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27 de janeiro de 2019

O BRASIL DOS JUDEUS: O QUE OS BRASILEIROS SABEM SOBRE OS JUDEUS?


O judaísmo é considerado a religião monoteísta (que acredita em somente um Deus) mais antiga do mundo. Atualmente, existem judeus em quase todos os países do mundo, mas a maioria está localizada em Israel, Canadá e Estados Unidos.

HELENO DIZ QUE AVIÃO DE ISRAEL TRAZ EQUIPAMENTOS PARA IDENTIFICAR VÍTIMAS EM MINAS GERAIS


Netanyahu se reuniu na sexta-feira (25) com Bolsonaro. Esta é primeira vez em que um primeiro-ministro israelense vem ao Brasil, e marca uma aproximação entre o país, Israel e os Estados Unidos (fOTO: RONEN ZVULUN / POOL / AFP)

Segundo ele, o país traz toneladas de equipamentos de alta tecnologia para realizar as identificações e possivelmente resgatá-las. O ministro do Gabinete de Segurança Pública da Presidência (GSI), general Augusto Heleno, destacou durante entrevista ao final da reunião do Comitê de Crise para Brumadinho (MG) a ajuda oferecida pelo Governo de Israel ao Brasil no resgate de vítimas.

26 de janeiro de 2019

CIÊNCIA: MINISTRO MARCOS PONTES FAZ MISSÃO TÉCNICA A ISRAEL


Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações fará viagem para buscar tecnologias e parcerias para o Brasil

Ministro afirmou que entre as suas prioridades está contribuir com a qualidade de vida das pessoas - Foto: Bruno Peres/MCTIC. De 27 de janeiro a 1º de fevereiro, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, fará visita técnica a Israel para conhecer projetos de inovação e tecnologias estratégicas. As instalações de dessalinização de água estão entre os locais a serem conhecidos.

3 de junho de 2018

PERSONALIDADE: O JORNALISTA CARIOCA RONALDO GOMLEVSKY


Ronaldo Gomlevsky foi presidente da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro - FIERJ, cumprindo três mandatos alternados (84-86,86-88,92-94). Criou jornal, programas de rádio e de televisão comunitários

Ronaldo Gomlevsky é carioca, alucinadamente rubro-negro, empresário, advogado, jornalista, editor da Revista Menorah, do jornal eletrônico Menorah Rapidinhas, âncora do programa televisivo semanal de entrevistas e debates Menorah na TV e apresentador, além de motivador, do programa de debates Confronto-Metropolitana, no ar, diariamente, de 9 às 11 da manhã pela Rádio Metropolitana AM no Rio de Janeiro.

31 de janeiro de 2013

LIVRO: OS JUDEUS NO RIO DE JANEIRO


No dia 14 de maio de 1948, o líder do movimento sionista David Ben Gurion proclamava a independência de Israel: a fundação do Estado encerrava uma ambição cultivada havia séculos pelos judeus na Diáspora. Nada mais grandioso a ser perpetuado na memória judaica do mundo inteiro - nele, a semente do judaísmo espalhou-se, cresceu e multiplicou-se.

Justo no ensejo dos 50 anos de criação do Estado de Israel, Henrique Veltman sustenta a necessidade de preservação da memória judaica: "A História do Brasil", sentencia ele, "é essencialmente uma história judaica. A contribuição dos judeus à história brasileira é excepcional e precisa ser resgatada"

Essa é a proposição do mais recente livro de Veltman, "A História dos Judeus no Rio de Janeiro"- seguindo a rota traçada em "Histórias de Vovó Rachel - A Criação do Mundo", "Crônica do Judaísmo Carioca", "A História dos Judeus em São Paulo", vídeo "Os hebraicos da Amazônia".

O livro foi lançado no último dia junho de 1998, numa concorrida noite de autógrafos na Livraria Letras & Expressões, em Ipanema.

Veltman dedica o seu livro "aos muitos historiadores, professores e jornalistas que escreveram, direta e indiretamente, sobre a vida judaica no Rio de Janeiro", certamente imbuído desse espírito inerente a, por exemplo, Luiz Edmundo, João do Rio, Emílio de Menezes, Machado de Assis.

