14 de março de 2012

OS CROMOSSOMOS DE ABRAÃO

Um trecho do novo livro do Rabino Yakov Kleiman: “DNA and Tradition: The Genetic Link to the Ancient Hebrews” À procura do "Avraham" histórico




De acordo com as tradições escritas e orais das três maiores religiões do mundo Ocidental, Avraham foi uma pessoa real que viveu no Oriente Médio há quase 4,000 anos atrás. Conforme cada respectiva tradição, ele foi o primeiro dos Pais do povo judeu, originou as nações árabes e o Islã e deu a base conceitual para o Cristianismo. A tradição conta que pode ter influenciado também as religiões orientais. Abraão foi o primeiro a ser chamado de hebreu "Ivri", um nômade, que ia de um lugar a outro. E recebeu este nome, pois realmente cruzou o Rio Eufrates, hoje em dia Iraque, quando viajou para a Terra Prometida a chamado de D'us. Filosoficamente, ganhou a distinção como um hebreu por sua clareza de verdade, pois enquanto o mundo inteiro tinha uma opinião, ele tinha outra. De acordo com o Talmud, ele nasceu num mundo que tinha perdido o reconhecimento de um só D'us, o Criador, Sustentador, e Supervisor do universo. Ele reconheceu bem cedo em sua infância que havia um só Criador que move todas as coisas. Não era uma opinião popular no momento, mas como lutava pela verdade e liberdade, deu sua vida para tal fim, ou seja, sustentando esta convicção. Em sua vida, enfrentou e passou freqüentemente por testes importantes avaliando sua força, convicção e compromisso com sua visão da verdade e unicidade de D'us. O povo judeu considera Avraham como seu antepassado original, o pai de Isaac, e o avô de Jacob. Avraham também é venerado como o antepassado das nações árabe e Islã, pois também era o pai de Ishmael, seu filho por parte de Hagar, Princesa egípcia criada de Sara. O Alcorão reporta que Avraham e Ishmael criaram as fundações da Kaaba, a estrutura de pedra preta em forma de cubo em Meca, na Arábia saudita, que é o santuário mais sagrado do Islã. Durante a peregrinação anual a Meca, os muçulmanos do mundo inteiro rodeiam a Kaaba reforçando o papel central de Avraham e Ishmael na fé islâmica. O Cristianismo também considera Abraão um Patriarca. Ele é o pai do monoteísmo, o progenitor da religião Ocidental.




Será que as pesquisas genéticas recentes podem dar alguma indicação da existência do Avraham histórico? Recentes estudos genéticos do povo judeu indicam claramente que as origens da nação judaica podem ser traçadas no Oriente Médio. Esta pesquisa confirma a origem geográfica da essência de todas as maiores comunidades da Diáspora judaica. Além disso, a descoberta do "Gene do Cohen", a assinatura genética compartilhada pela maioria dos Cohanim, a família sacerdotal mundial judaica é uma indicação de que esta assinatura é a dos hebreus antigos. Baseado no DNA dos Cohanim de hoje, os geneticistas dataram seu " Mais Recente Antepassado Comum" em 106 gerações atrás, aproximadamente 3,300 anos antes do tempo atual. O que está de acordo com a tradição escrita e oral da Torá da vida de Aaron, o sumo-sacerdote e fundador da linhagem Cohen. Os estudos genéticos complementares viram que o CMH, o tipo haplóide modal de Cohen (Cohen Modal Haplotype), um tipo haplóide do grupo haplóide MED (J), não é exclusivo dos Cohanim e não é unicamente dos judeus. Também é encontrado em porcentagens significaticas entre outras populações do Oriente Médio e em menor porcentagem em meio a grupos do sul do Mediterrâneo. Um tipo haplóide é um grupo de marcadores distintos de DNA, ou seja, mutações neutras do nucleotídeo, que quando encontradas juntas indicam uma linhagem. Estes marcadores particulares foram descobertos no Cromossomo Y, que é passado de pai para filho sem mudança, estabelecendo, deste modo, um padrão de linhagem paterna. Todo o que foi explicado acima é um fato científico que somente ficou conhecido atualmente, há poucos anos. Usando este fato como base, talvez possamos especular e considerar algumas implicações destas descobertas. Se o CMH é a assinatura genética de Aaron, o pai dos Cohanim, deve também ter sido a assinatura genética do pai do Aaron, Amram, e por sua vez, de seu pai, Kehat, e por sua vez, de seu pai, Levi. O pai de Levi era Jacob, que também deveria ter o CMH como marca genética do Cromossomo Y como seu pai, Isaac. Assim, chegamos a Avraham. Avraham está sete gerações afastadas de Aaron, em torno de mais ou menos cem anos. As assinaturas genéticas se modificam somente depois de muitas gerações. Deste modo, é razoável assumir que o CMH, o tipo haplóide mais comum em meio aos homens judeus, também é a assinatura genética do Patriarca Avraham. Isto explica por que também encontramos o CMH em números elevados em meio a árabes e outros povos do Oriente Médio hoje. Estas pessoas afirmam tradicionalmente serem descendentes de Avraham através de seu filho Ishmael, que neste caso também levava a assinatura genética masculina de Avraham. Estes marcadores são encontrados também entre os povos do sul do Mediterrâneo e europeus.




