31 de janeiro de 2013

LIVRO: OS JUDEUS NO RIO DE JANEIRO


No dia 14 de maio de 1948, o líder do movimento sionista David Ben Gurion proclamava a independência de Israel: a fundação do Estado encerrava uma ambição cultivada havia séculos pelos judeus na Diáspora. Nada mais grandioso a ser perpetuado na memória judaica do mundo inteiro - nele, a semente do judaísmo espalhou-se, cresceu e multiplicou-se.

Justo no ensejo dos 50 anos de criação do Estado de Israel, Henrique Veltman sustenta a necessidade de preservação da memória judaica: "A História do Brasil", sentencia ele, "é essencialmente uma história judaica. A contribuição dos judeus à história brasileira é excepcional e precisa ser resgatada"

Essa é a proposição do mais recente livro de Veltman, "A História dos Judeus no Rio de Janeiro"- seguindo a rota traçada em "Histórias de Vovó Rachel - A Criação do Mundo", "Crônica do Judaísmo Carioca", "A História dos Judeus em São Paulo", vídeo "Os hebraicos da Amazônia".

O livro foi lançado no último dia junho de 1998, numa concorrida noite de autógrafos na Livraria Letras & Expressões, em Ipanema.

Veltman dedica o seu livro "aos muitos historiadores, professores e jornalistas que escreveram, direta e indiretamente, sobre a vida judaica no Rio de Janeiro", certamente imbuído desse espírito inerente a, por exemplo, Luiz Edmundo, João do Rio, Emílio de Menezes, Machado de Assis.

Faz com que saborosas histórias e descrições da vida carioca, nos séculos passados e no atual, recheiem sua narrativa da história propriamente dita dos judeus do Rio de Janeiro. A qual, segundo Henrique Veltman, "deve ser contada na verdade a partir do descobrimento do Brasil". Nada mais oportuno, portanto, por ocasião das comemorações dos 500 anos.
Em seu livro, Veltman evoca a presença de israelitas nas esquadras portuguesas no século XV e nos primeiros tempos da colonização; retrata as relações do imperador D.Pedro II com a comunidade judaica, a integração dos imigrantes com o "bota-abaixo" de Pereira Passos e a reformulação arquitetônica da cidade, no início do século XX, sua inserção na vida literária, artística e social do Rio; descreve a visita de Albert Einstein, em 1925, a chegada de famílias que passaram a ter papel de destaque, a contribuição ao esforço de guerra contra a Alemanha e a presença de judeus nos pelotões da FEB; informa sobre a convivência dos judeus com o Estado Novo; descreve usos e costumes, aborda tendências políticas, dedica um capítulo à comida judaica, indicando até restaurantes, e enfatiza "a alma encantada das ruas", ao relacionar as muitas ruas avenidas, praças e obras públicas da cidade que ostentam nomes judaicos ou ligados ao judaísmo.
Henrique Veltman foi o jornalista responsável da revista O Hebreu, fundada em 1980 por Eliahu Chut.  Henrique Veltman ocupou durante quase 20 anos as principais páginas da revista, com seus comentários e informações. No Rio de Janeiro, em 1960, na companhia de um grupo de jovens jornalistas israelitas, fundou "Menorah" que existe ainda hoje, sob a forma de revista mensal. A pedido do Instituto Brasileiro de Cultura Judaica, o braço brasileiro do American Jewish Committee, escreveu para a revista "Comentário", em 1965, na edição comemorativa do IV Centenário do Rio de Janeiro, a "Crônica do Judaísmo Carioca", reproduzida, anos mais tarde, pelo Jornal Israelita, também do Rio.
Em São Paulo, foi incumbido pela Federação Israelita de coordenar as comemorações do Iom Haatzmaut de 1971. No ano seguinte, foi indicado diretor da Federação. Em 1973, por ocasião da Guerra do Iom Kipur, coordenou o trabalho conjunto da imprensa judaica, de informação imediata à Comunidade dos fatos que ocorriam nas frentes de batalha. Ainda em 1973, convocou a reunião preliminar dos profissionais judeus brasileiros da área de Comunicação, em São Paulo. Desta reunião nasceu um trabalho permanente de intercâmbio, principalmente dos jornalistas.
Em 1974, foi eleito diretor da Organização Sionista do Brasil, presidida na época pelo prof. Bóris Blinder Z'L'. Em 1976, participou do Congresso Sionista, em Jerusalém, como delegado da Tnuat Aliá do Brasil. Sua intervenção em plenário está registrada nos Anais do Congresso. No regresso ao Brasil, foi eleito sucessivamente para a Secretaria Geral da Tnuat Aliá em S.Paulo e Tnuat Aliá do Brasil.

