O jornalista Leonardo Ferreira, natural do Rio de Janeiro (RJ), é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduado em Gestão Comercial & Marketing Digital, pós-graduado em Transtorno do Espectro Autista: Inclusão Escolar & Social, além de membro do Templo Beth-El of Jersey City (www.betheljc.org). O templo foi fundado no estado de New Jersey (EUA), em 1864.
2 de outubro de 2008
O QUE É KADISH?
O Kadish é um hino de louvor a Deus. Por ser tradicionalmente recitado nos enterros e nos serviços comemorativos dos finados, ele é popularmente considerado como uma oração pelos mortos. Entretanto, o Kadish não faz nenhuma referência à morte ou ao luto. É puramente uma exaltação a Deus e uma súplica por um mundo de paz.
Embora os cabalistas do século XVI atribíissem um caráter místico ao Kadish, alegando que toda vez que ele era recitado, a alma do falecido se elevava a um nível espiritual mais alto, o valor intrínseco do Kadish se relaciona a pessoa que o recita. Há uma expressão pública de fé em Deus por parte do enlutado, uma aceitação da Sua vontade mesmo em face da dor e da tristeza, uma submissão aos desígnios divinos diante da incapacidade de racionalizar uma tragédia pessoal.
O Kadish tem sido um dos fatores predominantes da continuidade do povo judeu - um elemento essencial daquele cordão umbilical que vem ligando as gerações judaicas uma a outra através dos tempos.
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POR QUE A REZA KADISH É RECITADA EM ARAMAICO E NÃO HEBRAICO?
Nos tempos talmúdicos, o hebraico era o idioma dos eruditos, a língua do estudo e da oração, porém o vernáculo era o aramaico. Os rabinos achavam essencial que qualquer leigo pudesse captar plenamente o significado do Kadish. Decretaram, portanto, que esta oração fosse sempre preferida na língua em que foi composta: em aramaico, a linguagem do povo.
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Cultura,
Curiosidades
QUAL É A IMPORTÂNCIA DO SHIVÁ?
Em que consiste a tradição de ficar sete dias em casa após uma morte na família (Shivá)?
A palavra "Shivá" significa "sete", e se refere ao período de sete dias de luto fechado, contados a partir do dia do enterro. A tradição tem origem na Torá, quando José "chorou sete dias" pelo seu pai, Jacob (Gênesis 50:10). Durante uma semana, os enlutados ficam em casa, abstendo-se de quaisquer atividades profissionais ou de lazer. Parentes e amigos fazem visitas de condolências à casa dos enlutados, e três vezes por dia (de manhã, à tarde e a noite) realizam-se serviços religiosos.
A instituição da Shivá tem como finalidade dar à família forças psicológicas e espirituais para continuar depois da perda de um ente querido. O enlutado não esta só; muito pelo contrário, ele faz parte da "comunidade" dos "enlutados de Sion". É esta consciência de grupo que lhe dá conforto, que lhe permite emergir fortalecido, preparado para enfrentar as vicissitudes da vida, e pronto para reassumir suas responsabilidades perante o seu povo.
A palavra "Shivá" significa "sete", e se refere ao período de sete dias de luto fechado, contados a partir do dia do enterro. A tradição tem origem na Torá, quando José "chorou sete dias" pelo seu pai, Jacob (Gênesis 50:10). Durante uma semana, os enlutados ficam em casa, abstendo-se de quaisquer atividades profissionais ou de lazer. Parentes e amigos fazem visitas de condolências à casa dos enlutados, e três vezes por dia (de manhã, à tarde e a noite) realizam-se serviços religiosos.
A instituição da Shivá tem como finalidade dar à família forças psicológicas e espirituais para continuar depois da perda de um ente querido. O enlutado não esta só; muito pelo contrário, ele faz parte da "comunidade" dos "enlutados de Sion". É esta consciência de grupo que lhe dá conforto, que lhe permite emergir fortalecido, preparado para enfrentar as vicissitudes da vida, e pronto para reassumir suas responsabilidades perante o seu povo.
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30 de setembro de 2008
Lista de Judeus de destaque no Brasil - 1
Esta categoria reúne alguns judeus brasileiros famosos (nascidos ou radicados no Brasil). Ressalve-se que, deve-se levar em conta que foi utilizado um critério mais amplo: aquelas pessoas de ascendência judaica conhecida, mesmo não sendo através de linhagem matrilinear, também constam na categoria.
A

