O jornalista Leonardo Ferreira, natural do Rio de Janeiro (RJ), é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduado em Gestão Comercial & Marketing Digital, pós-graduado em Transtorno do Espectro Autista: Inclusão Escolar & Social, além de membro do Templo Beth-El of Jersey City (www.betheljc.org). O templo foi fundado no estado de New Jersey (EUA), em 1864.
26 de julho de 2012
SINAGOGA DO BAIRRO DE OLARIA (RJ) FAZ 60 ANOS
A SINAGOGA AHAVAT SHALOM (AMOR PELA PAZ) COMEMOROU 6 DÉCADAS DE EXISTÊNCIA
A sinagoga Ahavat Shalom, em Olaria, teve seu apogeu com a consolidação e a expansão da comunidade judaica dos subúrbios da Leopoldina, entre os anos 1930 e 1960. Depois, a mudança em massa para outros bairros a deixou vazia, mas o prédio simples, de janelas em basculante, foi mantido pelo médico Soil Zuchen, o último dos imigrantes originais que permanece na região. Hoje, graças aos esforços de um grupo de antigos moradores, o templo está restaurado, tem minian aos sábados e comemorou, com um grande almoço no CIB, seus 60 anos.
Naqueles tempos, como mostra a foto acima, bris/circuncisão era um assunto simples, sem bufê nem cerimonial, que podia ser realizado em sinagoga. O bebê é Dan Sali Reznik, cercado pelo mohel Moishe Singer, pelo bisavô Tzvi Baum (conhecido como Hershel Shoichet), pelo pai Alberto e pelo avô Wolf Reznik. As fotos estão no livro Judeus da Leopoldina, edição do Museu Judaico.
Naqueles tempos, como mostra a foto acima, bris/circuncisão era um assunto simples, sem bufê nem cerimonial, que podia ser realizado em sinagoga. O bebê é Dan Sali Reznik, cercado pelo mohel Moishe Singer, pelo bisavô Tzvi Baum (conhecido como Hershel Shoichet), pelo pai Alberto e pelo avô Wolf Reznik. As fotos estão no livro Judeus da Leopoldina, edição do Museu Judaico.
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14 de junho de 2012
OS MOVIMENTOS NO JUDAÍSMO

Uma das verdadeiras dificuldades que as pessoas que procuram o judaísmo têm é decidir qual movimento dentro do judaísmo escolher. No Brasil, fala-se em três movimentos principais; além destes, há o que podemos chamar de instituições religiosas tradicionais não filiadas a nenhum dos movimentos mas que carregam as tradições de onde vieram seus fundadores (Rússia, Romênia, Bessarábia, Hungria, Portugal, Egito, Líbano, etc.); bem como alguns judeus que não se filiam a nenhum dos grupos. Esta seção inclui informação sobre os três movimentos principais, por ordem alfabética: Conservador (ou Massortí), Ortodoxo e Reformista. Ao redor do mundo há ainda outros movimentos menores do judaísmo, como o movimento Reconstrucionista, por exemplo, que praticamente só existe nos EUA. Para informação específica sobre conversão para qualquer um dos movimentos, acesse o link "Mais Informações Sobre Conversão ao Judaísmo." O foco desta seção é a informação sobre os movimentos. É muito difícil generalizar acerca desses grupos, pois existe uma grande diversidade dentro de cada um dos movimentos. Assim, o primeiro e melhor passo para um candidato à conversão é pesquisar sobre cada grupo que lhe pareça interessante e, especialmente, conversar com o rabino ou dirigentes do movimento em questão a fim de agendar uma entrevista, ou mesmo uma visita à respectiva sinagoga local para assistir a um serviço religioso. Caso não existam sinagogas em sua cidade, é aconselhável entrar em contato inicialmente por meio de e-mail ou telefone e seguir os passos anteriormente citados. As descrições abaixo não são declarações oficiais de cada movimento e por isso constituem somente o ponto de vista do nosso site sobre cada um dos três principais grupos. Sugerimos que você contate os movimentos diretamente para receber uma declaração oficial e as regras de conversão de cada um.
JUDAÍSMO CONSERVADOR/MASSORTÍ:
Este movimento é conhecido como Conservative Judaism nos EUA e como Movimento Massortí em outras partes do mundo. Nos EUA, representa cerca de 40% a 45% dos judeus filiados a um dos movimentos. O judaísmo conservador/massortí entende que o cumprimento da lei judaica (Halachá) por parte dos judeus é obrigatório. Portanto, os judeus conservadores têm a obrigação de obedecer a todos os ensinamentos (mitsvót, literalmente “mandamentos”) do judaísmo, como por exemplo, as leis relativas ao Shabat e a uma dieta casher. O movimento conservador/massortí defende que a lei judaica, por sua própria natureza, é passível de evolução na medida em que os indivíduos aprendem mais com a interpretação da Torá (em um sentido estrito, o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia Hebraica; em um sentido amplo, o conjunto de todas as leis e tradições judaicas). Desse modo, o movimento conservador/massortí propõe novas interpretações à lei judaica. Assim como no movimento reformista, o serviço é igualitário e inclusivo: homens e mulheres sentam-se juntos nos serviços religiosos, compõem o minián (quorum mínimo de dez pessoas judias adultas para a realização de um serviço religioso público) e sobem ao púlpito para ler na Torá. Pode-se andar de carro no Shabat para ir à sinagoga e as mulheres podem ser ordenadas como rabinas. Na prática, muitos judeus conservadores/massortís são mais flexíveis no cumprimento de todas as leis religiosas, ou as obedecem somente em parte. A maior parte do serviço religioso nas sinagogas é feita em hebraico, com a inclusão de trechos traduzidos da liturgia ou de outras reflexões inspiradoras feitas na língua natal. O Judaísmo conservador/massortí é geralmente visto, talvez injustamente, como um meio termo entre os ortodoxos, à sua direita, e os reformistas, à sua esquerda. Os rabinos conservadores/massortís não celebram nem participam de casamentos ecumênicos ou inter-religiosos, que são os casamentos entre um judeu e um não-judeu. Vale a pena esclarecer que o casamento entre uma pessoa judia com outra nascida não-judia mas que se converteu ao judaísmo é um casamento judaico; assim sendo, um rabino conservador realizará esta união normalmente. No caso de conversão, os rabinos conservadores/massortís exigem que um candidato do sexo masculino faça o brit milá (circuncisão ritual); no caso do indivíduo já ser circuncidado, deve-se realizar uma cerimônia de hatafát dám para se retirar uma gota de sangue do pênis, “completando” então o brit milá. O mesmo é exigido dentro do movimento ortodoxo e reformista. Além disso, deve-se realizar a tevilá, ou seja, o ritual de imersão em um local de água corrente (na maioria das sinagogas há uma micvá, uma espécie de piscina alimentada por água das chuvas, especialmente preparada para este fim) e o comparecimento perante um bet din, uma corte religiosa. As candidatas também devem passar pelo mesmo ritual de imersão e comparecer perante o bêt din (veja a seção "O Processo de Conversão" para mais detalhes). Em geral os rabinos conservadores/massortís reconhecem as conversões feitas por rabinos de outros movimentos desde que as exigências ritualísticas tenham sido realizadas. As conversões nesse movimento são reconhecidas pelo Estado de Israel para efeitos de Aliá, a Lei do Retorno. Há diversos websites que representam o movimento conservador/massortí. Assim como os demais movimentos, o judaísmo conservador/massortí é composto de várias organizações. Nos EUA, isso inclui, por exemplo, a Rabbinical Assembly (Assembléia Rabínica), a Association of Conservative Rabbis (Associação dos Rabinos Conservadores) e a United Synagogue of Conservative Judaism, que é a associação das congregações conservadoras/massortís. O maior seminário rabínico do movimento é o JTS (Jewish Theological Seminary). No Brasil não há um website específico para todo o movimento conservador/massortí; cada sinagoga ou congregação tem o seu próprio site, entre os quais estão a ARI (Associação Religiosa Israelita) e a CJB (Congregação Judaica do Brasil) no Rio de Janeiro; a Comunidade Shalom e a CIP (Congregação Israelita Paulista) em São Paulo, sendo que esta última está filiada tanto ao movimento conservador/massortí quanto ao movimento reformista.
JUDAÍSMO ORTODOXO:
Nos EUA o judaísmo ortodoxo representa cerca de 10% dos judeus filiados. Judeus ortodoxos aceitam integralmente a Halachá e, diferentemente dos judeus conservadores/massortís, entendem que ela não é passível de modificação. A ortodoxia entende que as 613 mitsvót contidas na Torá são obrigatórias para todos os judeus. Eles acreditam que a Torá foi revelada diretamente por D-us; em decorrência disso, as suas leis são divinas e devem ser obedecidas. Assim, os ortodoxos são os mais tradicionais entre todos os grupos judaicos. Homens e mulheres sentam-se separados por uma mechitzá (divisória) nos serviços religiosos; somente os homens compõem o minián (quorum mínimo de dez homens judeus adultos para a realização de um serviço religioso público) e sobem ao púlpito para ler na Torá. Não é permitido andar de carro no Shabat nem para ir à sinagoga e não há rabinas ortodoxas. Na prática, os judeus ortodoxos tendem a cumprir as leis judaicas em áreas como manter o Shabat e seguir uma dieta casher. As exigências para a conversão ortodoxa são as mesmas que as do judaísmo conservador/massortí. A principal diferença entre eles é que os rabinos ortodoxos geralmente não aceitam as conversões praticadas por rabinos não-ortodoxos (conservadores/massortís e reformistas), pois não reconhecem o bet din (corte religiosa) formado para avaliar os conhecimentos e a convicção do candidato. Este fato tem causado uma polêmica considerável dentro da comunidade judaica, e é importante que os candidatos potenciais à conversão estejam cientes deste problema. As dificuldades surgem em casos específicos. Aqui vai um exemplo: uma mãe nascida não-judia foi convertida por um rabino não-ortodoxo e se casou com um homem judeu. Os filhos deste matrimônio foram criados como judeus, são considerados judeus pela comunidade em geral, mas não pelo movimento ortodoxo, pois a conversão da mãe não é reconhecida pelos ortodoxos (os filhos de uma mãe judia são automaticamente considerados judeus, mesmo que não tenham sido criados como judeus). Conseqüentemente, se um desses filhos desejar se casar com uma pessoa ortodoxa, um rabino ortodoxo se recusará a celebrar o casamento sem uma prévia conversão ortodoxa. Os rabinos ortodoxos não celebram nem comparecem a um casamento ecumênico. Cabe ressaltar que, em Israel, as conversões realizadas por todos os movimentos (ortodoxo, conservador/massortí e reformista) dentro e fora do Estado de Israel são legalmente reconhecidas, conferindo aos convertidos o direito de Aliá, a Lei de Retorno, que defende o direito de todo judeu morar em Israel. No entanto, o judaísmo ortodoxo é o único movimento cujos casamentos feitos em Israel são reconhecidos oficialmente; os casamentos feitos pelos demais movimentos só são reconhecidos em Israel se forem realizados no exterior. Há diversas organizações ortodoxas ao redor do mundo, com práticas diferentes. A Orthodox Union é a maior delas. No Brasil não há um website específico para todo o movimento; a organização mais conhecida é o Beit Chabad, que também tem alguns websites regionais.
