3 de julho de 2010

RESGATANDO OS VESTÍGIOS DA DIÁSPORA JUDAICA EM BARBADOS - CARIBE

Fonte: Patricia Borns, correspondente do Globo | 01 de junho de 2008



Michael Stoner, um arqueólogo da Carolina do Sul, foi cavar nas imediações da Sinagoga Nidhe Israel, entre as mais antigas sinagogas no Hemisfério Ocidental desde a sua fundação em 1654 por judeus sefaraditas expulsos da então colônia de Portugal, o Brasil

Bridgetown, Barbados - Se Baruch Spinoza vivesse hoje, ele teria que engolir suas palavras. "Nada restava deles, nem mesmo a memória", disse o filósofo do século 17 sobre os judeus da Espanha e Portugal, que durante a Inquisição foram expulsos ou forçados a assumir identidades cristãs.
Mas aqui na capital, Michael Stoner, um arqueólogo da Carolina do Sul, foi cavar nas imediações da Sinagoga Nidhe Israel, entre as mais antigas sinagogas no Hemisfério Ocidental desde a sua fundação em 1654 por judeus sefaraditas expulsos da então colônia de Portugal, o Brasil. Planejava recuperar a casa de um rabino enterrado no estacionamento da sinagoga, mas encontrei outra coisa, disse o arqueólogo. "Era segunda-feira e eu estava trabalhando sozinho quando dois turistas israelenses caminharam até mim", recorda Stoner. "Eles observaram por um minuto, em seguida, um deles disse: 'micvê" (Espécie de 'piscina' ritual).

Assim foi. Micvê, um banho ritual de purificação do corpo, outrora tão importantes para a vida judaica que a sua construção era uma prioridade maior do que uma sinagoga. Durante as próximas três semanas, toneladas de entulho foram retiradas e uma escada toda de granito e mármore surgiu,
levando até o banho construído no século 17. Medindo cerca de 8 metros por 4 metros, o espaço é pavimentado com granito vermelho, azulejos e ladeada por nichos onde as lâmpadas teriam sido
colocadas. A fonte que alimentava o banho ainda está ativa e a água ainda pura.
"Eu não esperava isso. Nada. Nada", disse Stoner, um aluno de Doutorado na Universidade West
Indies - UWI, um dos três campi, cuja sede fica em Barbados.
A escavação realizada pelo departamento da universidade da história e foi somente possível com o apoio da comunidade judaica local e do magnata britânico Michael Tabor e sua esposa, Doreen, que
possuem uma casa na ilha. 


Enquanto a comunidade judaica em Barbados caiu, hoje, para somente 16 famílias, um cemitério ao lado do sítio arqueológico atesta a presença de judeus sefaraditas. As inscrições nas sepulturas em português e data hebraica marcando o início dos anos 1600, quando os judeus brasileiros especializados no comércio do açúcar foram recebidos na ilha, uma vez que buscavam uma nova cultura de exportação.
"Os sefaraditas possuíam o conhecimento tão necessário e capital de base ", disse Karl Watson, um arqueólogo e professor da UWI, que dirigiu a escavação e pesquisa a vida judaica em Barbados, enquanto recolhe material para seu próximo livro. "Você pode crescer a grama, mas se você não pode processar um bom produto, você estará desperdiçando seu tempo. 




No auge do açúcar boom, cerca de 800 judeus, prosperaram no transporte e comércio nos polos de Bridgetown e Speightstown. No entanto, até o século 20, os sinais de sua presença foram todos perdidos.
A escrita privilegia a manutenção da história no cemitério local. Influenciado por instituições sediadas em Boston (MA), o museu utiliza multimídia interativa que visa interpretar a vida judaica na ilha desde o início até os dias atuais. Entretanto, a escavação continua com a lavagem e catalogação de milhares de artefatos descobertos, incluindo pedaços de pedra e de um molde de joalheiro. (Reproduções das pulseiras serão vendidas na loja do museu).
Peneirando a terra, Stoner recorda uma escavação que fez na Carolina do Sul, onde descobriu a primeira casa de Charleston, datada em 1678. A cerâmica encontrada no local o levou para a ilha do Caribe, onde escava desde então.
"Eu trabalhei em alguns projetos interessantes, mas esta é a descoberta mais importante encontrar que eu já fiz ", disse ele.

28 de junho de 2010

O ANTI-SEMITISMO HISTÓRICO

Livro: Recapitalando a Profecia



PRISIONEIROS JUDEUS NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE BUCHENWALD - 1938


À pergunta: "Por que ainda hoje a Europa é tão inimiga dos judeus?", o escritor israelense Ephraim Kishon respondeu:

Por que o mundo é tão pró-palestino? Por que ama os palestinos? Não, mas por ser contra os judeus. Eu disse a um amigo curdo que a revolta deles está fadada ao fracasso desde o princípio, porque eles não lutam contra os judeus. O anti-semitismo é uma doença atávica e patológica. (nai 11/99)

Isso significa que o anti-semitismo é "uma doença renitente, em contínuo desenvolvimento, impossível de ser controlada". Realmente, não houve nenhuma década do século 20 em que não tivessem acontecido manifestações e abusos mais ou menos intensos contra os judeus. A seguir apresentamos apenas alguns exemplos típicos do que aconteceu com os judeus durante a história:

. O anti-semitismo na história:

Após os dois levantes judeus de 70 e 135 d.C., sufocados pelos romanos da maneira mais brutal, tentou-se eliminar o nome da pátria judaica, mudando o de Jerusalém para "Aélia Capitolina" e transformando a Judéia em "Palestina Síria", para que não houvesse mais lembrança dos judeus. Por volta de 160 d.C., Justino, o Mártir, condenou os judeus como "filhos de meretrizes". Em 200 d.C., Tertuliano escreveu o primeiro manifesto cristão sistemático contra os judeus. Ele também já tinha passado a considerar a Igreja como sendo o verdadeiro e eterno Israel. Depois disso foram publicados muitos outros panfletos anti-judeus por Pais da Igreja. Em 250, Cipriano, um dos Pais da Igreja, escreveu: "O diabo é o pai dos judeus". Mais tarde, essa acusação passou a ser encontrada constantemente no anti-judaísmo cristão. Em 325, no Concílio de Nicéia – pela primeira vez em um concílio –, não foram convidados bispos judeus-cristãos. A festa da Páscoa foi transferida para o domingo após pessach (a páscoa judaica) com a justificativa: "Seria o cúmulo da falta de reverência seguirmos as tradições dos judeus nesta maior de todas as festas. Não devemos ter nada em comum com esse povo abominável".