ADOLPHO BLOCK
Abraham Medina
Adiel Tank
Adolfo Bloch
Adriana Behar
Ala Szerman
Alberto Dines
Alberto Goldman
Alexandre Herchcovitch
Ana Kutner
Anatol Rosenfeld
André Fischer
André Singer
Anita Leocádia Prestes
Arie Yaari
Arnaldo Cohen
Arnaldo Niskier
B

BUSSUNDA
Bel Kutner
Ben Abraham
Benjamin Steinbruch
Bernard Rajzman
Berta Loran
Beto Silva
Betty Gofman
Boris Casoy
Boris Fausto
Boris Schnaiderman
Branca Dias
Briolanja Fernandes
Bussunda
C

CLÁUDIA OHANA
Caco Ciocler
Cacá Rosset
Caio Blinder
Cao Hamburger
Carlos Arthur Nuzman
Carlos Minc
Carlos Scliar
Celso Lafer
César Lattes
Cíntia Moscovich
Clara Macedo
Clarice Lispector
Cláudia Costin
Cláudia Ohana
Cora Rónai
D

DINA SFAT
Dan Stulbach
Daniel Azulay
Daniel Feffer
Daniel Sabbá
David Feffer
David Samuel Alcolumbre Tobelem
David Zylbersztajn
Débora Bloch
Deborah Colker
Didi Wagner
Dina Sfat
Dorothéa Steinbruch
E

EVA TODOR
Edmond Safra
Eliana Guttman
Elie Horn
Ellen Jabour
Esther Scliar
Etty Fraser
Eva Blay
Eva Todor
Eva Wilma
F

FRANS KRAJBERG
Felícia Leirner
Francisco Gotthilf
Frans Krajcberg
Franz Weissmann
Fábio Feldmann
G

GILBERTO BRAGA
Gabriel Zellmeister
Geminiano Saback
Gerald Thomas Sievers
Germán Efromovich
Gilberto Braga
Gilberto Dimenstein
Girz Aronson
Giselda Leirner
Gregori Warchavchik
H

HECTOR BABENCO
Hans Stern
Hector Babenco
Henrique da Silveira
Henry Sobel
Horácio Lafer
I

ITHAMARA KOORAX
Iacov Hillel
Ida (Szafan) Gomes
Isaac Benayon Sabbá
Isaac Karabtchevsky
Isai Leirner
Israel Klabin
Ithamara Koorax
Izrael Szajnbrum
J

JUCA CHAVES
Jacob Gorender
Jacob Guinsburg
Jacob Pinheiro Goldberg
Jacques Lewkowicz
Jaime Barcelos
Jaime Lerner
Jaime Spitzcovsky
James Strauss
Jaques Wagner
Jayme Tiomno
John Neschling
Jonas Bloch
Jorge Eurico Ribeiro
Jorge Mautner
José de Abreu
José Mindlin
José Roitberg
José Safra
Juca Chaves
Julio Bogoricin
Júlio Fischer
Júlio Lerner
L

LUCIANO SZAFIR
Lasar Segall
Léo Gandelman
Leon Feffer
Leon Hirszman
Leonardo Ferreira (Jornalista)
Leôncio Basbaum
Liana Friedenbach
Lilia Katri Moritz Schwarcz
Lily Safra
Luciano Huck
Luciano Szafir
Luísa Mell
Luiz Zveiter
M

MARCELO FROMER
Marcelo Fromer
Marcelo Gleiser
Márcia Goldschmidt
Márcia Peltier
Marcos Plonka
Marcos Wainberg
Mariana Kupfer
Mário Haberfeld
Mário Schenberg
Mário Schoemberger
Maurício Einhorn
Maurício Sherman
Maurício Waldman
Max Feffer
Mayana Zatz
Michael Löwy
Michel Schlesinger
Miriam Mehler
Moacyr Scliar
Moysés Baumstein
Muriel Waldman
N

