2 de dezembro de 2012

PANAMÁ FOI O ÚNICO PAÍS LATINO AMERICANO A VOTAR CONTRA A CRIAÇÃO DE UM ESTADO OBSERVADOR PALESTINO NO ORIENTE MÉDIO




As Nações Unidas (ONU) votaram na quinta-feira, 29 de novembro, a favor do reconhecimento do estatuto de Estado observador à Palestina. Uma esmagadora maioria de 138 países votou a favor da resolução, incluindo Portugal, França e vários outros países europeus, com apenas 9 a votar contra e 41 a abster-se. 
Os votos contra vieram de Israel, Panamá, sendo esse o único país latino americano, e dos Estados Unidos, entre outros, que consideram que a atribuição do estatuto não melhora as possibilidades de alcançar a paz no Médio Oriente. 
O estatuto de observador coloca a Palestina ao lado do Vaticano e permite também o acesso ao Tribunal Penal Internacional, bem como outras agências das Nações Unidas de que a Palestina queira tornar-se membro.
Segundo um funcionário das Nações Unidas, citado pela Reuters sob anonimato, “a questão do Tribunal Penal é o que preocupa verdadeiramente os israelenses. Eles sabem que isto não é apenas um passo simbólico”. 
A decisão da Assembleia Geral reconhece a soberania da Palestina sobre o seu território, onde foi acolhida com festejos e rajadas de tiros para o ar.

Fonte: Portal online Renascença

1 de dezembro de 2012

ARTISTAS DE ASCENDÊNCIA JUDAICA NO BRASIL

Esta é uma homenagem ao talento de vários artistas de ascendência judaica, que atuam na TV, teatro e cinema no Brasil. Desta vez ficaram de fora os músicos.


Atores:




Abrahão Farc (Abram Jacob Szafarc) - ator e diretor
Beyla Genauer - atriz e escritora
Bel Kutner - atriz
Bernardo Jablonski - ator, diretor e crítico teatral
Betty Gofman - atriz
Bruce Gomlevsky - ator
Cacá Rosset - ator e diretor
Caco Ciocler - ator
Carlo Mossy (Moisés Abrão Goldszal) - ator e cineasta
Clarice Niskier - atriz
Cláudia Ohana - atriz
Dan Stulbach - ator
Débora Bloch - atriz
Deborah Evelyn (Deborah Sochaczewski Evelyn) - atriz
Deborah Olivieri (Débora Ida Szafran) - atriz
Dina Sfat (Dina Kutner) - atriz
Eliana Guttman - atriz
Elias Gleiser (Elicz Gleiser) - ator
Etty Fraser - atriz
Eva Todor - atriz
Eva Wilma (Eva Wilma Riefle Buckup) - atriz
Felipe Levy (Philipe Levy) - ator
Felipe Wagner - ator
Fernando Reski - ator e apresentador de TV
Gilbert (Abraham Gilbert Stein) - ator, cantor e radialista
Giovanna Gold (Giovanna Goldsarb Padilha Sodré) - atriz
Guilherme Weber - ator
Ida Gomes (Ida Szafran Gomes) - atriz
Isaac Bardavid - ator e dublador profissional
Jaime Barcelos - ator
Jaime Leibovitch - ator
Jonas Bloch - ator
Jorge Cherques - ator
Jorge Mautner - cantor, compositor e escritor
José Lewgoy - ator
Laila Zaid - atriz
Leina Krespi (Leina Perelman da Matta) - atriz
Luciano Szafir - ator
Marcelo Szpketor - ator
Marcos Mion (Marcos Chaib Mion) - ator e apresentador de TV
Marcos Wainberg - ator
Mário Schoemberger - ator
Michel Bercovitch - ator, diretor e produtor
Michel Melamed - ator e apresentador de TV
Miriam Mehler - atriz
Natalia Thimberg - atriz
Odilon Wagner - ator
Renata Sorrah (Renata Leonardo Pereira Sochaczewski) - atriz
Riva Nimitz - atriz
Rosane Gofman - atriz
Soraya Ravenle (Soraya Jarlicht) - atriz e cantora
Sura Berditchevsky (Sílvia Berditchevsky) - atriz, diretora e professora de teatro
Suzana Faini ( Myriam Suzana Faini) - atriz e bailarina
Tereza Rachel (Teresinha Brandwain de La Sierra) - atriz
Viviane Pasmanter - atriz
Ziembinski (Zbigniew Marian Ziembinski) - ator