Faz com que saborosas histórias e descrições da vida carioca, nos séculos passados e no atual, recheiem sua narrativa da história propriamente dita dos judeus do Rio de Janeiro. A qual, segundo Henrique Veltman, "deve ser contada na verdade a partir do descobrimento do Brasil". Nada mais oportuno, portanto, por ocasião das comemorações dos 500 anos.
Em seu livro, Veltman evoca a presença de israelitas nas esquadras portuguesas no século XV e nos primeiros tempos da colonização; retrata as relações do imperador D.Pedro II com a comunidade judaica, a integração dos imigrantes com o "bota-abaixo" de Pereira Passos e a reformulação arquitetônica da cidade, no início do século XX, sua inserção na vida literária, artística e social do Rio; descreve a visita de Albert Einstein, em 1925, a chegada de famílias que passaram a ter papel de destaque, a contribuição ao esforço de guerra contra a Alemanha e a presença de judeus nos pelotões da FEB; informa sobre a convivência dos judeus com o Estado Novo; descreve usos e costumes, aborda tendências políticas, dedica um capítulo à comida judaica, indicando até restaurantes, e enfatiza "a alma encantada das ruas", ao relacionar as muitas ruas avenidas, praças e obras públicas da cidade que ostentam nomes judaicos ou ligados ao judaísmo.
Henrique Veltman foi o jornalista responsável da revista O Hebreu, fundada em 1980 por Eliahu Chut.  Henrique Veltman ocupou durante quase 20 anos as principais páginas da revista, com seus comentários e informações. No Rio de Janeiro, em 1960, na companhia de um grupo de jovens jornalistas israelitas, fundou "Menorah" que existe ainda hoje, sob a forma de revista mensal. A pedido do Instituto Brasileiro de Cultura Judaica, o braço brasileiro do American Jewish Committee, escreveu para a revista "Comentário", em 1965, na edição comemorativa do IV Centenário do Rio de Janeiro, a "Crônica do Judaísmo Carioca", reproduzida, anos mais tarde, pelo Jornal Israelita, também do Rio.
Em São Paulo, foi incumbido pela Federação Israelita de coordenar as comemorações do Iom Haatzmaut de 1971. No ano seguinte, foi indicado diretor da Federação. Em 1973, por ocasião da Guerra do Iom Kipur, coordenou o trabalho conjunto da imprensa judaica, de informação imediata à Comunidade dos fatos que ocorriam nas frentes de batalha. Ainda em 1973, convocou a reunião preliminar dos profissionais judeus brasileiros da área de Comunicação, em São Paulo. Desta reunião nasceu um trabalho permanente de intercâmbio, principalmente dos jornalistas.
Em 1974, foi eleito diretor da Organização Sionista do Brasil, presidida na época pelo prof. Bóris Blinder Z'L'. Em 1976, participou do Congresso Sionista, em Jerusalém, como delegado da Tnuat Aliá do Brasil. Sua intervenção em plenário está registrada nos Anais do Congresso. No regresso ao Brasil, foi eleito sucessivamente para a Secretaria Geral da Tnuat Aliá em S.Paulo e Tnuat Aliá do Brasil.

Foi diretor de divulgação de A Hebraica, em 1972. É membro honorário do Kibutz Bror Hail. É membro do Avodá, no Brasil.

“Que sorte a nossa de contar com um jornalista e escritor do gabarito de Henrique Veltman para pesquisar e recontar a saga dos imigrantes judeus que vieram para o Rio de Janeiro. Através das páginas dos seus livros, recordam-se os fatos, resgata-se a memória, registra-se a história” - Rabino Henry I. Sobel

“Henrique Veltman lança agora “A História dos Judeus no Rio de Janeiro. Trata-se de um estudioso da memória judaica no Brasil. Em 1983, já havia feito, por encomenda do Beth Hatefutsot (museu da Diáspora de Tel Aviv) uma pesquisa sobre os israelitas na Amazônia. Em 1986, pesquisou e produziu o documentário “Marrocos, uma nova África”. Neste seu novo livro, ele aborda os mil e um aspectos da contribuição dos judeus na formação da sociedade carioca” - Murilo Melo Filho, Manchete

13 de janeiro de 2013

NA ADOLESCÊNCIA: MÃE PROCURA FILHO DADO PARA ADOÇÃO NO LITORAL CATARINENSE

Fonte: Diário Catarinense

Órfãos do Brasil - 03/10/2012

Aos 15 anos *Maria ficou grávida do seu primeiro filho quando morava na cidade de Lages, região serrana do Estado, e a gravidez precoce gerou desespero na família. A vizinha dela apresentou um advogado chamado Carlos e sua mulher, Carmem. Eles moravam em Camboriú, litoral catarinense e se ofereceram para levar o filho de Maria a uma família em Joinville. 



A angústia sem face: A mulher preferiu não se identificar, pois teme a retaliação de familiares

Dias antes do parto, Miriam foi levada a chácara do casal em Camboriú. De lá, a garota foi para a maternidade Chiquinha Galotti, em Tijucas, na Grande Florianópolis, onde deu luz ao bebê. Dias depois voltou para Lages, sem a criança.

Ela lembra que o casal ainda combinou com os pais dela para assinarem os documentos da adoção, mas nunca mais fizeram contato. Maria conta que os documentos da criança ficaram com o casal que fez a adoção.  
Familiar: Maria                                                                               
Parente que procura: filho      
Cidade: Tijucas  
Hospital: Chiquinha  Galotti   
Nasceu:14 junho  de  1984 
                                                                                                                   
* Maria teve seu nome trocado pois prefere não se identificar.
Versão inglês:
When she was fifteen, Maria* had her first child in Lages and the early pregnancy caused despair in her family. Her neighbor knew a lawyer called Carlos and his wife Carmem, who used to live in Camboriú and had offered to take the child to a family in Joinville. 

