25 de setembro de 2008

DENOMINAÇÕES JUDAICAS: MOVIMENTO CONSERVADOR (MASORTI)

Movimento "Masorti" (Tradicional em Hebraico) - O Movimento masorti é o nome dado a linha conservadora do judaísmo pelo Estado de Israel.



Corrente do Judaísmo. Surgido ao final do século XIX o Movimento Conservador ficou conhecido como a denominação “do meio” no Judaísmo americano do século XX. Ou seja, um meio termo entre a “esquerda” religiosa representada pelo Movimento Reformista e a “direita” representada pela Ortodoxia. O judaísmo conservador, também conhecido como judaísmo Masorti, é uma denominação moderna do judaísmo que surgiu nos Estados Unidos, no início do séc. XX.


O judaísmo conservador se caracteriza por:

* Um comprometimento com as leis e costumes judaicos tradicionais
* Um ensinamento deliberadamente não fundamentalista dos princípios judaicos de fé.
* Uma atitude positiva frente à cultura moderna.
* Uma integração dos métodos rabínicos tradicionais de estudo e com o método cientifico modernos.

O judaísmo conservador tem suas raízes na escola de pensamento conhecida como judaísmo histórico positivo, desenvolvido na Alemanha nos idos de 1850, como reacção às posições religiosas mais liberais assumidas pelo judaísmo reformista. O termo conservador foi escolhido para indicar que os judeus devem conservar a tradição judaica, ao invés de reformá-la ou abandoná-la. O termo não implica em que os participantes do movimento sejam politicamente conservadores. Dado este potencial para confusão, um número de rabinos conservadores propôs renomear o movimento (dentro) e fora dos Estados Unidos, ele é conhecido como judaísmo Masorti (termo hebraico para “Tradicional”).



HISTÓRIA:

Como o judaísmo reformista, o movimento conservador desenvolveu-se na Europa e nos Estados Unidos, no séc. XIX, quando os judeus reagiram às mudanças advindas do Iluminismo e da emancipação judaica. Na Europa o movimento era conhecido por judaísmo histórico positivo, e ainda é conhecido como “escola histórica.”

O judaísmo histórico positivo, o precursor do judaísmo conservador, desenvolveu-se como uma escola de pensamento entre 1840 e 1850, na Alemanha. Seu principal fundador foi o Rabino Zecharias Frankel, que rompeu com o judaísmo reformista alemão em 1845, pela rejeição do movimento reformista à primazia da língua hebraica nas orações judaicas. Em 1854, Frankel tornou-se o chefe do Seminário Teológico Judaico de Breslau, Alemanha. No seminário, Frankel ensinava que a lei judaica não era estática, ao contrário, sempre se desenvolvera em resposta à mudança de condições. Ele chamou seu enfoque de “Judaísmo Histórico Positivo”, que significa que a pessoa deveria ter uma atitude positiva na aceitação da lei e tradição judaicas como normativas, ainda que devesse estar aberto ao desenvolvimento da lei do mesmo modo como ela sempre se desenvolveu historicamente. Frankel rejeitava as inovações do judaísmo reformista como sem base suficiente na história judaica e na prática comunitária.

Entretanto, o uso por Frankel de métodos modernos de estudo histórico na análise de textos judaicos e desenvolvimento da lei judaica, colocaram-no à parte do judaísmo neo-ortodoxo, que estava se desenvolvendo na mesma época sob a liderança do Rabino Samson Raphael Hirsch. Na segunda metade do séc. XIX, os debates ocorridos no judaísmo europeu replicaram nos Estados Unidos. O judaísmo conservador começou, de maneira semelhante, como uma reacção à rejeição do judaísmo reformista à lei e à prática judaicas tradicionais. As diferenças entre as vertentes mais modernas e tradicionais do judaísmo americano vieram à tona em 1883, no “Trefa Banquet” – onde crustáceos e outros pratos não casher foram servidos na celebração da formatura da primeira classe do Hebrew Union College, em Cincinnati. A adopção da Plataforma ideológica radical de Pittsburgh, em 1885, que rejeitava a observância dos mandamentos rituais e das idéias de povo judeu e a nacionalidade judaica como “anacronismo”, criou um permanente atrito entre o movimento reformista e os judeus americanos mais tradicionais. Em 1886, os rabinos Sabato Morais e H. Pereira Mendes fundaram o Seminário Teológico Judaico (JTS), na cidade de Nova York, como uma alternativa mais tradicional ao Seminário Reformista Hebrew Union College. A breve afiliação do seminário com as congregações tradicionais que estabeleceram a União das Congregações Ortodoxas da América, em 1898, deveu-se fortemente à rejeição ortodoxa do enfoque académico, ou seja a possibilidade de estudar com os mesmos critérios da Universidade de Judaísmo do seminário com relação ao estudo judaico.

Na virada do século, o seminário fechou uma fonte de fundo permanente e passou a ordenar uma média de não mais que um rabino por ano. A sorte do judaísmo conservador passou por uma alteração dramática quando, em 1902, o famoso estudioso Solomon Schechter aceitou o convite para se tornar presidente do JTS, atraindo um corpo docente importante tornando-se um centro de renome, de alta reputação de estudo judaico. Em 1913, o movimento conservador fundou seu braço congregacional. A United Synagogue da América.

O judaísmo conservador passou por um rápido crescimento na primeira metade do séc. XX, tornando-se a maior denominação judaica americana. Sua combinação de inovação moderna (como assentos mistos – homens e mulheres sentando junto e prática tradicional) foi particularmente atractiva para a primeira e segunda gerações dos imigrantes judeus do leste europeu, que achavam a ortodoxia restritiva, mas o judaísmo reformista estranho. Depois da Segunda Guerra Mundial, o judaísmo conservador continuou a prosperar. Os anos 50 e início dos 60 apresentaram um “boom” na construção de sinagogas quando os judeus americanos se mudaram para os subúrbios.

A coalizão conservadora se rompeu em 1963, quando defensores da filosofia reconstrucionista do Rabino Mordechai Kaplan se retiram do movimento para formar um judaísmo reconstrucionista distinto. Kaplan tinha sido um líder do JTS durante 54 anos, e pressionou reformas e inovações litúrgicas na prática ritual dentro da estrutura do judaísmo conservador. Frustrados com a predominância das vozes mais tradicionalistas no JTS, os companheiros de Kaplan decidiram que as ideias do reconstrucionismo seriam melhor aproveitadas através da criação de uma denominação separada. Em 1968, a ruptura se formalizou com o estabelecimento do Reconstructionist Rabbinical College.

Nos anos 70 e início dos anos 80 o judaísmo conservador estava dividido quanto a assuntos referentes à igualdade de género. Em 1973, o Comitê de Lei e Conduta Judaica votou, sem adoptar uma teshuva (responsa rabínica), permitindo que mulheres contassem para minian, mas deixando a decisão de ser ou não igualitárias para cada congregação individualmente. Após toda uma década de debates, em 1983 o JTS votou por admitir a ordenação de mulheres como rabinas conservadoras. Certos oponentes desta decisão deixaram o movimento conservador para formar a União pelo Judaísmo Tradicional, grupo que hoje não tem expressão.

Nos anos 90, a University of Judaism em Los Angeles estabeleceu a Ziegler School of Rabinic Studies como uma escola rabínica independente. Na época da Pesquisa sobre a População Judaica Nacional de 1990, o judaísmo conservador permanecia sendo a maior denominação na América, com 45% de famílias judaicas afiliadas a uma sinagoga conservadora (comparados aos 35% de reformistas e 16% de ortodoxo). Dez anos mais tarde, o NJPS demonstrou que o movimento conservador tinha sofrido sério desgaste, com somente 33% dos judeus americanos filiados a uma sinagoga pertencendo a uma sinagoga conservadora. Pela primeira vez em cerca de um século, o judaísmo conservador não era mais a maior denominação na América. Ao mesmo tempo, entretanto, certas instituições conservadoras, em particular escolas, demonstraram crescimento significativo. Líderes conservadores concordam que estas tendências indicam que o movimento havia alcançado uma encruzilhada na chegado do séc. XXI.





CRENÇA:

Durante a maior parte da história do movimento, o judaísmo conservador evitou publicar explicações sistemáticas sobre os princípios judaicos de fé. Isto era uma tentativa consciente de manter uma ampla coligação. Esta preocupação foi posta de lado em grande parte depois que a ala à esquerda do movimento se separou em 1968 para formar o movimento de reconstrucionista, e depois que a ala à direita se separou em 1985 para formar a União pelo Judaísmo Tradicional.

Em 1988, o conselho de liderança do judaísmo conservador finalmente emitiu uma declaração oficial de fé, Emet Ve-Emuna: Declaração dos Princípios do Judaísmo Conservador. De acordo com o judaísmo rabínico clássico, os judeus devem manter certos credos. Entretanto, a tradição judaica nunca desenvolveu nenhum catecismo obrigatório. Assim, é difícil, se não impossível, destacar somente credo formal da pessoa e mantê-lo como obrigatório. Ao contrário, Emet Ve-Emunah permite uma gama de credos judaicos que os rabinos conservadores acreditam serem autenticamente judeus e justificáveis, destacando o pluralismo e adversidade judaica.

Assim Emet Ve-Emuna afirma a crença em Deus e na inspiração divina da Torá; entretanto também afirma a legitimidade de múltiplas interpretações sobre esses assuntos. Ateísmo, visões trinitárias de Deus e politeísmos estão todos descartados. O judaísmo conservador rejeita explicitamente o relativismo, mas rejeita também o literalismo e o fundamentalismo.






DEUS:

O judaísmo conservador afirma o monoteísmo. Seus membros têm várias crenças sobre a natureza de Deus, e nenhum entendimento sobre Deus é mandatário. Entre as crenças afirmadas estão: racionalismo mainonideano; misticismo cabalista; panteismo chassídico (neo-chassidismo, renovação judaica); teísmo limitado (como em “Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas”, de Harold Kushner); pensamento orgânico no estilo de Whitehead and Hartshorne, processo teológico a.k.a (tal como rabinos Max Kadushin e William E. Kaufman).