Foi diretor de divulgação de A Hebraica, em 1972. É membro honorário do Kibutz Bror Hail. É membro do Avodá, no Brasil.

Que sorte a nossa de contar com um jornalista e escritor do gabarito de Henrique Veltman para pesquisar e recontar a saga dos imigrantes judeus que vieram para o Rio de Janeiro. Através das páginas dos seus livros, recordam-se os fatos, resgata-se a memória, registra-se a história” - Rabino Henry I. Sobel

Henrique Veltman lança agora “A História dos Judeus no Rio de Janeiro. Trata-se de um estudioso da memória judaica no Brasil. Em 1983, já havia feito, por encomenda do Beth Hatefutsot (museu da Diáspora de Tel Aviv) uma pesquisa sobre os israelitas na Amazônia. Em 1986, pesquisou e produziu o documentário “Marrocos, uma nova África”. Neste seu novo livro, ele aborda os mil e um aspectos da contribuição dos judeus na formação da sociedade carioca” - Murilo Melo Filho, Manchete

AMAZÔNIA, TERRA PROMETIDA - A HISTÓRIA DOS JUDEUS SEFARDITAS QUE EMIGRARAM PARA O PARÁ E O AMAZONAS

Fonte: revista Veja Online
Edição: 1946. 8 de março de 2006
O Brasil recebeu cinco ondas de imigração judaica. A primeira ocorreu em 1630, quando Pernambuco foi tomado pelos holandeses. Nos 24 anos de dominação holandesa no Nordeste, eles fundaram a primeira colônia hebraica e a primeira sinagoga na América. Sob um governo de tolerância religiosa, os judeus chegaram a constituir 50% da população branca pernambucana nesse período. Com a derrota dos holandeses, os judeus perderam seus negócios. Expulsos, ajudaram a fundar Nova Amsterdã, hoje Nova York. Dessa fase, sobraram apenas as ruínas da sinagoga pernambucana. A segunda leva deixou marcas mais profundas, embora não aparentes. No início do século XIX, judeus marroquinos emigraram para a Amazônia. Eles foram atraídos pela promessa de liberdade de culto e por uma campanha publicitária internacional feita pelo governo da então província do Grão-Pará. Em 1880, chegaram a Manaus. A assimilação desses sefarditas (como são chamados os judeus do norte da África) foi tamanha que, atualmente, a proporção de descendentes de judeus entre a população branca da Região Norte é a maior do país. 
Uma investigação genética dos brasileiros feita pela Universidade Federal de Minas Gerais mostra que 16% da população da Amazônia que se declara branca tem algum judeu entre seus antepassados. É uma proporção muito maior do que a exibida por São Paulo, onde vivem 60% dos 120.000 judeus brasileiros, ou por Pernambuco, estado no qual essa cifra não supera 2%. A razão para haver tantos descendentes de judeus na Amazônia se deve a uma peculiaridade. Nos primeiros anos do século XIX, praticamente só entraram no Brasil sefarditas do sexo masculino. Os mais ricos conseguiram abrir lojas de secos e molhados em Belém e outras cidades da região. A maioria, porém, adotou a profissão de regatão, como é conhecido o caixeiro-viajante que troca mercadorias industrializadas por produtos da floresta, como látex e peles de animais. Os regatões sefarditas só traziam a família para o Brasil ou se casavam com judias depois que acumulavam dinheiro. No meio-tempo, faziam como os portugueses: amancebavam-se com índias, caboclas e até mesmo mulheres brancas católicas. 
A definição cultural de judeu não segue integralmente a genética. Só é considerado como tal quem tem mãe judia e pratica a religião judaica. Por esse motivo, a maioria dos descendentes dos regatões sefarditas não é reconhecida como parte dessa comunidade. E a própria lógica da miscigenação fez com que os laços com a cultura hebraica fossem completamente perdidos nas gerações seguintes. Muitos nem sequer sabem que descendem de judeus. Outros, ainda, se dizem judeus, mas praticam o cristianismo. Em muitos casos, o ambiente isolado da Amazônia esmoreceu a religiosidade dos imigrantes, que tinham dificuldade para praticar sua fé. A primeira sinagoga de Belém só foi inaugurada em 1824, catorze anos