JUDAÍSMO REFORMISTA:
Nos EUA os reformistas representam cerca de 45% dos judeus filiados e são o maior grupo judaico norte-americano. No Brasil não há estatísticas a respeito, mas trata-se de um grupo minoritário. Embora não haja dados estatísticos precisos, acredita-se que a maioria dos judeus filiados sejam conservadores/massortí, e provavelmente a parcela de ortodoxos seja maior aqui do que nos EUA. É muito grande o número de judeus não-praticantes e/ou não filiados a quaisquer dos movimentos. Os judeus reformistas aceitam a lei judaica, porém colocam ênfase na autonomia moral dos indivíduos que decidem quais leis têm significado religioso para eles. No judaísmo reformista, o estudo da Torá, do Talmud e da Halachá são estimulados e considerados a fonte maior da tradição judaica, com o foco maior nas ações sociais e éticas baseadas nos escritos dos profetas. É importante mencionar que todos os movimentos judaicos apóiam e mantêm inúmeras entidades de cunho social, pois o conceito de tsedacá, justiça social, é fundamental dentro do povo judeu e considerado uma mitsvá, um mandamento. Geralmente, o serviço religioso reformista nem sempre é feito inteiramente em hebraico, como nos movimentos ortodoxo e conservador/massortí; muitas orações são feitas na língua natal e podem ser incluídos textos inspiradores. Assim como no movimento conservador/massortí, o serviço religioso é igualitário: homens e mulheres sentam-se juntos nos serviços religiosos, compõem o minián (quorum mínimo de dez pessoas judias adultas para a realização de um serviço religioso público) e sobem ao púlpito para ler na Torá. Pode-se andar de carro no Shabat para ir à sinagoga e as mulheres podem ser ordenadas como rabinas. O movimento reformista é muitas vezes considerado, inclusive por alguns dos seus próprios membros, como o mais flexível em termos de práticas religiosas. Por exemplo, a dieta casher é estimulada, mas não obrigatória. Atualmente todas as instituições judaicas reformistas oferecem comida casher dentro de suas sedes, numa tendência geral, dentro do movimento, de retorno às práticas tradicionais. O judaísmo reformista aceita a matrilinearidade (filhos de uma mãe judia são judeus), mas defende também a patrilinearidade sob certas condições. Assim sendo, considera também que os filhos de um pai judeu com uma mãe não-judia são judeus desde que tenham sido criados dentro do judaísmo, participem da vida judaica e se identifiquem publicamente como judeus por meio de diversas ações religiosas formais. Portanto, para o movimento reformista os filhos de um casamento desta natureza não precisam se converter para serem reconhecidos como judeus. O reconhecimento da patrilinearidade não é compartilhado pelos movimentos conservador/massortí e ortodoxo, que não reconhecem esses filhos como judeus. Conservadores e ortodoxos seguem apenas a matrilinearidade, ou seja, só reconhecem como judeus os filhos de uma mãe judia, seja ela nascida judia ou convertida de acordo com cada movimento. O potencial de problemas aqui é óbvio. O movimento reformista conta com o maior número de convertidos entre todos os movimentos. Famílias compostas por casamentos inter-religiosos são aceitas, e nos EUA há um programa efetivo para alcançar e incluir estas famílias no meio judaico. As conversões realizadas por rabinos reformistas, dentro e fora de Israel, são reconhecidas pelo Estado de Israel, conferindo aos convertidos o direito de Aliá, a Lei de Retorno, que defende o direito de todo judeu morar em Israel. Para mais informações, visite os websites do Movimento Reformista e da World Union for Progressive Judaism (WUPJ). No Brasil a única organização a representar o movimento reformista é a WUPJ for Latin America (em português, inglês e espanhol).
IMPORTANTE!
Por fim, é fundamental ressaltar que o chamado "judaísmo messiânico" não é um movimento judaico. Apesar de assim se auto-intitular, não faz parte do povo judeu e é completamente estranho ao mesmo, uma vez que nega a Unicidade de D-us (um dos princípios fundamentais do judaísmo) e desconsidera inúmeros requisitos necessários para a identificação do Messias. Esta premissa é compartilhada por todos os movimentos: “judaísmo messiânico” não é judaísmo.
Créditos: Texto adaptado do site em inglês www.convert.org com a permissão de Barbara Shair Tradução: Fábio Lacerda Edição: Adriana Lacerda, Uri Lam e Mariane Dinis Adaptação para o judaísmo brasileiro: Uri Lam Agradecimentos especiais: Uri Lam, Mariane Dinis e Fernanda Goulart
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9 de junho de 2012
O QUE É CABALÁ?
Dentro de seu corpo respira uma pessoa – uma alma. Dentro do corpo da prática judaica respira uma sabedoria interior – a alma do Judaísmo. Nós a chamamos de “Cabalá”, que significa “receber”. Assim como a prática judaica é recebida por meio de uma tradição antiga e ininterrupta da revelação no Sinai,
assim é a sua alma.

Cabalá, então, é a sabedoria recebida, a teologia e a cosmologia nativas do Judaísmo. Outro nome para Cabalá – mais revelador – é “Torat ha’Sod.” Comumente, é mal traduzido como “o ensinamento secreto”. A tradução correta, porém, contém o significado oposto: “o ensinamento do secreto.” “O ensinamento secreto” significa que estamos tentando esconder algo de você. “O ensinamento do secreto” significa que estamos tentando ensinar algo a você, abrir e revelar algo oculto. Ora, você poderia dizer, se o segredo é ensinado, não é mais um segredo. Um segredo revelado, poderia parecer, é uma contradição. Seria assim se estivéssemos discutindo um segredo artificial, que é secreto apenas porque é velado em segredo, porque outros não querem que você descubra. Os verdadeiros segredos, uma vez revelados, explicados, ilustrados, analisados e integrados em sua consciência, permanecem tão misteriosos quanto antes. Não – muito mais misteriosos, pois à medida que a ilha de conhecimento se expande, assim também sua praia sobre o infinito mar do desconhecido. A vida tem muito desses mistérios: O que é amor? O que é mente? O que é vida? O que é existência? Como acontecem? De onde emergem? O que é a sua alma, a pessoa dentro do seu corpo? Você passa por todos esses a cada momento. Eles são você. E apesar disso, quanto mais você contempla as profundezas de seus mistérios, mais profundas as águas se tornam.
A Cabalá não é um ensinamento sagrado. É o ensinamento de um segredo.Os segredos mais profundos são aqueles conhecidos de todos, aqueles que aprendemos quando somos crianças pequenas, aceitamos como certo pelo resto da nossa vida, vivenciamos diariamente – e mesmo assim jamais conseguimos desvendar ou entender com nossa mente cognitiva. Existe. As coisas existem. Eu existo. Estou vivo. A vida é a não-morte. Escuridão não é luz. Existe aquilo que é maior que eu. A Cabalá mergulha nesses segredos e traz suas profundezas para a luz. Fornece metáforas para cura e crescimento na vida diária. É por isso que a experiência de estudar Cabalá é “Sim! Eu sabia essa verdade o tempo todo! Meu coração sabia, mas minha boca era incapaz de expressá-la!” As verdades da Cabalá pertencem a todo ser que sente. Porém, acima de tudo, a Cabalá proporciona uma sensação do além; o conhecimento daquilo que não pode ser conhecido, a sabedoria do mistério, o entendimento daquilo que não entendemos. A Cabalá é o conhecimento do assombro.
Por que a Cabalá é tão secreta?
Ensinar um segredo é perigoso. O aluno está em perigo, pois pode acreditar que realmente entende. Um mistério jamais pode ser apresentado sem as coberturas da metáfora e da parábola. Talvez o estudante entenda a capa mas não consiga desvendar seu conteúdo, como aquele que mastiga a casca e descarta o interior do fruto. O professor está em perigo, pois como pode saber se realmente entendeu? Vai ensinar muitos alunos, suas ideias serão popularizadas, a essência será perdida e seu significado será retorcido ao oposto da sua intenção. A própria Cabalá está em perigo, pois uma vez que tenha perdido sua integridade, imediatamente deixa de ser “a sabedoria recebida”. Pode ser sábia, pode ser bela, porém não é mais Cabalá. É por isso que, na maior parte do tempo, a Cabalá foi transmitida de mestre para alunos selecionados e de confiança, na maior confiabilidade. Quando foi escrita, os textos eram propositadamente crípticos e misteriosos, em enigmas sussurrados, parábolas e alusões obscurecidas. Às vezes, as restrições tinham de ser reafirmadas para impedir todos, exceto alguns poucos, de estudar Cabalá.
