu, cada mitsvá, cada princípio elevado da Torá que rege sua vida refinam seu corpo e sua alma conectando-o não apenas ao aspecto físico de sua existência neste mundo, como ao mundo infinito, sua própria essência. As escolhas que você fizer …farão você. 

Fonte: Chabad

13 de março de 2012

CORPO: O INVÓLUCRO DA ALMA

Pelo Rabino Shamai Ende – do livro “Os Últimos Momentos”




O corpo judaico tem em si uma santidade especial por ter sido este um invólucro para alma, por este motivo ele deve ser tratado com respeito. Muitos judeus, que mesmo que por qualquer motivo não foram praticantes durante a vida, não abrem mão de serem enterrados em um kever Yisrael (cemitério judaico), fazendo de tudo para poder cumprir pelo menos esta Mitsvá. Muitos judeus em nossa história colocaram em risco a própria vida para garantir o enterro de parentes ou conhecidos em cemitérios judaicos. O motivo para tanto é por que após a morte a alma se encontra no mundo da verdade, e todo judeu sabe que a verdade se encontra no cumprimento da vontade Divina. Qual é o motivo para darmos tanta importância ao corpo judaico se afinal de contas o principal é a alma e sem esta o corpo não deveria ter nenhum valor? Maimônides escreve em seus Princípios da Fé Judaica, que um dos fundamentos do judaísmo é acreditar que D’us irá ressuscitar os mortos na era pós-messiânica, devolvendo a vida a todos que cumpriram a sua missão enquanto estavam neste mundo, para que possam aproveitar dos prazeres Divinos da era messiânica e do mundo vindouro, que conforme a idéia de Nachmanides será neste mundo material. 



Na verdade, logo após o falecimento, a alma do justo adentra o Gan Eden (paraíso), desfrutando lá de um imenso prazer Divino, ficando lá para a eternidade. Sendo assim, por que motivo a alma deixará este ambiente para voltar a habitar o mundo material na era da ressurreição? A chassidut explica, que apesar da alma judia se encontrar num nível elevadíssimo, sendo considerada uma partícula Divina, o corpo judeu tem uma fonte Divina muito mais elevada, sendo que somente através dele podemos cumprir a vontade Divina, que é cumprir Suas Mitsvot justamente neste mundo material. Na época da ressurreição, será revelado o nível espiritual do corpo, sendo que a alma deixará o Gan Eden e todos seus prazeres para desfrutar de um prazer muito mais intenso que é a verdadeira recompensa das mitsvot, que se dará justamente neste mundo material, com a alma dentro de um corpo. Daqui entendemos realmente a importância do corpo judaico. 

Fonte: Chabad

FALECIMENTO: A MANEIRA JUDAICA DE MORRER


Por Rabi Maurice Lamm






CEMITÉRIO COMUNAL ISRAELITA DO CAJÚ - ZONA PORTUÁRIA DO RIO DE JANEIRO 

Um funeral judaico é uma cerimônia de calma dignidade; uma mortalha branca é usada tanto pelos ricos como pelos pobres, um caixão simples de madeira, um enterro rápido sem ostentação são alguns dos costumes simples que predominam.

A morte é a crise da vida. A maneira de um homem lidar com a morte indica muito sobre sua atitude para com a vida. Assim como há um estilo judaico de vida, também existe um estilo judaico de morte.

Da mesma forma que a maneira judaica de viver é uma perspectiva distinta e um estilo de vida singular específicas de D'us, assim também a maneira judaica de morrer implica atitudes singulares em relação a D'us e a natureza, e relativamente ao problema do bem e do mal.


Há também uma maneira distintiva de demonstrar as qualidades específicas judaicas de reverência pelo homem e respeito pelos mortos.

Por exemplo, a proibição tanto da cremação (a eliminação rápida e não natural do corpo) e o embalsamamento (a preservação não natural do corpo), mostram uma filosofia do homem e seu relacionamento com D'us e com a natureza.

– A repugnância pela mutilação de um corpo expressa reverência pelo homem, porque este foi criado à imagem de D'us.

– O banimento da necromância está baseado em conceitos teológicos muito exatos de criatura e Criador.

– O mandamento de enterrar os mortos sem delongas traça uma linha muito fina porém clara entre a reverência pelos mortos e veneração pelos mortos.

O profundo discernimento psicológico implícito nas altamente estruturadas observâncias judaicas do luto falam com eloqüência sobre a preocupação do Judaísmo pela integridade psicológica da personalidade humana.

Preparação do corpo

"Assim como veio, ele deve ir," diz Cohêlet.

Assim como um recém-nascido é imediatamente lavado e entra neste mundo limpo e puro, também aquele que parte deste mundo deve ser limpo e purificado através do ritual religioso chamado taharat, purificação.