NATHALIA TIMBERG
Nathalia Timberg
Nelson Ascher
Nelson Leirner
Nilton Bonder
Noel Nutels
O

OLGA BENÁRIO PRESTES
Olga Benário Prestes
Otto Maria Carpeaux
P

PATRÍCIA KOGUT
Patrícia Kogut
Paul Singer
Paulo Rónai
R

ROBERTO FREJAT
Regina Zilberman
Renata Jesion
Ricardo Rosset
Riva Nimitz
Roberto Burle Marx
Roberto Civita
Roberto Frejat
Roberto Justus
Roberto Medina
Rosana Hermann
Rosane Gofman
Rosely Roth
Rubens Gerchman
S

SÍLVIO SANTOS
Samuel Benchimol
Samuel Klein
Samuel Wainer
Sandra Annenberg
Sandra Kogut
Serginho Groisman
Sérgio Besserman Vianna (Bussunda)
Sheila Leirner
António José da Silva (Dramaturgo carioca morto pela Inquisição em Lisboa – Leia livro “O Judeu”)
Silvio Santos (Senor Abravanel)
Simon Schwartzman
Simão Azulay
Sylvio Back
T

TERESA RAQUEL
Tarso Genro
Tatiana Belinky
Tereza Raquel
Tony Kanaan
U

URBANO MEDEIROS
Urbano Medeiros
V

VLADIMIR HERZOG
Victor Civita
Vladimir Herzog
W

WALDEMAR LEVY CARDOSO
Waldemar Levy Cardoso
Wálter Feldman
Y
Yehuda Busquila
Z

ZIEMBINSKY
Zbigniew Marian Ziembiński (Ator e diretor polonês/brasileiro)>
A

ADOLPHO BLOCK
Abraham Medina
Adiel Tank
Adolfo Bloch
Adriana Behar
Ala Szerman
Alberto Dines
Alberto Goldman
Alexandre Herchcovitch
Ana Kutner
Anatol Rosenfeld
André Fischer
André Singer
Anita Leocádia Prestes
Arie Yaari
Arnaldo Cohen
Arnaldo Niskier
B

BUSSUNDA
Bel Kutner
Ben Abraham
Benjamin Steinbruch
Bernard Rajzman
Berta Loran
Beto Silva
Betty Gofman
Boris Casoy
Boris Fausto
Boris Schnaiderman
Branca Dias
Briolanja Fernandes
Bussunda
C

CLÁUDIA OHANA
Caco Ciocler
Cacá Rosset
Caio Blinder
Cao Hamburger
Carlos Arthur Nuzman
Carlos Minc
Carlos Scliar
Celso Lafer
César Lattes
Cíntia Moscovich
Clara Macedo
Clarice Lispector
Cláudia Costin
Cláudia Ohana
Cora Rónai
D

DINA SFAT
Dan Stulbach
Daniel Azulay
Daniel Feffer
Daniel Sabbá
David Feffer
David Samuel Alcolumbre Tobelem
David Zylbersztajn
Débora Bloch
Deborah Colker
Didi Wagner
Dina Sfat
Dorothéa Steinbruch
E

EVA TODOR
Edmond Safra
Eliana Guttman
Elie Horn
Ellen Jabour
Esther Scliar
Etty Fraser
Eva Blay
Eva Todor
Eva Wilma
F

FRANS KRAJBERG
Felícia Leirner
Francisco Gotthilf
Frans Krajcberg
Franz Weissmann
Fábio Feldmann
G

GILBERTO BRAGA
Gabriel Zellmeister
Geminiano Saback
Gerald Thomas Sievers
Germán Efromovich
Gilberto Braga
Gilberto Dimenstein
Girz Aronson
Giselda Leirner
Gregori Warchavchik
H

HECTOR BABENCO
Hans Stern
Hector Babenco
Henrique da Silveira
Henry Sobel
Horácio Lafer
I

