9 de janeiro de 2010

A HISTÓRIA DOS JUDEUS NA ÍNDIA

Fonte: Chazit Hanoar - Porto Alegre





Interior of the Kadavumbagam Synagogue - Cochin, Kerala State, India



Existem histórias de que mercadores judeus na época medieval atravessaram a Índia, mas não existem histórias dos mesmos fincando raízes no local. As evidências mais concretas do começo da vida judaica na Índia são do século XI, quando os primeiros residentes se instalaram na costa ocidental.

A Índia tem a história de três grandes grupos de judeus dentro do seu país: Os Bene Israel, os Cochin e os Judeus Brancos da Europa. Cada grupo praticava importantes elementos do judaísmo e tinha ativas sinagogas. Os sefaraditas predominavam entre os Judeus indianos.

Os Bene Israel viviam principalmente em Bombaim, Calcutá, Delhi e Ahmedabad e sua língua nativa era o Marathi. Eles alegavam ser descendentes dos judeus que escaparam da perseguição na Galiléia. Eles se assemelham ao povo não-judeu Maratha em aparência e costumes, o que indica casamentos mistos entre os judeus e os indianos. Estes também mantinham costumes básicos do Judaísmo como circuncisão, a kashrut e respeitavam o Shabat. Os Bene Israel alegam ser descendentes dos Cohanim, o que foi corroborado por um teste genético de 2002, que indicou que eles tinham a mesma hereditariedade que os cohanim. Desde 1964, essa comunidade é plenamente reconhecida como judia e pode fazer aliá. 





Os judeus Cochin (tem esse nome por se instalarem na região de Cochin, sul da Índia) foram, no começo, chamados de “Judeus Pretos” e falavam uma língua chamada Malayalam. Os Judeus Brancos vieram depois dos Cochin e eram originários do ocidente europeu como Holanda e Espanha. No século 17 e 18 a região de Cochin teve um grande afluxo de judeus vindos do norte da África, Oriente Médio e da Espanha. Podemos também citar uma notável comunidade que se formou de judeus portugueses e espanhóis, que foi a de Goa (estado da Índia), mas esta comunidade acabou por desaparecer com o passar do tempo.

Os judeus de Cochin dizem que eles vieram para Cranganore (costa sudeste da Índia) após a destruição do Segundo Templo, em 70 E.C. Eles tiveram, de fato, seu próprio principado por muitos séculos, até que uma disputa pela chefia eclodiu entre dois irmãos, no século XV. A disputa fez com que príncipes vizinhos destituíssem o principado judaico. Em 1524, os mouros, apoiados pelo governante de Calicute (atual Kozhikode), atacaram os judeus de Cranganore sob o pretexto de que eles estavam interferindo no comércio de pimenta. A maioria dos judeus fugiu para Cochin e ficou sob a proteção do Rajá hindu do local. Ele os concedeu um local próprio que acabou adquirindo o nome de “Cidade Judia”, pelo qual ainda é conhecido.



Infelizmente para os judeus de Cochin, os Portugueses ocuparam a região neste mesmo período e favoreceram as perseguições até os holandeses mudarem essa ordem, em 1660. Os holandeses eram protestantes e eram tolerantes aos judeus, que prosperaram. Em 1795, Cochin passou para a influência Britânica. No século XIX, os judeus de Cochin viviam nas cidades de Cochin, Ernakulam e Parur. Ao longo do tempo, muitos judeus acabaram por migrar (principalmente para Israel) e poucos restaram.

As migrações do século XVII e XVIII acabaram por criar grandes e importantes comunidades na Pérsia, Afeganistão, Characin (Índia Central), no norte da Índia e na Caxemira. No final do século XVIII, Bombaim se tornou a maior comunidade judaica da Índia, a maioria era formada por Bene Israel e judeus do Oriente Médio.