As águas desta fonte devem ser mantidas puras; devem continuar sendo águas vivas.Somente nas últimas centenas de anos os mestres começaram a revelar abertamente estas verdades. Os mestres chassídicos revelaram uma luz e forneceram um conjunto de metáforas que permite a todos abordarem aquela luz, trazendo a Cabalá ao domínio até da alma mais simples. Mas mesmo assim, um guia é indispensável, e deve-se tomar muito cuidado para preservar a pureza dos ensinamentos. Quem é este guia? Como você sabe que está recebendo águas puras, direto da fonte original? Por um lado, água pura reflete claramente. Se a vida do professor não reflete seus ensinamentos, suas águas são impuras. Depois, saiba que até Mashiach chegar, o caminho interior nunca é sem conflito. Se o ensinamento vem facilmente, não é o ensinamento interior. E em terceiro: É verdade que você não precisa ser judeu para se embeber no doce vinho da Cabalá ou para aprender seus caminhos de cura. Mas a alma da Cabalá é diferente de uma alma humana – jamais pode ser arrancada de seu corpo, pois o casamento de alma e corpo é completo. A prática judaica e a Cabalá são uma só. Se você ouvir “Não tem nada a ver com o Judaísmo”, está ouvindo uma mentira.
Como o estudo de Cabalá pode me ajudar?
Cabalá é um aspecto da Torá, e Torá significa “orientação” ou “instruções”. Tudo na Cabalá é para ser uma instrução na vida. Estudamos Cabalá não apenas para atingir um ponto alto, mas porque precisamos de sua inspiração na vida cotidiana, e porque nos fornece direção e orientação prática.
Para o Cabalista, o supremo paraíso é aqui agora, porque a Luz Infinita está aqui agora.A Cabalá proporciona uma dimensão cósmica aos assuntos da vida humana de todos os dias. A doença é um reflexo da doença de amor da divina presença para a Luz Infinita. Os desafios da vida são as centelhas perdidas no ato primitivo da criação, vindas a você para serem consertadas e elevadas. Sua vida é uma missão, na qual você é direcionado para as centelhas divinas que pertencem unicamente à sua alma, pelas quais sua alma tem retornado muitas vezes a este mundo até que sejam todas reunidas. Entender a dimensão cósmica significa que nada na vida é trivial. Tudo tem significado. Tudo se move rumo a um só propósito, com uma única meta. O entendimento permite que você aceite estes desafios e complete a jornada da sua alma.
Como a Cabalá difere de outros ensinamentos espirituais?
Há muitos ensinamentos espirituais sábios de pessoas em toda parte do globo. Em sua prática, as pessoas encontram transcendência do mundo material, esclarecimento e serenidade. O foco da Cabalá não é a serenidade. Também não é o esclarecimento transcendental. Proporciona estes também, mas como um meio, não como meta. A meta da Cabalá é a ação inspirada. Qualquer que seja a sabedoria que o cabalista adquire, qualquer que seja o estado de êxtase ou união mística ao qual ele ascende, o resultado será sempre um ato de beleza no mundo físico. Falando de outra forma: muitos mestres dirão a você para praticar boas ações e atos de bondade porque esta é uma pedra ao longo do caminho da consciência mais elevada. O cabalista lhe dirá que no momento da boa ação, você já está ali. O ato em si é a sua meta, à qual uma consciência mais elevada deve levar você.
Para o cabalista, o supremo paraíso é aqui agora, porque a Luz Infinita está aqui agora, e mais que qualquer reino espiritual, é onde a Luz Infinita anseia por ser descoberta. Nosso trabalho é descascar o fruto para revelar aquela luz dentro de cada artefato físico do mundo. Para iluminar não apenas a nós mesmos, mas todo ser vivo, e até a matéria inerte do nosso mundo.
Quando a Cabalá começou?
A revelação no Sinai foi a primeira e a suprema experiência da verdade interior.As histórias dos ancestrais são pintadas com uma paleta de visões místicas, revelações divinas e comunicação com seres não-físicos. Porém a Torá, incluindo a Cabalá, não é definida por aquelas visões. O evento central da narrativa judaica é a revelação em massa no Monte Sinai, quando “todo o povo viu os sons e a iluminação”. Digamos que você viveu pouco tempo depois do evento. Digamos que você perguntou às pessoas que tinham estado lá: “Diga-me o que aconteceu.” O que elas diriam a você? “Fomos instruídos a não ter outros deuses.” “Fomos instruídos a honrar nossos pais, a não roubar nem matar.” Não creio nisso. Mais provavelmente, a resposta deles seria algo assim: “Vimos todos os segredos do cosmos abertos à nossa frente. Vimos como cada coisa é gerada para ser a todo momento, vimos como não há realmente nada exceto um Criador, e tudo o mais são articulações de Sua vontade.” Os próprios mandamentos – não ter outros deuses, honrar os pais, não roubar ou matar – são apenas o conteúdo daquela experiência. O meio, a experiência – isto foi o âmago da mensagem. Foi naquela experiência mística que nosso povo nasceu – a experiência de um mundo no qual “de toda direção, D'us falou com eles.” Eles viram toda a realidade como nada exceto as palavras de uma única, incognoscísvel origem de todas as coisas. E eles entraram em comunhão com aquela Fonte. Por cerca de mil anos após o Sinai, a experiência judaica permaneceu definida pela profecia. A sabedoria era conhecida às pessoas através de videntes e profetas, homens e mulheres que se afastaram dos desejos e vaidades humanas para atingir uma visão clara dos reinos interiores. Porém nenhuma dessas visões forneceu uma nova revelação, acrescentando ou subtraindo coisa alguma da Torá. Estavam simplesmente afirmando, esclarecendo e sustentando a visão partilhada do Sinai. A era de profecia acabou no início do período do Segundo Templo, mas a revelação Divina e a visão mística nunca partiram. Nem os rececptores daquela sabedoria se sentaram à beira da tradição judaica. Muitos, se não a maioria, dos mais conhecidos mestres da alma da Torá foram também os mestres estabelecidos sobre o corpo da prática da Torá. Rabi Akiva é considerado o pai da Mishná, e o Talmud e Sefer HaBahir descrevem suas jornadas místicas. Seu aluno, Rabi Shimon bar Yochai, foi responsável pela clássica obra cabalística, o Zohar, e suas opiniões permeiam toda seção do Talmud. Às vezes, e em determinados lugares, a inquirição filosófica deixou de lado a tradição recebeida para dominar o pensamento judaico. Porém raramente foi considerada a teologia nativa, mas sim uma espécie de enxerto vindo de vinhas estranhas. As obras de filosofia ascendentes, lutando para criar uma única visão a partir de partes disparatadas. A Cabalá faz a conversão, começando com uma visão vívida, holística, e tentando transmitir aquela visão a outros. Apesar disso, especialmente após a expulsão da Espanha, o racionalismo e grande parte da terminologia dos filósofos se integrou à sabedoria holística da Cabalá. O resultado foi um florescimento e uma popularidade sem precedentes do pensamento cabalístico. A investigação filosófica jamais foi considerada nossa teologia nativa. Porém a Cabalá mais tarde se beneficiou através da síntese com ela.Na era crítica quando a Halachá foi codificada e estabelecida (a partir da expulsão espanhola até a metade do Século 17), quase todos os eruditos sérios estavam mergulhados na Cabalá. Rabi Yosef Caro, autor do código padrão da Lei Judaica, o Shulchan Aruch; Rabi Moshê Isserles, cujos retoques tornaram aquele código aceitável ao Judaísmo askenazita; bem como a maioria dos comentaristas padrão daquele código, escreveram obras cabalísticas também. Até o popular sermão na sinagoga com frequência era revestido e enfeitado com referências cabalísticas.
Para a maior parte dos judeus de países muçulmanos, o Zohar é tão sagrado quanto o Livros dos Salmos. O Movimento Chassídico cresceu diretamente a partir da Cabalá. Os oponentes originais ao Movimento Chassídico, como Rabi Elijah de Vilna, foram mestres da Cabalá. Muitos dos comentários padrão estudados atualmente sobre os Cinco Livros de Moshê estão repletos de referências a ideias cabalísticas. É por isso que tentar entender a experiência judaica sem entender a Cabalá é o mesmo que analisar o comportamento de uma pessoa sem saber o que se passa em sua mente. Os judeus notáveis das eras passadas que não provaram a Cabalá sentiam aquela alma interior intuitivamente dentro da Torá que eles estudavam, dentro de suas preces e dentro da prática das mitsvot. Em todas essas coisas, suas almas brilhavam vibrantemente. No decorrer dos séculos, à medida que o mundo se tornava mais estéril, materialista e confuso, aquela alma se tornou cansada e sentiu-se adormecida. Hoje, o caminho cecrto para uma pessoa que raciocina sentir a alma da experiência judaica é provar seus segredos íntimos. Hoje, o Judaísmo privado da Cabalá é um corpo privado de sua alma. Hoje o estudo da cabala é vital por um motivo ainda mais importante – como um estágio essencial para a evolução definitiva da humanidade. Abordaremos isto depois.
Você pode ser criativo com a Cabalá?
Uma sabedoria recebida pareceria não deixar espaço para originalidade ou criatividade. O Zohar nos diz que aquele que cria as próprias ideias e as chama de Torá está criando um ídolo. A comparação é significativa: como um ídolo é uma falsa representação de D'us, também essa ideia é uma falsa representação da sabedoria Divina, e “Ele e Sua sabedoria são um.” Porém, como em outros campos da Torá, a Cabalá ferve com pensamento criativo e originalidade. Eis como Rabi Moshê Cordovero, um professor líder do Século 16 da escola racionalista-cabalista de Tzfat, explicava a necessidade e os parâmetros de originalidade na Cabalá: O Livro da Formação diz: “Entenda com sabedoria; seja sábio com entendimento.” O Cabalista é criativo, pode ter visões iluminadoras, porém tudo que ele ensina não passa de comentário sobre a tradição recebida.“Entender com sabedoria” significa investigar bem tudo que seu mestre ensinou a você na sabedoria das modalidades. Afinal, nesses assuntos transmitimos apenas um mero esboço. A partir deste esboço, cada pessoa deve entender uma ideia a partir de outra. Você pode ver isto nas palavras de nossos Sábios quando eles disseram: “Este assunto é falado somente a um sábio que entende com sua própria mente.” A partir disto, você vê que uma pessoa deve usar a própria mente para comparar uma coisa com outra, e assim extrair uma ideia de dentro da outra. Dessa maneira ele terá uma mente procriativa e não uma estéril. E ainda diz; “Seja sábio com entendimento”. Isso significa que quando você origina e analisa com o próprio intelecto para que possa entender, deve tomar cuidado para conceber a ideia e explicá-la dentro da estrutura da tradição dos rabinos e suas palavras verdadeiras. As ideias originais devem estar incluídas naquilo que você adquiriu, seja pouco ou muito. Os cabalistas podem ter visões, mas eles não encontraram seus ensinamentos naquelas revelações. Sejam quais forem as visões que eles tiveram, veem aquelas como meras iluminações dos textos sagrados e dos ensinamentos que já receberam. Nesta maneira, a Cabalá permanece uma árvore da vida, com profundas raízes segurando-a firmemente no lugar, enquanto dá doces frutos novos a cada estação.
