30 de agosto de 2018

COMO O DIABO (שטן = SATÁN) FICOU VERMELHO E GANHOU CHIFRES?


Diabo, Satanás (שטן), Lúcifer e, às vezes, Leviatã ou Mefistófeles: varios nomes, várias faces, vários papéis

Se alguém te pedisse para imaginar o diabo, provavelmente viria à mente um demônio com um tridente nas mãos. No entanto, por centenas de anos, o diabo cristão não foi retratado pela arte religiosa e, quando finalmente surgiu, era azul e não tinha chifres ou cascos. A imagem mais familiar para nós surgiu pelas mãos de gerações de artistas e escritores que pegaram o pouco que é dito pela Bíblia Cristã sobre Satanás (שטן) e o reinventaram ao longo do tempo. As Novas Escrituras dizem que Satanás era o maior "adversário" de Deus.



Na Bíblia Judaica (Torá), o diabo é apenas outro agente subordinado a Deus, um anjo do mal, uma alegoria que simboliza a inclinação maligna dos homens e mulheres

. A Doutrina Judaica:


Na Bíblia Judaica (Torá), o diabo é apenas outro agente subordinado a Deus, um anjo do mal, uma alegoria que simboliza a inclinação maligna dos homens e mulheres. Esse personagem foi desenvolvido pelos cristãos até transformá-lo em uma representação da maldade suprema.
No judaísmo dominante, não existe um conceito de Diabo, como existe no cristianismo e no islamismo. As únicas referências claras a Satanás no Antigo Testamento estão nos livros de Zacarias e de Jó. A maioria dos judeus não acredita na existência de uma figura omnimalevolente sobrenatural.  A palavra hebraica שטן “Satán” significa literalmente “Inibidor/ Evitador/ Impossibilitador”. Inibir quer dizer, tentar impedir alguém de realizar algo. Tradicionalistas e filósofos no judaísmo medieval aderiram à teologia racional, rejeitando qualquer crença em anjos rebeldes ou caídos e visando o mal como abstrato. Os rabinos geralmente interpretaram a palavra satanás como é usado no Tanakh como se referindo estritamente aos adversários humanos e rejeitaram todos os escritos apócrifos enoquianos mencionando Satanás como uma figura literal e celestial, fazendo todas as tentativas para erradicá-los . No entanto, a palavra Satanás ocasionalmente foi aplicada metaforicamente a influências do mal,  como a exegese judaica do yetzer hara ("inclinação do mal") mencionada em Gênesis 6: 5. A erudição rabínica no Livro de Jó geralmente segue o Talmud e Maimonides ao identificar "o satanás" do prólogo como uma metáfora para o yetzer hara e não como uma entidade real. De acordo com uma narração, o som do shofar, que destina-se principalmente a lembrar os judeus da importância da teshuva, também se destina simbolicamente a "confundir o acusador" (Satanás) e impedi-lo de fazer qualquer litígio a Deus contra os judeus.


A palavra hebraica שטן “Satán” significa literalmente “Inibidor/ Evitador/ Impossibilitador”


. Visões dos diferentes ramos no Judaísmo:

Cada ramo do judaísmo tem sua própria interpretação da identidade de Satanás. O Judaísmo Conservador geralmente rejeita a interpretação talmúdica de Satanás como uma metáfora para o yetzer hara e o considera como um agente literal de Deus. O Judaísmo Ortodoxo, por outro lado, abraça abertamente os ensinamentos talmúdicos sobre Satanás (o enxergando como uma metafóra para "inclinação para o mal") e envolve Satanás na vida religiosa de forma mais inclusiva do que outros ramos. Satanás é mencionado explicitamente em algumas orações diárias, inclusive durante Shacharit e certas bênçãos pós-refeição, conforme descrito no Talmud, e no Código de Direito Judaico, no sentido de "afastar a inclinação para o mal". No Judaísmo Reformista, Satanás geralmente é visto em seu papel talmúdico como uma metáfora para o yetzer hara e a representação simbólica de qualidades humanas inatas, como o egoísmo.