O naturalismo religioso de Mordechai Kaplan (judaísmo reconstrucionista) costumava ter um lugar influente no movimento, mas uma vez que o reconstrucionismo desenvolveu um movimento independente, esta influência se enfraqueceu. Folhetos de uma recente conferência da Rabbinical Assembly sobre teologia foram editados como suplemento especial do jornal Conservative Judaism (inverno de 1999); os editores observam que o naturalismo de Kaplan parece ter caído na tela do radar do movimento.

CRENÇA:

Em concordância com o judaísmo tradicional, o judaísmo conservador mantém que Deus inspirou os profetas para escreverem a Torá (os cinco livros de Moisés) e a Bíblia hebraica. Entretanto, por razões teológicas, a maioria dos judeus conservadores rejeita a idéia judaica tradicional que Deus ditou as palavras da Torá a Moisés no Monte Sinai, em uma revelação verbal. A revelação divina, entretanto, enquanto mantida como real, é aceita geralmente como não verbal – quer dizer, a revelação não incluía as palavras em particular dos textos divinos. O judaísmo conservador admite uma vasta gama de visões quanto ao assunto da revelação.

Os judeus conservadores sentem-se à vontade com as decisões do estudo cientifico da Bíblia, incluindo a hipótese documentária, a ideia de que o texto actual da Torá foi composto de diversas fontes anteriores produzidas em diferentes momentos da história do povo de Israel. Eles vão além e as autoridades rabínicas do movimento e comentário da Torá oficial (Etz Hayim: Um Comentário da Torá) afirma que os judeus deveriam fazer uso de uma análise histórica e literária crítica moderna para compreender como a Bíblia se desenvolveu.

Os judeus conservadores reconciliam estas crenças, mantendo que Deus, de alguma forma, revelou Sua vontade a Moisés e aos profetas posteriores. Entretanto, relatos da revelação devem ter passado através dos séculos de muitas maneiras, inclusive documentos escritos, folclore, poemas épicos, etc. Esses relatos foram eventualmente compilados para formar a Torá e, a partir daí, os outros livro do Tanach (Bíblia hebraica).






REVELAÇÃO:

Em concordância com o judaísmo tradicional, o judaísmo conservador mantém que Deus inspirou os profetas para escreverem a Torá (os cinco livros de Moisés) e a Bíblia hebraica. Entretanto, por razões teológicas, a maioria dos judeus conservadores rejeita a idéia judaica tradicional que Deus ditou as palavras da Torá a Moisés no Monte Sinai, em uma revelação verbal. A revelação divina, entretanto, enquanto mantida como real, é aceita geralmente como não verbal – quer dizer, a revelação não incluía as palavras em particular dos textos divinos. O judaísmo conservador admite uma vasta gama de visões quanto ao assunto da revelação.

Os judeus conservadores sentem-se à vontade com as decisões do estudo cientifico da Bíblia, incluindo a hipótese documentária, a ideia de que o texto actual da Torá foi composto de diversas fontes anteriores produzidas em diferentes momentos da história do povo de Israel. Eles vão além e as autoridades rabínicas do movimento e comentário da Torá oficial (Etz Hayim: Um Comentário da Torá) afirma que os judeus deveriam fazer uso de uma análise histórica e literária crítica moderna para compreender como a Bíblia se desenvolveu.

Os judeus conservadores reconciliam estas crenças, mantendo que Deus, de alguma forma, revelou Sua vontade a Moisés e aos profetas posteriores. Entretanto, relatos da revelação devem ter passado através dos séculos de muitas maneiras, inclusive documentos escritos, folclore, poemas épicos, etc. Esses relatos foram eventualmente compilados para formar a Torá e, a partir daí, os outros livro do Tanach (Bíblia hebraica).







HALACHA (LEI JUDAICA):

O judaísmo conservador vê a lei judaica como normativa e obrigatória. Entretanto, toma a posição de que a halachá pode e deve evoluir para ir de encontro à mudança da realidade da vida judaica. O judaísmo conservador, portanto, vê que esses códigos legais judaicos devem ser vistos através das lentes da crítica académica. Como observava Solomon Schechter, “por maior valor literário que um código possa ter, isto não lhe dá infalibilidade, nem isenta o estudante ou o rabino que faça uso dele da obrigação de examinar cada parágrafo por seus próprios méritos e o sujeitar às mesmas normas de interpretação que sempre foram aplicadas à tradição”. Os judeus conservadores acreditam que seu ponto de vista quanto à lei judaica como evolutiva e adaptável é de facto consistente com a tradição judaica. O judaísmo conservador mantém que ambos requisitos, éticos e rituais, são normativos. Os judeus conservadores portanto estão obrigados a observar leis rituais, incluindo o Shabat; manter-se Casher; a prática de reza três vezes ao dia; observar as festas judaicas e os eventos do ciclo de vida.

Diversos estudos têm demonstrado que há uma grande brecha entre o que o movimento conservador ensina e o que a maioria da comunidade tem incorporado às suas vidas diárias. A prática judaica conservadora é frequentemente indistinguível daquela do judaísmo reformista com respeito à observância das leis do Shabat ou do cashrut. Os judeus conservadores que são moderadamente ligados, entretanto, estão mais de acordo em seguir a doutrina conservadora na observância do ciclo de vida ou feriados (tal como ir à sinagoga nos dois dias de Rosh Hashaná ou manter as leis de Pessach). Há um significativo grupo de judeus conservadores comprometidos, formado por lideranças leigas, rabinos, chazanim, educadores e aqueles formados por escolas religiosas do movimento e acampamentos, que levam a lei judaica muito seriamente. Estudos recentes têm demonstrado um crescimento na observância dos membros do movimento.

Há um artigo em separado que detalha a responsa conservadora, opiniões legais e normas do judaísmo conservador e Masorti. A responsa conservadora foi redigida pelo Rabbinical Assembly’s Committee on Jewish Law and Standards.






VISÕES DE OUTRAS DENOMINAÇÕES JUDAICAS:

O judaísmo conservador contrasta com outras denominações em duas áreas maiores de diferença:

Com referência ao grau de revelação da Torá: aqui o judaísmo conservador mantém que a crença ortodoxa na revelação verbal da Torá escrita e oral não é necessária ou mandatária para a crença judaica. Entretanto, eles também rejeitam a visão reformista da Torá como sendo somente inspiração humana. Ao contrário, aceitam a crença na divindade da revelação não verbal da Torá escrita como visão judaica correcta, histórica e autêntica. Nesta visão, a Torá oral é considerada inspirada pela Torá, mas não necessariamente de origem divina.

Com relação à interpretação da Halachá (lei judaica): Devida a tradição legal do judaísmo, as diferenças fundamentais entre as modernas denominações judaicas também envolvem a interpretação e a aplicação da lei e da tradição judaica. O judaísmo conservador acredita que seu enfoque é a mais autêntica expressão do judaísmo como ele era tradicionalmente praticado. Os judeus conservadores acreditam que os movimentos à sua esquerda, como o judaísmo reformista e o reconstrucionista, têm errado ao rejeitar a autoridade tradicional da lei e da tradição judaicas. Eles acreditam que os movimentos judaicos ortodoxos, à direita teológica, têm errado em refrear ou parar o desenvolvimento histórico da lei judaica: “O judaísmo conservador acredita que o estudo dos textos judaicos indica que o judaísmo tem estado constantemente envolvido no sentido de ir ao encontro das necessidades do povo judeu em circunstâncias variadas, e que a autoridade halachica central pode continuar a evolução da halachica hoje.” O movimento conservador faz um esforço consciente para usar as fontes históricas para determinar que tipo de mudanças têm ocorrido na tradição judaica, como e por que ocorreram, e em que contexto histórico. Com tais informações, eles acreditam que podem compreender melhor a maneira apropriada para os rabinos interpretarem e aplicarem a lei judaica às nossas condições hoje em dia.

Mordechai Waxman, um líder da Rabbinical Assembly, escreve que “a reforma tem afirmado o direito de interpretação, mas rejeita a autoridade da tradição legal. A ortodoxia apega-se rapidamente ao princípio da autoridade, mas tem em gerações recentes e na nossa própria rejeitado o direito a quaisquer interpretações menores. A visão conservadora é que ambas são necessária para um judaísmo vivo. Portanto, o judaísmo conservador mantém-se ligado à tradição legal judaica, mas reafirma o direito de seu corpo rabínico agir como um todo para interpretar e aplicar a lei judaica.” (Mordecai Waxman Tradition and Change: The Development of Conservative Judaism)

Um dos líderes do movimento conservador escreveu sobre enfoques legais do movimento, comparando a halacha a um jogo de xadrez. Nos séc. XVI e XVII (correlato à publicação de Shulkan Aruch e seus comentários), o movimento ortodoxo colocou um domo de vidro sobre o tabuleiro. Os judeus conservadores simplesmente tiraram o domo e começaram as mover as peças novamente de acordo com as normas. Os judeus reformistas rejeitam as normas do jogo. O judaísmo conservador vê os processos pelo qual o judaísmo reformista e o reconstrucionista fazem mudanças nas tradições judaicas como inválidos. Assim, o judaísmo conservador rejeita a descendência por parte de pai e manteria que uma criança filha de mãe não judia que cresceu como judeu reconstrucionista ou reformista não é legalmente judia e deveria passar pela conversão para tornar-se judeu. Da mesma forma, enquanto os serviços reformistas e reconstrucionistas ou outros rituais não são inerentemente inválidos, se eles não estiverem de acordo com os requisitos da halacha (p. ex. um serviço que omita uma reza legalmente necessária), eles não seriam reconhecidos como legalmente significantes. Apesar do desacordo do movimento conservador com os movimentos mais liberais, ele está de acordo com o pluralismo judaico e respeita o direito dos judeus reconstrucionistas e reformistas de praticarem o judaísmo de sua própria maneira. Assim o movimento conservador reconhece seu clero como rabinos, ainda que frequentemente não aceite suas decisões específicas como válidas.