Days before giving birth, Maria were left to the family ranch. From there she went to Chiquinha Galotti Maternity, in Tijucas, where she gave birth. A few days later she went back to Lages without the child. 

She remembers the couple arranged with her parents to sign the adoption papers, but they never made contact again. Maria has no documents of the child.
Relative: Maria
Looking for:
Son City: Tijucas
Hospital: Chiquinha Galotti
Date of birth: June 14, 1984
* Maria had her name changed because prefers to remain anonymous   
Versão em hebraico:
 בגיל 15, נולד למרים* הבן הראשון, בעיר לאז`ס. ההריון בגילה הצעיר גרם צער רב למשפחה. שכנה שלהם הכירה את עורך הדין, קרלוס, ואשתו, כרמן, אשר התגוררו בקאמבוריו והציעו לקחת את הילד למשפחה בג`וינווילה. מספר ימים לאחר הלידה, מרים נלקחה לאחוזת הזוג בקאמבוריו. משם היא יצאה לבית היולדות צ`יקיניה גאלוטי, בטיז`וקס  שם ילדה. כמה ימים אחר כך היא חזרה ללאז`ס ללא הילד. היא זוכרת שהזוג קבע חתימת מסמכי אימוץעם הוריה, אך מעולם לא יצר קשר. למרים אין אף מסמך של הילד. 
בת משפחה: מרים
מחפשת אחר: בן
בית חולים: צ`יקיניה גאלוטי
תאריך לידה: 14 ביוני, 1984

MÃE SE ARREPENDE E BUSCA FILHO DADO PARA ADOÇÃO LOGO APÓS O NASCIMENTO

Fonte: Diário Catarinense

Órfãos do Brasil03/10/2012 | 16h34

Bebê teria sido entregue a cartorária em Rio do Sul, no Alto Vale de Itajaí, em Santa Catarina


Nena espera há 27 anos para reencontrar o filho (Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal)

Nena como é conhecida pelos amigos, entregou seu filho para adoção em 1985. A criança nasceu no hospital e maternidade Samaria, em Rio do Sul. Na época com 19 anos, Nena dormia na rua porque a família não aceitava a gravidez. Durante o dia, ganhava comida e ajuda da irmã. 

Ela conta que quando seu filho nasceu não tinha onde ficar. Desesperada resolveu aceitar a oferta de uma mulher dona de um cartório em Rio do Sul. Nena escutou a promessa que poderia manter contato com o filho, mas depois do dia 29 de outubro daquele ano, quando entregou a criança, nunca mais teve notícias.

Familiar: Marcia Aparecida Machado

Parente que procura: filho

Cidade: Rio do Sul.

Nasceu em: 09 de outubro de 1985

Versão em inglês: 

Nena, as she is known by friends, gave her son up for adoption in 1985. The child was born in Samaria Hospital. In that time, she was nineteen and used to sleep out on the streets because her family didn't accept the pregnancy. During the day, she was aided by her sister. 

She tells that when her son was born she didn't have a place to sleep. Desesperate, she decided to accept the offer of a woman, who was owner of a register office in Rio do Sul. The woman said she could be in touch with her son, but after October 29, whe, she gave the child up, she never heard about her son again.

Relative: Marcia Aparecida Machado

Looking for: Son

Date of birth: October 9, 1985

City: Rio do Sul   

Versão em hebraico: 

ננה, כפי שהיא נקראת בפי חבריה, מסרה את בנה לאימוץ ב-1985. הילד נולד בבית החולים והיולדות סמריה. באותה תקופה, כשהיתה בת 19, ישנה ברחובות משום שמשפחתה לא קיבלה את הריונה. במשך היום, קיבלה אוכל ועזרה מאחותה. היא מספרת שכשבנה נולד, לא היה לה מקום לינה. מתוך יאוש, החליטה לקבל אתהצעתה של בעלת משרד רישום בריו דו סול. ננה קיבלה הבטחות שתוכל לשמור על קשר עם הילד, אך מאז ה-29 באוקטובר, כשמסרה את הילד, לא שמעה עליו דבר.