O taharat é realizado pela Chevra Kadisha (Sociedade Sagrada, i.e., Sociedade Funerária), consistindo de judeus instruídos na área de deveres tradicionais, que podem mostrar o respeito adequado pelo falecido.

Além da limpeza física e preparação do corpo para o enterro, eles também recitam as preces apropriadas exigidas, pedindo perdão a D'us pelos pecados que o falecido possa ter cometido, e rezam para que D'us o guarde e lhe conceda a paz eterna.

A tradição judaica reconhece a democracia da morte. Exige, portanto, que todos os judeus sejam enterrados no mesmo tipo de veste – uma mortalha branca simples. Ricos ou pobres, todos são iguais perante D'us, e aquilo que determina sua recompensa não é a roupa que vestem, mas aquilo que são. Há quase 2.000 anos, Rabi Gamaliel instituiu essa prática para que os pobres não ficassem envergonhados e os ricos não exibissem o custo de suas roupas do funeral.





As roupas a serem vestidas devem ser apropriadas para alguém que está perto de ficar em julgamento perante D'us Todo Poderoso, Mestre do universo e Criador do homem. Portanto, elas devem ser simples, feitas à mão, perfeitamente limpas e brancas. Estas mortalhas simbolizam pureza, simplicidade e dignidade.

A Torá, em sua sabedoria, exigiu que o enterro ocorresse o mais rápido possível depois da morte.

O conceito religioso incluído nesta lei é que o homem, feito à imagem de D'us, deve receber o mais profundo respeito. É considerada uma questão de grande constrangimento e descortesia deixar o falecido sem enterrar – sua alma retornou a D'us, mas seu corpo é deixado na terra dos vivos.

A Lei Judaica é inequívoca ao estabelecer de maneira absoluta que os mortos devem ser enterrados na terra. O corpo do homem retorna ao pó como era. A alma sobe a D'us mas o abrigo físico, os elementos químicos que revestiam a alma, mergulham no vasto reservatório da natureza.

"Pois do pó vieste, e ao pó retornarás" (Bereshit 3:19) é o princípio guia no que tange à escolha dos caixões, que deve ser completamente feito de madeira.

A Torá nos diz que Adam e Eva se esconderam entre as árvores no Jardim do Éden quando escutaram o Divino julgamento por terem cometido o primeiro pecado. Disse Rabi Levi: "Este foi um sinal para seus descendentes de que, quando morrerem e estiverem preparados para receber sua recompensa, devem ser colocados em caixões de madeira."

Costumes não-judaicos

A cremação jamais é permitida. O falecido deve ser enterrado, corporalmente, na terra. É proibido – em toda e qualquer circunstância – reduzir o morto a cinzas num crematório. É um ato ofensivo, pois violenta o espírito e a letra da lei Judaica, que nunca, no passado, sancionou a antiga prática pagã de cremar o corpo.

A abominação judaica da cremação já foi registrada por Tácito, o historiador romano do Primeiro Século EC, que fez uma declaração sobre aquilo que parecia uma característica distintiva dos judeus enterrarem, e não cremarem, os seus mortos.

Nos dias antigos, o Talmud nos informa, flores e especiarias perfumadas eram usadas no funeral para disfarçar o odor do corpo em decomposição. Hoje, isso não é mais essencial e não devem de maneira alguma ser usados em funerais judaicos.

É muito melhor homenagear o falecido fazendo uma contribuição a uma sinagoga ou hospital, ou a uma associação de pesquisa médica para a doença que afligiu o falecido. Este método de tributo é mais duradouro e significativo.

Atualmente, as flores são usadas basicamente em funerais cristãos; este é considerado em ritual não-judaico e deve ser desencorajado.

Outro costume que definitivamente é estranho e proibido ao Judaísmo é a exposição dos restos mortais, claramente uma prática religiosa cristã.

No Judaísmo, o local para oferecer condolências é em casa, durante os sete dias especiais de luto chamados shivá.


O Serviço do Funeral

A expressão judaica mais notável de dor é quando o enlutado rasga as próprias roupas antes do funeral.

Quem deve rasgar as roupas?
Sete parentes estão obrigados a desempenhar esta prática: filho, filha, pai, mãe, irmão, irmã e cônjuge.

Eles devem ser adultos acima da idade de treze anos. Menores, que sejam realmente capazes de entender a situação e avaliar a perda, podem ter as roupas rasgadas por outros parentes ou amigos.

Cônjuges divorciados podem cortar as roupas, mas não são obrigados.

O serviço de funeral é breve e simples, designado basicamente para homenagear a dignidade do falecido. O serviço consiste em:
– Ler uma seleção de Tehilim (Salmos) apropriada à vida do falecido.
– Fazer uma eulogia de suas boas qualidades que os sobreviventes procurarão implantar em sua própria vida.
– Uma prece memorial pedindo a D'us que abrigue sua alma "nas asas da Divina Presença".