No Judaísmo dominante, não existe um conceito de "Diabo", como existe no Cristianismo e no Islamismo

. A Doutrina Cristã:

A doutrina cristã diz que Satanás assumiu a forma de uma serpente e tentou Eva no Jardim do Éden, mas não há nenhuma menção ao diabo no livro Genesis. Foi só mais tarde que os cristãos interpretaram a serpente como uma encarnação de Satanás. Também acredita-se que Satanás foi expulso do céu após desafiar a autoridade de Deus. Porém, na Bíblia, um personagem misterioso é expulso após rebelar-se contra Deus. A caracterização de Satanás como um anjo caído deriva dessa tradição.
A imagem de um Satanás que governa o inferno e inflige tortura e castigo aos pecadores também não encontra correspondência no texto sagrado. O livro das Revelações profetiza que Satanás será enviado ao inferno, mas sem qualquer estatus especial e sofrendo as mesmas torturas que os demais pecadores.
Nos primeiros séculos do Cristianismo, não havia muita necessidade de representar o mal na arte religiosa. Os cristãos acreditavam que os deuses pagãos rivais, como o egípcio Bes e o grego Pan, eram demônios responsáveis por guerras, doenças e desastres naturais. Cem anos depois, quando o diabo apareceu na arte ocidental, algumas representações incorporaram os atributos físicos destes deuses, como o pêlo facial de Bes e as patas de cabra de Pan.
Com barba, cascos, chifres e rabo, o diabo aparece assustado em um jardim da erva que supostamente repele demônios.
Na idade média, surgiu o retrato de Satanás mais reconhecível. Foi uma época de muito sofrimento, que ficou ainda pior com o surto de peste negra, a epidemia mais devastadora da história humana, com milhões de mortos na Europa. Como a Igreja não podia proteger os fiéis da doença, as representações de Satanás centraram-se nos horrores do inferno, refletindo o ânimo do momento e lembrando por que não se devia pecar.
Há uma longa tradição de associar o diabo aos inimigos do Cristianismo dentro e fora da Igreja. Quando ela se dividiu durante a Reforma, católicos e protestantes se acusaram mutuamente de estarem sob a influência do diabo com propagandas jocosas e grotescas sobre esta corrupção.


Há uma longa tradição de associar o diabo aos inimigos do Cristianismo dentro e fora da Igreja

No início do período moderno, pessoas eram acusadas de fazer pactos com o diabo e praticar bruxaria. Satanás era frequentemente representado como um sedutor e se achava que as mulheres eram especialmente vulneráveis a seus encantos. Imagens mostravam mulheres em atos sexuais com o diabo, por elas serem consideradas o sexo frágil e mais propensas a caírem em pecado por serem incapazes de dominar seus desejos carnais.
Os escritores e pensadores iluministas reinterpretaram a história do diabo para que se ajustasse às preocupações políticas da época. John Milton descreveu um Lúcifer psicologicamente complexo no poema Paraíso Perdido, que conta a queda em degraça de Satanás.
Enquanto os textos religiosos anteriores haviam examinado a motivação de Satanás para condená-lo, o Lúcifer de Milton é um personagem atraente e solidário que encarna os sentimentos de rebeldia do republicanismo do século XVII. 
Para alguns artistas românticos e iluministas, Satanás era um nobre rebelde que travava uma batalha contra a autoridade tirânica de Deus.
Quando a ciência conseguiu explicar a morte, as doenças e os desastres naturais, a figura do diabo ficou ameaçada. Havia lugar no mundo laico para Satanás? Foi quando um diabo urbano e sofisticado entrou em cena. Seguindo uma tradição de identificá-lo com inimigos políticos e religiosos, o diabo foi usado para ilustrar a oposição política por meio de caricaturas e sátiras.
Além disso, Satanás encontrou seu lugar no mundo comercial, tornando-se sinônimo de excessos pecaminosos, aparecendo em propagandas para vender desde chocolate e champagne até carros de luxo.

. Fontes: 

https://www.bbc.com/portuguese/geral/2016/05/160508_diabo_vermelho_chifres_rb

https://pt.wikipedia.org/wiki/Diabo

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