בת משפחה: מריה אפרסידה משדו

מחפשת אחר: בן

עיר: ריו דו סול

תאריך לידה: 9 באוקטובר, 1985

10 de janeiro de 2013

BRASILEIRO CRIADO EM ISRAEL DESCOBRIU POR ACASO QUE FOI ADOTADO DE FORMA ILEGAL

Para psicólogos, adoção "torta" pode provocar traumas

Fonte: Diário Catarinense
Mônica Foltran, enviada especial/Israel

Aos 15 anos de idade, Ron Yehezkel descobriu que não sabia nada sobre sua origem. A crescente desconfiança de que era adotado foi confirmada quando encontrou no quarto dos pais os papéis do registro em cartório oficializando sua entrega por parte da mãe biológica para a família europeia. A revelação caiu como uma bomba em sua vida. Seu passado de repente se tornou obscuro. Passou a se sentir estranho e sozinho. Angustiado procurou seus pais mas, eles apenas confirmaram a adoção e se negaram a falar sobre o assunto.
- Eu criei coragem para confrontar meus pais sobre esse assunto, e eles admitiram que eu sou adotado. Mas, até hoje, não querem cooperar, contar mais coisas - diz Yehezkel em sua casa em Haifa, Israel.
Com os documentos em mãos, começava então uma longa busca por respostas. Ron procura pela família biológica no Brasil há 11 anos. Em Pelotas, no Rio Grande do Sul onde nasceu, surgiu a primeira pista em março deste ano. A moradora na cidade, Ceci Gomes da Silva, 68 anos, viu uma foto de Yehezkel em um jornal local e o achou parecido com um filho seu, também adotado. Foram enviadas para ele fotos de um suposto irmão, Giovane Gomes da Silva, 30 anos, que trabalha como segurança na Capital.
- Vejo algo nos olhos dele que se parece com os meus. Gostaria de fazer um teste de DNA e, caso positivo, estaria disposto a viajar ao Brasil para conhecê-los - conta o futuro advogado.
Probabilidade de ser a mãe biológica é pequena

A realização de um exame de DNA ainda não foi acertada. Em sua casa, em Pelotas, Maria Amélia de Jesus, a suposta mãe biológica, conta que realmente entregou um bebê para adoção em 1986.
- Eu não tinha condição de criar - conta Mária Amélia.
Maria Amélia virou evangélica e sofreu um derrame há pouco mais de uma década. Diz não fazer questão de conhecer o possível filho por não saber como ele reagiria. Os dados presentes nos documentos disponíveis, porém, sugerem que a possibilidade de Yehekzel ter encontrado a mãe biológica é pequena: o nome materno que consta nos papéis é Maria Lemos, e a data de adoção do jovem aparece como 16 de setembro, enquanto Maria Amélia sustenta que deu à luz em novembro de 1986.
Procurada pela reportagem da sucursal da RBS (Zero Hora) no Rio Grande do Sul, a direção da Santa Casa de Pelotas não forneceu informações sobre a possibilidade de Yehekzel ter nascido no local. Todas as pesquisas feitas pelo Serviço de Arquivo Médico são realizadas somente via ação judicial, que deve ser movida pelo próprio paciente.
A despeito das incertezas, Yehezkel diz ter orgulho de ser brasileiro, está casado há cerca de um ano e pretende, em breve, ter um filho.
Ron Yehezkel, 26 anos
Nasceu em: 01.09.1986
Cidade: Pelotas, RS
Mãe biológica: Maria Lemos
* Colaborou reportagem do Jornal Zero Hora do Rio Grande do Sul
Adoção "torta" provoca traumas, dizem psicólogos

Para psicólogos que lidam com adoções, traumas refletem consequências de uma adoção considerada "torta" – fora dos cuidados. Mentiras e a forma errada como contaram aos filhos geraram dores.

– É horrível a criança descobrir que foi adotada e, pior ainda, descobrir que mentiram para ela sobre suas raízes – observa a psicóloga Denise de Araújo Vosnika, de Curitiba, que lida com o tema.

O olhar e o tom de voz tristes revelam as incertezas que marcam a vida de Yael Stein. Bonita, "mas infeliz", como se audefine, aos 24 anos lembra como sua vida foi marcada por "tristeza e raiva". A revolta por ter sido entregue em condições ilegais resultou em inseguranças.

– O sonho é conhecer minha verdadeira família. Seus documentos, com duas datas de nascimento, são um atestado dessa confusão. Certidão e caderneta de saúde têm datas diferentes: 1º de fevereiro e 13 de março de 1988. A origem também é polêmica. Ela acredita ter nascido em Joinville, mas a certidão aponta Campo Largo, no Paraná. Ela reconhece que tem uma boa vida em Israel, mas isso não supera a dor do passado desconhecido.

– Não gosto de Israel. Quero morar no Brasil, porque acho ser o melhor lugar do mundo – diz Yael. Shiri Shinfouks vive uma confusão semelhante. Adotada com 12 dias de vida, tem documentos de Curitiba, mas a carteira de saúde aponta o nascimento na Maternidade Darcy Vargas, em Joinville. Da mãe adotiva, ouviu que teria sido entregue numa casa "próxima a Joinville".

Shiri, a dona do pezinho carimbado na caderneta de saúde acima, foi adotada em outubro de 1984 por um casal israelense tão decidido que permaneceu três meses negociando no Brasil, até retornar com a menina. Em Curitiba, teriam ficado sabendo "das facilidades" para adotar crianças e, por indicação, se hospedaram em um conhecido hotel daquela capital, que a Polícia Federal identificou, na época, como um ponto de atração do trafico de bebês.

Hoje Shiri ouve da mãe adotiva que ela se parece muito com a mãe biológica. E por isso vive na frente do espelho, olhando suas feições e se perguntando:

– Por que estou aqui. Por que ela me entregou – questiona a jovem de pele clara e traços europeus.

Em seus documentos constam o nome de Luciana Mara de Araújo como mãe. No lugar reservado ao nome do pai, o termo "ignorado".