depois da chegada dos primeiros sefarditas. O cemitério judaico de Belém, o primeiro do país, foi inaugurado somente em 1848. Para manterem vivas suas tradições, os imigrantes mais fervorosos passaram a copiar a Torá, o livro sagrado dos judeus, e outros textos religiosos a mão em cadernos comuns. Em celebrações religiosas, como a da circuncisão, a cachaça substituía o vinho. Pela tradição, esse ritual deve ser realizado oito dias após o nascimento do menino. Na Amazônia, eles aconteciam com até dez anos de atraso. No início do século XX, um menino foi circuncidado aos 12 anos, porque o pai esperou que nascessem seus irmãos para ir uma vez só da floresta até Belém. O aspecto paradoxal é que, se o isolamento na floresta diluiu a religiosidade de parte dos sefarditas, ele propiciou a preservação de seu idioma, o hakitía. Hoje, a língua subsiste apenas em determinadas localidades da Amazônia e no próprio Marrocos. "A importância da floresta na manuntenção do hakitía é inestimável", diz o linguista Mohamed El-Madkouri Maatoui, da Universidade Autônoma de Madri.
No fim do século XIX, os sefarditas enriqueceram com o ciclo da borracha. Os mais bem-sucedidos mandaram seus filhos estudar no Rio de Janeiro. Em 1890, as notícias da súbita prosperidade do Pará motivaram uma nova onda de imigração judaica. Em boa parte, ela foi financiada pelos que já estavam estabelecidos no país. A população judaica no interior do Pará cresceria, assim, exponencialmente. Para se ter uma idéia, metade dos 14.000 habitantes de Cametá, um entreposto comercial da Amazônia, era constituída por sefarditas. O êxito financeiro dos imigrantes provocou uma onda de anti-semitismo. Há relatos de ataques feitos a residências e lojas de imigrantes entre 1889 e 1901. As agressões começavam com passeatas e terminavam com depredações. Embora tenham sido chamadas de mata-judeus, não há registro de que tenham resultado no assassinato de ninguém. 
O isolamento imposto aos sefarditas na Amazônia chamou a atenção de rabinos no Marrocos, no início do século XX. Para fiscalizar o cumprimento das normas religiosas pela comunidade estabelecida na floresta, Shalom Emanuel Muyal foi enviado à região, em 1908. Dois anos depois de chegar a Manaus, Muyal foi vitimado por uma doença tropical, provavelmente febre amarela. E aqui reside um aspecto curiosíssimo do sincretismo brasileiro: depois de sua morte, sabe-se lá o motivo, ele ganhou fama de milagreiro entre os católicos locais. Muyal foi enterrado num canto do principal cemitério de Manaus (não havia cemitérios judaicos na capital amazonense naquele tempo) e sua sepultura tornou-se alvo de peregrinações. A fim de evitar que as velas acesas pelos fiéis danificassem a laje do túmulo, o rabino da sinagoga de Manaus mandou construir um muro ao seu redor. Os católicos não se deram por vencidos: passaram a usar o obstáculo como suporte para placas e quadros em que pedem graças e agradecem pelos pedidos que teriam sido atendidos por Muyal. "É impressionante: ele se tornou o santo judeu dos católicos da Amazônia", admite Isaac Dahan, da sinagoga de Manaus. A devoção é tanta que, nos anos 60, uma tentativa de trasladar os restos mortais do rabino milagreiro para Israel foi abortada em virtude das manifestações indignadas dos amazonenses.
Quando o ciclo da borracha terminou, no início do século XX, as famílias judias mais ricas de Belém mudaram-se para o Rio de Janeiro. "Lá, há uma espécie de sucursal da nossa comunidade", diz o rabino Moyses Elmescany, da capital paraense. Boa parte da influência dos judeus na Amazônia foi apagada. A sinagoga de Cametá, por exemplo, foi engolida pelo Rio Tocantins e não foi reconstruída. Hoje, nenhum dos habitantes da cidade segue o judaísmo. Em localidades como Óbidos, Breves e Muaná, no Pará, e Tefé e Humaitá, no Amazonas, existem apenas sepulturas. Da procura por uma extensão da Terra Prometida na Amazônia, restaram genes escondidos.