Em contraste, enquanto o judaísmo conservador vê o enfoque ortodoxo sobre a halachá como rígida e muito diferente ao precedente passado, também o vê como legalmente válido. Deste modo um judeu conservador poderia satisfazer suas obrigações halachicas participando de rituais ortodoxos. O judaísmo ortodoxo, entretanto, vê o enfoque conservador à halacha como inválida. Em particular, eles criticam a posição conservadora de que o precedente halachico não é obrigatório e o uso de posições minoritárias na literatura rabínica como suporte às normas conservadoras. Uma crítica mais profunda é que o processo conservador é dirigido mais por um desejo de alcançar resultados preferidos pelos seculares do que pelas considerações haláchicas tradicionais. Como resultado, o judaísmo ortodoxo não reconhece os rituais conservadores e alguns elementos do judaísmo ortodoxo não reconhecem os rabinos conservadores como rabinos autênticos.






OITO PERSPECTIVAS DE COMPORTAMENTO:

. Segundo o Rabino Jerome Epstein:

* 1) O Judeu Masorti ideal apoia uma sinagoga Masorti, participando de suas actividades.
* 2) O Judeu Masorti ideal estuda, pelo menos uma hora por semana.
* 3) O Judeu Masorti ideal emprega os valores judaicos aprendidos para orientar seu comportamento, mesmo quando entram em conflito com seus sentimentos ou inclinações pessoais.
* 4) O Judeu Masorti ideal incrementa sua vida judaica, graças ao seu compromisso com o Judaísmo e a uma séria consideração dos valores judaicos, agregando um mínimo de três mitzvot novas por ano.
* 5) O Judeu Masorti ideal emprega os valores de tikun olam para ajudar no contínuo reparo do mundo.
* 6) O Judeu Masorti ideal só toma decisões sobre o comportamento judaico após ter considerado seu efeito em klal Israel.
* 7) O Judeu Masorti ideal aumenta seus vínculos e conexões com Israel.
* 8) O Judeu Masorti ideal estuda para aumentar seu conhecimento do hebraico.

Muitas pessoas pensam equivocadamente que o Judaísmo Masorti é um Judaísmo “em que cada um escolhe o que lhe apetece” – em que não há regras nem expectativas. Entretanto, na verdade, o Judaísmo Masorti é comprometido com a tradição judaica e com a observância das mitzvot.

Os ensinamentos de nosso Movimento deveriam afetar a forma como vivemos nossas vidas – porque se o Judaísmo não der forma às nossas decisões diárias e ao nosso estilo de vida, então não faz sentido. O Judeu Masorti ideal é um judeu que se esforça, um judeu que está sempre a crescer em compromisso e em conhecimento. Cada um de nós deveria subir continuamente pela escada da observância. O Judaísmo Masorti pede-nos para aprendermos e crescermos.

21 de setembro de 2008

A IDENTIDADE DOS JUDEUS CONVERSOS NA DIÁSPORA E SUA RELAÇÃO COM ISRAEL AO LONGO DA HISTÓRIA

CONVERTIDOS AO JUDAÍMOS E O IMPASSE: QUEM É JUDEU? - QUEM É RABINO?



A IDENTIDADE DOS JUDEUS CONVERSOS NA DIÁSPORA E SUA RELAÇÃO COM ISRAEL AO LONGO DA HISTÓRIA

O governo de Israel está analisando a possibilidade de criar um Instituto de Conversão para educar novos judeus em uma das correntes da religião.

Para alguns, a definição do termo "judeu" ainda se divide entre a interpretação sionista, de uma nação judaica, e a interpretação religiosa, que considera judeu aqueles que obedecem as leis judaicas.

A questão da identidade judaica é abordada por meio de vários aspectos. Mas, de acordo com a legislação de Israel, qualquer judeu que queira viver no país recebe concessão imediata de cidadania, inclusive pessoas convertidas ao judaísmo.

Mas os novos convertidos não são aceitos facilmente por todos os judeus como verdadeiros judeus. De acordo com esde grupo de pessoas, somente pode ser judeu quem é nascido de mãe judia (“lei do ventre”).

Movimento Ortodoxo:






É possível se converter ao judaísmo, mas a religião não busca adeptos. E, segundo analistas, é assim que alguns problemas surgem em Israel.

Um exemplo: rabinos ortodoxos não aceitam a conversão de pessoas feitas por outras denominações judaicas e também são contra a decisão de Israel de aceitar convertidos ao judaísmo.


No caso de judeus conversos, é necessário que um rabino assine um documento comprovando que se trata de um judeu converso.

. Retrospectivo Histórico:

Ao longo de história houve os homens e mulheres que se uniram ao povo judeu por meio da conversão. No livro de Gênesis, depois que Abrão foi chamado por Deus para viajar à terra de Canaã, nós lemos: “E foi-se Abrão, como lhe falou o Eterno... e tomou Abrão a Sarai, sua esposa, e a Lot, filho de seu irmão... e às almas (pessoas) que haviam adquirido em Harán.” (Gênesis 12:4-5). De acordo com interpretação rabínica, as “almas que haviam adquirido” representaram os primeiros convertidos ao judaísmo; e todos os convertidos, quando adquirem seus nomes hebraicos, são conhecidos como ben (filho de) ou bat (filha de) Avrahám (Abrahão).

O exemplo mais famoso de um convertido bíblico é Ruth que, como sabemos, foi a bisavó do Rei David. Levando-se em conta o que diz a tradição — a saber, que o Messias virá da linhagem de David —, então o Messias também descenderá de uma convertida ao judaísmo.

No período talmúdico, vários rabinos e sábios famosos eram, eles mesmos, convertidos descendentes de convertidos, e também houve exemplos interessantes de conversão de grupos ao judaísmo, como todo o reino dos kazares, no século 8 da era comum.


Israel: cronologia






O Império Romano dominou Israel durante a época (63 d.C), mas concedeu aos judeus liberdade de culto.

A era atual ou Era Comum, EC, começa com o nascimento de Jesus Cristo. O judaísmo rabínico teve início no ano 70. Essa corrente de pensamento compreendeu uma nova forma de adoração.

A idéia de um lugar único para o louvor, o templo, foi abandonada. A partir de então, o judaísmo passou a ser uma fé que pode ser praticada em qualquer lugar do mundo.

Anos 70-200 EC:






Durante os primeiros 150 anos da Era Comum, os judeus se rebelaram duas vezes contra os líderes romanos. Ambas as revoltas foram brutalmente reprimidas e seguidas de restrições severas à liberdade dos judeus.

A primeira revolta em 70 EC levou à destruição do templo. Já na segunda revolta, em 132 EC, centenas de milhares de judeus morreram, milhares foram levados cativos, e os judeus foram proibidos de entrar em Jerusalém.

Anos 200-700 EC:

Entre os anos 200 e 700, o judaísmo se desenvolveu rapidamente. Politicamente, foi uma época de altos e baixos para o povo de Israel.

Os judeus puderam se tornar cidadãos romanos, mas mais tarde foram proibidos de possuir escravos cristãos ou casar com cristãos.


Em 439, os romanos proibiram que sinagogas fossem construídas e que judeus se tornassem funcionários públicos.

A Era de Ouro — Judeus na Espanha:

Mil anos após o nascimento de Cristo, os judeus viveram na Espanha uma época de sucessos.

Eles coexistiram com os islâmicos que habitavam o país e desenvolveram estudos nas áreas de ciência, literatura hebraica e Talmud.

Essa época, considerada a Era do Ouro, resistiu apesar da tentativa de forçar os judeus ao islamismo, registrada em 1086.

O milênio seguinte começou com as Cruzadas, operações militares comandadas por cristãos para capturar a Terra Santa.

Os Exércitos das primeiras Cruzadas atacaram comunidades judaicas no caminho para a Palestina, especialmente na Alemanha.

Quando os soldados das Cruzadas conquistaram Jerusalém, eles mataram e levaram cativos milhares de judeus e muçulmanos.

E, a exemplo dos romanos, anteriormente, proibiram os judeus de entrar em Jerusalém.


Em 1100, os judeus foram expulsos do Sul da Espanha após uma invasão bérbere. Na França, eles foram acusados de sacrificar crianças em rituais macabros.

Na Inglaterra, judeus foram mortos enquanto tentavam presentear o rei Ricardo I, durante a coroação.

Em 1215, a Igreja Católica condenou os judeus a viver em áreas segregadas, conhecidas como guetos, e a vestir roupas distintivas.

Em 1290, os judeus foram expulsos da Inglaterra e logo depois da França.

Em 1478, foram vítimas da Inquisição espanhola, e em 1492 foram expulsos da Espanha. Cinco anos mais tarde, era a vez de Portugal enviar todos os judeus para fora do país.

Na Alemanha, em 1547, uma das grandes vozes do antissemitismo partiu de Martinho Lutero, o monge que iniciou o movimento de reforma da Igreja Católica. É dele um dos manifestos contra os judeus conhecido como “Sobre os judeus e suas mentiras”.

Nessa época, é publicado na Espanha o Livro do Esplendor, que influenciou o misticismo judaico durante séculos. A cabala, forma de misticismo dos judeus, ganhou nova força.

De 1600-1900:

Esse é um período de expansão considerável do judaísmo. Os judeus são autorizados a voltar para a Inglaterra e vêem seus direitos aumentarem. Nos Estados Unidos, os primeiros judeus chegaram em 1648.

Hassidismo:

Na Polônia e na Europa Central surge o movimento hassidista. Essa corrente judaica inclui grande quantidade de misticismo cabalístico e a idéia de fazer a santificação presente na vida cotidiana de forma intelectual e alegre ajudou a aumentar a popularidade do hassidismo entre os judeus.

O movimento também causou divisão. Na Lituânia, o hassidismo foi excomungado em 1772, e os judeus pertencentes a esse movimento proibidos de negociar ou se casarem com outros judeus.

Perseguição na Europa:

Durante o final do século 18, judeus começaram a sofrer perseguição na Europa Central. Na Rússia, eles foram confinados a uma área do país.

No século 19, nasce o movimento reformado do judaísmo que começou na Alemanha e defendia que o judaísmo e as leis da religião tinham que acompanhar as mudanças do tempo, em vez de permanecerem rígidas.