ITHAMARA KOORAX
Iacov Hillel
Ida (Szafan) Gomes
Isaac Benayon Sabbá
Isaac Karabtchevsky
Isai Leirner
Israel Klabin
Ithamara Koorax
Izrael Szajnbrum
J

JUCA CHAVES
Jacob Gorender
Jacob Guinsburg
Jacob Pinheiro Goldberg
Jacques Lewkowicz
Jaime Barcelos
Jaime Lerner
Jaime Spitzcovsky
James Strauss
Jaques Wagner
Jayme Tiomno
John Neschling
Jonas Bloch
Jorge Eurico Ribeiro
Jorge Mautner
José de Abreu
José Mindlin
José Roitberg
José Safra
Juca Chaves
Julio Bogoricin
Júlio Fischer
Júlio Lerner
L

LUCIANO SZAFIR
Lasar Segall
Léo Gandelman
Leon Feffer
Leon Hirszman
Leonardo Ferreira (Jornalista)
Leôncio Basbaum
Liana Friedenbach
Lilia Katri Moritz Schwarcz
Lily Safra
Luciano Huck
Luciano Szafir
Luísa Mell
Luiz Zveiter
M

MARCELO FROMER
Marcelo Fromer
Marcelo Gleiser
Márcia Goldschmidt
Márcia Peltier
Marcos Plonka
Marcos Wainberg
Mariana Kupfer
Mário Haberfeld
Mário Schenberg
Mário Schoemberger
Maurício Einhorn
Maurício Sherman
Maurício Waldman
Max Feffer
Mayana Zatz
Michael Löwy
Michel Schlesinger
Miriam Mehler
Moacyr Scliar
Moysés Baumstein
Muriel Waldman
N

NATHALIA TIMBERG
Nathalia Timberg
Nelson Ascher
Nelson Leirner
Nilton Bonder
Noel Nutels
O

OLGA BENÁRIO PRESTES
Olga Benário Prestes
Otto Maria Carpeaux
P

PATRÍCIA KOGUT
Patrícia Kogut
Paul Singer
Paulo Rónai
R

ROBERTO FREJAT
Regina Zilberman
Renata Jesion
Ricardo Rosset
Riva Nimitz
Roberto Burle Marx
Roberto Civita
Roberto Frejat
Roberto Justus
Roberto Medina
Rosana Hermann
Rosane Gofman
Rosely Roth
Rubens Gerchman
S

SÍLVIO SANTOS
Samuel Benchimol
Samuel Klein
Samuel Wainer
Sandra Annenberg
Sandra Kogut
Serginho Groisman
Sérgio Besserman Vianna (Bussunda)
Sheila Leirner
António José da Silva (Dramaturgo carioca morto pela Inquisição em Lisboa – Leia livro “O Judeu”)
Silvio Santos (Senor Abravanel)
Simon Schwartzman
Simão Azulay
Sylvio Back
T

TERESA RAQUEL
Tarso Genro
Tatiana Belinky
Tereza Raquel
Tony Kanaan
U

URBANO MEDEIROS
Urbano Medeiros
V

VLADIMIR HERZOG
Victor Civita
Vladimir Herzog
W

WALDEMAR LEVY CARDOSO
Waldemar Levy Cardoso
Wálter Feldman
Y
Yehuda Busquila
Z

ZIEMBINSKY
Zbigniew Marian Ziembiński (Ator e diretor polonês/brasileiro)>
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27 de setembro de 2008
OS JUDEUS DE NILÓPOLIS - RJ
Documentário descortina o processo de colonização polonesa na cidade da Baixada Fluminense, após 1920
Jornal do Brasil - Histórias que devem ser contadas - Ricardo Schott