Humoristas:




Berta Loran (Basza Ajs) - atriz e humorista
Beto Silva (Roberto Adler) - humorista do Casseta & Planeta
Bussunda (Cláudio Bessermann Viana) - humorista e redator do Casseta & Planeta
Fabio Rabin - humorista de stand-up
Juca Chaves (Jurandyr Czaczkes) - compositor e humorista
Marcos Plonka - ator e humorista

Dramaturgos:




Gilberto Braga (Gilberto Tumscitz Braga) - autor de novelas

Cineastas:




Arnaldo Jabor - cineasta e jornalista
Carlo Mossy (Moisés Abrão Goldszal) - ator e cineasta
Cao Hamburger - cineasta e roteirista
Sylvio Back - cineasta
Jom Tob Azulay - cineasta, escritor e ex-diplomata

Diretores de TV e Teatro:




Amora Mautner
Felipe Hirsch
Iacov Hillel
Maurício Sherman
Sura Berditchevsky (Sílvia Berditchevsky)
Tiago Worcman

Apresentadores de TV:




Boris Casoy
Daniel Azulay
Didi Wagner (Adriana Golombek Wagner)
Fernando Reski
Luciano Huck
Luisa Melll (Marina Zatz de Camargo)
Márcia Peltier
Marcos Mion (Marcos Chaib Mion)
Michel Melamed
Pedro Bial (Pedro Bialski)
Roberto Justus
Serginho Groissman
Sandra Annenberg
Sílvio Santos (nome artístico de Senor Abravanel)

Fontes:

Dramaturgia Brasileira
Revista Judaica
Jornal Alef
Unirio
Época
Cultura Hebraica
Folhas de Almanaque

Nossos Sábios: O Lechá Dodi do Rabi Shlomo Alkabetz

Reza: Lechá Dodi - Revista Morashá



O Lechá Dodi é o ponto alto do Cabalat Shabat – o serviço de orações das noites de sexta-feira, quando recebemos o Shabat. De todas as orações desse dia, o Lechá Dodi é a mais famosa e bela, e nenhuma outra é recitada com tanto júbilo e fervor. Escrita pelo poeta e cabalista sefardita do século 16, o Rabi Shlomo HaLevi Alkabetz, o Lechá Dodi foi adotado por todas as comunidades judaicas, sefarditas e asquenazitas. Pouco se sabe sobre Rabi Alkabetz, que nasceu por volta de 1505, até que ele se estabeleceu na cidade de Salônica, onde se tornou extremamente respeitado por seus profundos conhecimentos da Torá, Talmud e das obras místicas. Em meados de 1535, após vivenciar com Rabi Yossef Caro, autor do Shulchan Aruch, uma experiência mística, deixou essa cidade e fixou residência em Safed. A cidade era um grande centro de estudos místicos, onde viviam e ensinavam grandes sábios sefaraditas, profundos conhecedores do Talmud e da Cabalá, como Rabi Moshe Cordovero, Rabi Chaim Vital e o próprio Arizal, Rabi Itzahak Luria, o maior cabalista na história judaica.
Em Safed, às sextas-feiras, ao pôr-do-­sol, Rabi Alkabetz ia com outros cabalistas aos campos, para dar as boas-vindas ao Shabat. Foi nessa atmosfe­ra que Rabi Alkabetz escreveu a po­ema Lechá Dodi. Apesar de outras saudações poéticas ao Shabat terem sido compostas por outros Sábios, foi o Lechá Dodi que recebeu o endosso de Rabi Yitzhak Luria, discípulo do cabalista Rabi Cordovero, aluno e cunhado de Rabi Alkabetz.