Em 387 d.C. teve início a maior campanha de instigação cristã contra os judeus de que se tem notícia na Antiguidade – e ela foi patrocinada pelo Pai da Igreja João Crisóstomo, a partir de Antioquia (Síria). Ele disse, por exemplo, que a sinagoga era "lugar de blasfêmia, asilo do diabo e castelo de Satanás". Em 415, o bispo Agostinho de Hipona escreveu que os judeus carregam eternamente a culpa pela morte de Jesus. Em decorrência, o monge Barzauma instigou uma perseguição aos judeus em Israel, quando inúmeras sinagogas foram destruídas. Em 538 foi vetada a entrada de judeus nas guildas (associações de mutualidade formadas na Idade Média entre as corporações de operários, negociantes ou artistas), restando à maioria deles apenas a opção do comércio. Em 613 foi dado um ultimato a todos os judeus da Espanha: batismo ou desterro. Posteriormente, o Sínodo de Toledo ordenou que todos os judeus "renegados" fossem executados nas fogueiras da Inquisição.

Em 1021, Roma foi sacudida por um terremoto na Sexta-Feira da Paixão. Em conseqüência, judeus foram presos e acusados de terem furado uma hóstia com um prego. Eles foram torturados e queimados na fogueira. Em Paris, no ano de 1240, foram queimados publicamente por monges dominicanos todos os exemplares disponíveis do Talmude. Essa foi a primeira queima oficial de escritos judaicos pela igreja católica. Em 1348 a "peste negra" (peste bubônica) se alastrava pela Europa, dizimando um terço da população. Os judeus foram acusados de envenenar as fontes de água, causando a epidemia. O papa Clemente VI expediu uma bula em que declarava todos os judeus inocentes dessa acusação, mas não foi possível impedir que, em quase todas as localidades nas quais havia uma comunidade judaica, irrompessem "pogroms" matando inúmeros judeus. Em 1401 foram queimados vivos 48 judeus em Schaffhausen (Suíça). Em 1431 o Concílio de Basiléia determinou que os judeus tinham de viver separados dos cristãos. Desse modo surgiram em muitas cidades os bairros judeus, mais tarde chamados de "guetos".

. Martin Lutero contra os judeus:

Em 1523 Lutero escreveu que Jesus era "judeu de nascimento". Ele empenhou-se para que os judeus fossem tratados de maneira amistosa, para levá-los à conversão. Vinte anos depois, em 1543, decepcionado porque os judeus não se convertiam à fé evangélica, Lutero lançou seu manifesto anti-judaico "Sobre os Judeus e Suas Mentiras". Nesse livro ele propunha que as sinagogas deveriam ser queimadas. Pouco tempo mais tarde, o príncipe da Saxônia expediu um rigoroso mandato anti-judaico, tendo por base os escritos de Lutero.

. O pensador Voltaire contra os judeus:

Em 1756 o filósofo francês Voltaire lançou suas "Obras Completas", contendo uma série de violentas passagens anti-semitas. Em 1879 o alemão Wilhelm Marr fundou a Liga Anti-Semita; ele é considerado o criador da expressão "anti-semitismo". Em 1880 o "filósofo do anti-semitismo" Eugen Dühring publicou sua obra "A questão judaica como questão de raça, nociva à cultura e à existência dos povos". Ele escreveu:
A origem do desprezo generalizado pelos judeus reside em sua absoluta inferioridade em todos as áreas intelectuais... Trata-se de uma raça inferior e degenerada. É tarefa dos povos nórdicos "arianos" exterminar raças parasitárias desse tipo, assim como costumamos exterminar cobras e outros predadores.

. Escritor Richard Wagner contra os judeus:


Em 1881 Richard Wagner publicou um ensaio onde recomendava o anti-semitismo político e classificava os judeus de "demônio causador da decadência da humanidade". Em 1903 eram publicados pela primeira vez, em São Petersburgo, os "Protocolos dos Sábios de Sião", profundamente anti-semitas. Os "Protocolos", escritos por anti-semitas cristãos, falam de uma conspiração mundial judaica para o domínio do mundo. Infelizmente, desde então houve e há muitos que sucumbiram às mentiras dos "Protocolos dos Sábios de Sião", dando-lhes mais crédito que às verdades bíblicas. Certa vez até recebi uma pregação gravada em fita atacando o judaísmo, na qual o pregador se baseava nos "Protocolos", vangloriando-se de tê-los em seu poder. Em 1905 foi fundada a "União do Povo Russo", de cunho anti-semita.

. Perseguição e morte aos judeus:

Em 1918 foram afogados no mar em Ialta 900 judeus pelas mãos de anti-semitas e em Sebastopol (Criméia) todos os líderes judeus foram assassinados. Em 1922 o ministro do Exterior da Alemanha, Walther Rathenau (o primeiro judeu a ocupar esse cargo), foi assassinado por anti-semitas. Mais tarde Hitler anunciava: "o extermínio dos judeus será minha prioridade ao assumir o poder. Eles não sabem proteger-se a si mesmos e ninguém vai apresentar-se como seu protetor". Em 1938 aconteceu a chamada "Noite dos Cristais" na Alemanha, quando 191 sinagogas e inúmeras instalações judaicas foram destruídas, 91 judeus foram assassinados e 30.000 arrastados para campos de concentração. Durante a Segunda Guerra Mundial foram mortos seis milhões de judeus. (Israel Heute)

. O anti-semitismo na atualidade:

Deveríamos ter aprendido da história. Mas o contrário parece estar acontecendo. Em ritmo crescente ouvem-se novamente manifestações anti-semitas de políticos europeus. Na Rússia os judeus temem abusos anti-semitas e as pressões da União Européia e dos EUA sobre Israel aumentam. Isso sem considerar o comportamento das nações islâmicas contra o povo judeu.

. O silêncio de Hillary Clinton:

Quando Hillary Clinton, esposa do então presidente dos EUA, esteve em Israel, causou perplexidade o fato dela não ter reagido a uma manifestação anti-semita da esposa de Arafat, simplesmente ignorando suas palavras e prosseguindo com a programação. Suha Arafat tinha afirmado em uma entrevista coletiva:
Israel envenena o ar e a água dos palestinos em Gaza, na Judéia e Samaria. Dessa forma os israelenses desencadearam câncer em muitas mulheres e crianças palestinas. Elas morreram dessa efermidade.
Hillary Clinton não reagiu, levantou-se, abraçou Suha Arafat depois dela encerrar suas declarações, e fez o discurso que havia preparado. A senhora Clinton foi duramente criticada nos Estados Unidos e em Israel por não ter reagido a um ataque tão forte contra Israel. Em Israel as afirmações de Suha Arafat desencadearam uma onda de indignação. Muitos vêem nisso o retorno de uma acusação anti-semita por demais conhecida: os judeus envenenam os poços. (IN)
Algumas semanas após o trágico acidente com um avião da "Egypt Air" em 31 de outubro de 1999, a imprensa egípcia, leal ao governo, não hesitou em lançar a culpa do acidente sobre Israel. (IN)

O QUE É ANTI-SEMITISMO?


A forte e eficiente propaganda nazista fez com que a população alemã tomasse ódio pelos judeus, assim, as pessoas foram convencidas de que eliminá-los era conveniente para a nação

Anti-semitismo é a ideologia de aversão cultural, étnica e social aos judeus. O termo foi utilizado pela primeira vez pelo escritor anti-semita Wilhelm Marr, em 1873, surgindo como uma forma de eufemizar a palavra alemã "Judenhass", que significava “ódio aos judeus”. Ao pé da letra, o termo “anti-semita” é errôneo, visto que os árabes também são“semitas”, descendentes de Sem, filho de Noé. No entanto, a palavra se refere unicamente ao povo judeu. Desde o fim do século XI, os judeus eram segregados na Alemanha, embora o anti-semitismo em si tenha surgido a partir da década de 1870.