Autora do livro Vivência judaica em Nilópolis (Imago), a polonesa Esther London, morta em 2007 aos 92 anos, é um dos fios condutores do documentário Judeus em Nilópolis, do jornalista Radamés Vieira, ainda sem data de lançamento. O vídeo conta a história de 300 famílias judias que se estabeleceram no município da Baixada Fluminense a partir de 1920. As famílias, incluindo a de Esther (que foi para lá assim que se casou, com um polonês, no Brasil), mesmo passando por sérias dificuldades financeiras, praticamente desbravaram o município, montando uma numerosa comunidade e até construindo uma sinagoga, a Tiferet Israel, fechada desde 1970.
– Um dos objetivos do documentário é chamar a atenção do poder público para a necessidade da preservação dessa sinagoga. É um prédio histórico, completamente abandonado – diz Vieira, orgulhoso de ter conseguido entrevistar Esther a tempo. – Ela me inspirou muito, tinha uma memória fantástica. Falou a respeito da chegada dos judeus ao Brasil, das coisas que não existiam na Polônia. E eles foram responsáveis pelo começo da urbanização do município.
Filho de Esther, o engenheiro Pedro London lembra, saudoso, da comunidade.
– Lá se falavam quatro línguas: português, polonês, hebraico e iídiche. E havia detalhes singulares – recorda. – Hoje não há judeus sapateiros ou mecânicos. Havia vários, até porque a profissão de sapateiro era valorizada na Polônia. E ainda havia convivência entre imigrantes judeus e árabes, que também viviam na região.
A colonização em Nilópolis ocorreu quando já havia vários judeus em locais centrais do Rio, como a Praça 11. Também havia judeus em bairros como Madureira e Méier. Mas o município da Baixada Fluminense tornou-se o epicentro dos imigrantes. Boa parte deles vinha da Polônia, numa época em que a Rússia czarista perseguia a população judaica. Eles se estabeleceram nos arredores da Avenida General Mena Barreto, no Centro de Nilópolis.
– A Praça 11 já estava superlotada. E os terrenos em Nilópolis eram baratos. Além disso, pela linha férrea, era o primeiro município após o Rio – diz o diretor, que promoveu um encontro de ex-moradores judeus da cidade (alguns já morando em Israel há décadas) que começava com uma viagem de trem. – Também lançamos em português o livro Novos lares, editado em íidiche em 1932 por Adolfo Kischinevisky, que morava em Nilópolis. O livro foi traduzido pela Sara Morelenbaum, mãe do (violoncelista) Jaques.
Vieira, que não é judeu, mas morava em Nilópolis na época em que a cidade era habitada por muitos judeus, pôs-se a correr atrás de personagens. Entre telefonemas e viagens internacionais, reencontrou amigos de infância, como Chaim Litewski, hoje jornalista em Nova York, e descobriu que pessoas conhecidas, como a atriz Teresa Rachel e o secretário municipal de Saúde, Jacob Kligerman, são judeus de Nilópolis.
– Com exceção de poucos, os judeus não têm relação com a cidade desde os anos 70 – lembra Vieira. – Hoje ficaram só a sinagoga e o cemitério comunal Israelita de Nilópolis, construído em 1935.
Vieira, que teve apoio financeiro do Centro da Cultura Judaica (da Casa de Cultura de Israel), aguarda a finalização do documentário. Já foram gastos R$ 100 mil na realização e faltam R$ 50 mil terminá-lo. Ele crê que o filme pode servir para dirimir lugares-comuns.
– Os judeus progrediram, sim. Mas, no Brasil, tiveram toda uma história de luta, que as pessoas não conhecem – conta.
07 de julho de 2008 : 01h00m.
Jornal do Brasil - Histórias que devem ser contadas - Ricardo Schott

