4 de janeiro de 2010

NAZISMO: ARGENTINA PEDE PERDÃO AOS JUDEUS

Agência Estado - junho 12, 2000



Washington - O presidente argentino, Fernando de la Rúa, disse hoje que um dos principais objetivos de sua visita aos Estados Unidos é pedir desculpas por seu país ter dado abrigo a nazistas depois da Segunda Guerra Mundial. Em uma entrevista, ele afirmou que enquanto "criminosos comuns nazistas encontraram refúgio na Argentina, a alguns judeus não foram dadas as facilidades necessárias para emigrarem para nosso país".
De la Rúa se reunirá amanhã com o presidente Bill Clinton e divulgará sua mensagem no Museu do Holocausto, onde participará de uma cerimônia. Ele também se encontrará com dirigentes judeus. "Desejo transmitir uma mensagem em prol da dignidade e igualdade entre todos os seres humanos, e especialmente aos judeus e a todos os que sofreram perseguição na Alemanha nazista", afirmou.
Recentemente, em Buenos Aires, De la Rúa ofereceu um almoço em homenagem aos sobreviventes do Holocausto.
Por muitos anos, vários proeminentes ex-oficiais nazistas buscaram refúgio na Argentina, entres eles Adolph Eichmann, considerado um dos principais arquitetos do Holocausto. Eichman foi seqüestrado por agentes israelenses em Buenos Aires em 1960.
Em 1998, autoridades argentinas prenderam Dinko Sakic, ex-comandante de um campo de concentração da Croácia. Sakic vivia sem ser importunado na Argentina. Posteriormente, ele foi extraditado para a Croácia, onde, no ano passado, foi condenado a 20 anos de prisão por crimes de guerra.
Em novembro de 1998, investigadores argentinos disseram ter encontrado provas de que o ex-presidente argentino Juan Perón incentivou criminosos de guerra a buscarem asilo em seu país, depois da Segunda Guerra. Perón foi presidente de 1945 a 1955. Além disso, grupos baseados em Israel afirmam que o número de judeus reprimidos durante a campanha anti-esquerdista da ditadura militar de 1976 a 1983 foi desproporcionalmente elevado.
Calcula-se que cerca de 2.000 judeus "desapareceram" no período. Israel pediu ao governo De la Rúa uma investigação. Na Argentina vivem cerca de 300.000 judeus, a segunda maior comunidade das Américas, depois da dos Estados Unidos.
De la Rúa creditou a seus antecessores democráticos a significativa melhora na situação dos direitos humanos. Ele lembrou que o presidente anterior, Carlos Menem, ordenou em 1992 a abertura de uma ampla investigação sobre o papel que teve a Argentina no abrigo aos nazistas. Ele acrescentou que seu país avançou muito desde a época em que os abusos dos direitos humanos eram freqüentes. Agora, disse ele, "existe uma lei contra o racismo".

Jornal O Estado de São Paulo - junho 14, 2000.

Nos EUA, De la Rúa pede perdão por apoio da Argentina aos nazistas
Ao contrário de Menem, presidente renega passado de santuário para criminosos de guerra

CORRESPONDENTE: PAULO SOTERO






WASHINGTON - O presidente argentino, Fernando de la Rúa, iniciou ontem sua primeira visita a Washington acertando uma antiga dívida da Argentina com a história. "Eu quero pedir perdão, em nome de meu país, pelos criminosos nazistas que entraram na Argentina e se esconderam entre nós", afirmou De la Rúa durante uma entrevista, referindo-se ao período pós-guerra, quando os militares nacionalistas que mandavam em Buenos Aires, entre eles Juan Domingo Perón, deram guarida a milhares de criminosos nazistas fugidos da Europa.
No primeiro governo de Perón, admirador confesso do líder fascista italiano Benito Mussolini, sua mulher, Evita, tornou-se não apenas a heroína dos "descamisados" argentinos, como também a padroeira dos oficiais nazistas que compraram proteção na América do Sul com o ouro, jóias e outros bens que roubaram durante a guerra. Um dos mais conhecidos foi Adolf Eichmann, arquiteto da política de extermínio dos judeus nos campos de concentração nazistas, que acabou sendo seqüestrado na Argentina pela polícia secreta israelense, julgado e executado.
"Hoje, diante de todo o mundo, quero expressar meu mais sincero pesar e dizer que lamento que isso (o abrigo que a Argentina deu a nazistas) tenha acontecido", disse o líder argentino, num ato de contrição raro para um dirigente político da América Latina, antes de ser recebido pelo presidente Bill Clinton.
No fim da tarde, ele participou de uma cerimônia no Museu do Holocausto, onde depositou uma coroa de flores em honra às vítimas do nazismo. Embora o antecessor de De la Rúa, o peronista Carlos Menem, não tenha medido esforços para agradar aos EUA nos seus mais de dez anos no poder, deixou passar várias oportunidades para renegar o passado da Argentina de santuário de criminosos de guerra.


Vândalos profanam 27 túmulos de cemitério judeu na Argentina

22 de dezembro de 2009 • 21h55 • atualizado às 22h05
Fonte: Terra




A Delegação de Associações Israelitas Argentinas (Daia) denunciou hoje a profanação de 27 túmulos no cemitério judeu da capital da província de San Luis, no centro do país. Em declarações à Agência Judaica de Notícias, com sede em Buenos Aires, o titular da Daia em San Luis, Saada Bentolillas, expressou sua "consternação" pelo ocorrido.
Bentolillas disse que o muro do cemitério e 27 túmulos amanheceram na segunda-feira com pixações antissemitas, suásticas e ameaças de morte a integrantes da comunidade judaica local. "Foi um fato absolutamente isolado, não tem nada a ver com a permanência da comunidade judaica em San Luis. Estamos totalmente inseridos, não era algo que pudéssemos esperar", ressaltou o diretor da Daia.
A comunidade judaica da Argentina, a mais numerosa da América Latina, já foi alvo de dois atentados no país, um em 1992 e outro em 1994.
O primeiro foi cometido contra a embaixada de Israel e matou 29 pessoas, O segundo destruiu a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) e deixou 85 mortos.

Um comentário:

Diogo ! disse...

Uns judeus israelenses,depois de uns dias no Brasil,seguiram rumo a Buenos Aires e por conta desse histórico de perseguições na Argentina eu fiquei preocupado. Mas um amigo- não judeu - argentino me disse que hoje existem muitas leis de apoio e/ou proteção...