Quais são algumas ideias básicas da Cabalá?
Embora tudos se estendam a partir de uma só visão unificada, os temas que a Cabalá aborda são vastos e variados. Aqui estão alguns dos principais: Luz Infinita: Uma metáfora para D'us. D'us é incognoscível e sem forma, porém todas as formas se expandem a partir Dele. A ideia de luz ilimitada ajuda a comunicar essa ideia. Porém a essência de D'us está além até do infinito. E D'us é encontrado nas trevas assim como é encontrado na luz. Luz e Recipientes: Similar à ideia moderna de energia e matéria. O ato da criação é sustentado através de uma dinâmica de luz infinita comprimida em estados definidos de ser chamados “recipientes”, que então projetam a luz para criar uma infinidade de seres. Dez Sefirot: A conexão entre a Luz Infinita e uma criação finita deveria ser intransponível, e mesmo assim aqui estamos nós, decididamente projeções finitas daquela Luz Infinita. Este é o mistério das dez sefirot: como o Infinito interage com os mundos que gerou através de dez modalidades luminosas, A ordem das sefirot se move a partir do domínio intelectual através da emoção e desce até o âmbito do “domínio” – a esfera de realmente conseguir algo feito. Esta é a “divina imagem” na qual o ser humano é criado. Ao nos conhecermos como seres humanos, portanto, podemos descobrir o divino. E ao entender o divino, somos mais capazes de curar e nutrir o ser humano.
O Mistério do Alfabeto Hebraico:
Em hebraico, não há coisas, somente palavras. O nome hebraico de cada coisa contém sua força de vida essencial. O poder infinito do Criador é encontrado dentro de cada exemplo e objeto da criação; nada está fora dessa luz e nada é vazia dela. As vinte e duas letras do alfabeto hebraico expressam as articulações específicas daquela força criativa. Aquele que domina seus mistérios tem a chave para entender a natureza de cada coisa.
União de Opostos:
O universo inteiro é uma união dinâmica de macho e fêmea. A alma-vida do universo, conhecida como Shechiná, e a Luz Infinita, anseiam por se reunir, como a alma humana anseia por se reunir com sua origem dentro de D'us. O estudo de Torá e o cumprimento das mitsvot provocam essas uniões, permitindo assim que a luz nova e transcendental penetre no cosmos.
Tikun:
O mais notável dos cabalistas, Rabi Yitschak Luria, conhecido como “o Ari” (o leão), conseguiu explicar muitas passagens arcanas do Zohar por meio de uma doutrina de tikun, que significa “conserto”. Revertendo o modelo padrão, o Ari explicou que o mundo foi criado num estado quebrado, e o ser humano foi colcoado nele para recolher as peças espalhadas e consertar sua integridade. O resultado eventual é a união da existência finita com a Luz Infinita, além até daquilo que era no início da criação.
Como a Cabalá se encaixa no mundo moderno?
A Cabalá tem o potencial de amainar o conflito entre o frio mundo exterior que observamos e o cálido mundo interior do observador.Nos últimos cem anos, a ciência desnudou a complicada e pura vastidão do mundo físico numa maneira antes inconcebível. Descobrimos uma impressionante harmonia pela qual todo o universo físico é visto como uma singularidade, toda partículo integralmente relacionada a toda outra partícula, uma harmonia pela qual até a matéria e a energia em si mesmas são essencialmente uma única dinâmica. A tecnologis nos deu meios para partilhar e examinar este conhecimento que era inimaginável há uma geração. Programar nossos próprios ambientes virtuais nos enriquece com uma metáfora pela qual podemos imaginar o que significa criar um mundo e sustentar sua existência a cada momento. A humanidade deveria ser tomada por reverência e assombro, mas em vez disso temos sido deixados no frio. Ironicamente, em nossa busca pela unidade da lei fisiica, temos nos afastado daquela unidade, cavando um vácuo devastador entre o mundo difícil e material que nos cerca e o mundo suave e humano que arde no interior. Ao mediar este divórcio, nos mesmos nos tornamos órfãos. A Cabalá cura esta ferida. Descreve o mundo ao redor na linguagem da nossa psique. Ela nos põe em contato com um mundo composto não de matéria crua, mas de mente inimaginável. O cientistas descreve o universo dentro das dimensões de tempo e espaço, em termos que ele pode contar e mensurar. Porém nem tudo que conta pode ser contado. Uma das obras mais antigas da Cabalá, o Livro da Formação, descreve ainda outra dimensão: aquela da vida, consciência e alma. Tudo que existe no tempo e no espaço, aprendemos, é primeiro encontrado no fundo daquela dimensão interior. É uma dimensão com a qual estamos intimamente familiarizados. O artista olha para uma árvore e vê não uma estrutura celular de carbono, mas beleza, vida e magnificência. O amante da música escuta num quarteto de cordas não as vibrações das cordas de nylon e sua série de tons, mas a luta pela resolução dentro da alma do compositor. O crítico literário lê dentro das palavras do romance os pensamentos do autor, dentro dos pensamentos as atitudes, dentro das atitudes a percepção do mundo que gera tais atitudes, e dentro daquela percepção a persona do próprio autor. Assim também, o cabalista vê dentro de cada exemplo da realidade não sua presença palpável e definida, mas uma energia divina sustentando toda a existência, sempre nova como a água da cachoeira é renovada a cada momento, gerando e regenerando cada detalhe do vácuo absoluto, imbuindo cada coisa com suas propriedades particulares e com vida, cada instante da existência em sua maneira particular. E dentro daquela dinâmica da criação, o cabalista vê o próprio D'us. Como resultado, temos uma afinidade com este universo ao redor. Assim como sentimos dentro de nós mesmos camada sobre camada de personalidade, mais profundamente cada extrato da consciência, e ainda dentro de tudo isso uma indefinível essência do ser, também podemos perceber profundamente dentro do universo uma sentença infinitamente maior que a nossa, e uma essência que transcende o conhecimento e o saber juntos. Na verdade, somos os filhos daquela essência incognoscível, nossas mentes um pálido reflexo de sua luz dentro das águas barrentas do mundo material, nossas almas seu próprio sopro dentro daqueles limites corpóreos.
Por que precisamos agora da Cabalá?
O franco estudo da Cabalá atualmente não é apenas porque precisamos da inspiração que ele fornece, mas porque este é um estágio vital na evolução do mundo. Divulgar os ensinamentos da Cabalá numa forma que a mente possa entender prepara o mundo para a Era Messiânica.A suprema fase deste mundo é uma era messiânica na qual “a ocupação do mundo inteiro será apenas conhecer a D'us”. Isso não significa simplesmente saber que há um D'us, mas conhecer Seu universo como Ele o conhece, e a sabedoria por trás disso como aquela sabedoria é uma com Ele. A preparação para este tempo já começou, e estamos nela. A obra principal da Cabalá, o Zohar, descreve uma era que espelhará o dilúvio de Nôach – dessa vez com um mundo inundado com sabedoria em vez de água: “No seiscentésimo ano da vida de Nôach… todos os mananciais da grande profundeza se abriram, e as janelas do céu ficaram abertas…” – Bereshit, 7:11 Sobre isto, o Zohar declara: “No 6º século do 6º milênio os portões da sabedoria sobrenatural serão abertos, como as fontes de sabedoria terrena, preparando o mundo para ser elevado ao sétimo milênio.” O sexto século do sexto milênio do calendário judaico corresponde ao período de 1740-1840, na verdade um período de explosivos avanços em tecnologia e ciência. Ao mesmo tempo, os portões da sabedoria sobrenatural foram abertos através dos mestres chassídicos da Cabalá. Agora é hora de partilhar ambas as sabedorias, a terrena e a celestial, para fundi-las como uma só e inundar o mundo até que seja cumprida a promessa do profeta: “A terra ficará repleta com a consciência de D'us como a água cobre o oceano.” - Yeshayahu 11:9
Onde posso aprender a Cabalá autêntica?
Fale com seu rabino. Talvez ele esteja dando aulas sobre Cabalá, ou algum tópico a partir de uma perspectiva cabalística.
Fonte: Chabad.org.br
assim é a sua alma.

Cabalá, então, é a sabedoria recebida, a teologia e a cosmologia nativas do Judaísmo. Outro nome para Cabalá – mais revelador – é “Torat ha’Sod.” Comumente, é mal traduzido como “o ensinamento secreto”. A tradução correta, porém, contém o significado oposto: “o ensinamento do secreto.” “O ensinamento secreto” significa que estamos tentando esconder algo de você. “O ensinamento do secreto” significa que estamos tentando ensinar algo a você, abrir e revelar algo oculto. Ora, você poderia dizer, se o segredo é ensinado, não é mais um segredo. Um segredo revelado, poderia parecer, é uma contradição. Seria assim se estivéssemos discutindo um segredo artificial, que é secreto apenas porque é velado em segredo, porque outros não querem que você descubra. Os verdadeiros segredos, uma vez revelados, explicados, ilustrados, analisados e integrados em sua consciência, permanecem tão misteriosos quanto antes. Não – muito mais misteriosos, pois à medida que a ilha de conhecimento se expande, assim também sua praia sobre o infinito mar do desconhecido. A vida tem muito desses mistérios: O que é amor? O que é mente? O que é vida? O que é existência? Como acontecem? De onde emergem? O que é a sua alma, a pessoa dentro do seu corpo? Você passa por todos esses a cada momento. Eles são você. E apesar disso, quanto mais você contempla as profundezas de seus mistérios, mais profundas as águas se tornam.