MISS BRASIL 1958: ADALGISA COLOMBO É SEPULTADA NO CEMITÉRIO ISRAELITA DE VILAR DOS TELES NO RIO DE JANEIRO





Adalgisa Colombo Teruskin (Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 1940 - 17 de janeiro de 2013) foi a Miss Brasil 1958.

Atuou em 1956 no filme Com Água na Boca, no papel de Teresinha. Foi a primeira representante do antigo Distrito Federal, atual Rio de Janeiro, a ser coroada Miss Brasil, num concurso realizado em 1958 no próprio Rio de Janeiro. No Miss Universo, realizado nesse ano em Long Beach, Califórnia (EUA), ficou em segundo lugar, perdendo apenas para Luz Marina Zuluaga. Renunciou durante o reinado por estar de casamento marcado, mas oficialmente é a vencedora do concurso; nenhuma outra candidata a sucedeu até a realização do Miss Brasil 1959. Trabalhou como apresentadora da TV Rio durante a década de 60, onde apresentou programas diversos, a maioria dirigidos ao público feminino. Em 2004 foi homenageada pelo site Misses do Brasil como a "Miss Brasil Inesquecível", por ocasião dos 50 anos do concurso.
O segundo casamento de Adalgisa foi com o empresário Flávio Teruszkin. Depois da união, ela se converteu ao Judaísmo, religião do marido, com quem morava numa casa no Joá, na zona oeste carioca. No final dos anos 80, o casal, que adotou dois filhos, se mudou para Portugal, fugindo da onda de sequestros no Rio de Janeiro. A modelo criou ainda a filha de sua única irmã, que morreu aos 29 anos com problemas cardíacos. Adalgisa trabalhou na Rádio Globo e na TV Rio, além de ter sido garota propaganda de produtos como o cigarro Charm, numa época em que fumar era símbolo de elegância. Apesar de dizer que detestava frequentar eventos como o Fashion Week, ela continuou sendo uma referência no mundo da moda e reproduzia aprendizados dos tempos da Casa Canadá. Um deles era jamais usar chapéu com cabelo solto. A eterna miss dizia: “Essa combinação deixa qualquer mulher parecida com uma bruxa”.
Adalgisa Colombo morreu no Rio de Janeiro, em 17 de janeiro de 2013, aos 73 anos. As causas da morte não foram divulgadas pela família. Seu corpo foi enterrado no Cemitério Israelita de Vilar dos Teles, na Baixada Fluminense. 

Fonte: Wikipedia

13 de janeiro de 2013

NA ADOLESCÊNCIA: MÃE PROCURA FILHO DADO PARA ADOÇÃO NO LITORAL CATARINENSE

Fonte: Diário Catarinense

Órfãos do Brasil - 03/10/2012

Aos 15 anos *Maria ficou grávida do seu primeiro filho quando morava na cidade de Lages, região serrana do Estado, e a gravidez precoce gerou desespero na família. A vizinha dela apresentou um advogado chamado Carlos e sua mulher, Carmem. Eles moravam em Camboriú, litoral catarinense e se ofereceram para levar o filho de Maria a uma família em Joinville. 