Tendo sido composto por um homem que foi um grande erudito em Torá, cabalista e poeta, o Lechá Dodi tem muitas camadas de significado. Baseia-se em fontes encontradas nos Cinco Livros da Torá, nos Livros dos Profetas e nas Escrituras Sagradas, no Talmud e Midrash, e faz referências a alguns dos assuntos mais profundos e complexos da Cabalá. Mas como a interpretação cabalista de seus versos está além do escopo deste ensaio, elucidaremos o significado básico das estrofes do Lechá Dodi, para que cada um de nós possa ter condições de melhor apreciar suas palavras quando as recitamos durante as orações da noite de Shabat.
O tema geral do Lechá Dodi é que o Shabat é uma “Noiva” ou uma “Rainha”, a quem saímos para receber e dar as boas vindas. Estas metáforas se baseiam na descrição do Talmud sobre a alegre saudação dos Sábios ao Shabat (Shabat, 119a): Rabi Chanina costumava envolver-se em suas vestes especiais do Shabat e dizer: ‘Vamos, saiamos para saudar a Rainha do Shabat’ ”. Rabi Yannai se aparamentava com suas vestimentas especiais e dizia: “Entre, noiva! Entre, noiva!”. O Lechá Dodi divide-se em estrofes. Algumas congregações têm o costume de repetir a primeira estrofe (Lechá Dodi Likrat Kala, Penei Shabat Necabelá) após recitar cada uma das demais estrofes. Abaixo traduzimos e elucidamos cada estrofe individualmente.

Lechá Dodi:

“Vem, meu Amado, saudar a Noiva, vem, vamos dar as boas vindas à Presença do Shabat.”
Lechá Dodi se inicia convidando nosso “Amado”, o Próprio D’us, a se unir a nós no Shabat. A “Noiva” é o próprio Shabat. O Midrash (Bereshit Rabá 11) ensina que quando D’us criou o tempo, dividindo-o em sete dias, Ele prometeu ao recém-criado Shabat que “Israel será seu novo par” para sempre. Conseqüentemente, a cada semana, o Povo Judeu saúda a aproximação do Shabat como se fosse um noivo que aguarda sua noiva, enquanto esta se aproxima do pálio nupcial.





Outro comentarista (Anat Yosef) interpreta a “Noiva” como sendo uma alusão à Shechiná, a Presença explícita de D’us, que foi retirada do homem devido aos pecados de Israel. Por isso, pedimos ao Eterno que se una a nós ao saudar Sua própria Presença; estamos orando a Ele pelo fim do exílio, para que a Shechiná volte novamente a brilhar sobre o Povo Judeu e sobre o mundo todo. Isto somente ocorrerá com a chegada do Mashiach e a reconstrução do Templo Sagrado de Jerusalém.

Shamor:

“Guarda e Recorda, ditos em uma expressão única e simultânea, nos fez ouvir D’us, Uno e Único. O Eterno é Um e Seu Nome é Único – por seu bom nome, por sua beleza, por seu louvor.”
O Talmud (Shevuot 20b) ensina que quando D’us deu os Dez Mandamentos, Ele milagrosamente habilitou Israel a ouvir simultaneamente os dois aspectos complementares do mandamento do Shabat: Shamor (Deuteronômio, 5:12) – para guardar o Shabat – é a ordem de evitar sua profanação, ao passo que Zachor (Êxodo, 20:8) – para recordar o Shabat – é a ordem de realizar os mandamentos positivos associados a esse dia, tais como recitar o Kidush sobre um copo de vinho e dedicar o dia a atividades que são permitidas, espiritualmente elevadas e fisicamente alegres, tais como a oração, o estudo da Torá, o descanso e o prazer das refeições do Shabat. Apesar de a Torá escrever esses dois mandamentos, Shamor e Zachor, de forma separada, D’us os combinou no Sinai para que o Povo Judeu entendesse que os mesmos são inseparáveis.




