20 de outubro de 2018

OS JUDEUS DO BAIRRO DE MADUREIRA (RJ)


O renomado cineasta judeu Sílvio Tendler nasceu e cresceu no bairro de Madureira (RJ)

Considerado o coração do subúrbio carioca, o bairro reúne tudo o que há de melhor na cultura da cidade do Rio de Janeiro. Poucos sabem, mas o governador da Bahia, Jaques Wagner, é judeu de Madureira, assim como o cineasta Sílvio Tendler. Ambos se conheceram na sinagoga que existia no bairro. Sílvio Santos, também judeu e carioca, não é de Madureira, mas reza a lenda que começou a vida como camelô por lá. O cantor e compositor Marquinhos de Oswaldo Cruz carrega o bairro vizinho no nome, mas nasceu em Madureira. Ele conta que a maior característica da região é o respeito às diferenças.


Poucos sabem, mas o governador da Bahia, Jaques Wagner, é judeu carioca nascido em Madureira (RJ)

. Mercadão de Madureira, onde as crenças se encontram:

Em novembro de 1959, foi inaugurado o Mercadão de Madureira, com a presença do então presidente da República Juscelino Kubitschek. O empresário Horácio Afonso, filho de um dos fundadores, frequenta o local desde criança. Por conta do grande incêndio ocorrido no dia 15 de janeiro de 2000, o Mercadão foi reconstruído, mas o tamanho é o mesmo desde sua inauguração.
“O movimento é de cerca de 80 mil pessoas por dia e em épocas de festas esse movimento aumenta 50%. Há uma variedade muito grande de artigos nas lojas. De artigos religiosos a material do dia a dia”, conta Horácio. A maioria das lojas é familiar, não tem filiais, e o dono trabalha com a família. “A facilidade de chegar ao Mercadão é muito grande. O BRT vai facilitar a vida no bairro e, consequentemente, vai melhorar ainda mais o movimento por aqui”, comentou o empresário, em entrevista ao jornal O Dia, em dezembro de 2014.



Sílvio Santos, também judeu e carioca, não é de Madureira, mas reza a lenda que começou a vida como camelô por lá

São 580 lojas, dois condomínios, dois pavimentos, dez galerias e duas ruas (Edgard Romero e Conselheiro Galvão). Nesses 54 anos sofreu várias mudanças. No começo era uma central de abastecimento de hortifrutigranjeiros, mas na década de 1970, os comerciantes do atacado migraram pra lá e surgiram lojas novas, aumentando o varejo e atraindo novos clientes.
A reabertura foi em outubro de 2001 e reinventou a história do Mercadão, como diz Hélio Sillmann, dono de uma loja de artigos religiosos e organizador da Festa de Iemanjá, que acontece há 12 anos e sai do Mercadão todo dia 29 de dezembro rumo a Copacabana.
“Foi uma iniciativa para agradecer pela reabertura após o incêndio e para fortalecer a umbanda e o candomblé devido à intolerância religiosa”, explica o comerciante, que concorda quando dizem que quem mora em Madureira não precisa sair do bairro para nada. “Tem tudo aqui e o melhor de Madureira é o povo”.


Em virtude da concentração significativa de judeus na região, o bairro de Madureira já teve uma sinagoga

. Do chorinho ao Baile Charme:

Mestre Pixinguinha frequentava Madureira com seu conjunto de choro. Ele ia para a casa da dona Ester tocar antes do samba. Foi o embrião das gafieiras. Madureira tem a função de manter essa tradição, rica pela herança africana e pela mistura das minorias. É lá que, há 25 anos, acontece todos os sábados, debaixo do viaduto Negrão de Lima, o famoso Baile Charme. Michel Jacob, o DJ Michel, morador de Osvaldo Cruz, é produtor do baile. Começou tocando em 1993, com apenas 13 anos.

“Estamos numa ascensão muito grande e o baile cresceu junto com o bairro. Vem gente do Rio todo e até de outros estados”. Bairrista, o DJ diz que tem orgulho do Parque de Madureira e do BRT, que hoje cruza toda a região. “Desenvolvimento é bom, melhorias fazem parte da vida de todos e Madureira tem que passar por isso porque nosso bairro é que nem o Charme: é ritmo, é elegância”.

. Fonte:

https://odia.ig.com.br/_conteudo/noticia/rio-de-janeiro/2014-11-12/lugares-do-rio-a-elegancia-indiscreta-de-madureira.html

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