Autora do livro Vivência judaica em Nilópolis (Imago), a polonesa Esther London, morta em 2007 aos 92 anos, é um dos fios condutores do documentário Judeus em Nilópolis, do jornalista Radamés Vieira, ainda sem data de lançamento. O vídeo conta a história de 300 famílias judias que se estabeleceram no município da Baixada Fluminense a partir de 1920. As famílias, incluindo a de Esther (que foi para lá assim que se casou, com um polonês, no Brasil), mesmo passando por sérias dificuldades financeiras, praticamente desbravaram o município, montando uma numerosa comunidade e até construindo uma sinagoga, a Tiferet Israel, fechada desde 1970.
– Um dos objetivos do documentário é chamar a atenção do poder público para a necessidade da preservação dessa sinagoga. É um prédio histórico, completamente abandonado – diz Vieira, orgulhoso de ter conseguido entrevistar Esther a tempo. – Ela me inspirou muito, tinha uma memória fantástica. Falou a respeito da chegada dos judeus ao Brasil, das coisas que não existiam na Polônia. E eles foram responsáveis pelo começo da urbanização do município.
Filho de Esther, o engenheiro Pedro London lembra, saudoso, da comunidade.
– Lá se falavam quatro línguas: português, polonês, hebraico e iídiche. E havia detalhes singulares – recorda. – Hoje não há judeus sapateiros ou mecânicos. Havia vários, até porque a profissão de sapateiro era valorizada na Polônia. E ainda havia convivência entre imigrantes judeus e árabes, que também viviam na região.
A colonização em Nilópolis ocorreu quando já havia vários judeus em locais centrais do Rio, como a Praça 11. Também havia judeus em bairros como Madureira e Méier. Mas o município da Baixada Fluminense tornou-se o epicentro dos imigrantes. Boa parte deles vinha da Polônia, numa época em que a Rússia czarista perseguia a população judaica. Eles se estabeleceram nos arredores da Avenida General Mena Barreto, no Centro de Nilópolis.
– A Praça 11 já estava superlotada. E os terrenos em Nilópolis eram baratos. Além disso, pela linha férrea, era o primeiro município após o Rio – diz o diretor, que promoveu um encontro de ex-moradores judeus da cidade (alguns já morando em Israel há décadas) que começava com uma viagem de trem. – Também lançamos em português o livro Novos lares, editado em íidiche em 1932 por Adolfo Kischinevisky, que morava em Nilópolis. O livro foi traduzido pela Sara Morelenbaum, mãe do (violoncelista) Jaques.
Vieira, que não é judeu, mas morava em Nilópolis na época em que a cidade era habitada por muitos judeus, pôs-se a correr atrás de personagens. Entre telefonemas e viagens internacionais, reencontrou amigos de infância, como Chaim Litewski, hoje jornalista em Nova York, e descobriu que pessoas conhecidas, como a atriz Teresa Rachel e o secretário municipal de Saúde, Jacob Kligerman, são judeus de Nilópolis.
– Com exceção de poucos, os judeus não têm relação com a cidade desde os anos 70 – lembra Vieira. – Hoje ficaram só a sinagoga e o cemitério comunal Israelita de Nilópolis, construído em 1935.
Vieira, que teve apoio financeiro do Centro da Cultura Judaica (da Casa de Cultura de Israel), aguarda a finalização do documentário. Já foram gastos R$ 100 mil na realização e faltam R$ 50 mil terminá-lo. Ele crê que o filme pode servir para dirimir lugares-comuns.
– Os judeus progrediram, sim. Mas, no Brasil, tiveram toda uma história de luta, que as pessoas não conhecem – conta.
07 de julho de 2008 : 01h00m.
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25 de setembro de 2008
DENOMINAÇÕES JUDAICAS: MOVIMENTO ORTODOXO
JUDAÍSMO ORTODOXO.
Jovem "haredi" (Ortodoxo em Hebraico) examina um "Etrog" (Fruta aromática da família do limão), usada durante as comemorações do "Sukkot" (Festa dos Tabernáculos)Nos EUA o judaísmo ortodoxo representa cerca de 10% dos judeus filiados. Judeus ortodoxos aceitam integralmente a Halachá e, diferentemente dos judeus conservadores/massortís, entendem que ela não é passível de modificação. A ortodoxia entende que as 613 mitsvót contidas na Torá são obrigatórias para todos os judeus. Eles acreditam que a Torá foi revelada diretamente por D-us; em decorrência disso, as suas leis são divinas e devem ser obedecidas. Assim, os ortodoxos são os mais tradicionais entre todos os grupos judaicos. Homens e mulheres sentam-se separados por uma mechitzá (divisória) nos serviços religiosos; somente os homens compõem o minián (quorum mínimo de dez homens judeus adultos para a realização de um serviço religioso público) e sobem ao púlpito para ler na Torá. Não é permitido andar de carro no Shabat nem para ir à sinagoga e não há rabinas ortodoxas. Na prática, os judeus ortodoxos tendem a cumprir as leis judaicas em áreas como manter o Shabat e seguir uma dieta casher.
As exigências para a conversão ortodoxa são as mesmas que as do judaísmo conservador/massortí. A principal diferença entre eles é que os rabinos ortodoxos geralmente não aceitam as conversões praticadas por rabinos não-ortodoxos (conservadores/massortís e reformistas), pois não reconhecem o bet din (corte religiosa) formado para avaliar os conhecimentos e a convicção do candidato. Este fato tem causado uma polêmica considerável dentro da comunidade judaica, e é importante que os candidatos potenciais à conversão estejam cientes deste problema.
As dificuldades surgem em casos específicos. Aqui vai um exemplo: uma mãe nascida não-judia foi convertida por um rabino não-ortodoxo e se casou com um homem judeu. Os filhos deste matrimônio foram criados como judeus, são considerados judeus pela comunidade em geral, mas não pelo movimento ortodoxo, pois a conversão da mãe não é reconhecida pelos ortodoxos (os filhos de uma mãe judia são automaticamente considerados judeus, mesmo que não tenham sido criados como judeus). Conseqüentemente, se um desses filhos desejar se casar com uma pessoa ortodoxa, um rabino ortodoxo se recusará a celebrar o casamento sem uma prévia conversão ortodoxa. Os rabinos ortodoxos não celebram nem comparecem a um casamento ecumênico.