Um dos comentários sobre o Sefer Yetzirá (o Livro da Formação), o livro mais antigo sobre a Cabalá, afirma que a capacidade de D’us de fundir os opostos é indicada pela descrição d’Ele como sendo “Um e Único”. O Infinito Criador, que não é limitado de forma alguma, realiza o feito impossível de pronunciar as palavras “Recorda” e “Guarda” de forma simultânea.

DESCOBERTA DA SINAGOGA DURA-EUROPOS

Revista Morashá - Edição 76 - junho de 2012




A sinagoga de Dura-Europos, que ficou enterrada nas areias da Síria Oriental por 17 séculos, escreveu sozinha um importante capítulo na história da arquitetura e decoração das sinagogas. Sua descoberta causou um frisson entre arqueólogos e historiadores, pelas pinturas que ornam seu interior, retratando cenas bíblicas que revelam uma arte de cuja existência não se tinha conhecimento. Era o maior conjunto de afrescos da Antiguidade inspirados na Torá, no Midrash, nos Livros dos Profetas e em outros textos judaicos.




O impacto foi profundo tanto sobre o que se sabia, até então, em relação à arte judaica e, de modo geral sobre os estudos da arte nos últimos séculos da Antiguidade, como sobre a iconografia bíblica e os vínculos entre a arte judaica e a cristã. Tais afrescos estão, hoje, expostos no Museu Nacional, em Damasco. O destino de Dura-Europos, antiga cidade fundada no terceiro século antes da Era Comum (a.E.C), às margens do rio Eufrates, e de sua sinagoga, é, de certa forma, comparável ao de Pompéia, pois suas riquezas arquitetônicas e artísticas foram preservadas pelas toneladas de areia e entulhos sob as quais a cidade ficou soterrada desde sua destruição, em meados do século 3 desta Era, até sua descoberta acidental, em 1920.
O sítio foi encontrado pelo exército britânico, que fazia preparativos táticos para enfrentar a chamada Revolta árabe, que se havia espalhado também na região do Eufrates. Ao cavar trincheiras perto da cidade de Salhiy, uma unidade encontrou um muro de um antigo templo, onde se podia ver um afresco muito bem conservado.





Historiadores e pesquisadores sabiam da existência de Dura-Europos, pois a cidade é mencionada nos textos do geógrafo Isidore de Charax, que viveu no século 1 da Era Comum. Apenas não se conhecia a sua localização.  
O local começou a ser escavado por arqueólogos em 1922, mas os trabalhos tiveram que ser interrompidos dois anos mais tarde devido à falta de segurança da região. Em 1928, arqueólogos da Universidade de Yale, em associação com a Academie des Inscriptions et Belles Lettres, voltaram a escavar o sítio. Quando, em 1937, Yale decidiu interromper os trabalhos por escassez de fundos, cerca de 30% da antiga cidade haviam sido revelados. Entre as riquezas arquitetônicas e artísticas descobertas e os inúmeros templos dedicados às mais diversas divindades, havia uma sinagoga, encontrada em 1932, em notável estado de preservação. Junto à sinagoga, foram encontrados, também, um local de orações usado provavelmente por soldados romanos, conhecido como domo Mithareum, e uma pequena capela cristã.





A sinagoga, com sua construção e decoração tão elaboradas, não encontra paralelo em nenhum outro templo encontrado em Dura-Europos. O arqueólogo norte-americano Clarck Hopkins assim descreveu a descoberta “(...) como uma página saída de um conto das Mil e uma Noites. Esfregou-se a lâmpada de Aladim e, repentinamente, das areias secas e escuras do deserto, pinturas emergiram, não apenas uma, um painel ou um muro, mas um edifício inteiro, com cenas após cenas desenhadas, todas extraídas da Bíblia, de uma forma até então jamais sequer imaginada”.