A Cabalá não é um ensinamento sagrado. É o ensinamento de um segredo.Os segredos mais profundos são aqueles conhecidos de todos, aqueles que aprendemos quando somos crianças pequenas, aceitamos como certo pelo resto da nossa vida, vivenciamos diariamente – e mesmo assim jamais conseguimos desvendar ou entender com nossa mente cognitiva. Existe. As coisas existem. Eu existo. Estou vivo. A vida é a não-morte. Escuridão não é luz. Existe aquilo que é maior que eu. A Cabalá mergulha nesses segredos e traz suas profundezas para a luz. Fornece metáforas para cura e crescimento na vida diária. É por isso que a experiência de estudar Cabalá é “Sim! Eu sabia essa verdade o tempo todo! Meu coração sabia, mas minha boca era incapaz de expressá-la!” As verdades da Cabalá pertencem a todo ser que sente. Porém, acima de tudo, a Cabalá proporciona uma sensação do além; o conhecimento daquilo que não pode ser conhecido, a sabedoria do mistério, o entendimento daquilo que não entendemos. A Cabalá é o conhecimento do assombro.
Por que a Cabalá é tão secreta?
Ensinar um segredo é perigoso. O aluno está em perigo, pois pode acreditar que realmente entende. Um mistério jamais pode ser apresentado sem as coberturas da metáfora e da parábola. Talvez o estudante entenda a capa mas não consiga desvendar seu conteúdo, como aquele que mastiga a casca e descarta o interior do fruto. O professor está em perigo, pois como pode saber se realmente entendeu? Vai ensinar muitos alunos, suas ideias serão popularizadas, a essência será perdida e seu significado será retorcido ao oposto da sua intenção. A própria Cabalá está em perigo, pois uma vez que tenha perdido sua integridade, imediatamente deixa de ser “a sabedoria recebida”. Pode ser sábia, pode ser bela, porém não é mais Cabalá. É por isso que, na maior parte do tempo, a Cabalá foi transmitida de mestre para alunos selecionados e de confiança, na maior confiabilidade. Quando foi escrita, os textos eram propositadamente crípticos e misteriosos, em enigmas sussurrados, parábolas e alusões obscurecidas. Às vezes, as restrições tinham de ser reafirmadas para impedir todos, exceto alguns poucos, de estudar Cabalá.
As águas desta fonte devem ser mantidas puras; devem continuar sendo águas vivas.Somente nas últimas centenas de anos os mestres começaram a revelar abertamente estas verdades. Os mestres chassídicos revelaram uma luz e forneceram um conjunto de metáforas que permite a todos abordarem aquela luz, trazendo a Cabalá ao domínio até da alma mais simples. Mas mesmo assim, um guia é indispensável, e deve-se tomar muito cuidado para preservar a pureza dos ensinamentos. Quem é este guia? Como você sabe que está recebendo águas puras, direto da fonte original? Por um lado, água pura reflete claramente. Se a vida do professor não reflete seus ensinamentos, suas águas são impuras. Depois, saiba que até Mashiach chegar, o caminho interior nunca é sem conflito. Se o ensinamento vem facilmente, não é o ensinamento interior. E em terceiro: É verdade que você não precisa ser judeu para se embeber no doce vinho da Cabalá ou para aprender seus caminhos de cura. Mas a alma da Cabalá é diferente de uma alma humana – jamais pode ser arrancada de seu corpo, pois o casamento de alma e corpo é completo. A prática judaica e a Cabalá são uma só. Se você ouvir “Não tem nada a ver com o Judaísmo”, está ouvindo uma mentira.
Como o estudo de Cabalá pode me ajudar?
Cabalá é um aspecto da Torá, e Torá significa “orientação” ou “instruções”. Tudo na Cabalá é para ser uma instrução na vida. Estudamos Cabalá não apenas para atingir um ponto alto, mas porque precisamos de sua inspiração na vida cotidiana, e porque nos fornece direção e orientação prática.
Para o Cabalista, o supremo paraíso é aqui agora, porque a Luz Infinita está aqui agora.A Cabalá proporciona uma dimensão cósmica aos assuntos da vida humana de todos os dias. A doença é um reflexo da doença de amor da divina presença para a Luz Infinita. Os desafios da vida são as centelhas perdidas no ato primitivo da criação, vindas a você para serem consertadas e elevadas. Sua vida é uma missão, na qual você é direcionado para as centelhas divinas que pertencem unicamente à sua alma, pelas quais sua alma tem retornado muitas vezes a este mundo até que sejam todas reunidas. Entender a dimensão cósmica significa que nada na vida é trivial. Tudo tem significado. Tudo se move rumo a um só propósito, com uma única meta. O entendimento permite que você aceite estes desafios e complete a jornada da sua alma.
Como a Cabalá difere de outros ensinamentos espirituais?
Há muitos ensinamentos espirituais sábios de pessoas em toda parte do globo. Em sua prática, as pessoas encontram transcendência do mundo material, esclarecimento e serenidade. O foco da Cabalá não é a serenidade. Também não é o esclarecimento transcendental. Proporciona estes também, mas como um meio, não como meta. A meta da Cabalá é a ação inspirada. Qualquer que seja a sabedoria que o cabalista adquire, qualquer que seja o estado de êxtase ou união mística ao qual ele ascende, o resultado será sempre um ato de beleza no mundo físico. Falando de outra forma: muitos mestres dirão a você para praticar boas ações e atos de bondade porque esta é uma pedra ao longo do caminho da consciência mais elevada. O cabalista lhe dirá que no momento da boa ação, você já está ali. O ato em si é a sua meta, à qual uma consciência mais elevada deve levar você.
Para o cabalista, o supremo paraíso é aqui agora, porque a Luz Infinita está aqui agora, e mais que qualquer reino espiritual, é onde a Luz Infinita anseia por ser descoberta. Nosso trabalho é descascar o fruto para revelar aquela luz dentro de cada artefato físico do mundo. Para iluminar não apenas a nós mesmos, mas todo ser vivo, e até a matéria inerte do nosso mundo.
Quando a Cabalá começou?
A revelação no Sinai foi a primeira e a suprema experiência da verdade interior.As histórias dos ancestrais são pintadas com uma paleta de visões místicas, revelações divinas e comunicação com seres não-físicos. Porém a Torá, incluindo a Cabalá, não é definida por aquelas visões. O evento central da narrativa judaica é a revelação em massa no Monte Sinai, quando “todo o povo viu os sons e a iluminação”. Digamos que você viveu pouco tempo depois do evento. Digamos que você perguntou às pessoas que tinham estado lá: “Diga-me o que aconteceu.” O que elas diriam a você? “Fomos instruídos a não ter outros deuses.” “Fomos instruídos a honrar nossos pais, a não roubar nem matar.” Não creio nisso. Mais provavelmente, a resposta deles seria algo assim: “Vimos todos os segredos do cosmos abertos à nossa frente. Vimos como cada coisa é gerada para ser a todo momento, vimos como não há realmente nada exceto um Criador, e tudo o mais são articulações de Sua vontade.” Os próprios mandamentos – não ter outros deuses, honrar os pais, não roubar ou matar – são apenas o conteúdo daquela experiência. O meio, a experiência – isto foi o âmago da mensagem. Foi naquela experiência mística que nosso povo nasceu – a experiência de um mundo no qual “de toda direção, D'us falou com eles.” Eles viram toda a realidade como nada exceto as palavras de uma única, incognoscísvel origem de todas as coisas. E eles entraram em comunhão com aquela Fonte. Por cerca de mil anos após o Sinai, a experiência judaica permaneceu definida pela profecia. A sabedoria era conhecida às pessoas através de videntes e profetas, homens e mulheres que se afastaram dos desejos e vaidades humanas para atingir uma visão clara dos reinos interiores. Porém nenhuma dessas visões forneceu uma nova revelação, acrescentando ou subtraindo coisa alguma da Torá. Estavam simplesmente afirmando, esclarecendo e sustentando a visão partilhada do Sinai. A era de profecia acabou no início do período do Segundo Templo, mas a revelação Divina e a visão mística nunca partiram. Nem os rececptores daquela sabedoria se sentaram à beira da tradição judaica. Muitos, se não a maioria, dos mais conhecidos mestres da alma da Torá foram também os mestres estabelecidos sobre o corpo da prática da Torá. Rabi Akiva é considerado o pai da Mishná, e o Talmud e Sefer HaBahir descrevem suas jornadas místicas. Seu aluno, Rabi Shimon bar Yochai, foi responsável pela clássica obra cabalística, o Zohar, e suas opiniões permeiam toda seção do Talmud. Às vezes, e em determinados lugares, a inquirição filosófica deixou de lado a tradição recebeida para dominar o pensamento judaico. Porém raramente foi considerada a teologia nativa, mas sim uma espécie de enxerto vindo de vinhas estranhas. As obras de filosofia ascendentes, lutando para criar uma única visão a partir de partes disparatadas. A Cabalá faz a conversão, começando com uma visão vívida, holística, e tentando transmitir aquela visão a outros. Apesar disso, especialmente após a expulsão da Espanha, o racionalismo e grande parte da terminologia dos filósofos se integrou à sabedoria holística da Cabalá. O resultado foi um florescimento e uma popularidade sem precedentes do pensamento cabalístico. A investigação filosófica jamais foi considerada nossa teologia nativa. Porém a Cabalá mais tarde se beneficiou através da síntese com ela.Na era crítica quando a Halachá foi codificada e estabelecida (a partir da expulsão espanhola até a metade do Século 17), quase todos os eruditos sérios estavam mergulhados na Cabalá. Rabi Yosef Caro, autor do código padrão da Lei Judaica, o Shulchan Aruch; Rabi Moshê Isserles, cujos retoques tornaram aquele código aceitável ao Judaísmo askenazita; bem como a maioria dos comentaristas padrão daquele código, escreveram obras cabalísticas também. Até o popular sermão na sinagoga com frequência era revestido e enfeitado com referências cabalísticas.