Cabe ressaltar que, em Israel, as conversões realizadas por todos os movimentos (ortodoxo, conservador/massortí e reformista) dentro e fora do Estado de Israel são legalmente reconhecidas, conferindo aos convertidos o direito de Aliá, a Lei de Retorno, que defende o direito de todo judeu morar em Israel. No entanto, o judaísmo ortodoxo é o único movimento cujos casamentos feitos em Israel são reconhecidos oficialmente; os casamentos feitos pelos demais movimentos só são reconhecidos em Israel se forem realizados no exterior.
Há diversas organizações ortodoxas ao redor do mundo, com práticas diferentes. A Orthodox Union é a maior delas. No Brasil não há um website específico para todo o movimento; a organização mais conhecida é o Beit Chabad, que também tem alguns websites regionais.
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DENOMINAÇÕES JUDAICAS: MOVIMENTO REFORMISTA
Uma das verdadeiras dificuldades que as pessoas que procuram o Judaísmo têm é decidir qual movimento escolher
Os judeus reformistas aceitam a lei judaica, porém colocam ênfase na autonomia moral dos indivíduos que decidem quais leis têm significado religioso para elesNo Brasil, fala-se em três movimentos principais; além destes, há o que podemos chamar de instituições religiosas tradicionais não filiadas a nenhum dos movimentos mas que carregam as tradições de onde vieram seus fundadores (Rússia, Romênia, Bessarábia, Hungria, Portugal, Egito, Líbano, etc.); bem como alguns judeus que não se filiam a nenhum dos grupos.
Judaísmo Reformista/Progressista
Nos EUA os reformistas representam cerca de 45% dos judeus filiados e são o maior grupo judaico norte-americano. No Brasil não há estatísticas a respeito, mas trata-se de um grupo minoritário. Embora não haja dados estatísticos precisos, acredita-se que a maioria dos judeus filiados sejam conservadores/massortí, e provavelmente a parcela de ortodoxos seja maior aqui do que nos EUA. É muito grande o número de judeus não-praticantes e/ou não filiados a quaisquer dos movimentos.
Lei Judaica
Os judeus reformistas aceitam a lei judaica, porém colocam ênfase na autonomia moral dos indivíduos que decidem quais leis têm significado religioso para eles. No judaísmo reformista, o estudo da Torá, do Talmud e da Halachá são estimulados e considerados a fonte maior da tradição judaica, com o foco maior nas ações sociais e éticas baseadas nos escritos dos profetas.
É importante mencionar que todos os movimentos judaicos apóiam e mantêm inúmeras entidades de cunho social, pois o conceito de tsedacá, justiça social, é fundamental dentro do povo judeu e considerado uma mitsvá, um mandamento.
Hebraico e vernacular
Geralmente, o serviço religioso reformista nem sempre é feito inteiramente em hebraico, como nos movimentos ortodoxo e conservador/massortí; muitas orações são feitas na língua natal e podem ser incluídos textos inspiradores. Assim como no movimento conservador/massortí, o serviço religioso é igualitário: homens e mulheres sentam-se juntos nos serviços religiosos, compõem o minián (quorum mínimo de dez pessoas judias adultas para a realização de um serviço religioso público) e sobem ao púlpito para ler na Torá. Pode-se andar de carro no Shabat para ir à sinagoga e as mulheres podem ser ordenadas como rabinas.
Flexibilidade
O movimento reformista é muitas vezes considerado, inclusive por alguns dos seus próprios membros, como o mais flexível em termos de práticas religiosas. Por exemplo, a dieta casher é estimulada, mas não obrigatória. Atualmente todas as instituições judaicas reformistas oferecem comida casher dentro de suas sedes, numa tendência geral, dentro do movimento, de retorno às práticas tradicionais.
Matrilinearidade/patrilinearidade
O judaísmo reformista aceita a matrilinearidade (filhos de uma mãe judia são judeus), mas defende também a patrilinearidade sob certas condições. Assim sendo, considera também que os filhos de um pai judeu com uma mãe não-judia são judeus desde que tenham sido criados dentro do judaísmo, participem da vida judaica e se identifiquem publicamente como judeus por meio de diversas ações religiosas formais. Portanto, para o movimento reformista os filhos de um casamento desta natureza não precisam se converter para serem reconhecidos como judeus.
O reconhecimento da patrilinearidade não é compartilhado pelos movimentos conservador/massortí e ortodoxo, que não reconhecem esses filhos como judeus. Conservadores e ortodoxos seguem apenas a matrilinearidade, ou seja, só reconhecem como judeus os filhos de uma mãe judia, seja ela nascida judia ou convertida de acordo com cada movimento. O potencial de problemas aqui é óbvio.
Conversões