Em 1860, os judeus da Grã-Bretanha passaram a ter os mesmos direitos de cidadãos britânicos. Mas nessa mesma época, houve pogroms na Europa Central e na Rússia.

Os judeus foram expulsos de suas casas e vilarejos e tratados cruelmente. Em Israel, a cultura judaica florescia, e a língua hebraica foi recriada de uma língua de história e religião para um idioma vivo e moderno.

Século 20:

Nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, essa foi uma época de imigração para os judeus que fugiram da perseguição dos pogroms na Rússia e na Polônia.

O nascimento do sionismo:

O movimento sionista, cujo objetivo era criar um estado judaico em Israel, começou no final do século 20. Começou a ganhar força quando os judeus sentiram que a única maneira de viverem seguros era em um estado judaico.
O governo britânico ofereceu aos judeus uma vasta área em Uganda, mas a principal organização sionista insistia que o Estado judaico deveria ser construído na Palestina.

Em 1917, na Declaração Balfour, a Grã-Bretanha concordou que um Estado judaico deveria ser estabelecido em Israel.

Durante os anos 30 e 40, o Holocausto consumaria planos da Alemanha nazista e países aliados para estirpar todos os judeus da Europa. Durante o Holocausto, 6 milhões de judeus foram assassinados, e um milhão deles eram crianças.

O Holocausto afetou convicções religiosas de muitos judeus, que tentavam entender como Deus pode ter permitido a matança do povo.

O Estado de Israel:

O movimento sionista conseguiu fazer com que o Estado de Israel fosse criado em 1948, após uma campanha paramilitar contra o reinado britânico.

Israel teve que sobreviver a três grandes guerras: a da independência, logo depois de o Estado ter sido criado, a dos Seis Dias, em 1967, e da Yom Kippur (ou Dia do Perdão) em 1973, além de vários conflitos.

Israel tem tido dificuldades em suas relações com os vizinhos árabes, que não concordam com o êxodo dos palestinos que viviam na região antes da criação de Israel.

Desde sua criação, Israel tem sido apoiado militarmente e politicamente pelos Estados Unidos, que concentram uma grande comunidade judaica.

Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupou a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, territórios palestinos, além das Colinas de Golã, na Síria, e da Península do Sinai, no Egito.

A Península do Sinai foi devolvida quando Egito e Israel assinaram um acordo de paz, na década seguinte. Mas as negociações em torno dos territórios palestinos têm caminhado lentamente.

Segundo resoluções da ONU aprovadas depois da guerra de 1967, Israel já deveria ter desocupado essas regiões, mas os governos isralenses continuaram promovendo uma política de criação de assentamentos judaicos tanto na Cisjordânia como na Faixa de Gaza.

Grupos palestinos como o Hamas e a Jihad Islâmica iniciaram ondas de ataques contra civis isrealenses, o que, segundo Israel, tem impedido o avanço das negociações de paz definidas no acordo de Oslo, em 1993.

O objetivo formal do diálogo continua sendo a criação de um Estado palestino que conviva pacificamente com Israel, o que já estava previsto no processo que criou o Estado de Israel.

20 de setembro de 2008

Canção - Pachad - Yael Naim




LETRA ORIGINAL EM HEBRAICO:

פחד עמום עוטף את העיניים רוצה שתחכי לא לבד קושר לי ת'ידיים אומר תתחנני תן לי יד רוצה שתתקפלי אליו רוצה שתחכי לו לעד אומץ לבן דוחף אותי למים רוצה שתירטבי בוא אלי מאיר את השמיים אומר עכשיו תשחי תן לי יד רוצה שתנסי לבד הגיע זמן שתפרחי לעד אומר עכשיו תשחי לבד רוצהש תפרחי לעד הגיע הזמן שתגלי מי את תן לי יד תן לי יד תן לי יד רוצה שתנסי לבד הגיע זמן שתפרחי לעד אומר עכשיו תשחי לבד רוצה שתפרחי לעד הגיע הזמן שתגלי מי את, מי אתתתתת, מי אתתתת, מי אתתתת

TRANSLITERAÇÃO:


Pahad amoom otef et ha-enaym rotze shetehakee lo levad kosher li tayadaym, omer teethaninee ten li yad rotze shetetkapli elahv Lyricsrotze shetehakee lo la-ad ometz lavan dohef oti lamaym rotze sheteratvee bo elai meir li et hashamaym omer ahshav tesshi ten li yad rotze shetenasi levad hegia zman shetifrehi la-ad omer ahshav tesshi levad rotze shetenasi la-ad hegia zman shetegali mi at ten li yad... ten li yad... ten li yad rotze shetenasi levad hegia zman shetifrehi la-ad omer ahshav tesshi levad rotze shetifrehi la-ad hegia zman shetegali mi at mi at.. mi at

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17 de setembro de 2008

...E DEUS CRIOU O HOMEM - A ÚLTIMA DAS CRIAÇÕES

LILITH - A HISTÓRIA OCULTA - REVOLUCIONÁRIA OU FEITICEIRA?





Poucas pessoas sabem a saga vivida por Lilith, a primeira mulher de Adão, que veio do pó como ele, não nasceu da costela e, por isso, não foi submissa. Como todo bom machão, Adão reclamou com Deus e, então, ele amaldiçoou a Lilith e a tornou um personagem obscuro na história bíblica.

MASCULINO/FEMININO:


Na origem de todos os povos do mundo sempre existiu a tradição de um casal fundador da raça humana. A maioria são casais-deuses, exceto nas religiões patriarcais, como a cristã, onde um único Deus masculino formou todas as coisas e seres.

Entretanto, ao estudar a espiritualidade hebraica, através da Cabala, nos é ensinado que o grande deus monoteísta não é do sexo masculino, mas é completo em si mesmo, o que existem são divisões de gênero, inclusive é uma insolência lhe dar aspecto humano, pois sua essência é luz pura. E desde quando luz tem sexo?

Mas como sabemos vivemos num mundo bipolar e é por isso que nossa Divina Arquiteta teve a iluminada idéia de semear o amor no terreno fértil de nossos corações, para que pudéssemos andar lado a lado, sempre em casais e nunca sozinhos.

Ao se estudar Carl Jung descobriremos que dentro de cada homem há uma mulher (anima) e em cada mulher há o princípio masculino (animus). Este eterno jogo de yin-yang se ajusta e se completa. Portanto, nenhum indivíduo é inteiramente masculino ou inteiramente feminino.

Cada um de nós é composto dos dois elementos e esses dois constituintes estão freqüentemente em conflito. O princípio feminino ou "Eros" é universalmente representado pela Lua e o princípio masculino ou "Logos" pelo Sol. O mito da criação no Gênesis afirma: Deus criou duas luzes, a luz maior para reger o dia e a luz menor para reger a noite. O Sol como princípio masculino é o soberano do dia, da consciência, do trabalho e da realização, do entendimento e da discriminação conscientes, o Logos.



A Lua, o princípio feminino é a soberana da noite, do inconsciente. É a deusa do amor, controladora das forças misteriosas que fogem à compreensão humana, atraindo os seres humanos irresistivelmente um para o outro, ou separando-os inexplicavelmente. Ela é o Eros, poderoso e fatídico e totalmente incompreensível.

Na natureza, o princípio feminino ou a deusa feminina mostra-se como uma força cega, fecunda, cruel, criativa, acariciadora e destruidora.

É a fêmea das espécies mais mortal que o macho, feroz em seu amor como também com seu ódio.

Esse é o princípio feminino na forma demoníaca. O medo quase universal que os homens têm de cair sob o domínio ou fascinação de uma mulher e a atração que esta mesma servidão têm para eles, são evidências de que o efeito que uma mulher produz num homem é, em geral realmente de caráter demoníaco.

Essa imagem repousa tão somente, na natureza da própria "anima"do homem ou alma feminina, sua imagem interior do feminino. A "anima"' não é uma mulher, mas um espírito de natureza feminina, que reflete as características do lado demoníaco, tanto glorioso, como terrível. Na vida cotidiana o homem não entra diretamente em contato com o princípio masculino duro, predatório, mas encontra-o sob a máscara humana, mediado pela sua função superior.

Mas o feminino dentro dele não é mediado através de uma personalidade humana culta e desenvolvida.

O princípio feminino, a Deusa Lua, age sobre ele diretamente do inconsciente, aproximando-se como um traidor que vem de dentro. Não é de admirar tanto medo e desconfiança!


O LADO OBSCURO DE LILITH:





Se Eva se acusou de ter atraído a morte, o pecado e a tristeza ao mundo, Lilith já era demoníaca desde que foi criada. Lilith surgiu do intento de compreender a difrença entre os mitos da criação de Gênesis, já que em sus primeira história em Gênesis 1, homem e mulher são criados iguais e conjuntamente, enquanto na segunda história, em Gênesis 3, a mulher é criada depois do homem e a partir de seu corpo. Segundo as lendas, Lilith era a primeira esposa, que era bem pior que a segunda. No entanto, a figura escolhida para desempenhar esse papel na lenda judia era originariamente suméria, a resplandecente "Rainha do Céu", cujo nome "Lil" significava "ar" ou "tormenta". As vezes se tratava de uma presença ambígua, amante dos "lugares selvagens e desabitados", associada também com o aspecto obscuro da Deusa Inanna e com sua irmã Ereshkigal, Rainha do Mundo Subterrâneo". Aparece pela primeira vez no poema sobre Inanna, quando o herói Gilgamesh tala a árvore de Inanna:

"Gilgamesh golpeou a serpente que não podia ser encantada.

O pássaro Anzu voou com suas crias às montanhas;

e Lilith aniquilou seu lar e retirou-se aos lugares selvagens e desabitados."

"Lil" também era a palavra sumero-acádia que designava a "tormenta de pó" ou "nuvem de pó", um termo que também se aplicava aos fantasmas, cuja forma era uma nuvem de pó e cujo o alimento era supostamente o pó da terra. Na língua semítica "liliatu" era então "a criada de um fantasma", porém prontamente se fundiu com a palavra "layil", "noite", e se converteu em uma palavra que se designava a um demônio noturno.