Leis durante e após o Sepultamento

As pessoas que estão colocando terra na sepultura devem tomar cuidado para não passar a pá ou a enxada de mão em mão, mas sim, fincá-la na terra.

• Aqueles que estiverem presentes ao enterro devem formar duas filas, como um corredor, por onde os enlutados deverão passar. Aqueles que formarem o corredor devem recitar a tradicional prece de consolação: "Hamacom yenachem etchem betoch shear avelê Tsiyon Virushaláyim" "Que D’us te conforte entre os outros enlutados de Sion e Jerusalém."

• É uma mitsvá acompanhar o falecido até o cemitério.

• Se for incapaz de ir até o cemitério, a pessoa deve caminhar pelo menos uma distância de 2 ou 3 metros acompanhando o corpo.

• É importante que um grupo de no mínimo de dez homens adultos (a partir de 13 anos) esteja presente no cemitério, para que haja um minyan para o cadish.

• É uma grande mitsvá fazer um discurso apropriado ao falecido, mencionando seus bons traços de caráter (que seja sincero e contenha verdades, caso contrário torna-se prejudicial ao orador e ao falecido). O objetivo primordial do panegírico é honrar o falecido. Falamos também sobre seus pais e família, Se o falecido deixou instruções de que preferia não ser louvado, sua vontade deve ser feita.

• É uma mitsvá chorar e prantear pelo falecimento de uma pessoa justa. D’us conta e entesoura as lágrimas derramadas quando um justo se vai.

• A presença de um corpo morto é considerada uma fonte de impureza ritual. Por este motivo, um cohen não pode permanecer na presença de um cadáver, fazer visitas ou ir a enterro no cemitério, a menos que seja o enterro pelos seus pais. Um cohen deve ser cercado por um círculo de pessoas de mãos dadas ou um material como uma cerca a sua volta para poder visitar algum túmulo ou permanecer no cemitério.

• No cemitério, o cohen falecido é enterrado próximo aos portões do cemitério, para que seus parentes não se profanem caminhando perto de outros túmulos.

• É importante que homens e mulheres não se misturem durante os panegíricos ou a procissão fúnebre.

• É proibido retardar um sepultamento, pois é prejudicial ao falecido, podendo causar sofrimento a sua alma. Somente em situações realmente necessárias é permitido um breve adiamento caso estejam ainda preparando os detalhes da sepultura ou para que parentes próximos que se encontram em outras localidades possam comparecer ao funeral. (Não realizamos o sepultamento no final da tarde de sexta-feira se isso puder causar a profanação do Shabat.)

• É necessário consultar um rabino ortodoxo competente antes de retardar um funeral.

• Para os pais, é adequado expandir os elogios em sua honra.

• O correto é que apenas judeus estejam envolvidos nos cuidados e no transporte do corpo.

• A pessoa é obrigada a interromper até o estudo de Torá a fim de acompanhar o falecido.

• Costuma-se recitar capítulos especiais doTehilim durante o funeral.

• Utiliza-se um caixão de madeira, mas é preferível minimizar a madeira e mesmo as mortalhas, para que o falecido fique o mais próximo possível do solo.

• O falecido é deitado de costas, como alguém que está dormindo.

• Pedimos perdão ao falecido, no caso de não termos mostrado o respeito adequado.

• Costuma-se não passar as pás de uma pessoa a outra, para demonstrar que não passamos tristeza a outras pessoas; pousa-se a pá e esta então é apanhada do chão.

• Não se pode agir de maneira descuidada no cemitério, o que inclui: não comer, não beber, não fumar [Yalkut Yossef], não tratar de assuntos de negócios.

• É proibido usar passagens entre os túmulos como atalho.

• De forma geral, é proibido abrir um túmulo depois de este ter sido fechado.

• É costume após o enterro, ao sair do cemitério, arrancar um pouco de grama, para demonstrar que o falecido brotará de novo à vida quando da ressurreição dos mortos (Techiyas Hametim ) e jogá-la por cima do ombro direito para trás e recitar o seguinte: "Veyatsisu me'ir keêssev haáretz; zachur ki afar anáchnu" (Tradução: “Que eles (os falecidos) brotem (ressuscitem) como as plantas da terra”.

Obs: Se o sepultamento ocorrer em Chol Hamoed, não se pode arrancar a grama.

Ao sair do cemitério cada pessoa deverá fazer netilat yadáyim (ablução das mãos). O costume é de não enxugar as mãos após a netilá, porém nos dias frios pode-se enxugá-las. Não se costuma passar a caneca de netilat para outra pessoa após usá-la para mostrar que não passamos tristeza a outras pessoas. A caneca deverá ser colocada com a abertura para baixo, indicando que toda vida chegará ao fim.


Fonte: Chabad