Uma das etapas da cerimônia de conversão ao Judaísmo: Mulher imersa no "Mikveh" (Banho ritual)
O movimento reformista conta com o maior número de convertidos entre todos os movimentos. Famílias compostas por casamentos inter-religiosos são aceitas, e nos EUA há um programa efetivo para alcançar e incluir estas famílias no meio judaico.
As conversões realizadas por rabinos reformistas, dentro e fora de Israel, são reconhecidas pelo Estado de Israel, conferindo aos convertidos o direito de Aliá, a Lei de Retorno, que defende o direito de todo judeu morar em Israel.
Para mais informações, visite os websites do Movimento Reformista e da World Union for Progressive Judaism (WUPJ). No Brasil a única organização a representar o movimento reformista é a WUPJ for Latin America (em português, inglês e espanhol).
PERIGO: JUDAÍSMO MESSIÂNICO

Nenhuma denominação judaica oficial (Ortodoxa, Conservadora, Reformista e Reconstrucionista) reconhece o "Judaísmo Messiânico", que foi fundado em meados do Século XX por evangélicos. Seus seguidores não têm direito à Lei do Retorno (Aliah)
IMPORTANTE! Por fim, é fundamental ressaltar que o chamado "judaísmo messiânico" não é um movimento judaico. Apesar de assim se auto-intitular, não faz parte do povo judeu e é completamente estranho ao mesmo, uma vez que nega a Unicidade de D-us (um dos princípios fundamentais do judaísmo) e desconsidera inúmeros requisitos necessários para a identificação do Messias. Esta premissa é compartilhada por todos os movimentos: “judaísmo messiânico” não é judaísmo.

Os fundadores do "Judaísmo Messiânico" sequer foram judeus
Créditos:
Texto adaptado do site em inglês www.convert.org com a permissão de Barbara Shair
Tradução: Fábio Lacerda
Edição: Adriana Lacerda, Uri Lam e Mariane Dinis
Adaptação para o judaísmo brasileiro: Uri Lam
Agradecimentos especiais: Uri Lam, Mariane Dinis e Fernanda Goulart
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