8 de dezembro de 2012

SUPREMA CORTE DE ISRAEL QUEBRA MONOPÓLIO ORTODOXO SOBRE AS CONVERSÕES

Por Jacques Pinto - JERUSALÉM, 31 mar 2005 (AFP)





A Suprema Corte de Israel abriu uma brecha no monopólio do rabinado ortodoxo sobre as conversões, ao publicar nesta quinta-feira (31) um decreto reconhecendo de fato a validade das conversões feitas por outras tendências derivadas do judaísmo, desde que estas sejam realizadas no exterior, não em Israel.

Esta decisão permitirá a pessoas convertidas pelas correntes Reformista ou Conservadora beneficiar-se da Lei do Retorno. O decreto foi imediatamente criticado pelos partidos ortodoxos e elogiado pelos laicos e pela esquerda.

A Lei do Retorno concede a qualquer judeu o direito de se estabelecer em Israel. Para a legislação israelense, são judias as pessoas de mãe judia ou as convertidas.

No entanto, desde a criação do Estado hebreu, em 1948, o rabinado ortodoxo manteve o controle sobre as conversões realizadas no país, exigindo que sejam feitas segundo o estrito cumprimento da Halachá (lei judaica).

Os diversos governos que se sucederam em Israel sempre haviam se resguardado, até agora, de questionar este monopólio do rabinado ortodoxo sobre as conversões no Estado hebreu, principalmente por causa do papel de árbitro que exerciam frequentemente os partidos ortodoxos no cenário político.

Em teoria, o Estado aceitava a validade das conversões feitas no exterior, mas na prática, o ministério do Interior, controlado durante muito tempo pelos partidos religiosos, exercia uma constante oposição.

O decreto desta quinta-feira, aprovado por sete votos, entre eles o do presidente da Suprema Corte Aharon Barak, contra quatro, encerra um caso aberto há seis anos por quinze pessoas.

Estas pessoas, instaladas legalmente em Israel, mas consideradas não judias, empreenderam uma conversão através dos movimentos reformista e conservador e viajaram ao exterior para completar este processo dentro destas comunidades.

Quando voltaram a Israel, elas solicitaram o benefício da Lei do Retorno, que lhes foi recusado a pretexto de que sua conversão havia sido iniciada em Israel. Mas a Suprema Corte acabou lhes dando razão.

"Segundo a Lei do Retorno, será considerada judia uma pessoa que viajou a Israel e que empreendeu uma conversão dentro de uma comunidade judaica reconhecida no exterior, onde foi finalizar seu processo de conversão depois de ter estudado o judaísmo dentro das tendências reformista ou conservadora em Israel", de acordo com o decreto emitido pela Suprema Corte nesta quinta-feira.

Os quinze requerentes poderão agora se beneficiar da ajuda substancial em matéria de alojamento e instalação concedida pelo governo aos novos imigrantes que vieram a Israel e se encaixam na Lei do Retorno.



Este decreto é crucial para os movimentos Reformista e Conservador do judaísmo. Nascidas na Alemanha, estas duas tendências têm uma interpretação bem menos rígida da lei judaica que os ortodoxos, e questionam alguns preceitos do Talmude. Minoritárias em Israel, elas são majoritárias nos Estados Unidos, onde vive quase a metade da comunidade judaica mundial.

O deputado Elie Yishai, líder do partido ultra ortodoxo Shass, não duvidou em comparar a decisão emitida nesta quinta-feira pela máxima instância jurídica do país a "um atentado terrorista com cinturão de explosivos contra a identidade do povo judeu".

Por sua vez, o deputado Yossef Lapid, dirigente do partido laico Shinui (oposição), elogiou o decreto da Suprema Corte, "que acaba com uma injustiça histórica contra as tendências reformista e conservadora".

19 de novembro de 2009

ANP CONDENA CONSTRUÇÃO DE 900 NOVAS CASAS EM COLÔNIA JUDAICA EM JERUSALÉM

Fonte: Agência Efe - Jerusalém

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) condenou nesta quarta-feira a decisão israelense de construir 900 novas casas em uma colônia ao sul de Jerusalém, dizendo que a medida "destrói as possibilidades de retomada do processo de paz" entre ambos os lados.




A decisão do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu "fecha todas as portas para a retomada do processo de paz e destrói todos os esforços para reativá-lo", afirmou hoje, em comunicado, Nabil Abu Rudeina, porta-voz da Presidência palestina.

A aprovação pelo Comitê de Planejamento de Jerusalém de um plano para a construção de 900 casas na colônia de Gilo, no sul da cidade, "é uma mensagem dirigida aos americanos", acrescentou Rudeina, em referência aos pedidos da administração do presidente americano, Barack Obama, para que Israel paralise a construção nos assentamentos.

O comitê tomou a decisão de seguir adiante com seu plano apesar do enviado da Casa Branca para o Oriente Médio, George Mitchell, ter pedido especificamente a representantes do primeiro-ministro Netanyahu, que desistissem do projeto.

O prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, reagiu à informação com um comunicado no qual lembra que a lei israelense não distingue a construção entre as partes oeste e leste da cidade, ocupada desde a Guerra dos Seis Dias de 1967.

"O pedido da interrupção da construção unicamente para judeus é ilegal, também nos Estados Unidos e em qualquer outro lugar do mundo", aponta a nota, que acrescenta que a Prefeitura "continuará permitindo a construção em todas as partes da cidade para judeus, muçulmanos e cristãos".

Israel considera Jerusalém sua capital "única e indivisível" e, portanto, se sente legitimado para construir na parte leste da cidade, de maioria árabe e que os palestinos reivindicam como capital de seu futuro Estado.

JUDIA É DETIDA POR USAR XALE RELIGIOSO (TALLIT) NO MURO DAS LAMENTAÇÕES EM JERUSALÉM

Fonte: Reuters - Jerusalém

Uma israelense foi detida na quarta-feira no local mais sagrado do Judaísmo por usar um xale de oração (Tallit) que, segundo os religiosos ortodoxos, só poderia ser envergado por homens.




O incidente no Muro das Lamentações mostra as profundas divisões entre vertentes mais liberais do Judaísmo e os poderosos ortodoxos, a maioria dos quais rejeita qualquer papel ativo nas orações para as mulheres.

A estudante de Medicina Nofrat Frankel, de 25 anos, foi detida quando rezava no local ao lado de outras 40 mulheres. Após um protesto de judeus ortodoxos que a viram com o xale ("tallith", em hebraico), a polícia a retirou do local e a manteve detida por duas horas, para então determinar que ela fique longe do Muro das Lamentações durante 15 dias, segundo uma porta-voz.

Micky Rosenfeld, porta-voz da polícia, disse que a estudante supostamente violou uma decisão da Justiça israelense que, seguindo os preceitos ortodoxos, proíbe que as mulheres usem trajes religiosos no local sagrado.

"As tensões explodiram, houve empurrões e gritos e a polícia interveio para evitar a violência", disse Rosenfeld, acrescentando que não houve feridos e ninguém mais foi preso.

Frankel pode ser condenada a até seis meses de prisão e multa de 10 mil shekels [cerca de R$ 3.400] por realizar um gesto religioso ofensivo, segundo Anat Hoffman, diretora de um grupo que patrocina as "Mulheres do Muro".

A acusada também segurava uma Torá, pergaminho bíblico judaico, contrariando a tradição ortodoxa, mas a polícia não citou isso como razão para detê-la.

O grupo de Hoffman defende uma maior abertura à participação das mulheres nas orações no Muro das Lamentações, e nas últimas duas décadas teve frequentes atritos com os ortodoxos. Ela disse que esta é a primeira vez que uma das suas seguidoras é presa.

"Isso é ridículo. Se não posso vestir um traje religioso no Muro das Lamentações, onde posso?", disse ela à Reuters.

O rabino Shmuel Rabinovich, responsável pelo local, afirmou à rádio Israel que a presença do grupo de Hoffman no Muro é uma "dessacralização".

24 de julho de 2009

Israel quer padronizar placas de trânsito em hebraico

BBC Brasil online

O ministério dos Transportes de Israel divulgou nesta segunda-feira um plano para mudar as novas placas de trânsito do país para que sejam escritas apenas na língua hebraica.

Atualmente, as placas são escritas em inglês e árabe, além do hebraico.

Segundo representantes do ministério, a falta de uniformidade nos escritos “confunde” os motoristas.




Pelo novo plano, a palavra Jerusalém, por exemplo, atualmente identificada como “Jerusalem”, em inglês, “al-Quds”, em árabe, passará a ser identificada apenas como “Yerushalaim”.

“A falta de uniformidade nas placas tem sido um problema para aqueles que falam línguas estrangeiras, tanto cidadãos como turistas”, disse Yeshaayahu Ronen, do Departamento de Planejamento dos Transportes.


Motivações


Em entrevista ao site de notícias Ynet, o ministro dos Transportes israelense, Yisrael Katz, explicou algumas das razões da decisão.

“Alguns mapas palestinos continuam a se referir a cidades israelenses pelos nomes pré-1948”, disse Katz ao site Ynet, se referindo a data de fundação de Israel.

“Não permitirei isso nas nossas placas. Esse governo, e certamente esse ministério, não permitirão que ninguém torne a judaica Jerusalém na palestina al-Quds”, afirmou.

Segundo ele, as áreas ocupadas da Cisjordânia onde Israel exerce o controle civil permanecerão com as placas em árabe.

De acordo com o ministério, as mudanças serão graduais e nenhuma placa já existente será modificada, a não ser que precise de troca por defeito.

O plano do governo foi criticado por políticos árabe-israelenses.

“Katz está enganado se pensa que ao mudar algumas palavras, apagará a existência do povo árabe”, disse o parlamentar Ahmad al-Tibi.

Israel tem mais de 1 milhão de cidadãos árabes, que representam 20% da população.