A angústia sem face: A mulher preferiu não se identificar, pois teme a retaliação de familiares

Dias antes do parto, Miriam foi levada a chácara do casal em Camboriú. De lá, a garota foi para a maternidade Chiquinha Galotti, em Tijucas, na Grande Florianópolis, onde deu luz ao bebê. Dias depois voltou para Lages, sem a criança.

Ela lembra que o casal ainda combinou com os pais dela para assinarem os documentos da adoção, mas nunca mais fizeram contato. Maria conta que os documentos da criança ficaram com o casal que fez a adoção.  
Familiar: Maria                                                                               
Parente que procura: filho      
Cidade: Tijucas  
Hospital: Chiquinha  Galotti   
Nasceu:14 junho  de  1984 
                                                                                                                   
* Maria teve seu nome trocado pois prefere não se identificar.
Versão inglês:
When she was fifteen, Maria* had her first child in Lages and the early pregnancy caused despair in her family. Her neighbor knew a lawyer called Carlos and his wife Carmem, who used to live in Camboriú and had offered to take the child to a family in Joinville. 

Days before giving birth, Maria were left to the family ranch. From there she went to Chiquinha Galotti Maternity, in Tijucas, where she gave birth. A few days later she went back to Lages without the child. 

She remembers the couple arranged with her parents to sign the adoption papers, but they never made contact again. Maria has no documents of the child.
Relative: Maria
Looking for:
Son City: Tijucas
Hospital: Chiquinha Galotti
Date of birth: June 14, 1984
* Maria had her name changed because prefers to remain anonymous   
Versão em hebraico:
 בגיל 15, נולד למרים* הבן הראשון, בעיר לאז`ס. ההריון בגילה הצעיר גרם צער רב למשפחה. שכנה שלהם הכירה את עורך הדין, קרלוס, ואשתו, כרמן, אשר התגוררו בקאמבוריו והציעו לקחת את הילד למשפחה בג`וינווילה. מספר ימים לאחר הלידה, מרים נלקחה לאחוזת הזוג בקאמבוריו. משם היא יצאה לבית היולדות צ`יקיניה גאלוטי, בטיז`וקס  שם ילדה. כמה ימים אחר כך היא חזרה ללאז`ס ללא הילד. היא זוכרת שהזוג קבע חתימת מסמכי אימוץעם הוריה, אך מעולם לא יצר קשר. למרים אין אף מסמך של הילד. 
בת משפחה: מרים
מחפשת אחר: בן
בית חולים: צ`יקיניה גאלוטי
תאריך לידה: 14 ביוני, 1984

MÃE SE ARREPENDE E BUSCA FILHO DADO PARA ADOÇÃO LOGO APÓS O NASCIMENTO

Fonte: Diário Catarinense

Órfãos do Brasil03/10/2012 | 16h34

Bebê teria sido entregue a cartorária em Rio do Sul, no Alto Vale de Itajaí, em Santa Catarina


Nena espera há 27 anos para reencontrar o filho (Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal)

Nena como é conhecida pelos amigos, entregou seu filho para adoção em 1985. A criança nasceu no hospital e maternidade Samaria, em Rio do Sul. Na época com 19 anos, Nena dormia na rua porque a família não aceitava a gravidez. Durante o dia, ganhava comida e ajuda da irmã. 

Ela conta que quando seu filho nasceu não tinha onde ficar. Desesperada resolveu aceitar a oferta de uma mulher dona de um cartório em Rio do Sul. Nena escutou a promessa que poderia manter contato com o filho, mas depois do dia 29 de outubro daquele ano, quando entregou a criança, nunca mais teve notícias.

Familiar: Marcia Aparecida Machado

Parente que procura: filho

Cidade: Rio do Sul.

Nasceu em: 09 de outubro de 1985

Versão em inglês: 

Nena, as she is known by friends, gave her son up for adoption in 1985. The child was born in Samaria Hospital. In that time, she was nineteen and used to sleep out on the streets because her family didn't accept the pregnancy. During the day, she was aided by her sister. 