26 de julho de 2012

SINAGOGA DO BAIRRO DE OLARIA (RJ) FAZ 60 ANOS

A SINAGOGA AHAVAT SHALOM (AMOR PELA PAZ) COMEMOROU 6 DÉCADAS DE EXISTÊNCIA
A sinagoga Ahavat Shalom, em Olaria, teve seu apogeu com a consolidação e a expansão da comunidade judaica dos subúrbios da Leopoldina, entre os anos 1930 e 1960. Depois, a mudança em massa para outros bairros a deixou vazia, mas o prédio simples, de janelas em basculante, foi mantido pelo médico Soil Zuchen, o último dos imigrantes originais que permanece na região. Hoje, graças aos esforços de um grupo de antigos moradores, o templo está restaurado, tem minian aos sábados e comemorou, com um grande almoço no CIB, seus 60 anos. Naqueles tempos, como mostra a foto acima, bris/circuncisão era um assunto simples, sem bufê nem cerimonial, que podia ser realizado em sinagoga. O bebê é Dan Sali Reznik, cercado pelo mohel Moishe Singer, pelo bisavô Tzvi Baum (conhecido como Hershel Shoichet), pelo pai Alberto e pelo avô Wolf Reznik. As fotos estão no livro Judeus da Leopoldina, edição do Museu Judaico.
Naqueles tempos, como mostra a foto acima, bris/circuncisão era um assunto simples, sem bufê nem cerimonial, que podia ser realizado em sinagoga. O bebê é Dan Sali Reznik, cercado pelo mohel Moishe Singer, pelo bisavô Tzvi Baum (conhecido como Hershel Shoichet), pelo pai Alberto e pelo avô Wolf Reznik. As fotos estão no livro Judeus da Leopoldina, edição do Museu Judaico.

14 de junho de 2012

OS MOVIMENTOS NO JUDAÍSMO




Uma das verdadeiras dificuldades que as pessoas que procuram o judaísmo têm é decidir qual movimento dentro do judaísmo escolher. No Brasil, fala-se em três movimentos principais; além destes, há o que podemos chamar de instituições religiosas tradicionais não filiadas a nenhum dos movimentos mas que carregam as tradições de onde vieram seus fundadores (Rússia, Romênia, Bessarábia, Hungria, Portugal, Egito, Líbano, etc.); bem como alguns judeus que não se filiam a nenhum dos grupos. Esta seção inclui informação sobre os três movimentos principais, por ordem alfabética: Conservador (ou Massortí), Ortodoxo e Reformista. Ao redor do mundo há ainda outros movimentos menores do judaísmo, como o movimento Reconstrucionista, por exemplo, que praticamente só existe nos EUA. Para informação específica sobre conversão para qualquer um dos movimentos, acesse o link "Mais Informações Sobre Conversão ao Judaísmo." O foco desta seção é a informação sobre os movimentos. É muito difícil generalizar acerca desses grupos, pois existe uma grande diversidade dentro de cada um dos movimentos. Assim, o primeiro e melhor passo para um candidato à conversão é pesquisar sobre cada grupo que lhe pareça interessante e, especialmente, conversar com o rabino ou dirigentes do movimento em questão a fim de agendar uma entrevista, ou mesmo uma visita à respectiva sinagoga local para assistir a um serviço religioso. Caso não existam sinagogas em sua cidade, é aconselhável entrar em contato inicialmente por meio de e-mail ou telefone e seguir os passos anteriormente citados. As descrições abaixo não são declarações oficiais de cada movimento e por isso constituem somente o ponto de vista do nosso site sobre cada um dos três principais grupos. Sugerimos que você contate os movimentos diretamente para receber uma declaração oficial e as regras de conversão de cada um. 