Grã-Bretanha rejeita pôster 'equivocado' de Israel

BBC Brasil

O órgão regulador da propaganda na Grã-Bretanha rejeitou um anúncio de turismo do governo de Israel que mostrava um mapa do país no qual a Faixa de Gaza e a Cisjordânia apareciam como parte do território israelense.



Os pôsteres com o anúncio do departamento de Turismo de Israel foram colocados em diversas estações de metrô de Londres e causaram diversas reclamações de grupos de defesa dos palestinos e cerca de 400 denúncias do público em geral.

A Advertising Standards Authority (ASA) disse que o mapa ilustrativo sugeria que os territórios ocupados seriam partes de Israel e que os anúncios não serão mais aceitos na Grã-Bretanha.

O ministério do Turismo israelense afirmou que o anúncio não tinha intenção de trazer nenhuma mensagem política.

Segundo representantes do ministério, o objetivo seria oferecer aos turistas uma idéia do território israelense e seus arredores.

A ASA, no entanto, afirmou que as fronteiras entre Israel e a Faixa de Gaza e a Cisjordânia eram ilustradas de maneira fraca e de difícil visualização.

O órgão também ressaltou que o mapa estava colocado abaixo do slogan: “Poucos países trazem tanta variedade num espaço tão pequeno como Israel”.

“Nós entendemos que as fronteiras e o status dos territórios ocupados da Cisjordânia, da Faixa de Gaza e das Colinas de Golan são temas de grande disputa internacional e porque consideramos que estes territórios aparecem como parte de Israel, concluímos que o anúncio é equivocado”, afirmou a ASA.

A agência afirmou ainda que não aceitará mais anúncios que tragam esse mapa ilustrativo.

Em maio, o ministério afirmou que houve um “erro professional” nos anúncios e que não usará mais mapas nos anúncios de turismo.

Após protestos, Justiça de Jerusalém faz acordo com ultraortodoxos

BBC Brasil
Atualizado em 17 de julho, 2009 - 12:46 (Brasília) 15:46 GMT

O Tribunal de Justiça de Jerusalém chegou, nesta sexta-feira, a um acordo com líderes judeus ultraortodoxos e decidiu enviar uma mulher da comunidade, acusada de impedir seu filho de três anos de se alimentar, à prisão domiciliar na residência de um rabino.

Membros do grupo religioso ao qual pertence a mulher consideraram a prisão injusta e uma interferência em seus assuntos internos. Isso levou a violentos protestos que quase paralisaram a cidade nos últimos quatro dias.



As negociações no tribunal duraram quatro horas e envolveram líderes da comunidade ultraortodoxa de Jerusalém, membros da polícia e representantes do Ministério da Segurança Interna israelense.

De acordo com a decisão do tribunal, a mulher será mantida em prisão domiciliar na residência de um dos rabinos que lideram a comunidade, além de ser afastada de seus filhos e passar por exames psiquiátricos.

Maus-tratos


A criança de três anos foi levada ao hospital Hadassa em estado grave, pesando apenas 7 kg. Depois de colocar câmeras ocultas no local, a equipe médica do hospital descobriu que a mãe costumava retirar a sonda que alimentava seu filho.

Ela foi acusada de maltratar a criança e, segundo a polícia, há suspeitas de que também costumava maltratar seus outros dois filhos.

A família pertence ao setor mais radical da comunidade judaica ultraortodoxa de Jerusalém, o Neturei Karta, que é extremamente fechado e não reconhece a existência do Estado de Israel.

De acordo com os líderes espirituais desse grupo, que inclui dezenas de milhares de pessoas, a religião proíbe a criação de um Estado Judaico antes da chegada do Messias.

Durante os últimos quatro dias, milhares de membros da comunidade entraram em confronto com a polícia de Jerusalém, bloquearam vias de trânsito, queimaram equipamentos da prefeitura e atiraram pedras contra prédios municipais e governamentais.

Pelo menos 18 policiais ficaram feridos e 50 manifestantes foram presos.

Entre as instituições que ficaram danificadas estão o Ministério de Bem-Estar Social e o Ministério da Educação.

Corte de serviços


Líderes do Neturei Karta acusaram tanto o hospital Hadassa como a polícia israelense de "calúnia" e exigiram a libertação imediata da mulher.

O prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, suspendeu todos os serviços da prefeitura em alguns dos bairros ultraortodoxos "enquanto os ânimos não se acalmarem".

De acordo com o jornalista ultraortodoxo Beni Rabinovitz, "o prefeito impôs uma punição coletiva contra a comunidade".

Segundo Dudi Zilbershlag, porta-voz da família, com a decisão de libertar a suspeita, "o tribunal demonstrou liderança e restituiu a tranquilidade em Jerusalém".

Mais de 40 rabinos e políticos são presos por corrupção nos Estados Unidos

BBC Brasil
Atualizado em 23 de julho, 2009 - 19:51 (Brasília) 22:51 GMT

Mais de 40 rabinos, prefeitos e políticos de Nova York e Nova Jersey, nos Estados Unidos, foram presos nesta quinta-feira depois de uma investigaç ão do FBI, a polícia federal norte-americana, a respeito de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.