She tells that when her son was born she didn't have a place to sleep. Desesperate, she decided to accept the offer of a woman, who was owner of a register office in Rio do Sul. The woman said she could be in touch with her son, but after October 29, whe, she gave the child up, she never heard about her son again.

Relative: Marcia Aparecida Machado

Looking for: Son

Date of birth: October 9, 1985

City: Rio do Sul   

Versão em hebraico: 

ננה, כפי שהיא נקראת בפי חבריה, מסרה את בנה לאימוץ ב-1985. הילד נולד בבית החולים והיולדות סמריה. באותה תקופה, כשהיתה בת 19, ישנה ברחובות משום שמשפחתה לא קיבלה את הריונה. במשך היום, קיבלה אוכל ועזרה מאחותה. היא מספרת שכשבנה נולד, לא היה לה מקום לינה. מתוך יאוש, החליטה לקבל אתהצעתה של בעלת משרד רישום בריו דו סול. ננה קיבלה הבטחות שתוכל לשמור על קשר עם הילד, אך מאז ה-29 באוקטובר, כשמסרה את הילד, לא שמעה עליו דבר.

בת משפחה: מריה אפרסידה משדו

מחפשת אחר: בן

עיר: ריו דו סול

תאריך לידה: 9 באוקטובר, 1985

TRÁFICO DE BEBÊS 25 ANOS DEPOIS: AS PROFUNDAS FERIDAS DE BRASILEIROS QUE FORAM VENDIDOS NA INFÂNCIA PARA FAMÍLIAS EM ISRAEL

Fonte: Diário Catarinense

Órfãos do Brasil: 04/08/2012 | 11h21

Repórter: Mônica Foltran, enviada especial/Israel
monica.foltran@horasc.com.br


Série especial conta o drama de bebês brasileiros vendidos como uma mercadoria qualquer para casais estrangeiros




Nascido na região sul do Brasil, Lior Vilk aprendeu a língua portuguesa assistindo novelas brasileiras em Israel e tem dedicado os últimos oito anos da sua juventude em busca de sua identidade brasileira

No dia 9 de maio deste ano, a dona de casa Marilene Espindola recebeu um telefonema do Diário Catarinense.

– A senhora tem uma filha chamada Maya?
– Tive
– Pois nós a localizamos. E gostaríamos de conversar com a senhora – diz a repórter.
– Vocês estão brincando comigo! É um trote? – pergunta a mulher, em cuja cabeça começa a rodar um filme.

As imagens que passaram na cabeça de Marilene têm um roteiro de terror. É uma história que assombra milhares de mulheres brasileiras há duas décadas e meia, quando o Brasil proporcionou um escândalo conhecido na época como Tráfico de Bebês – um comércio que exportou especialmente crianças catarinenses e paranaenses, um volume estimado de 3 mil por ano, entre 1985 e 1988.
Quadrilhas formadas por advogados, juízes, promotores, donos de cartórios, despachantes, enfermeiras e médicos, com a conivência de policiais, pagavam um salário mínimo para grávidas, em situação vulnerável, entregarem os filhos para adoção compulsória. Algumas mulheres venderam os fetos ainda no ventre – e muitas vezes por menos de um salário.

Outras mães nunca viram um tostão; apenas foram convencidas de que viveriam melhor com uma boca a menos dentro de casa e ainda proporcionariam um futuro brilhante ao rebento. Bebês acabaram trocados por móveis, o que na polícia as gangues organizadas justificavam como "doações espontâneas".
Em Camboriú, um dos principais focos de atuação das quadrilhas no país, as gangues chegaram a usar uma chácara para montar o que a Polícia Federal classificou como "chocadeira", uma improvisada maternidade e berçário, local onde ficavam os nenês retirados das mães. Em apenas uma operação, a PF resgatou 20 bebês, devolvidos aos pais.