O QUE É RACISM0?

Fonte: Internet



A escravização dos povos da Europa oriental e a perseguição aos judeus eram as provas pretendidas pelos nazistas da superioridade da raça ariana sobre os demais grupos.


O racismo é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais, são superiores a outros. O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial. A crença da existência de raças superiores e inferiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade e ao complexo de inferioridade, se sentindo, muitos povos, como sendo inferiores aos europeus.

. FILOSOFIA:

O racismo é um preconceito contra um “grupo racial”, geralmente diferente daquele a que pertence o sujeito, e, como tal, é uma atitude subjetiva gerada por uma sequência de mecanismos sociais. Um grupo social dominante, seja em aspectos econômicos ou numéricos, sente a necessidade de se distanciar de outro grupo que, por razões históricas, possui tradições ou comportamentos diferentes. A partir daí, esse grupo dominante constrói um mito sobre o outro grupo, que pode ser relacionado à crença de superioridade ou de iniquidade.
Nesse contexto, a falta de análise crítica, a aceitação cega do mito gerado dentro do próprio grupo e a necessidade de continuar ligado ao seu próprio grupo levam à propagação do mito ao longo das gerações. O mito torna-se, a partir de então, parte do “status quo”, fator responsável pela difusão de valores morais como o "certo" e o "errado", o "aceito" e o "não-aceito", o "bom" e o "ruim", entre outros. Esses valores são aceitos sem uma análise onto-axiológica do seu fundamento, propagando-se por influência da coerção social e se sustentando pelo pensamento conformista de que "sempre foi assim".
Finalmente, o mecanismo subliminar da aceitação permite mascarar o prejuízo em que se baseia a discriminação, fornecendo bases axiológicas para a sustentação de um algo maior, de posturas mais radicais, como as atitudes violentas e mesmo criminosas contra membros do outro grupo.
Convém ressaltar que o racismo nem sempre ocorre de forma explícita. Além disso, existem casos em que a prática do racismo é sustentada pelo aval dos objetos de preconceito na medida em que também se satiriza racialmente e/ou consente a prática racista, de uma forma geral. Muitas vezes o racismo é consequência de uma educação familiar racista e discriminatória.

. HISTÓRIA:

O racismo tem assumido formas muito diferentes ao longo da história. Na antiguidade, as relações entre povos eram sempre de vencedor e cativo. Estas existiam independentemente da raça, pois muitas vezes povos de mesma matriz racial guerreavam entre si e o perdedor passava a ser cativo do vencedor, neste caso o racismo se aproximava da xenofobia. Na Idade Média, desenvolveu-se o sentimento de superioridade xenofóbico de origem religiosa.
Quando houve os primeiros contatos entre conquistadores portugueses e africanos, no século XV, não houve atritos de origem racial. Os negros e outros povos da África entraram em acordos comerciais com os europeus, que incluíam o comércio de escravos que, naquela época, era uma forma aceite de aumentar o número de trabalhadores numa sociedade e não uma questão racial.
No entanto, quando os europeus, no século XIX, começaram a colonizar o Continente Negro e as Américas, encontraram justificações para impor aos povos colonizados as suas leis e formas de viver. Uma dessas justificações foi a ideia errônea de que os negros e os índios eram "raças" inferiores e passaram a aplicar a discriminação com base racial nas suas colônias, para assegurar determinados "direitos" aos colonos europeus. Àqueles que não se submetiam era aplicado o genocídio, que exacerbava os sentimentos racistas, tanto por parte dos vencedores, como dos submetidos, como os índios norte-americanos que chamavam os brancos de "Cara pálidas".
Os casos mais extremos foram a confinação dos índios em reservas e a introdução de leis para instituir a discriminação, como foram os casos das leis de Jim Crow, nos Estados Unidos da América, e do apartheid na África do Sul.




. FORMAS DE RACISMO:

Século XIX - explicação "científica"
No século XIX houve uma tentativa científica para explicar a superioridade racial através da obra do conde de Gobineau, intitulada Essai sur l'inégalité des races humaines (Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas). Nesta obra o autor sustentou que da raça ariana nasceu a aristocracia que dominou a civilização européia e cujos descendentes eram os senhores naturais das outras raças inferiores.
Racismo nos Estados Unidos da América
Nos Estados Unidos da América, o racismo chega a extremos contra os negros, índios, asiáticos e latino-americanos, em especial no sul do país. Até 1965, existiam leis, como as chamadas leis de Jim Crow, que negavam aos cidadãos não-brancos toda uma série de direitos. Leis existiam proibindo casamento interraciais e segregando as raças em transporte público e banheiros públicos. Assim mesmo que uma pessoa não fosse racista, ela estava proibida de casar com alguém de outra raça.
Além disso, muitos negros foram linchados e queimados vivos sem julgamento, sem que os autores destes assassinatos fossem punidos, principalmente pelos membros de uma organização, a Ku Klux Klan (KKK), que defendia a “supremacia branca”. Essa organização ainda existe naquele país, alegadamente para defender a liberdade de expressão e liberdade de se expressar sua supremacia branca daquele grupo social. A KKK surgiu como uma reação à abolição dos escravos nos Eua e o revanchismo praticado pelos ex escravos aliados aos nortistas (yankees) após a Guerra de Secessão nos Eua. Filmes pró sulistas como E o Vento Levou, Santa Fe Trail, The Undefeated, O nascimento de uma nação e Jezebel denunciam esse revanchismo que deu origem a KKK. Atualmente a KKK ainda existe e sofre perseguição nos EUA.
Paralelamente, desenvolveram-se grupos de supremacia negra, como o "Black Power" (em português, “Poder Negro”) e a organização "Nation of Islam", a que pertenceu Malcolm X.

. O NAZISMO:

Em 1899, o inglês Houston Stewart Chamberlain, chamado de O antropólogo do Kaiser, publicou na Alemanha a obra Die Grundlagen des neunzehnten Jahrhunderts (Os fundamentos do século XIX). Esta obra trouxe o mito da raça ariana novamente e identificou-a com o povo alemão.
Alfred Rosenberg também criou obras que reforçaram a teoria da superioridade racial. Estas foram aproveitadas pelo programa político do nazismo visando à unificação dos alemães utilizando a identificação dos traços raciais específicos do povo dos senhores. Como a raça alemã era bastante miscigenada, isto é, não havia uma normalidade de traços fisionômicos, criaram-se então raças inimigas, fazendo desta forma surgir um sentimento de hostilidade e aversão dirigido a pessoas e coisas estrangeiras. Desta forma, os nazistas usaram da xenofobia associada ao racismo atribuindo a indivíduos e grupos sociais atos de discriminação para amalgamar o povo alemão contra o que era diferente. A escravização dos povos da Europa oriental e a perseguição aos judeus eram as provas pretendidas pelos nazistas da superioridade da raça ariana sobre os demais grupos diferentes e raciais também.
Os trabalhos de geneticistas, antropólogos, sociólogos e outros cientistas do mundo inteiro derrubaram por terra toda e qualquer possibilidade de superioridade racial, e estes estudos culminaram com a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Embora existam esforços contra a prática do racismo, esta ainda é comum a muitos povos da Terra. Uma demonstração vergonhosa para o ser humano sobre o racismo ocorreu em pleno século XX, a partir de 1948 na África do Sul, quando o apartheid manteve a população africana sob o domínio de um povo de origem européia. Este regime político racista acabou quando por pressão mundial foram convocadas as primeiras eleições para um governo multirracial de transição, em abril de 1994.