Cerca de 300 agentes do FBI fizeram batidas em dezenas de locais nos dois Estados americanos.

Entre os detidos está um rabino acusado de ter traficado rins por uma década. O religioso é acusado de pagar US$ 10 mil à pessoas necessitadas e revender o órgão por US$ 160 mil.

Segundo o jornal The New York Times, os rabinos presos são das regiões onde vivem judeus sírios em Nova York e Nova Jersey.

Porões e banheiros


Foi preso também o prefeito da cidade de Hoboken, Peter Cammarano - que estava no poder há apenas 23 dias e é acusado de receber propinas -, e o prefeito de Secaucus, Dennis Elwell.

A vice-prefeita de Jersey City, Leona Baldini, e o ex-presidente do Conselho Municipal, L Harvey Smith, também estariam entre os detidos.

O secretário de Justiça americano em exercício, Ralph Marra, disse que o esquema movimentou pelo menos US$ 3 milhões entre os Estados Unidos, Israel e Suíça.

Marra disse os suspeitos usavam religião e política para encobrir suas atividades criminosas, realizando encontros secretos em porões e banheiros.

O prefeito de Newark, Cory Booker, que lutou contra corrupção na maior cidade de Nova Jersey, disse ao jornal The Star-Ledger, daquele Estado, que foi "uma manhã inacreditável".

O governador de Nova Jérsei, Jon Corzine, disse que “a escala de corrupção que vemos é ultrajante e não pode ser tolerada”.

13 de setembro de 2008

Título: FAGIN, O JUDEU (Companhia das Letras) - Edição especial




Número de páginas: 128

Data de lançamento: Maio de 2005

Sinopse: Personagem-chave de Charles Dickens, Fagin é um judeu que vive na Inglaterra do século XIX. Nascido pobre, passa por dificuldades a vida toda até se envolver com um jovem chamado Oliver Twist.

Positivo/Negativo: Quem tem direito de corrigir um clássico? Essa pergunta tem sido repetida à exaustão nos Estados Unidos nos últimos vinte e poucos anos. De um lado, defensores de minorias, que conseguiram expurgar do currículo escolar peças de William Shakespeare que continham insinuações racistas. De outro, intelectuais como o crítico literário Harold Bloom, que perguntava que tipo de idiota poderia pensar em proibir jovens de lerem o autor de Romeu e Julieta, Rei Lear e tantas outras.

Em tese, bastaria um professor dizer que preconceito era errado e que tinha sido escrito em uma época com outro contexto, servindo até mesmo para dizer que a humanidade já errou uma vez ao aceitar o preconceito. Os dois lados, claro, não chegaram a um consenso.

E, pouco antes de morrer, um cânone dos quadrinhos resolveu entrar na briga. Will Eisner, criador do Spirit, do termo graphic novel e de algumas das melhores HQs de que se tem notícia, resolveu justificar a sem-vergonhice de um velho personagem de Charles Dickens.

Dickens é um dos grandes romancistas ingleses. Sua obra é grandiosa e encantadora. Oliver Twist, história de um jovem herdeiro que sofre os diabos nas mãos de um judeu ladrão chamado Fagin, é um de seus romances mais conhecidos e amados pelo público. A princípio, dispensa defesa.

O Fagin de Dickens, criado dois séculos antes da onda politicamente correta, é um judeu caricato e estereotipado. Não só ele: naquela época, judeus no mundo inteiro eram tidos como uma desgraça. Pra começo de conversa, tinham mandado matar Jesus Cristo.

Para Eisner, Fagin é um paradigma do preconceito e um fator difusor da sórdida visão que se tinha dos judeus. Refletiria até os dias de hoje. E então o autor de Spirit resolveu, se não consertá-lo, dar-lhe um passado de maus tratos que justificaria os crimes da maturidade.

Na pior das hipóteses, seguindo a linha de Bloom (por sinal, judeu), o enredo de Eisner é uma grandessíssima bobagem. Na melhor, não passa de um exercício de criação tolo, que virou uma bela trama, até porque o autor foi um contador de histórias inigualável. Mas culpar Rebecca Lopez pela desgraceira de Fagin e, de lambujem, de Oliver Twist, já é forçar um tanto a barra.

Fagin é, sim, um personagem que reflete seu tempo. Não apenas socialmente, como produto do contexto londrino, mas também de uma época em que não se tinha problema em ser preconceituoso. Seu retrato tenebroso, compartilhado até mesmo com exemplos que Eisner apresenta em um posfácio, é um símbolo de uma época que se torce para que não volte mais.

Lido deixando de lado apegos a paixões literárias, Fagin, o Judeu, é uma das mais extensas das obras recentes de Eisner. Também é a que mais se aproxima literariamente de um romance - fazendo um paralelo, o velho mestre vinha privilegiando os contos. Tem um desenho soberbo, em que a textura do papel aparece na pintura da impressão. A edição da Companhia das Letras, como sempre, é impecável, bem como a deliciosa tradução de André Conti.


Autor: Will Eisner (texto e arte).