A "lílít" do texto hebraico se traduz na versão grega de Septuaginta e por Lamia na Vulgata latina de São Jerônimo. As "lamiae" são muito conhecidas nas tradições gregas e latinas, como monstros voadores noturnos, que sempre aparecem sob o aspecto de pássaros. A maioria dos autores, afirma que as lamias são monstros femininos que devoram homens e crianças. Portanto, as lamias e Lilith têm muitos pontos em comum e foram convertidas em "vampiras".


No mito hebreu, Lilith, portanto, acumulou sem descanso todas as associações à noite e à morte. é possível que a imagem hebréia de Lilith se baseasse nas imagens de Inanna-Isthar como Deusa das grandes alturas e de grandes profundidades, porém, compreensivelmente rebaixada ao ser percebida desde o ponto de vista de um povo deportado à BABILÔNIA.

Só há uma referência à Lilit, como coruja, no Antigo Testamento. É encontrada no meio de uma profecia de Isaías. No dia da vingança de Yahvé, quando a terra se envolverá num deserto,"e um sátiro chamará o outro; também ali repousará Lilith e nele encontrará descanso." Inanna e Isthar eram chamadas de "Divina Senhora Coruja" (Nin-nnina Kilili). Isso pode explicar de onde provêm Lilith e porque era representada como uma coruja.


Uma versão da Criação de Lilith na mitologia Hebréia conta que Yahvé fez Lilith, como a Adão, porém no lugar de usar terra limpa, "tomou a sujeira e sedimentos impuros da terra, e deles formou uma mulher. Como era de se esperar, essa criatura resultou ser um espírito maligno". Lilith se converteu a posteriori na primeira esposa de Adão, cuja presença original nunca terminou de eliminar-se totalmente de de seu segundo matrimônio. O que falhou no primeiro foi obviamente a independência de Lilih e sua igualdade com Adão, por isso depois criou-se Eva. Em conseqüência, a lenda tacha de insubordinação a atitude por parte de Lilith, pois, segundo a história, se negava a aceitar seu "lugar apropriado" que aparentemente era permanecer debaixo de Adão durante a relação sexual:

-"Porque teria que ficar debaixo de ti quando sou tua igual, já que ambos fomos criados de barro?", pergunta ela.

Adão não sabe contestar essa pergunta, de maneira que, pronunciando o nome mágico de Deus e Lilith se foi voando pelos ares até o Mar Vermelho. Ali dá à luz a mais de 100 demônios por dia

Adão fala de sua esposa a Yahvé, e esse enviou a sua procura os três anjos Senoi, Sansenoi e Samanglof, que a encontraram nas margens do Mar Vermelho, onde mais tarde as tropas egípcias seriam engolidas por ordem de Moisés.

Lilith se negou a voltar a ocupar seu lugar junto de Adão e ameaça dizendo que possui poder de matar crianças. Então os anjos tentaram afogá-la no Mar Vermelho, porém Lilith advogou em causa própria e salvou sua vida com a condição de jamais causar dano a uma criança recém-nascida de onde viera seu nome escrito.

Finalmente Yahvé deu a Lilith, Sammael (Satã), e ela foi a primeira das quatro esposas do diabo e a perseguidora dos recém-nascidos.

Mas, em conseqüência dessa fala, a ordem divina se converteu no centro de todas as fantasias de terror que provoca a sensação de indefesa. Lilith poderia aparecer em qualquer momento da noite, ela ou algum de seus demônios, para levar uma criança, aterrorizando os pais dos pequenos. Podia também possuir um homem durante o sono. Esse constataria que havia caído debaixo de seu poder se encontrasse restos de sêmen ao despertar. É difícil evitar concluir que Lilith se converteu em uma imagem de desejo sexual não reconhecido, reprimido e projetado sobre a mulher, que se converte em sedutora. Por todos os lugares foram encontrados amuletos contra o "poder" de Lilith.

Através da figura de Lilith, na cultura hebréia, a divisão e polarização próprias da Idade do Ferra da Grande Mãe em seus aspectos, a Deusa que dá a vida e a Deusa que atrai a morte, é levada um pouco mais longe. Ao terror do sofrimento inexplicável que pode manifestar-se sem aviso prévio e se insere uma dimensão nova da demonização da sexualidade.

O mito em Gênesis, estabelece que é a infração do mandamento de Yahvé, e não a sexualidade, a causa da expulsão do Paraíso à condição humana; e o conhecimento do bem e do mal, que alcançaram através da desobediência, tampouco se pode explicar em termos de conhecimento sexual. No entanto, tanto a desobediência como o conhecimento se associaram com a sexualidade porque a primeira coisa que Adão e Eva "viram" quando "seus olhos se abriram" foi que estavam nus. Antes disso, andavam nus e sem vergonha. A nudez, portanto, se converteu em sexualidade pecaminosa, especialmente quando a serpente fálica entra na especulação teológica. Em certas ocasiões a serpente era identificada como Lilith e se desenhava a serpente com um corpo de mulher, interpretando-se que a dita criatura era Lilith. Outras vezes a serpente tinha um rosto como o de Eva. Por esta razão, uma percepção da sexualidade como algo "não divino", invade as lendas de Lilith como aspecto escuro de Eva.

Mas, o papel de Lilith parece não terminar quando se une a Satã, aliás, muito pelo contrário. Segundo Zohar (Hhadasch, seção Yitro, p.29), depois participa da perdição de Adão, ao qual Yahvé (Jehová) concede como segunda esposa a Eva, nascida da sua própria costela, ou seja, à imagem do homem, o reflexo do homem, ou a imagem castrada de Adão. "Depois de que o Tentador (Sammael) houvera desobedecido ao Santíssimo, bendito seja, o Senhor o condenou a morrer". A Cabala faz eco desta tradição (Livro Emek-Ammelehh, XI), que Sammael será castigado: "Esse dia, Yahvé visitará com sua terrível espada a Leviatã, a serpente insinuante, que é Sammael, e a Leviatã, a serpente sinuosa, que é Lilith.

Esse texto nos diz que tão somente Lilith está incluída no castigo junto com Sammael e não as outras três esposas e que, Lilith também apresenta o aspecto de serpente. O que se conclui é que Lilith está reprimida no inconsciente e, quando surge, coloca a sociedade paternalista em xeque. Assim, quando Eva convida Adão para comer a maçã, é das mãos de Lilith que a receberá.



LILITH, MÃE DE ADÃO?





Pode parecer até exagerado achar que Lilith foi mãe de Adão, mas Adão tinha que ter uma mãe, senão não seria humano. E, se Adão não conheceu uma mãe material, deveria ter a imagem dela para si mesmo. Talvez seja por esse motivo que o nome de Lilith tenha desaparecido do texto oficial da Bíblia. Estaria em desacordo com as normas cristãs Adão ter uma mãe e essa mãe ter sido sua esposa. E a rejeição de Lilith pela companhia de Adão, não poderia ser interpretada como um desmame? De todas as formas, a equivalência de esposa e mãe existe. "A noção de proibição havia sido deslocada do jogo genital ao feito de chupar o peito (comer a maçã)... O verdadeiro sentido é: "podemos comer da maçã, porém está proibida para o filho que tenha contato sexual com sua mãe"...

Quem é Lilith então? Para Adão é um primeiro objeto de amor, do qual deve acordar-se e descobrir seu sexo." Ou seja, Lilith representa o primeiro estágio de desenvolvimento de Adão, chamado matriarcal e governado pelo arquétipo da "mãe", que será seguido pelo estágio patriarcal, no qual o arquétipo do pai será dominante. A expressão "estágio patriarcal" significa que Adão alcançou um nível de desenvolvimento do ego e da consciência no qual se dá uma importância crescente à vontade, à atividade, ao aprendizado e aos valores transmitidos pelo mundo. Entretanto, sem a separação, que levará Lilith para longe, Adão não poderia se desenvolver e se tornar adulto. Mas nessa transição da fase matriarcal para a patriarcal, o arquétipo anteriormente dominante da mãe é constelado de tal modo que seu lado "negativo" aparece. O arquétipo da fase a ser superada aparecerá como a "Mãe Terrível". Lilith começa então a provocar medo, porque representa o elemento que "reprime" e que dificulta o desenvolvimento necessário e devido. Por isso é transformada novamente na serpente é a antítese da energia ascendente do desenvolvimento do ego, tornando-se então, símbolo de estagnação, regressão e morte.

Lilith com rabo de serpente era a imagem da divindade andrógina, antes da criação, ou seja, antes do aparecimento do desejo, antes da separação do ser primitivo e absoluto, portanto, equivalente ao nada, de acordo com as teses de Hegel. Essa imagem representa a reminiscência da Lilith primitiva. Porém ela se converteu em pássaro noturno e alçando vôo desapareceu entre as trevas. Sua segunda forma, como corresponde a uma imagem desprovida de elementos terrestres, é uma forma para ficar na memória. O mito não é teológico, é essencialmente social. Em uma sociedade paternalista, Lilith é reprimida para dar lugar a Eva. Portanto, Eva representa a mulher moldada pelo homem.

Eva, entretanto, é uma mulher incompleta, lhe falta algo: o aspecto de Lilith que toma as vezes, quando se rebela, o aspecto que irá tomar Eva ao comer a maçã.

A Eva, como mulher, está totalmente alienada, não é nada mais do que a imagem castrada de Jehová e de Adão e não a imagem da parte feminina de Deus. Eva é uma mulher muda, a sombra de uma mulher, quase um fantasma. A mulher real é Lilith.


A REBELDIA DE LILITH:

Cuidadosamente apagada da Bíblia cristã, Lilith permanece como símbolo de rebelião à repressão do feminino na psique e na sociedade. O mito Lilith mostra bem a passagem do matriarcado para o patriarcado.

Tanto na literatura ortodoxa como na apócrifa, a sombra de Lilith seguiu cercando as mulheres até o século XV d. C. Nessa época, e utilizando as mesmas imagens incorporadas em Lilith, milhares delas foram acusadas de copular com o demônio, matar crianças e seduzir homens, ou seja, de serem bruxas.