. Genética:

Embora existam classificações raciais propostas pelas mais diversas correntes científicas, pode-se dizer que a taxonomia referência uma oscilação de cinco a duas centenas de raças humanas espalhadas pelo planeta, além de micro-raças regionais, locais ou geográficas que ocorrem devido ao isolamento de grupos de indivíduos que cruzam entre si.
Portanto, a separação racial torna-se completamente irracional em função das composições raciais, das miscigenações, recomposições e padronizações em nível de espécie que houve desde o início da caminhada da humanidade sobre o planeta.
De acordo com Guido Barbujani, um dos maiores geneticistas contemporâneos:

“A palavra raça não identifica nenhuma realidade biológica reconhecível no DNA de nossa espécie, e que portanto não há nada de inevitável ou genético nas identidades étnicas e culturais, tais como as conhecemos hoje em dia. Sobre isso, a ciência tem idéias bem claras”.

A genética demonstra que a variabilidade humana quanto às combinações raciais pode ser imensa. Mas as diferentes adaptações ocorridas a nível racial não alteraram sua estrutura quanto espécie.
Desta forma, a unidade fundamental da espécie humana a nível de macro análise permanece imutável, e assim provavelmente permanecerá apesar das diferenças raciais num nível de microanálise.
Todas as raças provêm de um só tronco, o Homo sapiens, portanto o patrimônio hereditário dos humanos é comum. E isto por si só não justifica o racismo, pois as raças não são nem superiores, nem inferiores, são apenas diferentes.
O racismo pode ser pensado como uma “adoção de uma visão equivocada da biologia humana ”, expressa pelo conceito de ‘raça’, que estabeleceu uma justificativa para a subordinação permanente de outros indivíduos e povos, temporariamente sujeitos pelas armas, pela conquista, pela destituição material e cultural, ou seja, pela pobreza ”, como conceitua Antônio Sérgio Alfredo Guimarães.
Atualmente ramos do conhecimento científico como a Antropologia, História ou Etnologia preferem o uso do conceito de Etnia para descreverem a composição de povos e grupos identitários ou culturais.

. Racismo e xenofobia:

Muitas vezes o racismo e a xenofobia, embora fenômenos distintos, podem ser considerados paralelos e de mesma raiz, isto é, ocorre quando um determinado grupo social começa a hostilizar outro por motivos torpes. Esta antipatia gera um movimento onde o grupo mais poderoso e homogêneo hostiliza o grupo mais fraco, ou diferente, pois o segundo não aceita seguir as mesmas regras e princípios ditados pelo primeiro. Muitas vezes, com a justificativa da diferença física, que acaba se tornando a base do comportamento racista.
Leis racistas têm sido feitas em diversos países com a intenção de punir racismo contra os negros. Leis antiracistas existem apesar da cientistas da área de Biologia atualmente dizerem que não existem raças.

. Antimestiço:

Uma forma de racismo menos conhecida, que consiste na crença de que a miscigenação gera indivíduos inferiores aos de "raça pura", seja a ambos, como defendia Louis Agassiz, seja a um deles, como defendia Gobineau. Uma forma atual de racismo tem ocorrido como reação ao racismo contra negros e de indígenas e asiáticos que consiste negar a identidade mestiça e a defesa de que as populações 'pardas' fazem de sua condição de mestiça, exigindo-se que as populações mestiças sejam tratadas como negras, indígenas ou brancas, negando sua peculiaridade. O Movimento Negro no Brasil não aceita o termo "mulato" nem aceita o "Movimento Mestiço" e o grupo "Nação Mestiça".

. Internet:

Valendo-se, ao mesmo tempo, da possibilidade de anonimato e do alcance a milhões de internautas, o racismo tem se espalhado de maneira intensa pelo mundo digital. Com discursos racistas, revisionistas ou neonazistas, milhares de sites, blogs, comunidades virtuais do Orkut e MySpace, disseminam o ódio racial e a intolerância.
O primeiro crime virtual de racismo no Brasil ocorreu em meados do ano de 1997 na cidade de Juiz de Fora (MG) em que os computadores de uma universidade foram utilizados para a divulgação de várias mensagens preconceituosas contra negros e homossexuais em uma lista de discussão sobre sexualidade instalada Unicamp. O episódio que, por vários dias, ocupou as manchetes dos jornais do país ficou conhecido como o caso rancora.
A divulgação do racismo, mesmo pela internet, trata-se de um crime, conforme é caracterizado pela legislação brasileira. Alguns sites advogam o direito à liberdade de expressão e afirmam não se considerarem racistas, expressarem apenas opiniões. Outros sugerem maneiras de como manter o material distante das autoridades competentes. Por esta característica, muitos sites, principalmente os disponibilizados em provedores gratuitos são retirados do ar, para em seguida reaparecerem, múltiplos em três ou quatro servidores novos, inclusive em domínios estrangeiros. Um dos sites pesquisados, afirma exatamente isto: para cada site retirado do ar, assume-se o compromisso de disponibilizar, pelo menos, três novos. Isso evidencia uma rede.
Segundo o Ministério Público do estado de São Paulo, estão ativas no Orkut mais de cinquenta comunidades que pregam a violência a negros, judeus e asiáticos.

. A mulher negra:

É evidente a distinção entre mulheres e homens no mercado de trabalho, principalmente em relação a mulher negra. Esse preconceito tem suas raízes na escravidão, que, apesar de ter sido abolida há décadas, ainda tem influência nas relações sociais, no modo de pensar e de ver o outro e a si mesmo.
O preconceito contra a mulher sempre foi tão incutido na sociedade, que gerou nelas mesmas uma visão auto-depreciativa de sua posição nas relações sociais e como tal no mercado de trabalho.
Com a criação do movimento feminista e depois de muitas lutas, as mulheres conquistaram alguns direitos e de certa forma algumas barreiras sociais foram quebradas. Porém, a atual situação das mulheres não sofreu muitas alterações.
No mercado de trabalho as mulheres ainda ocupam cargos inferiores em relação aos homens, isto se comprova através de estudos recentes, revelando que para elas alcançarem os mesmos cargos que os homens, em empregos formais, necessitam de uma vantagem de cinco anos de escolaridade. Esses dados agravam-se quando relacionados à mulheres negras, que necessitam de oito a onze anos de estudo a mais em relação aos homens.