No Exterior, principalmente em Israel, os bebês valiam de US$ 10 mil a até US$ 40 mil. O comércio clandestino enriqueceu os "capos" do tráfico, que, beneficiados pela legislação da época, cumpriram penas irrisórias na cadeia e conseguiram manter parte dos bens adquiridos com a venda de crianças.
O escândalo colocou pelo menos 40 pessoas na cadeia. Pressionado pela opinião pública, o Congresso Nacional endureceu as leis de adoção ainda no final dos anos 1980, estabelecendo normas para dificultar o trânsito de bebês de uma família para outra, a fim de sufocar o tráfico.

O que nunca cicatrizou, porém, foram as feridas abertas nas mães que entregaram os filhos por necessidade ou ingenuidade e os estragos na personalidade dos bebês. Vinte e cinco anos depois, o DC localizou algumas dessas crianças em Israel, país para onde foi levada a maioria daqueles bebês pobres. Com idades entre 25 e 28 anos, hoje a maioria deles enfrenta profundas crises de identidade. E querem conhecer suas famílias biológicas.

Um deles, Lior Vilk, tem dedicado os últimos oito anos à busca de sua identidade brasileira. Remeteu inúmeras correspondências a órgãos oficiais no Brasil na esperança de conseguir auxílio e informações, mas o que obteve, diz, foram respostas evasivas, num jogo de empurra. Com a documentação falsificada, ele não sabe sequer se o nome escrito no papel é mesmo o de sua mãe biológica.
Pais adotivos localizados pelo DC também sofrem crise existencial

Depois de reler milhares de páginas dos processos volumosos da época, localizar mães que entregaram seus filhos e viajar até Israel, o DC narra, de hoje até sábado, um roteiro repleto de dramaticidade:

Boa parte dos filhos exprime dor e tristeza em todas as frases e comportamentos.

As mães brasileiras – dançarinas de boate e prostitutas na época, desempregadas ou miseráveis agricultoras – até hoje choram a perda dos filhos. Nunca mais se recuperaram.

Os pais adotivos hoje se deparam, dentro de casa, com a crise existencial e dolorida dos adultos sem pátria.

Os líderes do tráfico, depois da cadeia, vivem em bonança, aproveitando a qualidade de vida de Santa Catarina.

10 de janeiro de 2013

BRASILEIRO CRIADO EM ISRAEL DESCOBRIU POR ACASO QUE FOI ADOTADO DE FORMA ILEGAL

Para psicólogos, adoção "torta" pode provocar traumas

Fonte: Diário Catarinense
Mônica Foltran, enviada especial/Israel

Aos 15 anos de idade, Ron Yehezkel descobriu que não sabia nada sobre sua origem. A crescente desconfiança de que era adotado foi confirmada quando encontrou no quarto dos pais os papéis do registro em cartório oficializando sua entrega por parte da mãe biológica para a família europeia. A revelação caiu como uma bomba em sua vida. Seu passado de repente se tornou obscuro. Passou a se sentir estranho e sozinho. Angustiado procurou seus pais mas, eles apenas confirmaram a adoção e se negaram a falar sobre o assunto.
- Eu criei coragem para confrontar meus pais sobre esse assunto, e eles admitiram que eu sou adotado. Mas, até hoje, não querem cooperar, contar mais coisas - diz Yehezkel em sua casa em Haifa, Israel.
Com os documentos em mãos, começava então uma longa busca por respostas. Ron procura pela família biológica no Brasil há 11 anos. Em Pelotas, no Rio Grande do Sul onde nasceu, surgiu a primeira pista em março deste ano. A moradora na cidade, Ceci Gomes da Silva, 68 anos, viu uma foto de Yehezkel em um jornal local e o achou parecido com um filho seu, também adotado. Foram enviadas para ele fotos de um suposto irmão, Giovane Gomes da Silva, 30 anos, que trabalha como segurança na Capital.
- Vejo algo nos olhos dele que se parece com os meus. Gostaria de fazer um teste de DNA e, caso positivo, estaria disposto a viajar ao Brasil para conhecê-los - conta o futuro advogado.
Probabilidade de ser a mãe biológica é pequena