Perto do fim do século XVIII, mais um grupo de judeus aparece na Índia. São os judeus “do oriente médio” que chegaram à Índia através do comércio. Eles criaram uma forte e grande rede comercial que chegava até Hong Kong, Cingapura e Kobe (no Japão). Ficaram conhecidos como Judeus de Bagdá, mas vinham da Síria, do Iêmen, Irã, Iraque e Afeganistão e se estabeleceram em Mumbai. Inicialmente, eles falavam Judeu-Arábico em casa, mas à medida que o domínio britânico se estabelecia, adotaram a língua inglesa. 





Sob a legislação britânica os judeus atingiram seu máximo de população na Índia e seu máximo de riqueza. Chegaram a ser cerca de 5 mil judeus na comunidade de Calcutá durante a II Guerra Mundial, quando alguns refugiados chegaram.

Após a II Guerra Mundial, o forte nacionalismo indiano fez os judeus de Calcutá se sentirem um pouco desconfortáveis com relação a sua presença ali, devido ao fato de os nacionalistas indianos identificarem-nos com os ingleses. A partir de 1940 a comunidade judaica na Índia diminuiu drasticamente devido a imigrações pra Israel, Inglaterra e Estados Unidos.

Em março de 2005 o Rabino-Chefe Sefaradi de Israel Shlomo Amar decidiu reconhecer os membros da comunidade indiana dos Bnei Menashe como descendentes dos antigos israelitas. A comunidade dos Bnei Menashe consiste de perto de 7 mil membros da tribo Kuki-Chin-Mizo, que vivem no nordeste da Índia junto da fronteira de Myanmar. Por gerações eles mantiveram as tradições judaicas, clamando ser descendentes da tribo de Menashe, uma das 10 tribos israelis perdidas que foram exiladas pelos assírios no século VIII AEC. e desde então estão desaparecidas. No começo do século 20 os membros da comunidade se converteram ao Cristianismo, mas há cerca de 30 anos eles começaram a voltar para o judaísmo e se separaram do restante da comunidade. Posteriormente, o governo da Índia, pressionado pelos cristãos evangélicos das tribos Kuki e Mizo, expressou sua preocupação com o plano de converter os Bnei Menashe e levá-los para Israel, então o esforço foi suspenso em Novembro. Mesmo assim, ainda há aliót destes judeus. Os hindus criticaram a decisão do governo, dizendo que o governo não faz nada contra o proselitismo cristão e que não ouve suas reclamações. Desde os anos 80, cerca de 1700 judeus Bnei Menashe já fizeram aliá. Sua situação é incerta.

Além disso, ainda há as tribos dos Bene Ephraim e dos Bene Israel. Os Bene Ephraim têm uma história similar aos Bnei Menashe: Foram convertidos a Cristãos Batistas e a partir de 1981 algumas famílias voltaram a praticar o judaísmo, tendo reaprendendo as tradições com material trazido de Israel. Eles não têm muita ligação com o Talmud, e com as influências rabínicas, focando-se mais na Torá e nos imperativos éticos dos Profetas. A comunidade se identifica com o episódio do Êxodo e com sua promessa de liberdade, pois são muito pobres, vivendo em cabanas de barro e trabalhando como agricultores. São “intocáveis” da sociedade, uma espécie de párias e são ameaçados pelos donos das terras que cultivam por não trabalharem no sábado. Eles não são reconhecidos completamente como judeus por Israel, apesar de alguns rabinos terem visitado a comunidade na tentativa de ajudá-la.

Hoje em dia restam poucos judeus na índia, mas em número desconhecido, que não sofrem anti-semitismo, como não sofreram durante quase toda sua história, excetuando-se o período português.

2 comentários:

Diogo ! disse...

Tem judeus no Haiti ?
Independente disso, li que Israel envio equipe para ajudar na catastrofe

Leonardo Ferreira disse...

Embora os números variem de forma dramática, há judeus nos "Quatro Cantos do Mundo". Quanto à tragédia no Haiti, não se trata apenas de um problema nacional, pois a "raça humana" sofreu uma grande perda. Somos todos filhos do mesmo Criador.