28 de fevereiro de 2009

MEU DEUS, ME DÊ CORAGEM... - CLARICE LISPECTOR



Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.

16 de novembro de 2008

O LADINO OU JUDEU-ESPANHOL

A LÍNGUA FALADA PELA COMUNIDADE JUDAICA DE ORIGEM IBÉRICA HÁ CINCO SÉCULOS ATRÁS VIVE UMA TENTATIVA DE RENASCIMENTO




Quinhentos anos passaram desde que se ouvia e falava esta língua em Portugal e Espanha. Chama-se Ladino e era a língua sefardita dos judeus ibéricos, feita de mesclas de castelhano e português medievais com hebraico. O Ladino foi extinto na Península Ibérica há cinco séculos, mas estima-se que ainda é falado por cerca de cento e cinquenta mil indivíduos em comunidades sefarditas em Israel, Turquia, nos Balcãs, Oriente Próximo e norte de Marrocos. Também é conhecido como espanhol sefardita e judeoespanhol.


RENASCIMENTO DO LADINO


O ladino ou judeu-espanhol, a língua falada pela comunidade judaica de origem ibérica, vive uma tentativa de recuperação em Istambul depois de décadas de falta de uso, que o Instituto Cervantes está apoiando através das Primeiras Jornadas da Cultura Sefaradi, que tiveram lugar recentemente na Turquia.
A maior parte dos turistas espanhóis que visita Istambul pensa que talvez só possam ouvir seu idioma dos hábeis comerciantes do Grande Bazar, dispostos a aprender a língua de Cervantes para bajular seus clientes.
Mas não, na antiga capital otomana existe uma grande comunidade cuja língua materna é também o espanhol. Trata-se dos sefaradis: os judeus expulsos da Espanha em 1492 em virtude do édito de Alhambra e que conservaram sua língua e seus costumes através dos séculos.
'Aqueles que os mandam embora perdem, eu ganho', conta-se que disse o sultão otomano Bayaceto II quando abriu suas portas à chegada dos sefardis e era verdade, pois os judeus-espanhóis contribuíram no desenvolvimento econômico do império que os acolheu.
As Primeiras Jornadas da Cultura Sefardi organizadas pelo Instituto Cervantes de Istambul tiveram precisamente o objetivo de ajudar na conservação do ladino. Para comemorar o 60º aniversário do semanário sefardi Shalom, as colocações das jornadas versaram sobre a imprensa em ladino e contaram com a presença, entre outros, do catedrático da Universidade Ben Gurion Tamar Alexandre e a pesquisadora Elena Romero.
Mas apesar do ladino ser a língua materna dos 20.000 sefardis da Turquia, sofre um severo abandono por parte dos jovens que preferem falar em turco, o idioma oficial e mais corrente no país.
'Até a geração dos que nasceram nos anos 60, o ladino era uma das línguas que se falava nos lares sefardis. No entanto, agora fala-se cada vez menos porque já não é a língua que se fala nas casas, de forma que, se um jovem sefaradi quer aprender ladino deve matricular-se num curso', explica Karen Gerson Sarhon com ligeira tristeza em sua língua judeu-espanhola, que recorda muito o castelhano antigo.
Sarhon é a responsável pelo suplemento em ladino 'El Amaneser' ('O Amanhecer') e diretora do Sentro de Investigasiones sobre la Kultura Sefardi Otomana-Turka e uma das personalidades mais empenhadas na defesa da cultura do judeu-espanhol.
Para Sarhon existem vários fatores pelos quais se foi abandonando o judeu-espanhol, entre eles se destacam a influência do francês durante o século XIX, o abandono do alfabeto 'Rashi' pelo ladino e a implantação da educação nacional turca após a instauração da República por Mustafá Kemal Atatürk.
'Quando foi fundada a República da Turquia, houve uma mudança na filosofia da comunidade sefardi e seus dirigentes decidiram que a comunidade se abrisse e se integrasse na sociedade turca', explica Sarhon.
‘Os sefardis queriam deixar claro que eram cidadãos turcos de fé judaica, mas leais à República da Turquia' — diz a intelectual, acrescentando — ‘Assim se puseram a aprender o turco porque ainda que o falassem pouco, tinham um forte sotaque espanhol'.
Este abandono se produziu também por uma queda do prestígio da língua ladina —agravada pela imigração de muitos sefaradis a Israel, onde o hebraico se sobrepôs ao judeu-espanhol, o que perdurou até os anos 90.
'Estávamos a ponto de perder toda nossa cultura, mas o trabalho de diferentes pessoas em todo o mundo conseguiu que agora começássemos a ver certa recuperação', afirma Sarhon.
De fato, alguns desses jovens sefaradis que já não falam ladino em casa se matriculam em cursos de espanhol moderno.
'Se aprendem o espanhol moderno a herança sefaradi será acessível para eles porque uma língua não é uma coisa abstrata, mas é através da língua que se produz a cultura e a forma de pensar. E nós somos um povo mediterrâneo que fala espanhol' reitera.
Sefarad, a terra espanhola que os judeus espanhóis deixaram para trás há séculos, segue na mente dos sefardis’, diz ela.
'Quando um sefaradi vai à Espanha, seu sentimento é muito curioso porque não se sente num país alheio, porém como em casa', assegura Sarhon.
Se os jovens sefaradis da Turquia conseguem não esquecer sobre suas origens, o ladino poderá experimentar um renascimento porque, como afirma um refrão judeu-espanhol título do periódico 'El Amaneser': 'Kuando muncho eskurese es para amaneser'. (Publicado em Iton Gadol e traduzido por Szyja Lorber para o jornal Visão Judaica).

9 de novembro de 2008

O que é “Hechsher Tzedek” (Certificado de Justiça)?!

O respeito por todas as criaturas de Deus, independente do que estiver no topo da pirâmide alimentícia.



Enquanto um selo “Kosher” garante que um animal foi morto com uma faca afiada (causando sofrimento mínimo), como podemos garantir que ele não sofreu abusos antes do abatimento? Como podemos garantir que os trabalhadores de uma fazenda que produz ovos que compramos não são mal tratados? Como sabemos que os vegetais que compramos não foram tratados com pesticidas prejudiciais ao meio-ambiente? Pior de tudo, temos que escolher entre uma galinha com certificado “Kosher” e a galinha de instalações socialmente éticas?

O Rabino Morris Allen, da Congregação Beth Jacob em Mendota Heights, Minnesota, criou um novo certificado chamado “Certificado de Justiça” ou, “Hechsher Tzedek” em Hebraico, que também indica que o produto é ecologicamente “Kosher”.
Em seu Blog, o Rabino Allen escreveu: “Precisamos viver num mundo onde podemos manter “Kosher” de uma forma que demonstre não somente nossa preocupação com Deus e a Torah, mas também a preocupação judaica de nossa relação com o mundo que vivemos”.
A Assembléia Rabinica e a “United Synagogue of Conservative Judaism” estão trabalhando juntos para implementar o conceito de “Hechsher Tzedek”. Esta nova certificação “Kosher” irá complementar – não substituir – as certificações tradicionais.
Os selos “Hechsher Tzedek” serão postos em produtos certificados “Kosher” produzidos em instalações que operarem conforme os padrões éticos judaicos. As instalações “Kosher” serão verificadas em seis áreas: salarios e benefícios justos, saúde e segurança, treinamento, transparência corporativa, cuidados com os animais e impacto no meio-ambiente. Kol Hakavod!! (Bom trabalho!)