Para a maior parte dos judeus de países muçulmanos, o Zohar é tão sagrado quanto o Livros dos Salmos. O Movimento Chassídico cresceu diretamente a partir da Cabalá. Os oponentes originais ao Movimento Chassídico, como Rabi Elijah de Vilna, foram mestres da Cabalá. Muitos dos comentários padrão estudados atualmente sobre os Cinco Livros de Moshê estão repletos de referências a ideias cabalísticas. É por isso que tentar entender a experiência judaica sem entender a Cabalá é o mesmo que analisar o comportamento de uma pessoa sem saber o que se passa em sua mente. Os judeus notáveis das eras passadas que não provaram a Cabalá sentiam aquela alma interior intuitivamente dentro da Torá que eles estudavam, dentro de suas preces e dentro da prática das mitsvot. Em todas essas coisas, suas almas brilhavam vibrantemente. No decorrer dos séculos, à medida que o mundo se tornava mais estéril, materialista e confuso, aquela alma se tornou cansada e sentiu-se adormecida. Hoje, o caminho cecrto para uma pessoa que raciocina sentir a alma da experiência judaica é provar seus segredos íntimos. Hoje, o Judaísmo privado da Cabalá é um corpo privado de sua alma. Hoje o estudo da cabala é vital por um motivo ainda mais importante – como um estágio essencial para a evolução definitiva da humanidade. Abordaremos isto depois.
Você pode ser criativo com a Cabalá?
Uma sabedoria recebida pareceria não deixar espaço para originalidade ou criatividade. O Zohar nos diz que aquele que cria as próprias ideias e as chama de Torá está criando um ídolo. A comparação é significativa: como um ídolo é uma falsa representação de D'us, também essa ideia é uma falsa representação da sabedoria Divina, e “Ele e Sua sabedoria são um.” Porém, como em outros campos da Torá, a Cabalá ferve com pensamento criativo e originalidade. Eis como Rabi Moshê Cordovero, um professor líder do Século 16 da escola racionalista-cabalista de Tzfat, explicava a necessidade e os parâmetros de originalidade na Cabalá: O Livro da Formação diz: “Entenda com sabedoria; seja sábio com entendimento.” O Cabalista é criativo, pode ter visões iluminadoras, porém tudo que ele ensina não passa de comentário sobre a tradição recebida.“Entender com sabedoria” significa investigar bem tudo que seu mestre ensinou a você na sabedoria das modalidades. Afinal, nesses assuntos transmitimos apenas um mero esboço. A partir deste esboço, cada pessoa deve entender uma ideia a partir de outra. Você pode ver isto nas palavras de nossos Sábios quando eles disseram: “Este assunto é falado somente a um sábio que entende com sua própria mente.” A partir disto, você vê que uma pessoa deve usar a própria mente para comparar uma coisa com outra, e assim extrair uma ideia de dentro da outra. Dessa maneira ele terá uma mente procriativa e não uma estéril. E ainda diz; “Seja sábio com entendimento”. Isso significa que quando você origina e analisa com o próprio intelecto para que possa entender, deve tomar cuidado para conceber a ideia e explicá-la dentro da estrutura da tradição dos rabinos e suas palavras verdadeiras. As ideias originais devem estar incluídas naquilo que você adquiriu, seja pouco ou muito. Os cabalistas podem ter visões, mas eles não encontraram seus ensinamentos naquelas revelações. Sejam quais forem as visões que eles tiveram, veem aquelas como meras iluminações dos textos sagrados e dos ensinamentos que já receberam. Nesta maneira, a Cabalá permanece uma árvore da vida, com profundas raízes segurando-a firmemente no lugar, enquanto dá doces frutos novos a cada estação.
Quais são algumas ideias básicas da Cabalá?
Embora tudos se estendam a partir de uma só visão unificada, os temas que a Cabalá aborda são vastos e variados. Aqui estão alguns dos principais: Luz Infinita: Uma metáfora para D'us. D'us é incognoscível e sem forma, porém todas as formas se expandem a partir Dele. A ideia de luz ilimitada ajuda a comunicar essa ideia. Porém a essência de D'us está além até do infinito. E D'us é encontrado nas trevas assim como é encontrado na luz. Luz e Recipientes: Similar à ideia moderna de energia e matéria. O ato da criação é sustentado através de uma dinâmica de luz infinita comprimida em estados definidos de ser chamados “recipientes”, que então projetam a luz para criar uma infinidade de seres. Dez Sefirot: A conexão entre a Luz Infinita e uma criação finita deveria ser intransponível, e mesmo assim aqui estamos nós, decididamente projeções finitas daquela Luz Infinita. Este é o mistério das dez sefirot: como o Infinito interage com os mundos que gerou através de dez modalidades luminosas, A ordem das sefirot se move a partir do domínio intelectual através da emoção e desce até o âmbito do “domínio” – a esfera de realmente conseguir algo feito. Esta é a “divina imagem” na qual o ser humano é criado. Ao nos conhecermos como seres humanos, portanto, podemos descobrir o divino. E ao entender o divino, somos mais capazes de curar e nutrir o ser humano.
O Mistério do Alfabeto Hebraico:
Em hebraico, não há coisas, somente palavras. O nome hebraico de cada coisa contém sua força de vida essencial. O poder infinito do Criador é encontrado dentro de cada exemplo e objeto da criação; nada está fora dessa luz e nada é vazia dela. As vinte e duas letras do alfabeto hebraico expressam as articulações específicas daquela força criativa. Aquele que domina seus mistérios tem a chave para entender a natureza de cada coisa.
União de Opostos:
O universo inteiro é uma união dinâmica de macho e fêmea. A alma-vida do universo, conhecida como Shechiná, e a Luz Infinita, anseiam por se reunir, como a alma humana anseia por se reunir com sua origem dentro de D'us. O estudo de Torá e o cumprimento das mitsvot provocam essas uniões, permitindo assim que a luz nova e transcendental penetre no cosmos.
Tikun:
O mais notável dos cabalistas, Rabi Yitschak Luria, conhecido como “o Ari” (o leão), conseguiu explicar muitas passagens arcanas do Zohar por meio de uma doutrina de tikun, que significa “conserto”. Revertendo o modelo padrão, o Ari explicou que o mundo foi criado num estado quebrado, e o ser humano foi colcoado nele para recolher as peças espalhadas e consertar sua integridade. O resultado eventual é a união da existência finita com a Luz Infinita, além até daquilo que era no início da criação.
Como a Cabalá se encaixa no mundo moderno?
A Cabalá tem o potencial de amainar o conflito entre o frio mundo exterior que observamos e o cálido mundo interior do observador.Nos últimos cem anos, a ciência desnudou a complicada e pura vastidão do mundo físico numa maneira antes inconcebível. Descobrimos uma impressionante harmonia pela qual todo o universo físico é visto como uma singularidade, toda partículo integralmente relacionada a toda outra partícula, uma harmonia pela qual até a matéria e a energia em si mesmas são essencialmente uma única dinâmica. A tecnologis nos deu meios para partilhar e examinar este conhecimento que era inimaginável há uma geração. Programar nossos próprios ambientes virtuais nos enriquece com uma metáfora pela qual podemos imaginar o que significa criar um mundo e sustentar sua existência a cada momento. A humanidade deveria ser tomada por reverência e assombro, mas em vez disso temos sido deixados no frio. Ironicamente, em nossa busca pela unidade da lei fisiica, temos nos afastado daquela unidade, cavando um vácuo devastador entre o mundo difícil e material que nos cerca e o mundo suave e humano que arde no interior. Ao mediar este divórcio, nos mesmos nos tornamos órfãos. A Cabalá cura esta ferida. Descreve o mundo ao redor na linguagem da nossa psique. Ela nos põe em contato com um mundo composto não de matéria crua, mas de mente inimaginável. O cientistas descreve o universo dentro das dimensões de tempo e espaço, em termos que ele pode contar e mensurar. Porém nem tudo que conta pode ser contado. Uma das obras mais antigas da Cabalá, o Livro da Formação, descreve ainda outra dimensão: aquela da vida, consciência e alma. Tudo que existe no tempo e no espaço, aprendemos, é primeiro encontrado no fundo daquela dimensão interior. É uma dimensão com a qual estamos intimamente familiarizados. O artista olha para uma árvore e vê não uma estrutura celular de carbono, mas beleza, vida e magnificência. O amante da música escuta num quarteto de cordas não as vibrações das cordas de nylon e sua série de tons, mas a luta pela resolução dentro da alma do compositor. O crítico literário lê dentro das palavras do romance os pensamentos do autor, dentro dos pensamentos as atitudes, dentro das atitudes a percepção do mundo que gera tais atitudes, e dentro daquela percepção a persona do próprio autor. Assim também, o cabalista vê dentro de cada exemplo da realidade não sua presença palpável e definida, mas uma energia divina sustentando toda a existência, sempre nova como a água da cachoeira é renovada a cada momento, gerando e regenerando cada detalhe do vácuo absoluto, imbuindo cada coisa com suas propriedades particulares e com vida, cada instante da existência em sua maneira particular. E dentro daquela dinâmica da criação, o cabalista vê o próprio D'us. Como resultado, temos uma afinidade com este universo ao redor. Assim como sentimos dentro de nós mesmos camada sobre camada de personalidade, mais profundamente cada extrato da consciência, e ainda dentro de tudo isso uma indefinível essência do ser, também podemos perceber profundamente dentro do universo uma sentença infinitamente maior que a nossa, e uma essência que transcende o conhecimento e o saber juntos. Na verdade, somos os filhos daquela essência incognoscível, nossas mentes um pálido reflexo de sua luz dentro das águas barrentas do mundo material, nossas almas seu próprio sopro dentro daqueles limites corpóreos.
Por que precisamos agora da Cabalá?