. Perspectivas jurídicas contemporâneas:

. Brasil:

A Constituição de 1988 tornou a prática do racismo crime sujeito a pena de prisão, inafiançável e imprescritível. A legislação brasileira já definia, desde 1951, com a Lei Afonso Arinos (lei. 1.390/51), os primeiros conceitos de racismo, apesar de não classificar como crime e sim como contravenção penal (ato delituoso de menor gravidade que o crime). Os agitados tempos da Regência, na década de 1830, assinalam o anti-racismo no seu nascedouro quando uma primeira geração de brasileiros negros ilustrados dedicou-se a denunciar o "preconceito de cor" em jornais específicos de luta (a "imprensa mulata"), repudiando o reconhecimento público das "raças" e reivindicando a concretização dos direitos de cidadania já contemplados pela Constituição de 1824.

. Estados Unidos:

Nos Eua, a situação se inverteu nas últimas décadas, de leis que regulavam o racismo, passou-se a ter leis anti-racistas:
Nos Estados Unidos, 44 dos 50 estados possuem leis punindo explicitamente a discriminação racial. Os únicos estados que não possuem tais leis são Arkansas, Geórgia, Indiana, Carolina do Sul, Utah e Wyoming.
No nível federal dos EUA, algumas leis também punem os crimes motivados pelo racismo, tais como a Lei da Acomodação Justa (The Fair Housing Act) de 1968, aplicável à discriminação racial no aluguel, compra ou venda de imóveis; e a Lei de Aumento das Penas para Crimes de Ódio (The Hate Crimes Sentencing Enhancement Act), de 1994, aplicável a ataques racistas em propriedades federais ou parques nacionais.

. França:

Na França, o artigo 225-1 do Código penal francês define como discriminação “toda distinção operada entre pessoas físicas (ou jurídicas) em razão de (...) seu pertencimento ou não-pertencimento, verdadeiro ou suposto, a uma etnia, nação, raça ou religião determinada”. O artigo 225-2 pune tal discriminação com 3 anos de prisão e 45 mil euros de multa, quando ela ocorre em função da recusa no fornecimento de um bem ou serviço, no entrave ao exercício normal de qualquer atividade econômica, na recusa de empregar, demitir ou aposentar uma pessoa, ou na subordinação de uma oferta de emprego, de um pedido de estágio ou de um curso de formação na empresa a tais características discriminatórias.

. Índia:

O sistema de castas existente no país tem sido apontado como uma forma de racismo, mas a posição oficial do governo afirmada publicamente numa conferência mundial da ONU contra o racismo é que "as questões de casta não são as mesmas do racismo".
A hierarquização das castas como algo inevitável não é consensual na Índia e o fato de indivíduos de algumas castas consideradas "inferiores" terem conseguido poder político tem ajudado a minorar os efeitos da segregação tradicional.
Embora alguns refiram um "apartheid escondido" em termos estritamente legais essa prática não é sancionada, pelo contrário, há políticas de discriminação positiva de castas consideradas inferiores.

. Israel:

Em 1975, por pressão dos países árabes e com o apoio dos soviéticos, o sionismo foi considerado uma forma de racismo pela Resolução 3379 da Assembleia Geral das Nações Unidas. No entanto, em 1991, essa acusação foi eliminada pela Resolução 4686 da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Em 2002, o Parlamento israelense aprovou uma lei que nega aos cidadãos de origem árabe do país o direito de conviver com seus cônjuges caso contraiam matrimônio com palestinos, pois a estes será recusada a permissão de residência no país. Esta lei se baseia na Torá Deuteronômio 7:3 que a lei israelense segue e que diz: "nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações; não darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás suas filhas para teus filhos". A lei foi questionada na justiça por diversas entidades de direitos humanos e em 15 de maio de 2006 foi confirmada pela Suprema Corte de Israel.

. Portugal:

De acordo com o novo Código Penal em vigor desde 15 de Setembro de 2007, qualquer forma de discriminação com base na raça ou etnia é punível. Da mesma forma são penalizados grupos ou organizações que se dediquem a essa discriminação assim como as pessoas que incitem a mesma em documentos impressos ou na Internet.
A legislação portuguesa aplica-se igualmente a outras formas de discriminação como religiosa, de local de origem e orientação sexual.
. União Europeia
A Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia garante ao cidadão europeu, em seu artigo 21º (item 1), a proibição da discriminação por motivo de raça, cor ou origem étnica, entre outras formas de discriminação ali previstas.

. BIBLIOGRAFIA:

• France Winddance Twine (1998): Racism in Racial Democracy - The Maintenance of White Supremacy in Brazil. Rutgers University Press, New Brunswick, NJ.
• Rebecca Reichmann (ed.) (1999): Race in Contemporary Brazil - From Indifference to Inequality. Pennsylvania State University Press, College Park, PA.
(2003): Blackness Without Ethnicity: Constructing Race in Brazil. Palgrave Macmillan
• Michael Hanchard (ed.) (1999): Racial Politics in Contemporary Brazil. Duke University Press: Durham, NC.
• Melissa Nobles (2000): Shades of Citzenship - Race and the Census in Modern Politics. Palo Alto, CA: Stanford University Press.

26 de junho de 2010

O QUE É O NEONAZISMO?

Henry - Internet (Yahoo! Respostas)



Os seguidores da doutrina em sua maioria promovem preconceito contra grupos específicos, como homossexuais, negros, índios, judeus e comunistas

O neonazismo está associado ao resgate do nazismo ou nacional-socialismo, ideologia política criada por Adolf Hitler, no começo da década de 1920. O movimento neonazista (ou neo-nazi) tem suas origens colocadas em preceitos racialistas, primando sempre pela "raça pura ariana". Os seguidores da doutrina em sua maioria promovem preconceito contra grupos específicos, como homossexuais, negros, índios, judeus e comunistas. Algumas correntes preferem apenas a segregação da "raça pura ariana" das demais "raças", condenando agressões físicas contra tais grupos (não condenando porém violência moral e psicológica, às vezes assegurada por lei). Outras promovem explicitamente o ataque físico aos grupos citados. Há grande oposição vinda dos neonazistas com relação a grupos punks, fazendo com que cresça uma hostilidade entre os dois grupos.

Apesar da prática racialista ou racista, os neo-nazis não se denominam racistas, promovendo às vezes debates e reuniões sobre seu movimento e culturas opostas à ideologia nazista, com o intuito de engrandecer a favorecer o movimento neonazista. Não raramente estas reuniões são planejadas de modo que induzam jovens a participar destes movimentos. Tais encontros, em que membros se declaram explicitamente a favor da doutrina nazista, são proibidos (por propagação de nazismo) na maioria dos países do mundo, porém muitas vezes tal proibição é relevada, como acontece em alguns países da Europa e nos EUA.