Além dos judeus existem outras populações que compartilham "A assinatura Genética de Avraham" com seus marcadores Y. Estas incluem libaneses, sírios, curdos iraquiano, alguns Italianos e húngaros. Também é encontrado em alguns armênios. Estes devem ser os descendentes de Avraham através de seu neto Esau, irmão de Jacob, uma pessoa cuja descendência, de acordo com tradição talmúdica, fundou as primeiras raízes do império de Roma. Como filho de Isaac e neto de Abraão, Esau também teria estes mesmos cromossomos-Y, marcadores da linhagem. Os Cohanim judeus mantiveram a linhagem de Avraham ao mais alto grau entre o povo judeu. Judeu não é uma definição genética, pois outras pessoas, por casamento e conversões se juntaram ao povo judeu. Porém, ser um Cohen é uma definição genética, de pai para filho a partir de Aaron, o sumo-sacerdote. E apesar de ter sido difundido ao longo do mundo por mais de 2,000 anos, a extensa família de Cohanim manteve sua integridade genética equivalente às elevadas porcentagens dos outros grupos do Oriente Médio que nunca deixaram a região. Com base no Antepassado Comum mais Recente dos Cohanim, há 3,300 anos atrás, não é exagero assumir que são os homens descendentes do Patriarca Avaraham que hoje em dia possuem esta assinatura de DNA. Embora Avraham não seja a fonte exclusiva destes marcadores, ele faz parte da maioria dos genes dos antigos povos do Oriente Médio. "Quanto a mim, será contigo a minha aliança; seras pai de numerosas nações...E Eu lhe farei fecundo, de ti farei nações, e reis procederão de ti." (Gênesis 17:4, 6) A promessa e a profecia de D'us a Avraham era de que ele seria o progenitor de grandes nações, e que seu descendentes, literalmente "suas sementes ", seriam numerosas "como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar," (Gênesis 22:17). E realmente o número de pessoas no mundo hoje com a "Assinatura Genética de Avraham" é muito amplo para se saber precisamente. Uma estimativa razoável está nas centenas de milhões. Este artigo é baseado em um capítulo do novo livro, DNA and Tradition: The Genetic Ling to the Ancient Hebrews. Biografia: O rabino Yaakov HaKohen Kleiman é um conferencista no Aish HaTorá de Jerusalém, especialista em estudos do Templo. Ele é co-diretor com o Rabino Nachman Kahana, do Centro Para Cohanim Nota de esclarecimento Haplotype: tipo haplóide ou monoplóide. Denota a quantidade de cromossomos no espermatozóide ou no óvulo, que é a metade do número nas células somáticas (diplóides). O prefixo Haplo- quer dizer único, simples. CMH: a sigla para "Cohen Modal Haplotype"; não existe correspondente em Língua Portuguesa, portanto continuou sendo CMH. 

Fonte: Aish Brasil

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