JUDAÍSMO CONSERVADOR/MASSORTÍ:

Este movimento é conhecido como Conservative Judaism nos EUA e como Movimento Massortí em outras partes do mundo. Nos EUA, representa cerca de 40% a 45% dos judeus filiados a um dos movimentos. O judaísmo conservador/massortí entende que o cumprimento da lei judaica (Halachá) por parte dos judeus é obrigatório. Portanto, os judeus conservadores têm a obrigação de obedecer a todos os ensinamentos (mitsvót, literalmente “mandamentos”) do judaísmo, como por exemplo, as leis relativas ao Shabat e a uma dieta casher. O movimento conservador/massortí defende que a lei judaica, por sua própria natureza, é passível de evolução na medida em que os indivíduos aprendem mais com a interpretação da Torá (em um sentido estrito, o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia Hebraica; em um sentido amplo, o conjunto de todas as leis e tradições judaicas). Desse modo, o movimento conservador/massortí propõe novas interpretações à lei judaica. Assim como no movimento reformista, o serviço é igualitário e inclusivo: homens e mulheres sentam-se juntos nos serviços religiosos, compõem o minián (quorum mínimo de dez pessoas judias adultas para a realização de um serviço religioso público) e sobem ao púlpito para ler na Torá. Pode-se andar de carro no Shabat para ir à sinagoga e as mulheres podem ser ordenadas como rabinas. Na prática, muitos judeus conservadores/massortís são mais flexíveis no cumprimento de todas as leis religiosas, ou as obedecem somente em parte. A maior parte do serviço religioso nas sinagogas é feita em hebraico, com a inclusão de trechos traduzidos da liturgia ou de outras reflexões inspiradoras feitas na língua natal. O Judaísmo conservador/massortí é geralmente visto, talvez injustamente, como um meio termo entre os ortodoxos, à sua direita, e os reformistas, à sua esquerda. Os rabinos conservadores/massortís não celebram nem participam de casamentos ecumênicos ou inter-religiosos, que são os casamentos entre um judeu e um não-judeu. Vale a pena esclarecer que o casamento entre uma pessoa judia com outra nascida não-judia mas que se converteu ao judaísmo é um casamento judaico; assim sendo, um rabino conservador realizará esta união normalmente. No caso de conversão, os rabinos conservadores/massortís exigem que um candidato do sexo masculino faça o brit milá (circuncisão ritual); no caso do indivíduo já ser circuncidado, deve-se realizar uma cerimônia de hatafát dám para se retirar uma gota de sangue do pênis, “completando” então o brit milá. O mesmo é exigido dentro do movimento ortodoxo e reformista. Além disso, deve-se realizar a tevilá, ou seja, o ritual de imersão em um local de água corrente (na maioria das sinagogas há uma micvá, uma espécie de piscina alimentada por água das chuvas, especialmente preparada para este fim) e o comparecimento perante um bet din, uma corte religiosa. As candidatas também devem passar pelo mesmo ritual de imersão e comparecer perante o bêt din (veja a seção "O Processo de Conversão" para mais detalhes). Em geral os rabinos conservadores/massortís reconhecem as conversões feitas por rabinos de outros movimentos desde que as exigências ritualísticas tenham sido realizadas. As conversões nesse movimento são reconhecidas pelo Estado de Israel para efeitos de Aliá, a Lei do Retorno. Há diversos websites que representam o movimento conservador/massortí. Assim como os demais movimentos, o judaísmo conservador/massortí é composto de várias organizações. Nos EUA, isso inclui, por exemplo, a Rabbinical Assembly (Assembléia Rabínica), a Association of Conservative Rabbis (Associação dos Rabinos Conservadores) e a United Synagogue of Conservative Judaism, que é a associação das congregações conservadoras/massortís. O maior seminário rabínico do movimento é o JTS (Jewish Theological Seminary). No Brasil não há um website específico para todo o movimento conservador/massortí; cada sinagoga ou congregação tem o seu próprio site, entre os quais estão a ARI (Associação Religiosa Israelita) e a CJB (Congregação Judaica do Brasil) no Rio de Janeiro; a Comunidade Shalom e a CIP (Congregação Israelita Paulista) em São Paulo, sendo que esta última está filiada tanto ao movimento conservador/massortí quanto ao movimento reformista. 