O franco estudo da Cabalá atualmente não é apenas porque precisamos da inspiração que ele fornece, mas porque este é um estágio vital na evolução do mundo. Divulgar os ensinamentos da Cabalá numa forma que a mente possa entender prepara o mundo para a Era Messiânica.A suprema fase deste mundo é uma era messiânica na qual “a ocupação do mundo inteiro será apenas conhecer a D'us”. Isso não significa simplesmente saber que há um D'us, mas conhecer Seu universo como Ele o conhece, e a sabedoria por trás disso como aquela sabedoria é uma com Ele. A preparação para este tempo já começou, e estamos nela. A obra principal da Cabalá, o Zohar, descreve uma era que espelhará o dilúvio de Nôach – dessa vez com um mundo inundado com sabedoria em vez de água: “No seiscentésimo ano da vida de Nôach… todos os mananciais da grande profundeza se abriram, e as janelas do céu ficaram abertas…” – Bereshit, 7:11 Sobre isto, o Zohar declara: “No 6º século do 6º milênio os portões da sabedoria sobrenatural serão abertos, como as fontes de sabedoria terrena, preparando o mundo para ser elevado ao sétimo milênio.” O sexto século do sexto milênio do calendário judaico corresponde ao período de 1740-1840, na verdade um período de explosivos avanços em tecnologia e ciência. Ao mesmo tempo, os portões da sabedoria sobrenatural foram abertos através dos mestres chassídicos da Cabalá. Agora é hora de partilhar ambas as sabedorias, a terrena e a celestial, para fundi-las como uma só e inundar o mundo até que seja cumprida a promessa do profeta: “A terra ficará repleta com a consciência de D'us como a água cobre o oceano.” - Yeshayahu 11:9
Onde posso aprender a Cabalá autêntica?
Fale com seu rabino. Talvez ele esteja dando aulas sobre Cabalá, ou algum tópico a partir de uma perspectiva cabalística.
Fonte: Chabad.org.br
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POR QUE CELEBRAR O SHABAT?

Somos ordenados a lembrar do Shabat; mas lembrar significa muito mais que meramente não esquecer de guardar o Shabat. Significa também lembrar do significado do Shabat, tanto como uma celebração da Criação como para comemorar a nossa libertação da escravidão no Egito. Em Shemot 20:11, depois que o quarto Mandamento foi instituído pela primeira vez, D’us explica: "Durante seis dias o Eterno criou os céus e a terra, e mar e tudo que existe neles, e no sétimo dia, descansou: portanto, o Eterno abençoou o dia do Shabat e o santificou." Ao descansar no sétimo dia e santificá-lo, lembramos e reconhecemos que D’us é o Criador do céu e da terra e de todos os seres vivos. Nós também imitamos o exemplo Divino, abstendo-nos de trabalho no sétimo dia, como D’us fez. Se a obra de D’us pode ser deixada de lado para um dia de descanso, como podemos acreditar que nosso próprio trabalho é importante demais para ser deixado temporariamente de lado? Em Devarim 5:15, enquanto Moshê reitera os Dez Mandamentos, ele assinala a segunda coisa que devemos lembrar no Shabat: "Lembra-te que foste um escravo na terra do Egito, e o Eterno, teu D’us, o tirou de lá com mão poderosa e um braço estendido; portanto o Senhor teu D’us te ordenou guardar o dia do Shabat."
O que tem o Êxodo a ver com o descanso no sétimo dia? Trata-se de liberdade. Como eu disse antes, nos tempos antigos o lazer estava destinado a determinadas classes; os escravos não tinham dias de descanso. Assim, ao descansar no Shabat, somos lembrados de que somos livres. Porém num sentido mais geral, o Shabat nos liberta de nossas preocupações dos dias da semana, nossos prazos e horários e de nossos compromissos. Durante a semana, somos escravos de nossos empregos, de nossos credores, e da necessidade de prover por nós mesmos; no Shabat, somos libertados destas preocupações, assim como nossos ancestrais foram libertados da escravidão no Egito. Lembramos destes dois significados do Shabat quando recitamos o kidush (a prece sobre o vinho, santificando o Shabat ou um Dia Festivo). O kidush de sexta-feira à noite refere-se ao Shabat tanto como zikkaron l’ma’aseh bereshit (um memorial do trabalho no princípio) e zeicher litz’at mitzrayim (uma lembrança do êxodo do Egito).
Shamor: observar Obviamente, nenhuma discussão sobre o Shabat estaria completa sem discorrer sobre o trabalho que é proibido no Shabat. Este é um outro aspecto do Shabat que é mal entendido por pessoas que não o guardam. A maioria das pessoas vê a palavra "trabalho" e pensam sobre ela no sentido do literal: trabalho e esforço físico, ou emprego. Sob esta definição, acender uma luz seria permitido, porque não exige esforço, mas um rabino não poderia conduzir os serviços do Shabat, porque este é seu emprego. A Lei Judaica proíbe o primeiro e permite o segundo. Muitos, portanto, concluem que a Lei Judaica não faz o menor sentido. O problema não está na Lei Judaica, mas na definição que é usada. A Torá não proíbe o "trabalho" no sentido empregado no século 21. A Torá proíbe "melachá" (Mem-Lamed-Alef-Hê), que geralmente é traduzido como "trabalho", mas não significa exatamente o que as pessoas imaginam. Antes que você possa começar a entender as restrições do Shabat, é preciso que entenda a palavra "melachá". Este termo refere-se ao trabalho criativo, ou que exerce controle ou domínio sobre nosso ambiente. A palavra pode estar relacionada com "melech" (rei; Mem-Lamed-Kaf). O exemplo perfeito de melachá é o trabalho de criar o universo, que D’us cessou no sétimo dia. Veja que a obra de D’us não exigiu um grande esforço físico: Ele falou, e foi feito.
A palavra melachá raramente é usada nas Escrituras fora do contexto do Shabat e restrições dos dias festivos. O único outro uso repetido da palavra está na discussão da construção do santuário e seus recipientes no deserto (Shemot cap. 31, 35-38). Notavelmente, as restrições do Shabat são reiteradas durante esta discussão (Shemot 31:13), assim podemos deduzir que a obra de criar o santuário teve de ser parada para o descanso e santificação do Shabat. A partir daí, os rabinos concluíram que o trabalho proibido no Shabat é o mesmo que o trabalho para criar o Santuário. Eles encontraram 39 categorias de ações proibidas, e todas são tipos de trabalhos que foi preciso fazer na construção do Mishcán, Santuário. 1.Semear 2.Arar 3.Colher 4.Agrupar feixes 5.Debulhar 6.Joeirar - dispersar 7.Escolher 8.Moer 9.Peneirar 10.Fazer massa 11.Assar 12.Tosquiar 13.Lavar a lã 14.Desembaraçar a lã 15.Tingir a lã 16.Fiar 17.Esticar e tecer 18.Dar dois nós 19. Tecer dois fios 20. Separar duas linhas 21. Atar 22. Desatar 23. Costurar 24. Rasgar 25. Caçar 26. Abater 27. Pelar o couro 28. Curtir o couro 29. Alisar o couro 30. Demarcar o couro 31. Cortar 32. Escrever ou esculpir letras 33. Apagar 34. Construir 35. Destruir ou demolir 36. Acender fogo 37. Apagar ou diminuir o fogo 38. Bater com martelo (terminar a manufatura de qualquer objeto) 39. Levar um objeto de um domínio privado para o público, ou transportar um objeto em domínio público. Mishná Shabat, 7:2 Todas estas tarefas estão proibidas, bem como qualquer trabalho que opere pelo mesmo princípio ou tenha o mesmo objetivo. Além disso, os rabinos proibiram entrar em contato com qualquer implemento que poderia ser usado para um dos propósitos acima (por exemplo, não se pode tocar um martelo ou um lápis), viajar, comprar e vender, e outras tarefas dos dias da semana que poderiam interferir com o espírito do Shabat.
O uso da eletricidade é proibido porque serve à mesma função que o fogo ou algumas das outras proibições, ou porque é tecnicamente considerada como "fogo". A questão do uso do automóvel no Shabat, tão freqüentemente discutida por judeus não observantes, não é um tema controverso para os judeus religiosos. O automóvel funciona com base num motor de combustão interna, que opera queimando gasolina e óleo, uma clara violação da proibição da Torá contra acender um fogo. Além disso, o movimento do carro constituiria transportar um objeto no domínio público, outra violação da proibição da Torá, e com toda a certeza o carro seria usado para percorrer uma distância maior que a permitida pelas proibições rabínicas. Por todos estes motivos, e muitos mais, o uso de um carro no Shabat não é permitido. Como ocorre com quase todos os Mandamentos, todas as restrições do Shabat podem ser violadas se necessário para salvar uma vida. Um Shabat típico Toda a sexta-feira, judeus shomer Shabat, (que cuidam do Shabat), deixam o escritório para começarem os preparativos. O estado de espírito é semelhante a quando se prepara para a chegada de um convidado querido e especial. A casa é limpa, a família toma banho e se veste, as melhores louças são colocadas à mesa, uma refeição festiva é preparada. Além disso, tudo que não pode ser feito durante o Shabat deve ser preparado com antecedência: luzes e aparelhos são ligados (ou timers colocados neles, se a família costuma fazer dessa forma), a lâmpada da geladeira deve ser removida, para que não acenda quando a porta for aberta, e os preparativos para as refeições do Shabat devem ser feitas. O Shabat, como todos os outros dias judaicos, começa ao anoitecer, porque na história da Criação em Bereshit cap.1, está escrito: "E era noite, e era manhã, dia um." A partir daí, deduzimos que um dia começa com o anoitecer, ou seja, o pôr-do-sol. As velas do Shabat são acesas e uma bênção é recitada no máximo até dezoito minutos depois do pôr-do-sol. Este ritual, desempenhado pela mulher da casa, assinala oficialmente o início do Shabat. Duas velas são acesas, representando os dois mandamentos: zachor e shamor. Há um costume de acender uma vela adicional a cada filho que nasce, além das duas originais, e de meninas, a partir de três anos, acender sua própria vela, auxiliada por sua mãe, que deverá em seguida acender a sua. A família então poderá participar de um Cabalat Shabat em uma sinagoga próxima a sua casa.