. Grupos neonazistas






Atualmente existem diversos grupos neonazistas, principalmente formado por jovens entre 16 e 25 anos de idade. O material destes grupos provém de sites na internet, tendo forte influência de grupos neonazistas alemães, ainda presentes. Mesmo a Alemanha tendo proibido qualquer atividade relacionada ao nazismo, estes grupos são mantidos por partidos de extrema direita, sediados na Europa e em outros países.

. Influências

O aumento da quantidade de grupos neonazistas levou ao maior estudo dos mesmos, tanto profissionalmente por especialistas quanto de modo amador pela sociedade de um modo geral, ambos buscando explicações plausíveis para tal fenômeno. Das explicações encontradas, uma das mais aceitas e tida como razoavelmente plausível é: Os jovens procuram grupos neonazistas porque não encontram respostas para questões de ordem familiar, pessoal, social e até mesmo cívica. Nos Estados Unidos da América, o crescimento vertiginoso do crime simultaneamente ao das imigrações ilegais e da forte difusão da cultura afro-americana e latina cria um sentimento de angústia e medo por parte da suposta "Raça Branca". Os jovens brancos estadunidenses estão vulneráveis a organizações que culpem essas minorias étnicas (latinos e afro-americanos) por tais problemas, e os movimentos neonazistas sabem disso. Assim, explorando a vulnerabilidade juvenil, os movimentos neonazistas podem reunir facilmente alguns desses jovens, manipulando-os. A própria proibição de propagação do nazismo na maioria dos países estimula os jovens que inicialmente não conhecíam o nazismo a interessar-se nos movimentos, visto que é característica marcante dos jovens a busca do proibido como forma de expressar rebeldia e contestação.

Essa busca por culpados para os problemas rotineiros obviamente não levam o jovem extremista ao caminho do neonazismo. Enquanto os neonazistas culpam minorias étnicas e religiosas, outros grupos culpam, por exemplo, o grupo político que está no poder, podendo ingressar em grupos de radicais políticos.

. Recrutamento

O recrutamento de novos membros ocorre principalmente pela ferramenta mais popular atualmente, a internet. Apesar de inúmeros países terem leis que proibam a divulgação da ideologia nazista, os sites se hospedam em países que permitem tal divulgação, dificultando a prisão destes envolvidos. Nestes sites encontram-se materiais para divulgação dos movimentos neonazistas, informações de reuniões, artigos e textos de apoio à causa neonazista. Mesmo assim esses sites registram inúmeros acessos diariamente, estando principalmente em inglês, alemão e português, respectivamente.

10 de junho de 2010

ESTUDOS REVELAM SIMILARIDADE GENÉTICA ENTRE JUDEUS

Por NICHOLAS WADE

The New York Times

9 de junho de 2010




As comunidades judaicas na Europa e no Médio Oriente compartilham muitos genes herdados da população ancestral judaica que vivia no Oriente Médio há cerca de 3 mil anos atrás; embora cada comunidade também carregue genes de outras fontes - geralmente do país em que vive.

Essa é a conclusão de dois novos estudos genéticos, os primeiros a utilizar o genoma inteiro de dispositivos de digitalização para comparar as comunidades judaicas de todo o mundo.

A grande surpresa de ambas as pesquisas é a proximidade genética das duas comunidades judaicas da Europa: Asquenazitas e os Sefarditas. Os Ashkenazim prosperaram no Norte e da Europa Oriental até à sua destruição pelo regime nazista de Hitler, e agora vivem principalmente nos Estados Unidos e Israel. Os Sefarditas foram expulsos da Espanha em 1492 e de Portugal em 1497 e mudaram-se para o Império Otomano, o Norte de África e os Países Baixos.

As duas pesquisas do genoma ampliam os estudos anteriores, baseados apenas no cromossomo Y, o elemento genético identificados em todos os homens. Os resultados contradizem a sugestão feita no ano passado pelo historiador Shlomo Sand, em seu livro "A Invenção do Povo judeu " de que os judeus não têm origem comum, mas são uma miscelânea de habitantes na Europa e na Ásia Central que
se converteram ao judaísmo em diferentes épocas.

As comunidades judaicas da Europa, Oriente Médio e do Cáucaso têm ascendência genética substancial que remonta ao Levante, mas já os judeus etíopes e comunidades judaicas na Índia são geneticamente mais próximas às suas populações de acolhimento.

As pesquisas fornecem dados sobre a rica herança genética que são de grande interesse para historiadores. "Eu estou constantemente impressionado com a maneira pela qual os geneticistas avançam com novos projetos e, conseqüentemente, iluminam o que nós já sabemos da história ", disse Lawrence H. Schiffman, professor de Estudos Judaicos na Universidade de New York.

Uma das pesquisas foi conduzida por Gil Atzmon do Albert Einstein College of Medicine e Harry Ostrer da New York University e foi publicada no Journal of Human Genetics dos EUA. Os outros estudos, liderados por Doron M. Behar do Campus da Universidade Rambam, em Haifa e Villems Richard, da Universidade de Tartu, na Estónia, foi publicado na edição da Nature.

Os geneticistas Ostrer e Atzmon desenvolveram uma forma de calendário de eventos demográficos a partir de elementos genéticos compartilhados por diferentes comunidades judaicas. Seus cálculos revelam que os judeus iraquianos e iranianos foram separados de outros judeus cerca de 2.500 anos atrás. Esta descoberta genética presumivelmente reflete um acontecimento histórico, a destruição do Primeiro Templo de Jerusalém por Nabucodonosor em 587. Antes da era cristã e do exílio de inúmeros judeus para a capital da Babilônia.

Os elementos comuns genéticos sugerem que os membros de qualquer comunidade judaica estão relacionados uns aos outros, tanto quanto são primos em 4º ou 5º grau em uma grande população, que é aproximadamente 10 vezes maior do que a relação entre duas pessoas escolhidas ao acaso nas ruas de New York, disse o Dr. Atzmon. 




Os Asquenazitas e Sefarditas possuem aproximadamente 30% de ascendência européia, com a maioria do resto do Oriente, revelaram as duas pesquisas. As duas comunidades são muito semelhantes entre si geneticamente, o que é inesperado porque elas foram separadas por tanto tempo.

Uma explicação é que elas vêm da mesma população de origem judia na Europa. A equipe Atzmon-Ostrer descobriu que a assinatura genômica dos ashkenazim e Sefaradim é muito semelhante a dos judeus italianos, sugerindo a existência de uma população judaica antiga no norte da Itália, que casaram-se com italianos locais.
Os Ashkenazim aparecem pela primeira vez no Norte da Europa em torno de 800 DC, mas os historiadores suspeitam que eles chegaram primeiro na Itália. Outra explicação, que pode complementar a primeira é que havia muito mais o intercâmbio cultural e casamentos do que o esperado entre as duas comunidades judaicas nos tempos medievais.

A genética confirma uma tendência observada pelos historiadores: Houve mais contato entre os Ashkenazim e Sefaradim tendo a Itália como o eixo do intercâmbio, disse Aron Rodrigues, historiador da Universidade de Stanford.