JUDAÍSMO ORTODOXO:

 Nos EUA o judaísmo ortodoxo representa cerca de 10% dos judeus filiados. Judeus ortodoxos aceitam integralmente a Halachá e, diferentemente dos judeus conservadores/massortís, entendem que ela não é passível de modificação. A ortodoxia entende que as 613 mitsvót contidas na Torá são obrigatórias para todos os judeus. Eles acreditam que a Torá foi revelada diretamente por D-us; em decorrência disso, as suas leis são divinas e devem ser obedecidas. Assim, os ortodoxos são os mais tradicionais entre todos os grupos judaicos. Homens e mulheres sentam-se separados por uma mechitzá (divisória) nos serviços religiosos; somente os homens compõem o minián (quorum mínimo de dez homens judeus adultos para a realização de um serviço religioso público) e sobem ao púlpito para ler na Torá. Não é permitido andar de carro no Shabat nem para ir à sinagoga e não há rabinas ortodoxas. Na prática, os judeus ortodoxos tendem a cumprir as leis judaicas em áreas como manter o Shabat e seguir uma dieta casher. As exigências para a conversão ortodoxa são as mesmas que as do judaísmo conservador/massortí. A principal diferença entre eles é que os rabinos ortodoxos geralmente não aceitam as conversões praticadas por rabinos não-ortodoxos (conservadores/massortís e reformistas), pois não reconhecem o bet din (corte religiosa) formado para avaliar os conhecimentos e a convicção do candidato. Este fato tem causado uma polêmica considerável dentro da comunidade judaica, e é importante que os candidatos potenciais à conversão estejam cientes deste problema. As dificuldades surgem em casos específicos. Aqui vai um exemplo: uma mãe nascida não-judia foi convertida por um rabino não-ortodoxo e se casou com um homem judeu. Os filhos deste matrimônio foram criados como judeus, são considerados judeus pela comunidade em geral, mas não pelo movimento ortodoxo, pois a conversão da mãe não é reconhecida pelos ortodoxos (os filhos de uma mãe judia são automaticamente considerados judeus, mesmo que não tenham sido criados como judeus). Conseqüentemente, se um desses filhos desejar se casar com uma pessoa ortodoxa, um rabino ortodoxo se recusará a celebrar o casamento sem uma prévia conversão ortodoxa. Os rabinos ortodoxos não celebram nem comparecem a um casamento ecumênico. Cabe ressaltar que, em Israel, as conversões realizadas por todos os movimentos (ortodoxo, conservador/massortí e reformista) dentro e fora do Estado de Israel são legalmente reconhecidas, conferindo aos convertidos o direito de Aliá, a Lei de Retorno, que defende o direito de todo judeu morar em Israel. No entanto, o judaísmo ortodoxo é o único movimento cujos casamentos feitos em Israel são reconhecidos oficialmente; os casamentos feitos pelos demais movimentos só são reconhecidos em Israel se forem realizados no exterior. Há diversas organizações ortodoxas ao redor do mundo, com práticas diferentes. A Orthodox Union é a maior delas. No Brasil não há um website específico para todo o movimento; a organização mais conhecida é o Beit Chabad, que também tem alguns websites regionais. 

JUDAÍSMO REFORMISTA:

Nos EUA os reformistas representam cerca de 45% dos judeus filiados e são o maior grupo judaico norte-americano. No Brasil não há estatísticas a respeito, mas trata-se de um grupo minoritário. Embora não haja dados estatísticos precisos, acredita-se que a maioria dos judeus filiados sejam conservadores/massortí, e provavelmente a parcela de ortodoxos seja maior aqui do que nos EUA. É muito grande o número de judeus não-praticantes e/ou não filiados a quaisquer dos movimentos. Os judeus reformistas aceitam a lei judaica, porém colocam ênfase na autonomia moral dos indivíduos que decidem quais leis têm significado religioso para eles. No judaísmo reformista, o estudo da Torá, do Talmud e da Halachá são estimulados e considerados a fonte maior da tradição judaica, com o foco maior nas ações sociais e éticas baseadas nos escritos dos profetas. É importante mencionar que todos os movimentos judaicos apóiam e mantêm inúmeras entidades de cunho social, pois o conceito de tsedacá, justiça social, é fundamental dentro do povo judeu e considerado uma mitsvá, um mandamento. Geralmente, o serviço religioso reformista nem sempre é feito inteiramente em hebraico, como nos movimentos ortodoxo e conservador/massortí; muitas orações são feitas na língua natal e podem ser incluídos textos inspiradores. Assim como no movimento conservador/massortí, o serviço religioso é igualitário: homens e mulheres sentam-se juntos nos serviços religiosos, compõem o minián (quorum mínimo de dez pessoas judias adultas para a realização de um serviço religioso público) e sobem ao púlpito para ler na Torá. Pode-se andar de carro no Shabat para ir à sinagoga e as mulheres podem ser ordenadas como rabinas. O movimento reformista é muitas vezes considerado, inclusive por alguns dos seus próprios membros, como o mais flexível em termos de práticas religiosas. Por exemplo, a dieta casher é estimulada, mas não obrigatória. Atualmente todas as instituições judaicas reformistas oferecem comida casher dentro de suas sedes, numa tendência geral, dentro do movimento, de retorno às práticas tradicionais. O judaísmo reformista aceita a matrilinearidade (filhos de uma mãe judia são judeus), mas defende também a patrilinearidade sob certas condições. Assim sendo, considera também que os filhos de um pai judeu com uma mãe não-judia são judeus desde que tenham sido criados dentro do judaísmo, participem da vida judaica e se identifiquem publicamente como judeus por meio de diversas ações religiosas formais. Portanto, para o movimento reformista os filhos de um casamento desta natureza não precisam se converter para serem reconhecidos como judeus. O reconhecimento da patrilinearidade não é compartilhado pelos movimentos conservador/massortí e ortodoxo, que não reconhecem esses filhos como judeus. Conservadores e ortodoxos seguem apenas a matrilinearidade, ou seja, só reconhecem como judeus os filhos de uma mãe judia, seja ela nascida judia ou convertida de acordo com cada movimento. O potencial de problemas aqui é óbvio. O movimento reformista conta com o maior número de convertidos entre todos os movimentos. Famílias compostas por casamentos inter-religiosos são aceitas, e nos EUA há um programa efetivo para alcançar e incluir estas famílias no meio judaico. As conversões realizadas por rabinos reformistas, dentro e fora de Israel, são reconhecidas pelo Estado de Israel, conferindo aos convertidos o direito de Aliá, a Lei de Retorno, que defende o direito de todo judeu morar em Israel. Para mais informações, visite os websites do Movimento Reformista e da World Union for Progressive Judaism (WUPJ). No Brasil a única organização a representar o movimento reformista é a WUPJ for Latin America (em português, inglês e espanhol). 

IMPORTANTE! 

Por fim, é fundamental ressaltar que o chamado "judaísmo messiânico" não é um movimento judaico. Apesar de assim se auto-intitular, não faz parte do povo judeu e é completamente estranho ao mesmo, uma vez que nega a Unicidade de D-us (um dos princípios fundamentais do judaísmo) e desconsidera inúmeros requisitos necessários para a identificação do Messias. Esta premissa é compartilhada por todos os movimentos: “judaísmo messiânico” não é judaísmo. 

Créditos: Texto adaptado do site em inglês www.convert.org com a permissão de Barbara Shair Tradução: Fábio Lacerda Edição: Adriana Lacerda, Uri Lam e Mariane Dinis Adaptação para o judaísmo brasileiro: Uri Lam Agradecimentos especiais: Uri Lam, Mariane Dinis e Fernanda Goulart