Ao retornar da sinagoga, a família se mantém unida em torno da mesa. O homem da casa recita o Kidush, uma prece sobre o vinho, santificando o Shabat. A prece usual para comer pão é recitada sobre duas chalot. Então a família saboreia o jantar. Embora não haja exigências específicas ou costumes sobre o que comer, geralmente as refeições são constituídas de cozido ou alimentos de cozimento lento, por causa da proibição de cozinhar durante o Shabat. Depois do jantar, o bircat hamazon (Graças Após as Refeições) é recitado. Embora isso seja feito todos os dias, no Shabat é feito de maneira mais relaxada. Quando tudo isso já foi completado, geralmente são 9 horas, ou mais. A família tem uma hora ou duas para conversar ou estudar Torá, e depois vai dormir. Na manhã seguinte, os serviços do Shabat começam por volta das 9 horas e continuam até cerca de meio-dia. Após os serviços, a família diz o Kidush novamente e tem outra refeição festiva. Uma refeição típica é o cholent, um cozido preparado lentamente. Quando birkat hamazon é recitada, são cerca de duas horas da tarde. A família estuda Torá por algum tempo, conversa, faz uma caminhada. É comum uma breve soneca no meio da tarde. É tradicional fazer uma terceira refeição antes do final do Shabat. Esta geralmente é uma refeição leve no final da tarde. O Shabat termina ao cair da noite, quando três estrelas estão visíveis, cerca de 40 minutos após o pôr-do-sol. Na conclusão do Shabat, a família desempenha um ritual de encerramento chamado Havdalá (separação, conclusão). São recitadas bênçãos sobre o vinho, especiarias (cravo) e velas. Então é recitada uma bênção a respeito da divisão entre o sagrado e o secular, entre o Shabat e os dias comuns da semana, etc.
O Shabat é portanto um dia repleto, único e extremamente relaxante. Você não sente falta do celular, de dirigir seu carro ou fazer compras. Para isto você tem seis dias inteirinhos da semana para se programar. Tente! Vale a pena!
Fonte: Chabad.org.br
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28 de março de 2012
IMAGENS DA SINAGOGA TIFERET ISRAEL (A BELEZA DE ISRAEL) EM NILÓPOLIS - RJ
Reformada e transformada em centro multicultural, a antiga sinagoga Tiferet Israel marca a presença massiva dos judeus nesse crescente município da Baixada Fluminense. O prédio, em estilo holandês, foi reformado pela prefeitura da cidade, motivada pelo doc umentário "Novos Lares", que retrata a vida da comunidade judaica na região, em meados do século XX. A renomada atriz Teresa Rachel e o Dr. Jacob Kliegermann nasceram em Nilópolis.
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24 de março de 2012
BRIT MILÁ: CIRCUNCISÃO JUDAICA
O Brit Milá é um preceito positivo da Torá na qual D'us ordena realizar a circuncisão de todo menino judeu. É um dos rituais mais sagrados e como é efetuado sem a consciência da criança, significa um ato de fé acima da lógica, mantido através das gerações; é sinônimo de uma aliança viva e eterna entre o homem e D'us.
O primeiro:
Brit Milá é o sinal especial que tem distinguido o judeu dentre as nações, desde quando o patriarca Avraham circuncidou a si mesmo e a todos os de sua casa, por ordem Divina, na idade de 99 anos. Quando Yishmael, o primeiro filho de Avraham, fez o Brit milá, já possuía 13 anos, estava completamente capacitado a compreender este mandamento. Estava orgulhoso de sua decisão em submeter-se racionalmente a um preceito de D'us. Sua aceitação do Brit Milá estava limitada à razão. Yitschac, por outro lado, nasceu um ano após ter sido ordenado a Avraham fazer o Brit e foi circuncidado com apenas oito dias, um bebê sem o desenvolvimento intelectual.
Lei Judaica:
Pela Halachá, Lei Judaica, um judeu deve circuncidar seu filho no oitavo dia após o nascimento, quando sua faculdade da razão ainda não está desenvolvida. Isto significa que um judeu está ligado e comprometido com D'us o mais cedo possível, de um modo absoluto e abrangente, que transcende sua razão e percepção.
Shalom Zachor:
Na primeira sexta-feira após o nascimento de um filho, é feita uma cerimônia conhecida pelo nome de Shalom Zachor, traduzido como boas vindas e agradecimento a D'us pelo nascimento do bebê. Recebe na verdade esta designação por ser no Shabat, (também conhecido como Shalom, paz), quando nos reunimos para saudar o recém-nascido (Zachor). Costuma-se convidar amigos para celebrar a chegada do novo membro logo após a refeição de Shabat à noite, quando então servem-se alimentos e bebidas além do prato essencial desta noite: grão-de-bico, conhecido como arbis ou nahit, que simboliza luto. Por que luto em uma ocasião tão festiva? Para lamentar o fato de que ao nascer, a criança esqueceu a Torá que estava aprendendo no útero materno. Este aprendizado inicial da Torá lhe dá, mais tarde, a capacidade de adquirir o conhecimento e a sabedoria de D'us, por si mesma.
O dia do Brit Milá:
O Brit é executado no oitavo dia subsequente ao nascimento da criança. Por exemplo, se a criança nasceu no domingo (do pôr-do-sol de sábado até o pôr-do-sol de domingo) o Brit é realizado no domingo seguinte. Isto se aplica mesmo quando o oitavo dia cai num Shabat ou em algum Yom Tov (desde que o nascimento tenha sido de parto normal —caso tenha sido de cesariana, o Brit é adiado para o dia seguinte). A circuncisão é realizada através de um "Mohel", homem temente a D'us, cumpridor dos preceitos judaicos e versado na prática da circuncisão, conforme as leis da Torá. É o Mohel que decide se a criança está apta ou não a ser circuncidada. Se decidir que ela não está fisicamente capacitada a se submeter à circuncisão no tempo prescrito, por estar com icterícia, se encontrar abaixo do peso mínimo exigido (kg) ou algum outro problema, o Brit é adiado. Uma vez atrasada a cerimônia, ela não poderá ter lugar num Shabat ou em um Yom Tov, mas deverá ser realizada na primeira oportunidade. Sempre que praticável, o Brit deve ser realizado pela manhã como sinal de nossa urgência em cumprir uma mitsvá, a vontade de D'us. Nunca deve ser realizado à noite. Não se costuma convidar as pessoas para o Brit, mas simplesmente informá-las sobre a hora e o local, pois não seria apropriado que elas declinassem de um convite para um evento, no qual Eliyáhu, o profeta, estará presente.
O Profeta Eliyáhu:
Na cerimônia de cada Brit Milá o Profeta Eliyáhu é uma visita ilustre que traz muita honra. Há muito tempo, um dos reis de Israel, influenciado por maus conselheiros, aboliu a cerimônia da circuncisão. Eliyáhu, que vivia naquela época, clamou então a D'us relatando que o povo de Israel havia abandonado Sua valiosa aliança. A partir de então, D'us o instruiu a estar presente e a testemunhar todas as circuncisões. Por esta razão uma cadeira especial é designada em honra ao Profeta Eliyáhu, em cada Brit Milá.
O Mohel:
Embora a Torá aponte o pai para circuncidar seu filho, o Brit é geralmente feito por um Mohel, pois a maioria dos pais não está qualificada para executar tal ato. O homem escolhido para fazer o Brit deve ser observante e temente a D'us, e estar adequadamente habilitado e treinado. A circuncisão realizada através de um cirurgião judeu, mas que não seja um Mohel, adulterará inteiramente o significado do Brit Milá, pois este ato é o elo espiritual que liga a criança a D'us.
Sandec, Kvater e outras honras:
Juntamente com o Mohel, o Sandec, a pessoa que segura a criança durante a circuncisão, deve ser alguém de grande estima da família e da comunidade. O dia do Brit Milá é visto como uma festa para o Sandec, tal como para o pai e o Mohel. Geralmente, um casal (de noivos ou casados) é escolhido para servir de Kvater (aqueles que trazem a criança para o aposento onde o Brit terá lugar). A mulher toma a criança dos braços da mãe e por sua vez a entrega ao homem que a levará para o aposento. Ele ou ainda outro homem coloca então a criança sobre a cadeira reservada ao Profeta Eliyáhu. A tradição nos diz que ao dar a honra de ser Kvater a um casal ainda sem filhos, confere-se a este uma bênção especial para que se torne fértil e tenha seus próprios filhos. Em seguida, o pai coloca o bebê no colo do Sandec. Depois que o Mohel executa a circuncisão, mais dois homens podem receber honras especiais: um, a de segurar a criança, enquanto o outro recita a bênção e a prece especial onde em seguida é anunciado a todos o nome judaico da criança. Na refeição que se segue é costume acender velas em honra da Simchá, porém, nenhuma bênção especial é recitada. No Bircat Hamazon, Bênção de Graças recitada após uma seudat mitsvá, refeição festiva, vários pedidos são acrescentados para o bem-estar do nenê recém circuncidado, por seus pais, o Sandec e o Mohel. Através do Brit Milá um menino se identifica como judeu logo no início de sua vida e permanece, por toda ela, ligado à sua Fonte.
(PT.Chabad.org)
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21 de março de 2012
COMPORTAMENTO: VOCÊ JÁ FOI TATUADO?
Se você é do tipo inovador que gosta de realizar trocas em sua vida mudando seu guarda roupa, a marca de seu carro ou o destino de suas férias no próximo verão, tudo bem. Mas se as mudanças que você busca em sua vida são daquelas radicais, que talvez tornem-se quase irreversíveis, pesquise em exaustivas consultas ver se realmente vale a pena a aventura...e o risco! A moda "Tatoo" se espalhou. E hoje vemos as mais assombrosas ou discretas, discrepantes ou ocultas formas de tatuagem nos mais estranhos, ou normais, tipos de pessoas. Mas antes de se entusiasmar com a idéia: consulte sua fonte. Qual a posição do judaísmo sobre isto? A Lei Judaica proíbe a tatuagem. A Torá declara explicitamente que "não farás tatuagem em seu corpo." (Vayicrá 19:27). Esta é uma prática judaica aceita, por estar escrita no Código da lei Judaica - Yoreh Deah 180:1. "D'us fez o homem à Sua imagem" (Bereshit 1:26). Evidentemente, isso não significa que D'us Se parece conosco, mas sim que nosso corpo é uma expressão finita da infinita sabedoria de D'us. Um Midrash diz até que Avraham entendeu todas as mitsvot ao olhar para as partes diferentes de seu corpo! E como disse Job: "Em minha carne, eu vejo D'us" (Job 19:26).
Fonte: www.chabad.org.br
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