A realização de um exame de DNA ainda não foi acertada. Em sua casa, em Pelotas, Maria Amélia de Jesus, a suposta mãe biológica, conta que realmente entregou um bebê para adoção em 1986.
- Eu não tinha condição de criar - conta Mária Amélia.
Maria Amélia virou evangélica e sofreu um derrame há pouco mais de uma década. Diz não fazer questão de conhecer o possível filho por não saber como ele reagiria. Os dados presentes nos documentos disponíveis, porém, sugerem que a possibilidade de Yehekzel ter encontrado a mãe biológica é pequena: o nome materno que consta nos papéis é Maria Lemos, e a data de adoção do jovem aparece como 16 de setembro, enquanto Maria Amélia sustenta que deu à luz em novembro de 1986.
Procurada pela reportagem da sucursal da RBS (Zero Hora) no Rio Grande do Sul, a direção da Santa Casa de Pelotas não forneceu informações sobre a possibilidade de Yehekzel ter nascido no local. Todas as pesquisas feitas pelo Serviço de Arquivo Médico são realizadas somente via ação judicial, que deve ser movida pelo próprio paciente.
A despeito das incertezas, Yehezkel diz ter orgulho de ser brasileiro, está casado há cerca de um ano e pretende, em breve, ter um filho.
Ron Yehezkel, 26 anos
Nasceu em: 01.09.1986
Cidade: Pelotas, RS
Mãe biológica: Maria Lemos
* Colaborou reportagem do Jornal Zero Hora do Rio Grande do Sul
Adoção "torta" provoca traumas, dizem psicólogos

Para psicólogos que lidam com adoções, traumas refletem consequências de uma adoção considerada "torta" – fora dos cuidados. Mentiras e a forma errada como contaram aos filhos geraram dores.

– É horrível a criança descobrir que foi adotada e, pior ainda, descobrir que mentiram para ela sobre suas raízes – observa a psicóloga Denise de Araújo Vosnika, de Curitiba, que lida com o tema.

O olhar e o tom de voz tristes revelam as incertezas que marcam a vida de Yael Stein. Bonita, "mas infeliz", como se audefine, aos 24 anos lembra como sua vida foi marcada por "tristeza e raiva". A revolta por ter sido entregue em condições ilegais resultou em inseguranças.

– O sonho é conhecer minha verdadeira família. Seus documentos, com duas datas de nascimento, são um atestado dessa confusão. Certidão e caderneta de saúde têm datas diferentes: 1º de fevereiro e 13 de março de 1988. A origem também é polêmica. Ela acredita ter nascido em Joinville, mas a certidão aponta Campo Largo, no Paraná. Ela reconhece que tem uma boa vida em Israel, mas isso não supera a dor do passado desconhecido.

– Não gosto de Israel. Quero morar no Brasil, porque acho ser o melhor lugar do mundo – diz Yael. Shiri Shinfouks vive uma confusão semelhante. Adotada com 12 dias de vida, tem documentos de Curitiba, mas a carteira de saúde aponta o nascimento na Maternidade Darcy Vargas, em Joinville. Da mãe adotiva, ouviu que teria sido entregue numa casa "próxima a Joinville".

Shiri, a dona do pezinho carimbado na caderneta de saúde acima, foi adotada em outubro de 1984 por um casal israelense tão decidido que permaneceu três meses negociando no Brasil, até retornar com a menina. Em Curitiba, teriam ficado sabendo "das facilidades" para adotar crianças e, por indicação, se hospedaram em um conhecido hotel daquela capital, que a Polícia Federal identificou, na época, como um ponto de atração do trafico de bebês.

Hoje Shiri ouve da mãe adotiva que ela se parece muito com a mãe biológica. E por isso vive na frente do espelho, olhando suas feições e se perguntando:

– Por que estou aqui. Por que ela me entregou – questiona a jovem de pele clara e traços europeus.

Em seus documentos constam o nome de Luciana Mara de Araújo como mãe. No lugar reservado ao nome do pai, o termo "ignorado".