Um sobrenome comum entre os judeus italianos é Morpurgo, o que significa alguém de Marburg, na Alemanha. Além disso, o Dr. Rodrigues disse que é um dos nomes mais comuns entre os sefarditas, que no Império Otomano é Askenazi, indicando que muitos Ashkenazim se juntaram à comunidade Sefardita na região.
Os dois estudos genéticos indicam que "pode haver origens comuns compartilhadas pelos dois grupos, mas que também houveram contatos e assentamentos", disse Dr. Rodrigues.

O Hebraico pode ter servido como língua franca entre as comunidades Ashkenazi, falante de ídiche e o ladino, falado pelos Sefarditas (Portugal e Espanha). "Quando os judeus reuniram-se mutuamente, eles falavam o Hebraico”, disse Dr. Schiffman, referindo-se ao periodo medieval.

31 de maio de 2010

2 MIL ANOS DEPOIS: RENASCIMENTO DO HEBRAICO COMO LÍNGUA FALADA EM ISRAEL

07/05/2008 - 22h25
Implantação do hebraico é a "mais bem-sucedida da história", diz professor
FERNANDO SERPONE
da Folha Online


Fundamental para a criação da identidade nacional de Israel, a implantação da língua hebraica é o caso de política lingüística mais bem-sucedido da história, segundo Bruno Dallari, doutor em lingüística pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Após permanecer como uma língua morta durante séculos, tendo sobrevivido graças ao uso litúrgico, o hebraico voltou a ser a primeira língua de um grupo considerável de pessoas.



ELIEZER BEN YEHUDA: PAI DO HEBRAICO MODERNO

"A razão pela qual a [política lingüística] de Israel é a mais bem-sucedida é porque nunca tanta gente se dispôs a fazer isso, de uma vez só, e, sobretudo, dando o passo mais decisivo, que é fazer isso em relação aos próprios filhos. Então, em uma geração, você tinha uma comunidade inteira de falantes nativos do hebraico", disse Dallari à Folha Online.
Cerca de 20 anos após a criação do Estado de Israel, o hebraico já era considerada uma língua recriada --termo que indica o ressurgimento de uma língua, com falantes nativos.
Apesar da oposição dos rabinos --que viam a difusão do hebraico como uma profanação-- a língua foi fundamental para a criação da unidade e identidade de Israel. No entanto, os religiosos se opõem até os dias de hoje, afirmando que o hebraico e a identidade nacional israelense se dissociaram do judaísmo, deixando a religião em segundo plano.
Mesmo entre os árabes-israelenses, a adesão é grande. O maior desafio atual para que o hebraico continue onipresente no país é apresentado pela comunidade de imigrantes russos, que se recusam a aprender a língua, contando com jornais e escolas em sua língua natal.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Folha Online - O sr. havia comentado que a implantação da língua hebraica em Israel é o caso de política lingüística mais bem-sucedida da história. Por que isso acontece?

Bruno Dallari - Uma política lingüística, nesse sentido de adoção de uma língua, supõe que os falantes renunciem à sua língua nativa em benefício de uma outra língua. E esse fato é muito difícil de você conseguir voluntariamente. A razão pela qual a [política] de Israel é a mais bem-sucedida é porque nunca tanta gente se dispôs a fazer isso, de uma vez só, e, sobretudo, dando o passo mais decisivo, que é fazer isso em relação aos próprios filhos. Então, em uma geração, você tinha uma comunidade inteira de falantes nativos do hebraico.
Não eram pessoas que falavam como uma segunda língua, mas como primeira língua. Isso é a excepcionalidade. Toda política lingüística supõe esse processo. Mas, de um modo geral, você tem uma rejeição grande, nem todo mundo topa fazer isso, ou você faz isso ao longo de um período de tempo muito grande, como é o próprio caso da Itália, e de outros países que se unificaram lingüisticamente.

Folha Online - A Itália hoje é unificada lingüisticamente?

Dallari - Muito relativamente. Até a ultima sondagem que eu tenho, ela tinha cerca de 56% de falantes nativos do italiano. Os outros 44% são falantes nativos de outras línguas, que as pessoas conhecem como dialetos, mas na verdade são línguas, como o calabrês, o lombardo, o piemontês, e falam o italiano como segunda língua.

Folha Online - Apesar dos esforços de Eliezer Ben Yehuda (1858-1922) [considerado o criador do hebraico moderno], o hebraico era uma língua morta até a criação de Israel?

Dallari - Era considerada não, era uma língua morta, inequivocamente. O critério é sempre saber se a língua tem falantes nativos ou não --se tem alguma criança cuja primeira língua seja aquela. O hebraico, não havia nenhuma [criança] que falasse no século 19, ela estava morta há muitos e muitos séculos.

Folha Online - Mais morta que o latim e o grego?

Dallari - Mais até, porque o latim e o grego tinham uma sobrevida através de outras atividades que eram exercidas nessas línguas por pessoas que não as falavam, pois se escrevia --de filosofia, de direito, de ciência-- em latim e em grego. Nada semelhante acontecia com o hebraico, que era usado somente com fins litúrgicos.
Recriação

Folha Online - Como foi o processo de recriação do hebraico de uma língua morta para a língua do povo de Israel, e judeu em geral?

Dallari - Primeiramente, Yehuda teve de criar uma língua. Esse é um dado importante, ela não foi uma reconstituição, ela foi uma criação. O dado objetivo sobre isso é que mais de 50% dos termos do hebraico moderno foram termos inventados, que não existiam até 1880.
Tanto porque havia uma porção de sentidos modernos que não existiam na língua, quanto porque havia coisas como, por exemplo, a língua não tinha diminutivos, e Yehuda entendeu que era o caso de ter. Um engano que não deve ser feito é imaginar que o hebraico moderno é o mesmo hebraico que se falava nos tempos de Cristo (Palavras novas tiveram que ser criadas, como: Computador, ônibus, taxi, plástico, máquina de lavar roupa, telefone celular, geladeira, televisão, fax, rádio, chiclete, entre inúmeras outras).

Folha Online - Com Yehuda, e mesmo depois, termos foram emprestados de outras línguas?

Dallari - Termos de outras línguas, principalmente do iídiche, acima de todas, mas também do russo, do polonês, do ucraniano, alguns termos sefarads, e um pouco do árabe clássico.

Folha Online - Houve uma oposição do hebraico como língua oficial de Israel?

Dallari - Durante muito tempo ela não foi adotada como idéia, foi considerada como loucura, delírio do Ben Yehuda, pela razão simples de que ninguém achava possível fazer uma língua morta virar uma língua viva, justamente porque ela supunha essa adesão dos falantes.
Então, mesmo as pessoas que foram aprender o hebraico, e foram muitas em números absolutos, elas não tinham essa expectativa, de que aquela fosse virar a língua do Estado de Israel, ou de qualquer Estado.

Folha Online - Havia também a oposição religiosa...

Dallari - Dos rabinos, o que é interessante, porque ela continua até hoje, não é uma oposição que caiu. Eles entendem como uma profanação da língua sagrada

Folha Online - Qual foi a importância da língua hebraica na criação da união e identidade nacional de Israel?