Textos da literatura judia de fontes apócrifas, não incluídos no canon ortodoxo do Antigo Testamento, contêm passagens como a seguinte:

"As mulheres são o mal, filhos meus: como não têm o poder nem a força para enfrentar o homem, usam truques e intentam enganá-lo com seus encantos; a mulher não pode dominar pela força o homem, porém o domina mediante a astúcia. Pois certamente a anjo de Deus me falou sobre elas e me ensinou que as mulheres se entregam mais ao espírito de fornicação que o homem, e que tramam conspirações em seus corações contra os homens; com sua forma de adornar-se primeiro lhes fazem perder a cabeça, e com uma olhada inoculam o veneno, e logo durante o próprio ato os fazem cativos; pois uma mulher não pode vencer o homem pela força. Assim que evitai a fornicação, filhos meus, e ordenem a vossas esposas e filhas que não adornem suas cabeças e seus rostos, pois a toda mulher que usa truques desse tipo estará reservado o castigo eterno".


Esse exemplo nos mostra como um mito, se for entendido e concebido de forma literal, pode criar um prejuízo e converter-se em uma doutrina que se declara a si mesma uma verdade divinamente revelada. É conveniente lembrar que Jesus não aprovou nem o mito nem suas implicações, nem os costumes patriarcais referentes as mulheres, muito pelo contrário. Foram transmitidas ao Novo Testamento através dos escritos de Pablo, e assim fizeram sua entrada na doutrina formal cristã.


LILITH E ADÃO/EVA:






Enquanto Lilith é descrita como forma negativa, Eva, ao contrário, é apresentada em suas belezas e ornamentos. Adão não a recusa por vê-la como ossos dos seus ossos. Mas Eva carregará a culpa pela perda do paraíso.

E, esta é a informação que nos é passada pelo catolicismo, isto é, que a mulher possui uma imperfeição inerente, devida a sua natural inferioridade e sua incapacidade de distinguir o bem do mal. Tais afirmações foram codificadas no psiquismo feminino, fazendo com que todas as mulheres se tornassem estigmatizadas com esta identidade negativa. Foi deste modo, que o feminino se viu reduzido ao submisso e ao incapaz. A submissão foi então, imposta culturalmente a todas as mulheres, que distorceu intencionalmente os aspectos femininos, com o intuito de reprimir e estabelecer uma sociedade patriarcal.

Lilith, portanto, desobedece à supremacia de Adão, Eva, assumindo seu arquétipo Lilith, desobedeceria à proibição. Lilith, nada mais é, do que o lado sombrio de Eva, daí o porque das qualidades terríveis que são atribuídas a ela. Todo mal que lhe é atribuído está em sua desobediência, ao seu "não" a submissão.


Criada ao pôr do sol, Lilith é noturna, e por isso lhe foi atribuída a qualidade de vampiro. Lilith, ou as projeções do mito eram descritas em suas características eróticas, sensuais, mas quase sempre misturadas com características horrendas, partes animalescas, sobretudo nas extremidades.

A tradição de Lilith é a tradição da rejeição à Adão. O não de Adão, como já observamos, deveu-se não só ao caráter demoníaco de Lilith, mas também a exigência do desenvolvimento do ego de Adão.

A serpente-demônio, ou o próprio demoníaco que existe em Lilith, impele a mulher a "fazer algo" que a sociedade paternalista não permite.


Lilith é o arquétipo da mulher indomada, que luta apaixonadamente pelo poder pessoal. Suas características são destemor, força, entusiasmo e individualismo. Ela é atividade e exuberância emocional. Para as religiões patriarcais, é a personificação da luxúria feminina, uma inimiga das crianças que atua de noite, semeando o mal e a discórdia. Em Isaias, ela é chamada de "a coruja da noite". No Zohar, é descrita como "a prostituta, a maligna, a falsa, a negra".


Lilith aparece em nossas vidas para nos dizer que é hora de assumirmos o nosso poder. Você tem medo de assumi-lo? Você é daquelas pessoas que não sabem dizer "não"? Tem medo de perder sua feminilidade se tiver o poder em suas mãos? Você teme ser afastada(o) ou banida(o) pelos outros quando estiver em exercício de seu poder? Está com medo de fazer mau uso dele, dominando ou manipulando os outros? Lilith diz que, agora, para você, o caminho da totalidade está em reconhecer que não está ligada ao seu poder e, então, em segundo lugar, submeter-se e aceitar este poder.






Texto pesquisado e desenvolvido por:

Rosane Volpatto

Bibliografia consultada

O Oráculo da Deusa - Amy Sophia Marashinsky

Os Mistérios da Mulher - M. Esther Harding

As Deusas e a Mulher - Jean Shinoda Bolen

O livro de Lilith - Barbara Koltuv

Lilith, a Lua Negra - Roberto Sicuteri

La Mujer Celta - Jean Markale.

14 de setembro de 2008

HOLOCAUSTO - A LEGITIMAÇÃO DO MAL




SIGNIFICADO DA PALAVRA HOLOCAUSTO:

A palavra holocausto (em grego antigo: ὁλόκαυστον, ὁλον [todo] + καυστον [queimado]) tem origens remotas em sacrifícios e rituais religiosos da Antigüidade, em que animais (por vezes até seres humanos) eram oferecidos às divindades, sendo completamente queimados durante a noite para que ninguem visse. Nesse caso, holocausto quer dizer cremação dos corpos. Este tipo de sacrifício também foi praticado por tribos judaicas, como se evidencia no Livro do Êxodo capítulo 18, versículo 12: Então, Jetro, sogro de Moisés, trouxe holocausto e sacrifícios para Deus; (...).

A partir do século XIX, a palavra holocausto passou a designar grandes catástrofes e massacres, até que após a Segunda Guerra Mundial o termo Holocausto (com inicial maiúscula) passou a ser utilizado especificamente para se referir ao extermínio de milhões de judeus e outros grupos considerados indesejados pelo regime nazista de Adolf Hitler. A maior parte dos exterminados era judia, mas também havia militantes comunistas, homossexuais, ciganos, eslavos, deficientes motores, deficientes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, membros da elite intelectual polaca, russa e de outros países do Leste Europeu, além de activistas políticos, Testemunhas de Jeová, alguns sacerdotes católicos e sindicalistas, pacientes psiquiátricos e criminosos de delito comum.

Mais tarde, no correr dos julgamentos de Nurembergue, o termo foi sendo aos poucos adotado por judeus e, em menor número, por esses outros grupos considerados indesejados no regime nazista de Adolf Hitler. Como a maior parte dos perseguidos políticos de Hitler que podiam reclamar eram os judeus, os militantes não aliados foram esquecidos.

Todos estes grupos pereceram lado a lado nos campos de concentração e de extermínio, de acordo com textos e fotografias, (testemunhos de sobreviventes numa extensa documentação deixada pelos próprios nazistas), perpetradores e de espectadores, e com o saldo de registros estatísticos de vários países sob ocupação. O número exacto de mortes durante essa passagem é desconhecido (ver Extensão do Holocausto mais abaixo), mas segundo alguns especialistas estima-se que o número de pessoas desaparecidas, mortas ou assassinadas durante o conflito somam cerca de seis milhões de pessoas.

Atualmente, Holocausto foi novamente utilizado para descrever as grandes tragédias, sejam elas antes ou depois da Segunda Guerra Mundial. Muitas vezes a palavra holocausto tem sido usada para qualquer extermínio de vidas humanas executado de forma deliberada e maciça, como na que resultaria de uma guerra nuclear, falando-se por vezes de holocausto nuclear.

Shoá (השואה), também escrito da forma Shoah, Sho'ah e Shoa, que em língua iídiche (um dialeto do alemão falado por judeus ocidentais ou asquenazitas) significa calamidade, é o termo deste idioma para o "holocausto". É usado por muitos judeus e por um número crescente de cristãos, devido ao desconforto teológico com o significado literal da palavra Holocausto, que tem origem do grego e conotação com a prática de higienização por incineração; estes grupos acreditam que é teologicamente ofensivo sugerir que os judeus da Europa foram um sacrifício a Deus. É no entanto reconhecido que a maioria das pessoas que usam o termo holocausto, não o fazem com essa intenção.

Similarmente, muitas pessoas ciganas usam a palavra porajmos ("poráimos"), significando devorar, para descrever a tentativa nazi do extermínio do grupo.





PERSPECTIVA GERAL:



Um aspecto do Holocausto restrito a Alemanha que o distingue de outros assassínios colectivos foi a metodologia aplicada a grupos diferenciados. Foram feitas listas detalhadas de vítimas presentes e potenciais, encontrando-se, assim, registros meticulosos dos assassínios.

Quando os prisioneiros entravam nos campos de concentração ou de extermínio, tinham de entregar toda a propriedade pessoal aos Nazis - que era catalogada detalhadamente e etiquetada, sendo emitidos recibos. Adicionalmente ao longo do Holocausto, foram feitos esforços consideráveis para encontrar meios cada vez mais eficientes de matar mais pessoas. Por exemplo, ao trocarem o envenenamento por monóxido de carbono, usado nos campos de extermínio de Belzec, Sobibór, e Treblinka para o uso de Zyklon-B em Majdanek e Auschwitz-Birkenau, na chamada Aktion Reinhard.

Ao contrário de outros genocídios que ocorreram numa área ou país específicos, o Holocausto foi levado a cabo metodicamente em virtualmente cada centímetro do território ocupado pelos nazistas, tendo os judeus e outras vítimas sido perseguidos e assassinados num espaço em que hoje existem 35 nações europeias e sido enviados para campos de concentração em algumas nações e campos de extermínio noutras nações.

Além das matanças maciças, os nazistas levaram a cabo experiências médicas em prisioneiros, incluindo crianças. O Dr. Josef Mengele, um nazi dos mais amplamente conhecidos, era chamado de Anjo da Morte pelos prisioneiros de Auschwitz pelos seus experimentos cruéis e bizarros.

Os acontecimentos nas áreas controladas pelos alemães só se tornaram conhecidos em toda a sua extensão depois do fim da Guerra. No entanto, numerosos rumores, relatos e testemunhos de fugitivos e outros, ainda durante a guerra, deram alguma indicação de que os judeus estavam a ser mortos em grande número. Houve protestos, como em 29 de Outubro de 1942 no Reino Unido, que induziram figuras políticas e da Igreja a fazerem declarações públicas manifestando o horror sentido pela perseguição de judeus na Alemanha.

CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO E EXTERMÍNIO:





Campos de concentração para indesejados espalharam-se por toda a Europa, com novos campos sendo criados perto de centros de densa população indesejada, focando especialmente os judeus, a elite intelectual polaca, comunistas, ou ciganos. A maior parte dos campos situava-se na área de Governo Geral.

Campos de concentração para judeus e outros indesejados também existiram na própria Alemanha e, apesar de os campos de concentração alemães não terem sido desenhados para o extermínio sistemático — os campos para esse fim situavam-se todos no Leste europeu, a maioria na Polónia —, muitos prisioneiros morreram por causa das más condições ou por execução.

Alguns campos, tais como o de Auschwitz-Birkenau, combinavam trabalho escravo com o extermínio sistemático.

À chegada a estes campos, os prisioneiros eram divididos em dois grupos: aqueles que eram demasiado fracos para trabalhar eram imediatamente assassinados em câmaras de gás (que por vezes eram disfarçadas de chuveiros) e seus corpos eram queimados, enquanto que os outros eram primeiro usados como escravos em fábricas e empresas industriais localizadas nas proximidades do campo.


Os alemães também organizavam grupos de trabalho auto-sustentável entre os prisioneiros para trabalhar na reciclagem dos cadáveres e na colheita de certos elementos. Para alguns historiadores, os dentes de ouro eram extraídos dos cadáveres e cabelos de mulher (raspado das cabeças das vítimas) antes de entrarem nas câmaras incineradoras. Acreditam eles que esses produtos eram reciclados da seguinte forma: o ouro, fundido e usado na confecção de jóias; os cabelos, tecidos em tapetes e meias; a gordura, reprocessada para combustível.

Cinco campos — Belzec, Chelmno, Maly Trostenets, Sobibor, e Treblinka II — foram usados exclusivamente para o extermínio.

Nestes campos, apenas um pequeno número de prisioneiros foi mantido vivo para assegurar a tarefa de desfazer-se dos cadáveres de pessoas assassinadas nas câmaras de gás.

O transporte era frequentemente realizado em condições horríficas, usando vagões ferroviários de carga, abarrotados e sem quaisquer condições sanitárias. A organização logística envolvida no transporte ferroviário de milhões de pessoas com registros cuidadosamente catalogados e arquivados foi uma tarefa de um considerável grupo de pessoas pertencentes ao Partido Nazista.


JUDEUS:



O anti-semitismo era comum na Europa dos anos 20 e 30 do século XX (apesar de se estender ao longo de séculos). O anti-semitismo fanático de Adolf Hitler ficou bem patente no seu livro publicado em 1925, Mein Kampf, largamente ignorado quando foi publicado, mas que se tornou popular na Alemanha uma vez que Hitler ascendeu ao poder.

Em 1 de Abril de 1933, os nazis, recém-eleitos, organizaram, sob a direcção de Julius Streicher, um dia de boicote a todas as lojas e negócios pertencentes a judeus na Alemanha.

Esta política ajudou a criar um ambiente de repetidos actos anti-semitas que iriam culminar no Holocausto. As últimas empresas pertencentes a judeus foram fechadas a 6 de Julho de 1939.

Em muitas cidades da Europa, os judeus tinham vivido concentrados em zonas determinadas. Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, os nazis formalizaram as fronteiras dessas áreas e restringiram os movimentos criando novos guetos, aos quais os judeus ficavam confinados.

Os guetos eram, com efeito, prisões nas quais muitos judeus morreram de fome e de doenças; outros foram executados pelos nazis e seus colaboradores. Campos de concentração para judeus existiram na própria Alemanha. Durante a invasão da União Soviética, mais de três mil unidades especiais de morte (Einsatzgruppen) seguiram a Wehrmacht e conduziram matanças maciças de oficiais comunistas e de população judaica que vivia no território soviético. Comunidades inteiras foram dizimadas, sendo rodeadas, roubadas de suas possessões e roupa, e alvejadas de morte nas bermas de valas comuns.




SOLUÇÃO FINAL:

Em Dezembro de 1941, Hitler tinha finalmente decidido exterminar os judeus da Europa. Em Janeiro de 1942, durante a Conferência de Wannsee, vários líderes Nazis discutiram os detalhes da Solução final da questão judaica (Endlösung der Judenfrage).

O Dr. Josef Buhler pressionou Reinhard Heydrich a dar início à Solução Final no Governo Geral. Eles começaram a deportar sistematicamente populações de judeus desde os guetos e de todos os territórios ocupados para os sete campos designados como Vernichtungslager, ou campo de extermínio: Auschwitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Majdanek, Maly Trostenets, Sobibor e Treblinka II.

ESLAVOS:

Os polacos foram um dos primeiros alvos do extermínio de Hitler, como ficou sublinhado no seu discurso sobre a quota arménia, que fez a comandantes da Wehrmacht antes da invasão da Polónia em 1939.

A elite intelectual e socialmente proeminente ou pessoas poderosas foram os primeiros alvos, apesar de também ter havido assassínios em massa e instâncias de genocídio (donde se destaca Ustaše, na Croácia).

Durante a Operação Barbarossa, a invasão alemã da União Soviética, centenas de milhares (senão mesmo milhões) de prisioneiros de guerra pertencentes ao exército russo foram arbitrariamente executados nos campos pelos exércitos invasores alemães (em particular pelas famosas Waffen SS), ou foram enviados para campos de extermínio simplesmente porque eram de extração eslava. Milhares de vilas de lavradores russos foram aniquiladas pelas tropas alemãs mais ou menos pela mesma razão.

No entanto, sabe-se que inúmeros ucranianos combateram tenazmente a favor dos nazis quando da invasão à URSS, considerando o duro martírio por eles sofrido, viam os nazistas como libertadores.

CIGANOS:

A campanha de genocídio de Hitler contra os povos ciganos da Europa era vista por muitos como uma aplicação particularmente bizarra da ciência racial nazi.

Antropólogos alemães foram forçados a enfrentar o facto de os ciganos serem descendentes dos invasores arianos, que regressaram à Europa. Ironicamente, isto torna-os não menos arianos que os próprios alemães, pelo menos na prática, senão em teoria. Este dilema foi solucionado pelo professor Hans Gunther, um conhecido cientista racial, que escreveu:

«Os ciganos retiveram na verdade alguns elementos da sua origem nórdica, mas eles descendem das classes mais baixas da população dessa região. No decurso da sua migração, eles absorveram o sangue dos povos circundantes, tornando-se assim uma mistura racial oriental, asiática-ocidental com uma adição de ascendência indiana, centro-asiática e europeia.»
Como resultado, apesar de medidas discriminatórias, alguns grupos de ciganos de etnia Roma, incluindo as tribos alemãs dos Sinti e Lalleri, foram dispensados da deportação e morte. Os ciganos restantes sofreram muito como os judeus (em alguns momentos foram ainda mais degradados). No Leste europeu, os ciganos foram deportados para os guetos judeus, abatidos pela SS Einsatzgruppen nas suas vilas, e deportados e gaseados em Auschwitz e Treblinka.

HOMOSSEXUAIS:

Homossexuais foram um outro grupo alvo durante o tempo do Holocausto. No entanto, o partido nazi não fez qualquer tentativa sistemática de exterminar todos os homossexuais; de acordo com a lei nazi, ser homossexual em si não era uma razão de prisão. Alguns membros proeminentes da liderança do partido Nazi eram conhecidos (segundo outros líderes nazis) por serem homossexuais, o que pode explicar o facto de a liderança ter mostrado sinais contraditórios sobre a forma de lidar com o tema. Alguns líderes queriam claramente o extermínio dos homossexuais; outros queriam que os deixassem em paz, enquanto que outros queriam a aplicação de leis que proibissem actos homossexuais, mas de resto permitindo aos homossexuais viver tal como os outros cidadãos.

Estimativas quanto ao número de pessoas mortas pela razão específica de serem homossexuais variam muito. A maioria das estimativas situa-se por volta dos dez mil.

Números mais elevados incluem também aqueles que eram judeus e homossexuais, ou mesmo judeus, homossexuais e comunistas. Para além disso, registros sobre as razões específicas para o internamento são inexistentes em muitas áreas.


TESTEMUNHAS DE JEOVÁ:

Dentre dezenas de milhares enviadas aos campos de concentração, cerca de duas mil Testemunhas de Jeová pereceram, para onde foram enviados por razões políticas e ideológicas. Sendo objetores de consciência, elas recusaram o envolvimento na política, não diziam Heil Hitler, e não serviam no exército alemão.


MÁQUINA ASSASSINA - MORTES CATALOGADAS:





Um aspecto do Holocausto restrito a Alemanha que o distingue de outros assassínios colectivos foi a metodologia aplicada a grupos diferenciados. Foram feitas listas detalhadas de vítimas presentes e potenciais, encontrando-se, assim, registros meticulosos dos assassínios.

Quando os prisioneiros entravam nos campos de concentração ou de extermínio, tinham de entregar toda a propriedade pessoal aos Nazis - que era catalogada detalhadamente e etiquetada, sendo emitidos recibos. Adicionalmente ao longo do Holocausto, foram feitos esforços consideráveis para encontrar meios cada vez mais eficientes de matar mais pessoas. Por exemplo, ao trocarem o envenenamento por monóxido de carbono, usado nos campos de extermínio de Belzec, Sobibór, e Treblinka para o uso de Zyklon-B em Majdanek e Auschwitz-Birkenau, na chamada Aktion Reinhard.

Ao contrário de outros genocídios que ocorreram numa área ou país específicos, o Holocausto foi levado a cabo metodicamente em virtualmente cada centímetro do território ocupado pelos nazistas, tendo os judeus e outras vítimas sido perseguidos e assassinados num espaço em que hoje existem 35 nações europeias e sido enviados para campos de concentração em algumas nações e campos de extermínio noutras nações.

Além das matanças maciças, os nazistas levaram a cabo experiências médicas em prisioneiros, incluindo crianças. O Dr. Josef Mengele, um nazi dos mais amplamente conhecidos, era chamado de Anjo da Morte pelos prisioneiros de Auschwitz pelos seus experimentos cruéis e bizarros.

Os acontecimentos nas áreas controladas pelos alemães só se tornaram conhecidos em toda a sua extensão depois do fim da Guerra. No entanto, numerosos rumores, relatos e testemunhos de fugitivos e outros, ainda durante a guerra, deram alguma indicação de que os judeus estavam a ser mortos em grande número. Houve protestos, como em 29 de Outubro de 1942 no Reino Unido, que induziram figuras políticas e da Igreja a fazerem declarações públicas manifestando o horror sentido pela perseguição de judeus na Alemanha.

FENÔMENO SOCIAL - A RACIONALIZAÇÃO DO MAL:

Um aspecto do Holocausto restrito a Alemanha que o distingue de outros assassínios colectivos foi a metodologia aplicada a grupos diferenciados. Foram feitas listas detalhadas de vítimas presentes e potenciais, encontrando-se, assim, registros meticulosos dos assassínios.

Quando os prisioneiros entravam nos campos de concentração ou de extermínio, tinham de entregar toda a propriedade pessoal aos Nazis - que era catalogada detalhadamente e etiquetada, sendo emitidos recibos. Adicionalmente ao longo do Holocausto, foram feitos esforços consideráveis para encontrar meios cada vez mais eficientes de matar mais pessoas. Por exemplo, ao trocarem o envenenamento por monóxido de carbono, usado nos campos de extermínio de Belzec, Sobibór, e Treblinka para o uso de Zyklon-B em Majdanek e Auschwitz-Birkenau, na chamada Aktion Reinhard.


EXTENÇÃO DO HOLOCAUSTO:





O número exato de pessoas mortas pelo regime nazi continua a ser objeto de pesquisa.

Documentos liberados recentemente do segredo no Reino Unido e na União Soviética indicam que o total pode ser algo superior ao que se acreditava. No entanto, as seguintes estimativas são consideradas muito fiáveis.

6.0 – 7.0 milhões de polacos
dos quais 3.0 – 3.5 milhões de polacos judeus
5.6 – 6.1 milhões de judeus
dos quais 3.0 – 3.5 milhões de judeus polacos
3.5 – 6 milhões de outros civis eslavos
2.5 – 4 milhões de prisioneiros de guerra (POW) soviéticos
1 – 1.5 milhões de dissidentes políticos
200 000 – 800 000 roma e sinti
200 000 – 300 000 deficientes
10 000 – 25 000 homossexuais
2 500 – 5 000 Testemunhas de Jeová[1]
Existe alguma polêmica em relação a estes números, principalmente entre grupos anti-semitas, mas não só. A obra de Norman Filkenstein, A Indústria do Holocausto defende que este número de mortes em campos de concentração (notadamente na Alemanha) e de extermínio (na Polônia) tem servido para obtenção de vantagens econômicas e também políticas.


OS TRIÂNGULOS:






Face a enorme migração somada às grandes distancias que separavam os campos de concentração das indústrias bélicas alemãs, para efeito de identificação fora dos campos em vez de números , os administradores tiveram que elaborar uma solução geométrica de identificação que podia ser visualizada rapidamente. Os prisioneiros foram requeridos a usar triângulos coloridos nas suas vestes, cujas cores respondiam por seus endereços em campos que geralmente atendiam a sua nacionalidade e preferência política etc. , essa solução, tinha por objetivo facilitar as equipes de transportes (por caminhão) identifica-los mais rapidamente no retorno diário evidentemente após cumprirem suas missões dos centros industriais aos campos.

Apesar das cores variarem de campo para campo, as cores mais comuns eram:

amarelo: judeus — dois triângulos sobrepostos, para formar a Estrela de Davi, com a palavra Jude (judeu) inscrita; mischlings i.e., aqueles que eram considerados apenas parcialmente judeus, muitas vezes usavam apenas um triângulo amarelo.
vermelho: dissidentes políticos, incluindo comunistas
verde: criminoso comum. Criminosos de ascendência ariana recebiam freqüentemente privilégios especiais nos campos e poder sobre outros prisioneiros.
púrpura (roxo): basicamente aplicava-se às Testemunhas de Jeová, que por objeção de consciência negavam-se a participar dos empenhos militares da Alemanha nazista e a renegar sua fé por assinar uma termo declarando isto.
azul: imigrantes.
castanho: ciganos roma e sinti
negro: lésbicas e anti-sociais (alcoólatras e indolentes)
rosa: homossexuais

FUNCIONALISMO - CONTRADIÇÕES:

Um tema frequente nos estudos contemporâneos sobre o Holocausto é a questão de funcionalismo versus intencionalismo. Os intencionalistas acham que o Holocausto foi planeado por Hitler desde o início. Funcionalistas defendem que o Holocausto foi iniciado em 1942 como resultado do falhanço da política nazi de deportação e das iminentes perdas militares na Rússia. Eles dizem que as fantasias de exterminação delineadas por Hitler em Mein Kampf e outra literatura nazi eram mera propaganda e não constituíam planos concretos (curiosamente esta foi também a estratégia da argumentação da defesa dos nazis perante os julgamentos de Nuremberg).

Outra controvérsia relacionada, foi iniciada recentemente pelo historiador Daniel Goldhagen, que argumenta que os alemães em geral sabiam e participaram com convicção no Holocausto, que teria a sua origem num anti-semitismo alemão profundamente enraizado. Goldhagen vê na Igreja cristã uma origem desse anti-semitismo. No seu livro A Igreja Católica e o Holocausto – uma análise sobre culpa e expiação, Goldhagen reflecte sobre passagens do Novo Testamento claramente anti-semitas. Numa conferência que fez em Munique em 2003, Goldhagen colocou a seguinte questão: se em vez de frases como pelos seus pecados os judeus têm de ser punidos, ou os judeus desagradam a Deus e são inimigos de todos os homens Paulo de Tarso tivesse escrito no Novo Testamento semelhantes frases sobre outro grupo qualquer, os negros por exemplo, será que não se poderia dizer que o Novo Testamento é racista ?

Outros afirmam que sendo o anti-semitismo inegável na Alemanha, o extermínio foi desconhecido a muitos e teve de ser posto em prática pelo aparelho ditatorial nazi.

Goldhagen explora também o facto de milhões de alemães terem participado nas atrocidades da Guerra, afirmando depois da guerra, se acusados (o que raramente aconteceu), que eles tinham de seguir ordens para evitar represálias.

No entanto, houve alguns casos de alemães que recusaram participar nas matanças maciças e outros crimes e que não foram punidos em forma nenhuma pelos nazis. Alemães casados com judeus que optaram por se manter com o seu companheiro permaneceram não-castigados e suas esposas judias sobreviveram.


REVISIONISTAS - NEGADORES DO HOLOCAUSTO:






Algumas pessoas que duvidam do Holocausto são classificadas como Revisionistas do Holocausto. Esses pesquisadores afirmam que muito menos de seis milhões de judeus tiveram seus últimos dias nos campos de concentração e que as mortes não foram o resultado da política deliberada dos alemães. Já outros grupos, denominados pelos judeus de Negadores de holocausto alegam que o Holocausto definitivamente nunca existiu. Ambas as teses são normalmente acompanhadas de números que entram em choque com os números amplamente aceitos.

É comum que as duas idéias sejam associadas imediatamente ao racismo, ao nazismo e ao neo-nazismo. Muitos que acreditam na versão histórica afirmam categoricamente que o revisionismo é uma forma de anti-semitismo e equivalente a negação do Holocausto.

Muitos revisionistas afirmam não serem anti-semitas, e que querem meramente contar a história como deve ser. Estas pessoas dizem que estão contentes por menos pessoas terem sido mortas do que previamente julgado e que desejam que outras pessoas interpretem os dados revisionistas como boas notícias. Porém, muitas vezes é possível identificar a divulgação de informações anti-semitas nos mesmos meios ou pelas mesmas pessoas que divulgam essas idéias.





Ambas as teorias possuem poucos defensores e são evitadas pelos historiadores dessa área porque o simples fato de não se acreditar na história do Holocausto judeu constitui crime grave em alguns países, sujeitando-se o pesquisador as penas previstas na legislação de seus países. Portanto, em alguns países, como a França, Alemanha, Áustria, Suíça e Israel, o revisionismo é crime. Em outros, como Canadá, Austrália e Brasil são passíveis de outras sanções.

Nesse último, o Brasil, o revisionismo é associado ao anti-semitismo e este foi considerado uma forma de racismo, crime hediondo, que segundo o parecer jurídico do Supremo Tribunal Federal sujeita o infrator à pena máxima.

RAMIFICAÇÕES POLÍTICAS:

O Holocausto teve várias ramificações políticas e sociais que se estendem até ao presente. A necessidade de encontrar um território para muitos refugiados judeus levou a uma grande imigração para o Mandato Britânico da Palestina, que na sua maior parte se tornou naquilo que é hoje o moderno Estado de Israel. Esta imigração teve um efeito directo nos Árabes da região, algo que é discutido nos artigos sobre o Conflito Israel-Árabe, o Conflito Israel-Palestiniano e nos outros artigos ligados a estes.

FASES DO HOLOCAUSTO:

Raul Hilberg, um conhecido historiador do Holocausto, identificou quatro fases do Holocausto distintas:

Identificação / Definição
Discriminação económica e separação
Concentração
Extermínio.

LIVROS EM PORTUGUÊS:

Roney Cytrynowicz,Memória da Barbárie, São Paulo: EDUSP/Nova Stella, 1990.
Daniel J. Goldhagen, Uma dívida moral : A Igreja Católica e o Holocausto, Editora Notícias, Coleção Biblioteca de História, 2004
Inga Clendinnen, Um olhar Sobre o Holocausto, Editora Prefácio
História, Memória, Literatura. O testemunho na era das catástrofes, org. por M. Seligmann-Silva, Campinas: Editora da UNICAMP, 2003.
Stéphane Bruchfeld e Paul A. Levine - Contai aos vossos filhos... - gótica 2000.