Dallari - Ela acabou sendo decisiva. A alternativa seria Israel se definir como um Estado cujo único fator de coesão fosse a religião, e que, à parte disso, se constituísse como uma miríade de comunidades nacionais distintas. Só a unificação lingüística garantiu criar, autenticamente, uma nação israelense, o que é visto como paradoxal por muitos, que falam: "Mesmo a nação israelense não é garantia do próprio judaísmo" --o que continua sendo o entendimento dos rabinos. Eles falam: "Grande coisa criar um Estado laico, que não necessariamente tem vínculo com o judaísmo". Eles acham que a laicização dispersa os esforços em torno do que realmente deveria ser relevante, que é o aspecto religioso.

Folha Online - Então a crítica feita pelos religiosos é de que a identidade israelense está se constituindo de forma distinta da judaica?

Dallari - O que criou um problema para os judeus, porque eles são obrigados a se identificar com o Estado, defender o Estado, a ter mil problemas derivados do Estado, enfim, que poderiam não ter, ou que não necessariamente faz parte daquilo que é o judaísmo.
Aí cria-se a identidade nacional típica, que é língua, nação, cultura comum, cultura partilhada, mas, a religião vira um fator secundário dessa coesão.

Imigração russa:

Folha Online - Os imigrantes são um empecilho para a consolidação da língua em Israel?

Dallari - O que está acontecendo de peculiar, principalmente com os imigrantes russos, é que eles não têm disposição de aderir ao hebraico. Eles estão fazendo isso inercialmente, mas não têm o entusiasmo dos primeiros imigrantes que estavam construindo um Estado.
O que está sendo típico dos russos é eles irem a Israel e criarem lá uma pequena Rússia, que é um grupo à parte, com jornais e escolas. A questão das escolas é muito sintomática, porque eles não esperam nem que os filhos deles se tornem falantes hebreufones.

Folha Online - E essas escolas não têm a obrigação de ensinar o hebraico?

Dallari - Não. Eles aprendem o hebraico como uma segunda língua.

Folha Online - O sr. comentou que eles [os russos] chegam se considerando superiores culturalmente (...)

Dallari - Eles acham que estão no deserto, que os judeus, na verdade, são árabes culturalmente, os acham muito atrasados. E eles têm a tradição russa de cultura erudita, principalmente na música e na literatura, sabem declamar [o poeta e romancista Aleksandr] Pushkin e etc, e os judeus têm uma cultura parecida com a nossa, moderna, pop...

Desafios:

Folha Online - Quais os principais desafios que a língua hebraica enfrenta hoje?

Dallari - Não sei se chega a ser um desafio, mas é a própria transformação do hebraico. O fato de que é uma língua viva. Se você entrar no site da Academia da Língua Hebraica, há uma espécie de convite às pessoas a que co-participem desse processo, no sentido de termos novos. Então, a questão é manter a língua como valor, por um lado, e impedir que ela descaracterize Israel como Estado religioso. Mas é impossível, o que aconteceu hoje é: você tem o Hebraico criado, que é uma língua que tem falantes e que, objetivamente, não têm nenhum vínculo obrigatório com a questão religiosa.

Folha Online - Na consolidação do hebraico enquanto uma língua com falantes nativos, Yehuda teve um papel decisivo, ao criar tanto um dicionário quanto uma gramática...

Dallari - Ele é tão importante que a Unesco criou uma espécie de cátedra, que ganhou o nome dele, que é considerado uma grande referência histórica na reconstituição das línguas.

Folha Online - Não há nenhum outro caso de língua que tenha sido considerada morta que foi recriada, voltando a ter falantes nativos?

Dallari - Não, nenhum. Criada, não. Há grupos que defendem a volta do latim como língua oficial. Mas mesmo esses não têm a expectativa de que as pessoas voltem a ser falantes nativos do latim.

Folha Online - O hebraico falado atualmente é bem diferente da língua recriada por Yehuda?

Dallari - Sim, já evoluiu, é uma língua com vida própria. Uma vez que uma língua é criada, ela ganha autonomia. Começa a mudar e não há o que fazer. Não há nenhuma política lingüistica capaz de controlar esse processo espontâneo de mudança da língua.

Folha Online - E como se dá a integração dos árabes-israelenses à língua?

Dallari - A maior parte dos árabes-israelenses fala hebraico, tanto porque eles aprendem na escola, quanto porque eles têm que usar na vida cotidiana. Apesar das cisões, há um grau de integração muito grande na vida, principalmente na parte comercial das cidades, entre as duas comunidades. Então, os árabes se comportam um pouco como imigrantes --como se fossem árabes em Londres e tivessem que falar inglês, eles falam hebraico. E como acontece sempre nesses casos, muitos árabes da elite árabe-israelense começam a colocar, por exemplo, seus filhos em colégios que só falam hebraico.

Folha Online - A partir do momento em que o Estado de Israel foi criado, em 1948, quanto tempo demorou para surgir uma comunidade significativa de falantes nativos para poder considerar que a língua tinha sido recriada?

Dallari - Em 20 anos.

Tradição oral:

Folha Online - Se o hebraico não tinha vogal, como ela era pronunciada?

Dallari - Na base da tradição oral. Havia uma tradição oral que persistia através da liturgia, que tinha a forma de pronunciar. Mas mesmo isso não é seguro, porque mesmo o uso litúrgico não garante que as pessoas pronunciem do mesmo jeito. Vão acontecendo ao longo do tempo pequenas mudanças que não são percebidas, de tal maneira você não tem nenhuma garantia que a pronúncia litúrgica é mesma de anos atrás.

Folha Online - Como se dava esse uso litúrgico?

Dallari - Como com o próprio latim. A missa católica era em latim até o começo do século 20, embora ninguém mais falasse. Reza a missa to da em latim não só o padre, mas os fiéis também respondiam em latim.

Folha Online - Mas como que, na liturgia, se tirava o som das escrituras?

Dallari - Pela tradição, pelo costume. Um ouvia o outro recitando e recitava igual.

Folha Online - A população israelense em geral tem uma tolerância ao sotaque, o que facilitou a integração e a comunicação. Por que isso se dá? Deve continuar assim?

Dallari - É verdade, até porque eles não tinham escolha. Não havia a opção de não ter tolerância ao sotaque até porque não tinha um sotaque formalmente estabelecido.
A tendência, como sempre, em toda língua viva, é que comecem a aparecer variantes de prestígio, alguma versão. A mais provável, digamos, [segundo] o padrão histórico é: a versão das classes cultas, sofisticadas e ricas de Tel Aviv, que é a cidade mais importante, ser considerada sofisticada, e as outras serem consideradas variantes mais populares ou caipiras e etc.

Folha Online - Nos tempos em que o hebraico ela falado, outros povos também falavam o hebraico?

Dallari - Não, só os judeus.

Folha Online - E por que ela morreu?

Dallari - O principal motivo foi a própria diáspora. A dispersão dos judeus fez com que eles acabassem por adotar a língua dos países anfitriões.

Folha Online - E com isso ela foi ficando restrita (...)

Dallari - Aos usos litúrgicos. Ninguém mais falava o o hebraico.